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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Oração dos namorados

Esta oração foi distribuída na Praça de São Pedro durante o encontro com o Papa Francisco a 14 de fevereiro de 2014, dia de São Valentim



Deus Pai, fonte de Amor,
Abre nossos corações e nossas mentes
para reconhecer em Ti a origem e a meta do nosso caminho de namorados.

Jesus Cristo, esposo amado,
ensina-nos a vida da fidelidade e do respeito,
mostra-nos a verdade de nossos sentimentos,
faz-nos disponíveis ao dom da vida.

Espírito Santo, fogo do amor,
acende em nós a paixão pelo Reino,
a valentia de assumir decisões grandes e responsáveis,
a sabedoria da ternura e do perdão.

Deus, Trindade do Amor,
guia os nossos passos.

Amém
Fonte: Aleteia

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Papa Francisco fala sobre o "caminho" conjugal

A primeira Leitura fala-nos do caminho do povo no deserto. Pensemos naquele povo em marcha, guiado por Moisés! Era formado sobretudo por famílias: pais, mães, filhos, avós; homens e mulheres de todas as idades, muitas crianças, com idosos que sentiam dificuldade em caminhar... Este povo lembra a Igreja em caminho no deserto do mundo atual; lembra o Povo de Deus que é composto, na sua maioria, por famílias.
 
 
 
Isto faz pensar nas famílias, nas nossas famílias, em caminho pelas estradas da vida, na história de cada dia... É incalculável a força, a carga de humanidade presente numa família: a ajuda mútua, o acompanhamento educativo, as relações que crescem com o crescimento das pessoas, a partilha das alegrias e das dificuldades... As famílias constituem o primeiro lugar onde nos formamos como pessoas e, ao mesmo tempo, são os «tijolos» para a construção da sociedade.
 
Voltemos à narração bíblica... A certa altura, o povo israelita «não suportou o caminho» (Nm 21, 4): estão cansados, falta a água e comem apenas o «maná», um alimento prodigioso, dado por Deus, mas que, naquele momento de crise, lhes parece demasiado pouco. Então lamentam-se e protestam contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes sair do Egipto?» (Nm 21, 5). Sentem a tentação de voltar para trás, de abandonar o caminho.
 
Isto faz-nos pensar nos casais que «não suportam o caminho», o caminho da vida conjugal e familiar. A fadiga do caminho torna-se um cansaço interior; perdem o gosto do Matrimónio, deixam de ir buscar água à fonte do Sacramento. A vida diária torna-se pesada e, muitas vezes, «nauseante».
 
Naquele momento de extravio – diz a Bíblia – chegam as serpentes venenosas que mordem as pessoas; e muitas morrem. Este facto provoca o arrependimento do povo, que pede perdão a Moisés, suplicando-lhe que reze ao Senhor para afastar as serpentes. Moisés pede ao Senhor, que lhe dá o remédio: uma serpente de bronze, pendurada num poste. Quem olhar para ela, fica curado do veneno mortal das serpentes.
 
Que significa este símbolo? Deus não elimina as serpentes, mas oferece um «antídoto»: através daquela serpente de bronze, feita por Moisés, Deus transmite a sua força que cura – uma foça que cura –, ou seja, a sua misericórdia, mais forte que o veneno do tentador.
 
Como ouvimos no Evangelho, Jesus identificou-Se com este símbolo: na verdade, por amor, o Pai «entregou» Jesus, o seu Filho Unigénito, aos homens para que tenham a vida (cf. Jo 3, 13-17). E este amor imenso do Pai impele o Filho, Jesus, a fazer-Se homem, a fazer-Se servo, a morrer por nós e a morrer numa cruz; por isso, o Pai ressuscitou-O e deu-Lhe o domínio sobre todo o universo. Assim se exprime o hino da Carta de São Paulo aos Filipenses (2, 6-11). Quem se entrega a Jesus crucificado recebe a misericórdia de Deus, que cura do veneno mortal do pecado.
 
O remédio que Deus oferece ao povo vale também e de modo particular para os casais que «não suportam o caminho» e acabam mordidos pelas tentações do desânimo, da infidelidade, do retrocesso, do abandono... Também a eles Deus Pai entrega o seu Filho Jesus, não para os condenar, mas para os salvar: se se entregarem a Jesus, Ele cura-os com o amor misericordioso que jorra da sua Cruz, com a força duma graça que regenera e põe de novo a caminhar pela estrada da vida conjugal e familiar.
 
O amor de Jesus, que abençoou e consagrou a união dos esposos, é capaz de manter o seu amor e de o renovar quando humanamente se perde, rompe, esgota.
 
O amor de Cristo pode restituir
aos esposos a alegria de caminharem juntos.
 
Pois o matrimónio é isto mesmo: o caminho conjunto de um homem e de uma mulher, no qual o homem tem o dever de ajudar a esposa a ser mais mulher, e a mulher tem o dever de ajudar o marido a ser mais homem.
 
