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terça-feira, 20 de junho de 2017

Corpo: ícone ou ídolo?

Vejamos primeiro a origem da palavra ícone.

A primeira vez que aparece na Bíblia é na famosa passagem em que Deus cria o homem:

“Façamos o homem e a mulher à nossa imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,27)


Isso quer dizer que se olharmos para o homem, se olharmos para a mulher, neles tem algo que fala de Deus; se olharmos para Deus tem algo que fala do homem. Uma pergunta importante é: que imagem de Deus você tem sido para a sua pessoa amada?

Voltemos ao texto bíblico, no hebraico, usa-se a palavra "Tselem" que significa "imagem, figura, reprodução, estátua, escultura" - o sentido do homem criado à imagem de Deus se enriquece em Gn 2,7, quando Deus esculpe o homem do barro.

No texto grego, traduziu-se "tselem" por Eikona (= Imagem, réplica, cópia), de onde vem a palavra "ícone".

O Catecismo nos ensina que "por meio de seus ícones, revela-se à nossa fé o homem criado “à imagem de Deus” e transfigurado “à sua semelhança” (CIC, 1161).

São João Damasceno, em meio a disputa com os iconoclastas, dizia que “A beleza e a cor das imagens estimulam minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus.”

Analogamente, podemos dizer que o corpo enquanto ícone, nos ajuda a rezar, a alcançar a Deus. O corpo do outro, pode nos elevar ao céus, pensemos nas relíquias de santos, nos santos incorruptos, nas chagas dos santos... ao contempá-las, vejo um vislumbre de uma realidade maior...

No YouCat é um trecho que nos diz o mesmo acerca do namoro:

“Quem observa um casal de namorados olhando-se carinhosamente... fica com uma ideia, ainda que aproximada, do que é Céu. Pode ver Deus face a face, é como um instante de amor, único e infindável”
(Youcat, 158).

Mas há também o ídolo...

Deus proíbe a confecção de ídolos: “Portanto, não se pervertam, fazendo para vocês imagem esculpida em forma de ídolo: imagem de homem ou de mulher” (Dt 4,16). Na Bíblia hebraica, usa-se o termo "Pesel" (=Estátua, imagem, efígie, ídolo) que no grego foi traduzido por "Eidolon" (= Imagem, simulacro, ídolo).

A idolatria, ensina o Catecismo, não diz respeito somente aos falsos cultos do paganismo. Ela é uma tentação constante da fé. Consiste em divinizar o que não é Deus. Existe idolatria quando o homem presta honra e veneração a uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou de demônios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro etc. (...) A idolatria nega o senhorio exclusivo de Deus; é, portanto, incompatível com a comunhão divina. (CIC, 2113).

Perceba, portano que tanto o ídolo quanto o ícone são imagens. Acontece que o ídolo me prende à terra, à horizontalidade do aqui e agora. Ele é um simulacro, uma falsificação da realidade. Já o ícone me remete ao céu, ao transcendente, é uma janela aberta para o divino.

"O corpo de cada um de nós é ressonância de eternidade, então deve ser sempre respeitado; e, sobretudo; deve ser respeitada e amada a vida de quantos sofrem, para que sintam a proximidade do Reino de Deus, daquela condição de vida eterna para a qual caminhamos" (Papa Francisco 04/12/13)




quinta-feira, 16 de julho de 2015

Namorados violentos tendem a tornar-se maridos agressivos, assinala estudioso

Artigo muito interessante extraído do blog do Carmadélio
 
Um namoro atormentado pode acabar em maltrato durante a vida matrimonial.
 
Luca Pasquale, membro do Pontifício instituto João Paulo II de Roma para os estudos sobre o matrimônio e a família, compartilhou alguns pontos chaves para detectar os sintomas de um namoro que fará mal à vida matrimonial.
 
Conforme explica Pasquale, autor de várias publicações dedicadas ao cuidado familiar, o maltrato afeta todas as classes sociais, idades, cidades pequenas e grandes metrópoles e não tem relação com a profissão ou sucessos alcançados.
 