Este é o dever que tendes entre vós:
 
«Amo-te e por isso faço-te mais mulher»
«Amo-te e por isso faço-te mais homem».
 
É a reciprocidade das diferenças. Não é um caminho suave, sem conflitos, não! Não seria humano. É uma viagem laboriosa, por vezes difícil, chegando mesmo a ser conflituosa, mas isto é a vida! E, no meio desta teologia que a Palavra de Deus nos oferece sobre o povo em caminho, mas também sobre as famílias em caminho, sobre os esposos em caminho, um pequeno conselho.
 
É normal que os esposos litiguem: é normal! Acontece sempre. Mas dou-vos um conselho: nunca deixeis terminar o dia sem fazer a paz. Nunca. É suficiente um pequeno gesto. E assim continua-se a caminhar.
 
O matrimónio é símbolo da vida,
da vida real, não é uma «ficção»!
 
É sacramento do amor de Cristo e da Igreja, um amor que tem na Cruz a sua confirmação e garantia. Desejo, a todos vós, um caminho lindo, um caminho fecundo. Que o amor cresça! Desejo-vos a felicidade. Existirão as cruzes… Existirão, mas o Senhor sempre estará lá para nos ajudar a seguir em frente. Que o Senhor vos abençoe!
 
Papa Francisco

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Catequese do Papa Francisco sobre o noivado

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
 
Prosseguindo estas catequeses sobre a família, gostaria de falar hoje do noivado. O noivado — percebe-se pela palavra [em italiano, se diz "fidanzamento"] — relaciona-se com a confiança, a confidência, a fiabilidade. Confidência com a vocação que Deus concede, porque o matrimónio é antes de tudo a descoberta de uma chamada de Deus.
 
 
 
Certamente é positivo que os jovens hoje possam optar por casar com base num amor recíproco. Mas precisamente a liberdade do vínculo exige uma harmonia consciente da decisão, não só um simples entendimento da atração ou do sentimento, de um momento, de um tempo breve... requer um caminho.
 
Por outras palavras, o noivado é o tempo durante o qual os dois estão chamados a fazer um bom trabalho sobre o amor, um trabalho partícipe e partilhado, que vai em profundidade.
 
Descobrimo-nos a pouco e pouco reciprocamente: ou seja, o homem «aprende» a mulher aprendendo esta mulher, a sua noiva; e a mulher «aprende» o homem aprendendo este homem, o seu noivo. Não subestimemos a importância desta aprendizagem: é um compromisso bom, e o próprio amor o exige, porque não é apenas uma felicidade despreocupada, uma emoção encantada...
 
A narração bíblica fala da criação inteira como de um bom trabalho de amor de Deus; o livro do Génesis diz que «Deus viu o que fizera, e era coisa muito boa» (Gn 1, 31). Só no final, Deus «repousou». Desta imagem compreendemos que o amor de Deus, que deu origem ao mundo, não foi uma decisão extemporânea. Não! Foi um trabalho bom. O amor de Deus criou as condições concretas de uma aliança irrevogável, sólida, destinada a durar.
 
A aliança de amor entre o homem e a mulher, aliança para a vida, não se improvisa, não se faz de um dia para outro. Não há o matrimónio rápido: é preciso trabalhar sobre o amor, é necessário caminhar. A aliança do amor do homem e da mulher aprende-se e aperfeiçoa-se. Permiti que eu diga que é uma aliança artesanal. Fazer de duas vidas uma só, é quase um milagre, um milagre da liberdade e do coração, confiado à fé.
 
Talvez devêssemos comprometer-nos mais neste ponto, porque as nossas «coordenadas sentimentais» entraram um pouco em confusão. Quem pretende tudo e imediatamente, depois também cede sobre tudo — e já — na primeira dificuldade (ou na primeira ocasião). Não há esperança para a confiança e a fidelidade da doação de si, se prevalece o hábito de consumir o amor como uma espécie de «integrador» do bem-estar psicofísico. Não é isto o amor! O noivado focaliza a vontade de preservar juntos algo que nunca deverá ser comprado ou vendido, atraiçoado ou abandonado, por muito aliciadora que seja a oferta.
 
Mas também Deus, quando fala da aliança com o seu povo, algumas vezes fá-lo em termos de noivado. No Livro de Jeremias, ao falar ao povo que se tinha afastado d’Ele, recorda-lhe quando o povo era a «noiva» de Deus e diz assim: «Lembro-me da tua afeição quando eras jovem, de teu amor de noivado» (2, 2). E Deus fez este percurso de noivado; depois faz também uma promessa: ouvimo-la no início da audiência, no Livro de Oseias: «Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor» (2, 21-22). É um longo caminho o que o Senhor faz com o seu povo neste percurso de noivado. No final Deus desposa o seu povo em Jesus Cristo: em Jesus desposa a Igreja. O Povo de Deus é a esposa de Jesus. Mas quanto caminho!
 
O noivado é um
percurso de vida
que deve maturar
como a fruta, é um
caminho de maturação
no amor, até ao momento
que se torna matrimónio
 
E vós, italianos, na vossa literatura tendes uma obra-prima sobre o noivado [Os Noivos]. É necessário que os jovens a conheçam, que a leiam; é uma obra-prima na qual se narra a história dos noivos que sofreram tanto, percorreram um caminho cheio de tantas dificuldades até chegar, no final, ao matrimónio. Não ponhais de parte esta obra-prima sobre o noivado que a literatura italiana ofereceu precisamente a vós. Ide em frente, lei-a e vereis a beleza, o sofrimento, mas também a fidelidade dos noivos.
 
A Igreja, na sua sabedoria, conserva a distinção entre ser noivos e ser esposos — não é o mesmo — precisamente em vista da delicadeza e da profundidade desta verificação. Estejamos atentos a não desprezar com superficialidade este ensinamento sábio, que se nutre também da experiência do amor conjugal felizmente vivido. Os símbolos fortes do corpo possuem as chaves da alma: não podemos tratar os vínculos da carne com superficialidade, sem causar ao espírito alguma ferida perene (1 Cor 6, 15-20).
 
Sem dúvida, a cultura e a sociedade de hoje tornaram-se bastante indiferentes à delicadeza e à seriedade desta passagem. E por outro lado, não se pode dizer que sejam generosas com os jovens que estão seriamente intencionados a constituir uma família e a ter filhos! Ao contrário, muitas vezes levantam numerosos impedimentos, mentais e práticos. O noivado é um percurso de vida que deve maturar como a fruta, é um caminho de maturação no amor, até ao momento que se torna matrimónio.
 
Os cursos pré-matrimoniais são uma expressão especial da preparação. E nós vemos tantos casais, que talvez chegam ao curso um pouco contra a vontade, «Mas estes padres obrigam-nos a fazer um curso! Mas porquê? Nós sabemos!»... e vão contra a vontade. Mas depois ficam contentes e agradecem, porque com efeito encontraram ali a ocasião — muitas vezes única — para refletir sobre a sua experiência em termos não banais.
 
Sim, muitos casais estão juntos muito tempo, talvez até na intimidade, por vezes convivendo, mas não se conhecem deveras. Parece estranho, mas a experiência demonstra que é assim. Por isso deve ser reavaliado o noivado como tempo de conhecimento recíproco e de partilha de um projeto.
 
O caminho de preparação para o matrimónio deve ser organizado nesta perspectiva, servindo-se também do testemunho simples mas intenso de casais cristãos. E apostando também aqui no essencial: a Bíblia, que deve ser redescoberta juntos, de modo consciente; a oração, na sua dimensão litúrgica, mas também na «oração doméstica», vivida em família, nos sacramentos, na vida sacramental — a Confissão... na qual o Senhor vem habitar nos noivos e os prepara para se acolherem deveras um ao outro «com a graça de Cristo»; e a fraternidade com os pobres, com os necessitados, que nos chamam à sobriedade e à partilha.
 
Os noivos que se comprometem nisto crescem ambos e tudo isto leva a preparar uma boa celebração do Matrimónio de maneira diversa, não mundana, mas cristã!
 
Pensemos nestas palavras de Deus que ouvimos quando Ele fala ao seu povo como o noivo à noiva: «Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor. Desposar-te-ei com fidelidade e tu conhecerás o Senhor» (Os 2, 21-22). Cada casal de noivos pense nisto e diga um ao outro: «Desposar-te-ei com fidelidade». Esperar aquele momento; é um momento, um percurso que vai em frente lentamente, mas é um percurso de maturação. As etapas do caminho não devem ser queimadas. A maturação faz-se assim, passo a passo.
 
O tempo do noivado pode tornar-se deveras um tempo de iniciação, no quê? Na surpresa! Na surpresa dos dons espirituais com os quais o Senhor, através da Igreja, enriquece o horizonte da nova família que se predispõe para viver na sua bênção. Agora convido-vos a rezar à Sagrada Família de Nazaré: Jesus, José e Maria. Rezai para que a família percorra este caminho de preparação; rezai pelos noivos. Peçamos a Nossa Senhora todos juntos uma Ave-Maria por todos os noivos, para que possam compreender a beleza deste caminho rumo ao Matrimónio Ave Maria.... E aos noivos que estão aqui na praça: «Bom percurso de noivado!».
 
Papa Francisco
27 de Maio de 2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Catequese do Papa Francisco sobre o Matrimônio

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje concluímos o ciclo de catequeses sobre os Sacramentos, falando sobre o Matrimônio. Este Sacramento leva-nos ao cerne do desígnio de Deus, que é um plano de aliança com o seu povo, com todos nós, um desígnio de comunhão. 