Pasquale assinala que durante o namoro qualquer ato de violência é inaceitável, não deve ser tolerado, e deve ser denunciado imediatamente tanto durante o namoro como no matrimônio. “A frase ‘estava nervoso’ não é uma desculpa para levantar a mão”, destaca.
 
“Se a pessoa que temos ao lado demonstra com as suas palavras e com o seu comportamento, que não tem nenhuma estima por nós, significa que as coisas não estão bem. Menosprezar uma pessoa e coloca-la em condições de submissão, como impedir que tenha um trabalho, amizades, criticá-la e ridicularizá-la, são outras formas sutis de violência que prejudicam o casal”, acrescenta.
 
Para Pasquale, que também é especialista em família do Centro para a Pastoral Familiar da Diocese de Roma, outro exemplo de sinais negativos no namoro é que o companheiro minta sistematicamente, oculte algo ou esconda parte de sua vida. “Se isso acontecer, então deveríamos nos preocupar, porque no casal isso não deveria acontecer”, adiciona.
 
“Não é um bom sinal que tenham vergonha daquilo que está no próprio celular: mensagens, ligações, fotos… a vida, sonhos, desejos, contatos, relações pessoais de cada um dos dois devem ser transparentes”.
 
O especialista afirma que para que o relacionamento seja algo saudável, o respeito pela pessoa deve estar na base da relação: “amor, sacrifício de um pelo outro, compartilhar a vida, os projetos da vida…”.
 
Se não houver respeito pela pessoa, diz Pasquale, o casal está em risco de converter-se em algo como “um objeto para os outros, e neste caso, não teria nenhuma diferença em ter uma menina linda ou um telefone bom ou um carro bom”, lamenta.
 
Por último Pasquale recorda que os valores que a Igreja promove são fundamentais para todos na hora de alcançar um namoro saudável que dê lugar a um matrimônio e uma família unidos.
 
“Sem dúvida, na educação estão diminuindo os valores de referência que devem guiar uma relação. Um valor é um pilar nas escolhas: precisamos partir pelo menos de um ponto de referência. A fé cristã indica os valores que podem ser aplicados a todos: cristãos ou não cristãos”, conclui.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Oito formas de amar altamente perigosas

O psicólogo Walter Riso reuniu em seu livro, “Amores de Alto Risco” (Editora L&PM) uma seleção de oito perfis psicológicos que podem desenvolver formas perigosas de conduzir as relações amorosas. Eles trazem consigo antivalores que se opõem ao desenvolvimento normal do afeto. Nesses casos, é necessário, muitas vezes, ajuda profissional.
 