No início do livro do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, coroando a narração sobre a criação, afirma-se: «Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher... Por isso, o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 1, 27; 2, 24). A imagem de Deus é o casal no matrimônio: o homem e a mulher; não só o homem, não somente a mulher, mas os dois juntos. Esta é a imagem de Deus: o amor, a aliança de Deus connosco está representada na aliança entre o homem e a mulher. Isto é muito bonito! Somos criados para amar, como reflexo de Deus e do seu amor. Na união conjugal, o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva.

Quando um homem e uma mulher 
celebram o sacramento do Matrimônio, 
Deus, por assim dizer, «espelha-se» neles, 
imprime neles os seus lineamentos e 
o carácter indelével do seu amor. 

O matrimônio é o ícone do amor de Deus por nós. Com efeito, também Deus é comunhão: as três Pessoas do Pai, Filho e Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em unidade perfeita. É precisamente nisto que consiste o mistério do Matrimônio: dos dois esposos Deus faz uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz «uma só carne», tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimônio! Eis precisamente o mistério do matrimônio: o amor de Deus reflete-se no casal que decide viver junto. Por isso, o homem deixa a sua casa, a casa dos seus pais, e vai viver com a sua mulher, unindo-se tão fortemente a ela que os dois se tornam — reza a Bíblia — uma só carne.

Na Carta aos Efésios, São Paulo frisa que nos esposos cristãos se reflete um mistério grandioso: a relação instaurada por Cristo com a Igreja, uma relação nupcial (cf. Ef 5, 21-33). A Igreja é a esposa de Cristo. Esta é a relação. Isto significa que o Matrimônio corresponde a uma vocação específica e deve ser considerado uma consagração (cf. Gaudium et spes, 48; Familiaris consortio, 56). 

É uma consagração: o homem e a mulher são consagrados no seu amor. Com efeito, em virtude do Sacramento, os esposos são revestidos de uma autêntica missão, para que possam tornar visível, a partir das realidades simples e ordinárias, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a dar a vida por ela na fidelidade e no serviço.

No sacramento do Matrimônio há um desígnio deveras maravilhoso! E realiza-se na simplicidade e até na fragilidade da condição humana. Bem sabemos quantas dificuldades e provas enfrenta a vida de dois esposos... 



O importante é manter viva a união com Deus, que está na base do vínculo conjugal. E verdadeira unidade é sempre com o Senhor. Quando a família reza, o vínculo mantém-se. Quando o esposo reza pela esposa, e a esposa ora pelo esposo, aquela união revigora-se; um reza pelo outro. 

É verdade que na vida matrimonial existem muitas dificuldades, muitas; que o trabalho, que o dinheiro não é suficiente, que os filhos enfrentam problemas. Tantas dificuldades! E muitas vezes o marido e a esposa tornam-se um pouco nervosos e brigam entre si. Discutem, é assim, sempre se alterca no matrimônio, e às vezes até voam pratos! Mas não devem entristecer-se por isso, pois a condição humana é mesmo assim! E o segredo é que o amor é mais forte do que o momento do litígio, e é por isso que eu aconselho sempre aos cônjuges: não deixeis que termine o dia em que discutistes, sem fazer as pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário chamar as Nações Unidas, que venham a casa para instaurar a paz. É suficiente um pequeno gesto, uma carícia... E até amanhã! E amanhã tudo recomeça! 

Esta é a vida. É preciso levá-la adiante assim, levá-la em frente com a coragem de querer vivê-la juntos. E isto é grandioso, é bonito! A vida matrimonial é realmente bela, e devemos preservá-la sempre, cuidando dos filhos. 

Outras vezes eu já disse nesta Praça algo que contribui muito para a vida matrimonial. Trata-se de três palavras que é necessário pronunciar sempre, três palavras que devem existir sempre em casa: com licença, obrigado, desculpa. Eis as três palavras mágicas. Com licença: para não se intrometer na vida dos cônjuges. Com licença, como te parece isto? Com licença, permite-me. Obrigado: agradecer ao cônjuge; obrigado por aquilo que fizeste por mim, obrigado por isto. A beleza da gratidão! E dado que todos nós erramos, há outra palavra um pouco difícil de pronunciar, mas necessária: desculpa. Com licença, obrigado e desculpa. 

Com estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, voltando a fazer as pazes sempre antes que o dia termine, o matrimônio irá em frente. As três palavras mágicas, a oração e fazer as pazes sempre! Que o Senhor vos abençoe e orai por mim!

PAPA FRANCISCO
2 de Abril de 2014

domingo, 14 de junho de 2015

Três amores para um matrimônio

Foi uma pequena festa, para quinze casais que recordaram o aniversário de matrimônio, esta missa celebrada pelo Papa. Inspirando-se precisamente na experiência vivida por estas famílias, o Pontífice indicou as linhas essenciais do sacramento do matrimônio e «do amor esponsal de Jesus pela Igreja», ou seja «por todos nós»: fidelidade, perseverança e fecundidade.

Uma reflexão sobre o amor que brota sobretudo do discurso de despedida de Jesus aos apóstolos, proposto pelo Evangelho de João (16, 29-33). Jesus, explicou o Papa, «fala sobre o mesmo tema: o mundo, o espírito do mundo, que nos faz tão mal, e o Espírito que ele traz, o Espírito das bem-aventuranças, o Espírito do Pai». Ele diz expressamente: «O Pai está comigo». E é por isso que «vence o mundo».



«O Pai enviou Jesus a nós», afirmou o bispo de Roma, porque «amou tanto o mundo que, para o salvar, enviou o seu Filho, por amor». Portanto, «Jesus vem por amor e Jesus ama». Mas qual é o amor de Jesus? «Muitas vezes — fez notar — lemos tolices sobre o amor de Jesus! Mas o amor de Jesus é grande». E, em particular, indicou «três amores de Jesus».

Em primeiro lugar Jesus «ama muito o Pai no Espírito Santo». É um amor «misterioso» e «eterno». A ponto que «nós não podemos imaginar como é grande e belo este amor»; só podemos «pedir a graça de o poder ver uma vez, quando estivermos lá». O «segundo amor de Jesus é a sua Mãe». Vemo-lo «no final: com tantas dores, tantos sofrimentos, Ele da cruz pensou na sua mãe e disse: “Ocupa-te dela!» Enfim, «o terceiro amor de Jesus é a Igreja, a sua esposa por amor: bela, santa, pecadora, mas ama-a igualmente».

A presença dos quinze casais inspirou ao Papa a segunda parte da meditação. «São Paulo — explicou — quando se refere ao sacramento do matrimônio, chama-o sacramento grande, porque Jesus casou-se com a sua Igreja e cada matrimônio cristão é um reflexo destas núpcias de Jesus com a Igreja».

O Papa confidenciou que gostaria de ouvir a história de cada casal para que narre «o que aconteceu neste tempo, ao longo destes sessenta, cinquenta anos, vinte e cinco anos». Mas, acrescentou imediatamente, «não vamos acabar nem sequer ao meio-dia: portanto deixemos estar!». Contudo, prosseguiu, «podemos dizer algo sobre o amor esponsal de Jesus para com a Igreja». Um amor que tem «três características: é fiel; é perseverante, nunca se cansa de amar a sua Igreja, é fecundo».

Em primeiro lugar «é um amor fiel. Jesus é o fiel», como nos recorda também são Paulo. «A fidelidade — afirmou o Pontífice — é precisamente a essência do amor de Jesus. E o amor de Jesus na sua Igreja é fiel. Esta fidelidade é como uma luz sobre o matrimônio: a fidelidade do amor, sempre!». 

O Papa reconheceu que «existem momentos maus, muitas vezes os casais discutem. Mas por fim voltam atrás, pedem perdão e o amor matrimonial vai em frente, como o amor de Jesus para com a Igreja».

A vida matrimonial é «também um amor perseverante», porque, se faltar esta determinação «o amor não progride». E dirigindo-se novamente aos esposos presentes, sobretudo a quantos festejaram os seus sessenta anos de vida matrimonial, o bispo de Roma frisou que é bela esta experiência da perseverança, testemunhada pelo «homem e pela mulher que se levantam todas as manhãs e levam em frente a família».

Por conseguinte, o Pontífice indicou na fecundidade «a terceira característica do amor de Jesus com a sua esposa, a Igreja. O amor de Jesus torna fecunda a sua esposa, torna fecunda a sua Igreja com novos filhos. E a Igreja cresce com esta fecundidade nupcial do amor de Jesus». Contudo, «por vezes o Senhor não concede filhos: é uma provação». E «há outras provações: quando nasce um filho doente».

O Papa Francisco recordou a este propósito «que Jesus não gosta dos matrimônios que não querem filhos, que querem ficar sem fecundidade». São o produto da «cultura do bem-estar de há dez anos», segundo o qual «é melhor não ter filhos, assim podes ir de férias conhecer o mundo, podes ter uma vivenda no campo e estás tranquilo!». É uma cultura que sugere que «é mais cômodo ter um cãozinho e dois gatos», assim o amor é oferecido aos dois gatos e ao cãozinho». Mas, deste modo «este matrimônio acaba por chegar à velhice na solidão, com a amargura da má solidão: não é fecundo, não faz como Jesus faz com a Igreja». Por fim, o Papa rezou pelos casais pedindo «ao Senhor que o vosso matrimônio seja bonito, com cruzes mas belo, como o de Jesus para com a Igreja: fiel, perseverante e fecundo».

PAPA FRANCISCO
MEDITAÇÕES MATUTINAS 

2 de Junho de 2014


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Papa Francisco aos Noivos - parte III

O Estilo da Celebração do Matrimônio

Foi perguntado ao Papa Francisco, como seria a melhor forma de celebrar o matrimônio:

"Santidade, ao longo destes meses estamos a fazer muitos preparativos para as nossas núpcias. Pode dar-nos alguns conselhos para celebrar bem o nosso casamento?"