 
1.     Estilo histriônico e seu amor torturante e teatral. O caráter assediado, perturbado, exibicionista e teatral desse tipo de personalidade se opõe a simplicidade e espontaneidade do amor. Pessoas assim buscam sempre chamar atenção, ser o centro, são excessivamente emotivas. No início, as suas relações afetivas estão impregnadas de uma paixão frenética e fora de controle, depois, costumam terminar de maneira drástica e tormentosa.
2.    A desconfiança do paranoico rompe um princípio básico do amor: a confiança, a segurança; saber que a pessoa que você ama não te fará nenhum dano intencional. Esse estilo de amar é carregado de suspeita e se converte em tortura.
3.    O amor subversivo do tipo passivo-agressivo. Nesse tipo de relação há o conflito de autoridade e a incapacidade de se estabelecer uma forma adequada de autonomia, sem recorrer à tortura psicológica. Falta honestidade emocional, o que se opõe a assertividade que o amor exige: é preciso saber expressar os sentimentos negativos de maneira socialmente aceita.
4.     Estilo egoísta e egocêntrico do narcisista o afasta radicalmente dos valores da humildade e da solidariedade. Não é possível um amor saudável se um dos dois se sente superior ao outro. Aqui, há a dificuldade em reconhecer a própria insuficiência e fraqueza.
5.     O amor perfeccionista e controlador do obsessivo-compulsivo configuram uma mente rígida, apegada a sistematização. O amor fica sufocado diante de tantas regras e condições, não só perde a liberdade como também impede o desenvolvimento. Um amor rígido atrofia. O estilo obsessivo também se opõe a admiração – pode até existir admiração sem amor, mas não há amor sem admiração. O gosto pela essência do outro, por suas conquistas, pelo que ele representa como pessoa, é impossível se a atenção está focalizada em seus erros.
6.     Estilo antissocial e seu amor violento.  A violência que pratica o sujeito antissocial é um antivalor que afeta todas as áreas interpessoais. A combatividade, a explosão e depredação que o caracterizam impedem que se desenvolva valores imprescindíveis para o amor, como a simpatia e a reciprocidade. Se há violência, o respeito desaparece. Falta-lhe a doçura capaz de se negar a fazer o outro sofrer, opondo-se a brutalidade e a crueldade.
7.     Estilo esquizoide e seu amor indiferente. Aqui o outro não é visto, nem sentido, o amor parece desvinculado, frio e distante. Esta apatia emocional se opõe a valores como ternura e empatia. O esquizoide tem dificuldade em se conectar emocionalmente, falta-lhe a capacidade de manifestações de afeto (ternura, carícias, sorrisos, abraços, beijos). A expressão de sentimentos positivos é, talvez, o principal alimento de uma relação amorosa – quando não se tem participação emocional na vida do outro, o amor se atrofia porque perde seu sentido vital.
8.     O amor caótico da personalidade limítrofe. A pessoa bordeline vive em um turbilhão emocional, é descontrolada, instável, falta-lhe paz interior e a raiva transborda com ímpeto. Ela não se sente dona de suas próprias emoções, seu mundo interno é uma bagunça, carece de autocontrole e autoconhecimento.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Oito caracteristicas dos casais prósperos

Susan Page, uma escritora americana, diz em seu livro “The 8 Essential Traits of Couples Who Thrive” – 8 Características Essenciais dos Casais Prósperos -, que os casais precisam de: (1) Desejo; (2) Boa vontade; (3) Valores bem definidos; (4) Limites; (5) Perspectiva; (6) Comunicação; (7) Intimidade; e (8) Prazer.
 
 
 
1 – DESEJO:
Não é preciso ser muito erudito em matéria de relacionamento para saber que num casamento onde falta desejo, alguma coisa provavelmente está errada ou fora do lugar. Como um casamento onde os cônjuges não têm desejo poderia ser “florescente”? O amor conjugal naturalmente leva a um sadio desejo, que é ingrediente essencial para que este amor seja fecundo e co-participe com Deus na Criação, gerando vida. Isso é “florescer”. O que eu tenho feito para não deixar que o desejo se “apague” no meu casamento? Falo coisas agradáveis para minha(eu) esposo(a)?

2 – BOA VONTADE:
Para que um casamento seja próspero é extremamente necessário que ambos os esposos sejam sempre favoráveis à relação. Em qualquer circunstância, principalmente em ocasião de problema ou tensão, é necessário que o objetivo de cuidar do “nosso” ao invés do “meu” seja sempre propriedade. Ter boa vontade é ter uma disposição favorável em relação ao matrimônio. O que eu tenho feito pelo bem da minha relação com meu(inha) esposo(a)? Que atitude despojada eu gostaria de ter (- eu + nós) na relação? Tenho observado as atitudes do(a) meu(inha) esposo(a) nesse sentido? Qual é a minha resposta para essas atitudes?