"Fazei com que se trate de uma festa verdadeira — porque o matrimónio é uma festa — uma festa cristã, e não uma festa mundana! O motivo mais profundo da alegria daquele dia é-nos indicado pelo Evangelho de João: recordai-vos do milagre das bodas de Caná? Numa certa altura veio a faltar vinho, e a festa parece estragada. Imaginai se tivessem que terminar a festa a beber chá! Não, não pode ser! Sem vinho não há festa! Por sugestão de Maria, naquele momento Jesus revela-se pela primeira vez e realiza um sinal: transforma a água em vinho e, agindo assim, salva a festa nupcial".



"O que aconteceu em Caná há dois mil anos acontece na realidade em cada festa de casamento: aquilo que tornará completo e profundamente verdadeiro o vosso matrimónio será a presença do Senhor, que se revela e concede a sua graça. É a sua presença que oferece o «vinho bom», Ele é o segredo da alegria completa, do júbilo que aquece verdadeiramente o nosso coração. Disto se vê a presença de Jesus naquela festa. Que seja uma festa bonita, mas com Jesus! Não com o espírito do mundo, não! E sente-se quando o Senhor está presente!"

"Mas ao mesmo tempo, é bom que o vosso matrimónio seja sóbrio e permita salientar aquilo que é verdadeiramente importante. Algumas pessoas estão mais preocupadas com os sinais exteriores, com o banquete, com as fotografias, com as roupas e com as flores... Trata-se de elementos importantes numa festa, mas somente se forem capazes de indicar o motivo autêntico da vossa alegria: a bênção do Senhor sobre o vosso amor! Fazei com que, como no caso do vinho das bodas de Caná, os sinais exteriores da vossa festa revelem a presença do Senhor e vos recordem, tanto a vós como a todos os presentes, a origem e o motivo da vossa alegria".

"No entanto, há algo do que tu disseste que desejo frisar imediatamente, porque não quero deixar passar. O matrimónio é também um trabalho para realizar em cada dia, poderia dizer um trabalho artesanal, uma obra de ourivesaria, uma vez que o marido tem a tarefa de fazer com a sua esposa seja mais mulher, e a esposa tem o dever de fazer que com que o marido seja mais homem. É preciso crescer também em humanidade, como homem e como mulher. É isto que deveis fazer entre vós. E isto chama-se crescer juntos. Isto não provém do ar!"

"É o Senhor que o abençoa, mas deriva das vossas mãos, das vossas atitudes, do vosso estilo de vida, do modo como vos amais um ao outro. Deveis fazer-vos crescer um ao outro! Fazer com que o outro prospere sempre. Trabalhar para isto. E assim, sei lá, penso em ti que um dia caminharás pela rua da tua cidade e as pessoas dirão: «Mas olha como é bonita aquela mulher, como é exemplar! ...». «Com o marido que tem, compreende-se!». E também a ti: «Olha como ele é!». «Com a esposa que tem, compreende-se!». É isto, é preciso chegar a isto: fazer crescer um ao outro. E os filhos receberão esta herança de ter tido um pai e uma mãe que cresceram juntos, fazendo-se — reciprocamente — mais homem e mais mulher!"

Discurso do Papa Francisco
(14 de Fevereiro de 2014)

terça-feira, 9 de junho de 2015

Papa Francisco aos Noivos - parte II

O Estilo de Vida Matrimonial

Continuando a série de conselho do Papa Francisco aos noivos, foi-lhe perguntado acerca da espiritualidade do casal:

"Santidade, viver juntos todos os dias é bom, enche de alegria e ampara. No entanto, constitui um desafio que deve ser enfrentado. Cremos que é necessário aprender a amar-nos. Existe um «estilo» da vida de casal, uma espiritualidade da vida quotidiana que gostaríamos de aprender. Santo Padre, pode ajudar-nos nisto?"

"Viver juntos é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante. Ele não termina quando vos conquistastes um ao outro... Pelo contrário, é precisamente neste momento que ele tem início! Este caminho de cada dia possui regras que podem ser resumidas naquelas três palavras que tu disseste, palavras que eu já dirigi inúmeras vezes às famílias, e que vós já podeis aprender a utilizar entre vós: com licença, ou seja, «posso», como tu dissestes, e desculpa".



"«Posso, com licença?». É o pedido amável para poder entrar na vida de outra pessoa, com respeito e atenção. É necessário aprender a pedir: posso fazer isto? É do teu agrado, se fizermos assim, que tomemos esta iniciativa, que eduquemos os nossos filhos desta maneira? Gostarias de sair comigo esta noite?...

"Em síntese, pedir licença significa saber entrar com amabilidade na vida dos outros. Contudo, ouvi bem isto: saber entrar com amabilidade na vida dos outros. E não é fácil, isto não é fácil. Por vezes, recorremos a maneiras um pouco pesadas, como determinadas botas de montanha! O amor autêntico não se impõe com aspereza nem com agressividade. Nas chamadas Florinhas de são Francisco encontra-se a seguinte expressão: «Deves saber que a cortesia é uma das propriedades de Deus... e a cortesia é irmã da caridade, a qual extingue o ódio e conserva o amor!» (Cap. 37). Sim, a amabilidade conserva o amor. E hoje, no seio das nossas famílias, no nosso mundo muitas vezes violento e arrogante, há necessidade de muito mais amabilidade. E isto pode começar a partir de casa"

"«Obrigado!». Parece fácil pronunciar esta palavra, mas sabemos que não é assim. No entanto, ela é importante! Nós ensinamo-la às crianças, mas depois nós mesmos a esquecemos! A gratidão é um sentimento importante: recordai-vos do Evangelho de Lucas? Certa vez, uma senhora idosa disse-me em Buenos Aires: «A gratidão é uma flor que cresce em terra nobre!». É necessária a nobreza da alma para que esta flor possa crescer. Recordais-vos do Evangelho de Lucas? Jesus cura dez doentes de lepra, e em seguida só um deles volta atrás para agradecer a Jesus. E o Senhor diz-lhe: e onde estão os outros nove? Isto é válido também para nós: sabemos agradecer?"

"Nos nossos relacionamentos, e amanhã na nossa vida matrimonial, é importante manter viva a consciência de que a outra pessoa constitui uma dádiva de Deus, e aos dons de Deus é necessário dizer obrigado! Devemos sempre dar graças por eles. E nesta atitude interior é preciso dizer obrigado um ao outro, por todas as coisas. Não se trata de uma palavra amável para ser utilizada com os estranhos, para sermos educados. É necessário saber dizer obrigado um ao outro, para poder caminhar em frente, bem e juntos, na vida matrimonial".

"A terceira palavra: «Desculpa». Na vida cometemos numerosos erros, enganamo-nos muitas vezes. E isto acontece com todos nós. Mas aqui está porventura presente alguém que nunca cometeu um erro? Se houver alguém assim, que levante a mão: uma pessoa que nunca cometeu erros? Todos nós os cometemos. Todos! Talvez não passe nem sequer um só dia sem que os cometamos. A Bíblia recorda que a pessoa mais justa comete sete pecados por dia. Por isso, todos nós cometemos erros..."

A outra pessoa constitui
uma dádiva de Deus
e aos dons de Deus é
necessário dizer obrigado!
Papa Francisco

"Eis, então, por que motivo é necessário utilizar esta palavra tão simples: «desculpa». Em geral, cada um de nós está pronto para acusar o nosso próximo, justificando-nos assim a nós mesmos. Isto teve início a partir do nosso pai Adão, quando Deus lhe perguntou: «Adão, comeste por acaso daquele fruto?». «Eu? Não! Foi ela que me mo deu!». Acusar o outro para não dizer «desculpa», «perdão». Trata-se de uma história antiga! É um instinto que se encontra na origem de muitas calamidades".

"Aprendamos a reconhecer os nossos erros e a pedir desculpa. «Desculpa, se hoje levantei a minha voz»; «desculpa, se passei sem cumprimentar»; «desculpa, se cheguei atrasado», «desculpa, se esta semana estive tão silencioso», «desculpa, se falei demais, sem nunca escutar»; «desculpa, se me esqueci»; «desculpa, se eu estava com raiva e te tratei mal». Cada dia podemos pedir muitas vezes «desculpa». É também deste modo que uma família cristã prospera".

"Todos nós sabemos que não existe uma família perfeita, ou um marido perfeito, ou uma esposa perfeita. Nem sequer falemos de uma sogra perfeita... Existimos nós, pecadores. Jesus, que nos conhece bem, ensina-nos um segredo: nunca devemos terminar o dia sem pedir perdão, sem que a paz volte ao nosso lar, à nossa família".

"É normal que os esposos discutam, há sempre algo sobre o que discutir. Talvez tenhais discutido entre vós, talvez tenha voado um prato, mas por favor, recordai-vos disto: nunca termineis o dia sem fazer as pazes! Nunca, nunca, nunca! Este é um segredo, um segredo para conservar o amor e fazer as pazes".

"Não é necessário fazer um bonito discurso. Por vezes é suficiente um simples gesto... e a paz volta a instaurar-se. Nunca deixeis que termine o dia... pois se tu permitires que termine o dia sem que as pazes se restabeleçam, aquilo que tens dentro de ti, no dia seguinte, será frio e empedernido, e assim será mais difícil fazer as pazes. Recordai bem: nunca termineis o dia sem fazer as pazes!"

"Se aprendermos a pedir desculpa e a perdoar-nos reciprocamente, o matrimónio durará e irá em frente. Quando vêm às audiências ou às Santas Missas aqui em Santa Marta, casais idosos, que celebram as bodas de ouro, eu pergunto-lhes: «Quem suportou quem?». E isto é bonito! Todos olham uns para os outros, depois olham para mim e dizem-me: «Ambos!». E isto é bonito! Trata-se de um bonito testemunho!"