3 – VALORES BEM DEFINIDOS:
Os cônjuges devem procurar cultivar valores em comum. Bons valores, de preferência. Isso deve começar desde a fase do namoro, pois o matrimônio, principalmente o matrimônio cristão, está ordenado para missão de gerar e educar a prole. É responsabilidade dos pais entregar à vida filhos bem formados em valores sólidos e cristãos. Que tipo de valores eu tenho cultivado no nosso lar? Que tipo de ambiente está esperando por nossos filhos (se eles ainda não vieram)? Que tipo de exemplo estou dando pra os meus filhos (se eles já vieram)? Que tipo de cultura (musicas, livros, revistas, filmes...) eu estou introduzindo na minha casa e na minha família?

4 – LIMITES:
Liberdade é uma coisa boa. Disso não resta duvidas. Mas quem, em sã consciência, concordaria que a liberdade sem limites favoreceria um ambiente saudável? Infelizmente, o coração do homem foi corrompido pelo mal e pelo pecado. Para uma boa convivência social, ele precisa de leis. Para uma boa vivência religiosa, orientada para o bem, o Senhor teve que lhe dar mandamentos. O homem sempre precisa que lhe indiquem até onde ele pode ir. Dentro do matrimônio não é diferente. Apesar dos cônjuges ainda terem, cada um, sua individualidade, eles agora são uma só carne. São agora um só corpo e um só espírito, e, portanto, sua liberdade também deve ser limitada, para o bem do(a) esposo(a) e para o bem do próprio matrimônio. Tenho abusado da minha liberdade em relação à minha(eu) esposa(o) e meus filhos? Tenho respeitado a individualidade da minha(eu) esposa(o)? Converso amavelmente com meu(inha) esposo(a) sobre suas atitudes que eu considero abusos? Ouço com atenção e respeito quando ela/ele faz o mesmo?

5 – PERSPECTIVAS:
Um matrimônio próspero, precisa ter perspectivas de futuro. Para isso, é preciso que o casal seja providente, seguro e prevenido. Isso não acontece quando cada um trabalha egoisticamente, cada um para si. É preciso ter atitudes em comum que conduzam um para o outro, e os dois para o futuro. É claro que, como diz o velho ditado, “o futuro a Deus pertence”. Mas é fundamental que o casal esteja em sintonia quando fala do futuro. É preciso que os planos do marido e da esposa sejam compatíveis! Imagine um casal onde o marido faz planos de conseguir um emprego na capital enquanto a esposa está super empolgada com o trabalho voluntário que começou recentemente na paróquia. O momento de conflito seria eminente! Tenho conversado com minha(eu) esposa(o) sobre os nossos planos e objetivos para o futuro? Conversamos sobre planejamento familiar e orçamento familiar? Quais são as nossas prioridades?

6 – COMUNICAÇÃO:
A comunicação é fundamental para que todas as outras características se desenvolvam. Basta reler nos itens anteriores, quantas vezes eu fiz a pergunta: “Converso com meu(inha) esposa(o)...?”; “Conversamos...?”; “Falo...?”, “ouço...?”. O que eu faço quando percebo que minha(eu) esposa(o) quer conversar comigo? Normalmente eu percebo? E quanto a mim? O que eu faço, por iniciativa minha, no sentido de favorecer o diálogo? Que outras formas criativas eu uso para me comunicar com minha(eu) esposa(o) que só nós dois conhecemos (gestos, caricias, bilhetinhos com “códigos”, etc.)?

7 – INTIMIDADE:
Intimidade é uma palavra, hoje, tão desvirtuada quanto “amor”. Quando se fala em intimidade, muitos logo pesam em sexo. A intimidade entre os esposos certamente favorece uma sexualidade muito mais sadia, mas isso só acontece na medida em que o casal se doa, ou seja, se entrega totalmente um ao outro. E isso só é possível na medida em que um conhece o outro totalmente. Intimidade não é sexo. Intimidade é abertura, conhecimento do outro. Ser íntimo de seu esposo(a) é conhecê-lo(a) em sua essência. Naquilo que o(a) constitui: sua alma, seus valores, seus anseios, seus medos, suas inseguranças, suas dores, suas alegrias, suas fantasias, seus sonhos... A intimidade é construída sobre três pilares: tempo, diálogo e cuidado. Quando conheço minha(eu) esposa(o)? Posso dizer que sou intimo dela(e)?

8 – PRAZER:
Finalmente o prazer. Sem o prazer, que casal pode se considerar próspero? E aqui não falo apenas de prazer sexual, pois qualquer pessoa pode testemunhar muitos casais prósperos que estão já na velhice, muito provavelmente já não tem mais sexo, e mesmo assim mostram tanto prazer de viver, tanto prazer de estar juntos, que tanta vitalidade chega a contagiar! Quem não sente uma santa inveja ao ver um casal assim? Quem não gostaria de chegar na velhice assim também? Estou falando de olhar para aquela criatura e sentir prazer em dizer para si mesmo: “Minha esposa / meu esposo!”. Prazer gera alegria e satisfação. Se o matrimônio tem a função de antecipar aqui na terra a imagem do amor de Deus ao qual estamos destinados com fim último, e que nos proporcionará a satisfação e alegria plenas que nosso coração tanto busca, é óbvio que o matrimônio teria a capacidade de gerar também alegria de satisfação (prazer). Sinto prazer em estar ao lado da pessoa que escolhi amar por toda vida?
 

Extraído do livro Sereis uma só carne (Cleofas)
prof. Felipe Aquino (pp. 31-35)

sábado, 4 de julho de 2015

Mandamentos para o casal viver melhor

Esse artigo, coletamos do blog do pe. Chrystian Shankar e gostaríamos de compartilhar.
 
Uma equipe de psicólogos e especialistas americanos, que trabalhava em terapia conjugal, elaborou “Os Dez Mandamentos do Casal”. Gostaria de analisá-los aqui, já que trazem muita sabedoria para a vida e felicidade dos casais. É mais fácil aprender com o erro dos outros do que com os próprios.
 
 
1. Nunca irritar-se ao mesmo tempo.
A todo custo evitar a explosão. Quanto mais a situação é complicada, mais a calma é necessária. Então, será preciso que um dos dois acione o mecanismo que assegure a calma de ambos diante da situação conflitante. É preciso convencermo-nos de que na explosão nada será feito de bom. Todos sabemos bem quais são os frutos de uma explosão: apenas destroços, morte e tristeza. Portanto, jamais permitir que a explosão chegue a acontecer. D. Helder Câmara tem um belo pensamento que diz:
 
“Há criaturas que são como a cana, mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura…”.
 
2. Nunca gritar um com o outro.
A não ser que a casa esteja pegando fogo. Quem tem bons argumentos não precisa gritar. Quanto mais alguém grita, menos é ouvido. Alguém me disse certa vez que se gritar resolvesse alguma coisa, porco nenhum morreria… Gritar é próprio daquele que é fraco moralmente, e precisa impor pelos gritos aquilo que não consegue pelos argumentos e pela razão.
 
3. Se alguém deve ganhar na discussão, deixar que seja o outro.
Perder uma discussão pode ser um ato de inteligência e de amor. Dialogar jamais será discutir, pela simples razão de que a discussão pressupõe um vencedor e um derrotado, e no diálogo não. Portanto, se por descuido nosso, o diálogo se transformar em discussão, permita que o outro “vença”, para que mais rapidamente ela termine. Discussão no casamento é sinônimo de “guerra”, de luta inglória. “A vitória na guerra deveria ser comemorada com um funeral”; dizia Lao Tsé. Que vantagem há em se ganhar uma disputa contra aquele que é a nossa própria carne? É preciso que o casal tenha a determinação de não provocar brigas; não podemos nos esquecer que basta uma pequena nuvem para esconder o sol. Às vezes uma pequena discussão esconde por muitos dias o sol da alegria no lar.
 