Discurso do Papa Francisco
(14 de Fevereiro de 2014)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Papa Francisco aos noivos - parte I

O medo do "para sempre"
 
Foi pedido ao Papa Francisco, em uma entrevista, um conselho para que os noivos pudessem lidar melhor com os desafios do casamento:
 
"Santidade, hoje em dia numerosas pessoas pensam que prometer a fidelidade um ao outro para a vida inteira constitui um empreendimento demasiado difícil; muitos sentem que o desafio de viver juntos para sempre é bonito e até fascinante, mas demasiado exigente, praticamente impossível. Pedir-lhe-íamos uma palavra para nos iluminar a este propósito".
 
Ao que o papa Francisco respondeu:
 
"Agradeço-vos o testemunho e também a pergunta. Explico-vos: eles enviaram-me as perguntas antecipadamente. Compreende-se. E deste modo eu pude meditar e pensar sobre uma resposta um pouco mais sólida".
 
"É importante interrogar-se se é possível amar-se «para sempre». Trata-se de uma pergunta que temos o dever de formular: é possível amar-se «para sempre»?"
 
 
 
Hoje em dia, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas. Certo dia um jovem disse ao seu bispo: «Eu quero tornar-me sacerdote, mas somente por dez anos!». Ele tinha medo de uma escolha definitiva. Mas trata-se de um medo geral, próprio da nossa cultura. Parece impossível fazer escolhas para a vida inteira. Hoje tudo muda rapidamente, nada dura no tempo. E esta mentalidade leva muitas pessoas que se preparam para o matrimónio a afirmar: «permaneçamos juntos, enquanto o amor durar»; e depois? Muitas saudações e até à vista! E assim termina o matrimónio".
 
"Mas o que entendemos por «amor»? Apenas um sentimento, uma condição psicofísica? Sem dúvida, se for assim, não será possível construir sobre ele algo de sólido. Ao contrário, se o amor for uma relação, então será uma realidade que cresce, e como exemplo até podemos dizer que se constrói como uma casa. E a casa constrói-se juntos, não sozinhos! Aqui, construir significa favorecer e ajudar o crescimento".
 
Estimados noivos, vós estais a preparar-vos para crescer juntos, para construir esta casa, para viver juntos para sempre. E não desejais alicerçá-la sobre a areia dos sentimentos que vão e voltam, mas sobre a rocha do amor autêntico, do amor que provém de Deus. A família nasce deste desígnio de amor, que quer crescer como se constrói uma casa que se torne um lugar de carinho, de ajuda, de esperança e de apoio".
 
"Do mesmo modo como o amor de Deus é estável e para sempre, assim também no caso do amor que funda a família, desejamos que ele seja estável e para sempre. Por favor, não devemos deixar-nos dominar pela «cultura do provisório»! Esta cultura que hoje invade todos nós, esta cultura do provisório. Não pode ser assim!"
 
"Portanto, como se cura este medo do «para sempre»? Cura-se dia após dia, confiando-se ao Senhor Jesus numa vida que se torna um caminho espiritual quotidiano, feito de passos, de pequenos passos, de passos de crescimento comum, feito de compromisso a tornarmo-nos mulheres e homens maduros na fé. Porque, queridos noivos, o «para sempre» não é apenas um problema de duração! Um matrimónio não é bem sucedido unicamente quando dura, mas é importante a sua qualidade. Estar juntos e saber amar-se para sempre, eis no que consiste o desafio dos esposos cristãos".
 
"Vem ao meu pensamento o milagre da multiplicação dos pães: também para vós, o Senhor pode multiplicar o vosso amor e conceder-vo-lo vigoroso e bom todos os dias. Ele possui uma reserva infinita de amor! E oferece-vos o amor que está no fundamento da vossa união, enquanto o renova todos os dias, fortalecendo-o. Além disso, torna-o ainda maior quando a família cresce com os filhos".
 
"Neste caminho é importante, é sempre necessária a oração. Ele por ela, ela por ele, e ambos juntos. Pedi a Jesus que multiplique o vosso amor. Na oração do Pai-Nosso, nós dizemos: «O pão nosso de cada dia nos dai hoje». Os cônjuges podem aprender a rezar com estas palavras: «Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje», porque o amor quotidiano dos esposos é o pão, o verdadeiro pão da alma, o pão que os sustenta a fim de que possam ir em frente. E a oração: podemos fazer a prova para saber se sabemos recitá-la? «Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje». Todos juntos! [noivos: «Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje»]. Mais uma vez! [noivos: «Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje»]".
 
"Esta é a prece dos namorados e dos esposos. Ensinai-nos a amar-nos, a querer o bem um do outro! Quanto mais vos confiardes a Ele, tanto mais o vosso amor será «para sempre», ou seja, capaz de se renovar, superando assim todas as dificuldades. Era precisamente isto que eu vos queria dizer, respondendo à vossa pergunta. Obrigado!" 

Discurso do Papa Francisco
(14 de Fevereiro de 2014)