4. Se for inevitável chamar a atenção, fazê-lo com amor.
A outra parte tem que entender que a crítica tem o objetivo de somar e não de dividir. Só tem sentido a crítica que for construtiva; e essa é amorosa, sem acusações e condenações. Antes de apontarmos um defeito, é sempre aconselhável apresentar duas qualidades do outro. Isso funciona como um anestésico para que se possa fazer o curativo sem dor. E reze pelo outro antes de abordá-lo em um problema difícil. Peça ao Senhor e a Nossa Senhora que preparem o coração dele para receber bem o que você precisa dizer-lhe. Deus é o primeiro interessado na harmonia do casal.
 
5. Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado.
A pessoa é sempre maior que seus erros, e ninguém gosta de ser caracterizado por seus defeitos. Toda vez que acusamos a pessoa por seus erros passados, estamos trazendo-os de volta e dificultando que ela se livre deles. Certamente não é isto que queremos para a pessoa amada. É preciso todo o cuidado para que isto não ocorra nos momentos de discussão. Nestas horas o melhor é manter a boca fechada. Aquele que estiver mais calmo, que for mais controlado, deve ficar quieto e deixar o outro falar até que se acalme. Não revidar em palavras, senão a discussão aumenta, e tudo de mau pode acontecer, em termos de ressentimentos, mágoas e dolorosas feridas.
 
Nos tempos horríveis da “guerra fria”, quando pairava sobre o mundo todo o perigo de uma guerra nuclear, como uma espada de Dâmocles sobre as nossas cabeças, o Papa Paulo VI avisou o mundo:
 
“A paz impõe-se somente com a paz, pela clemência, pela misericórdia, pela caridade”.
 
Ora, se isto é válido para o mundo encontrar a paz, muito mais é válido para todos os casais viverem bem. Portanto, como ensina Thomás de Kemphis, na Imitação de Cristo,
 
“Primeiro conserva-te em paz,
depois poderás pacificar os outros”.
 
E Paulo VI, ardoroso defensor da paz, dizia:
 
“Se a guerra é o outro nome da morte,
a vida é o outro nome da paz”.
 
Portanto, para haver vida no casamento, é preciso haver a paz; e ela tem um preço: a nossa maturidade.
 
6. A displicência com qualquer pessoa é tolerável, menos com o cônjuge.
Na vida a dois tudo pode e deve ser importante, pois a felicidade nasce das pequenas coisas. A falta de atenção para com o cônjuge é triste na vida do casal e demonstra desprezo para com o outro. Seja atento ao que ele diz, aos seus problemas e aspirações.
 
7. Nunca ir dormir sem ter chegado a um acordo.
“Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento”
(Ef 4,26b).
 
Se isso não acontecer, no dia seguinte o problema poderá ser bem maior. Não se pode deixar acumular problema sobre problema, sem solução. Já pensou se você usasse a mesma leiteira que já usou no dia anterior, para ferver o leite, sem antes lavá-la? O leite certamente azedaria. O mesmo acontece quando acordamos sem resolver os conflitos de ontem. Os problemas da vida conjugal são normais e exigem de nós atenção e coragem para enfrentá-los, até que sejam solucionados, com o nosso trabalho e com a graça de Deus. A atitude da avestruz, da fuga, é a pior que existe. Com paz e perseverança busquemos a solução.
 
8. Pelo menos uma vez ao dia, dizer ao outro uma palavra carinhosa.
Muitos têm reservas enormes de ternura, mas esquecem de expressá-las em voz alta. Não basta amar o outro, é preciso dizer isto também com palavras. Especialmente para as mulheres, isto tem um efeito quase mágico. É um tônico que muda completamente o seu estado de ânimo, humor e bem estar. Muitos homens têm dificuldade neste ponto; alguns por problemas de educação, mas a maioria porque ainda não se deu conta da sua importância. Como são importantes essas expressões de carinho que fazem o outro crescer: “eu te amo”, “você é muito importante para mim”, “sem você eu não teria conseguido vencer este problema”, “a tua presença é importante para mim”; “tuas palavras me ajudam a viver”… Diga isto ao outro com sinceridade toda vez que experimentar o auxílio edificante dele.
 
9. Cometendo um erro, saber admiti-lo e pedir desculpas.
Admitir um erro não é humilhação. A pessoa que admite o seu erro demonstra ser honesta consigo mesma e com o outro. Quando erramos não temos duas alternativas honestas, apenas uma: reconhecer o erro, pedir perdão e procurar remediar o que fizemos de errado, com o propósito de não repeti-lo. Isto é ser humilde. Agindo assim, mesmo os nossos erros e quedas serão alavancas para o nosso amadurecimento e crescimento. Quando temos a coragem de pedir perdão, vencendo o nosso orgulho, eliminamos quase de vez o motivo do conflito no relacionamento, e a paz retorna aos corações. É nobre pedir perdão!
 
10. Quando um não quer, dois não brigam.
É a sabedoria popular que ensina isto. Será preciso então que alguém tome a iniciativa de quebrar o ciclo pernicioso que leva à briga. Tomar esta iniciativa será sempre um gesto de grandeza, maturidade e amor. E a melhor maneira será “não pôr lenha na fogueira”, isto é, não alimentar a discussão. Muitas vezes é pelo silêncio de um que a calma retorna ao coração do outro. Outras vezes será por um abraço carinhoso, ou por uma palavra amiga.
 
Papa João Paulo II disse algo marcante:
 
“O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se não o experimenta e se não o torna algo próprio, se nele não participa vivamente”.
(RH,10)
 
Cântico dos Cânticos: “…o amor é forte como a morte… Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina. As torrentes não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir.” (Ct 8,6-7)
 
Há alguns casais que dizem que vão se separar porque acabou o amor entre eles. Será verdade?
 
“O amor verdadeiro é dom recíproco que dois seres felizes fazem livremente de si próprios, de tudo o que são e têm. Isto pareceu a Deus algo de tão grande que Ele o tornou sacramento.”
 
“Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo do qual ele é o salvador. Maridos, amai as vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (EF 5,25)

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Palavras do Papa João Paulo II aos jovens casais - parte IV

Durante vários anos, o papa João Paulo II iniciou uma série de catequeses sobre a Teologia do Corpo, nelas, havia algumas exortações, conselhos e bênçãos voltadas para os jovens casais. Aqui se encontram reunidos trechos entre junho e agosto de 1980.


18 de Junho de 1980
Uma especial  saudação também aos jovens Casais. Caríssimos, desejo ardentemente que o vosso amor recíproco, fortificado pelo Sacramento do matrimônio, seja imperecível e que a vossa família nunca conheça a desconfiança, a impaciência e o egoísmo, mas seja sempre caracterizada por um compromisso generoso e uma harmonia serena.
O Senhor Jesus e Maria Santíssima tenham sempre o lugar de honra não só na vossa casa, mas também na vossa vida.
 
Com este fim rezo por vós e abençoo-vos cordialmente.
 
25 de Junho de 1980
E agora uma palavra de felicitações aos jovens casais. Queridos casais, dou-vos, antes de tudo, os meus parabéns pelo passo tão belo e empenhador que há pouco realizastes com a celebração do Sacramento do matrimônio, o qual consagrou o vosso amor, tornando-o estável e irrevogável. Faço também votos por que possais viver sempre neste autêntico amor conjugal com entusiástica doação recíproca, com amor sincero e com crescente fidelidade. O Senhor abençoe o vosso amor e o conserve para sempre na alegria cristã.
 
23 de Julho de 1980
Uma saudação particular desejo por fim dirigir aos jovens Casais presentes nesta Audiência para fortalecer, com a Bênção do Papa, aquela união que foi santificada e sancionada pelo Sacramento do matrimônio.

Desejo que o vosso amor,  que hoje vos une tão solidamente,  não só não se enfraqueça nunca,  mas aumente, de dia para dia, numa harmoniosa unidade de intenções e desejos, quer no plano humano, quer no sobrenatural, no qual o amor conjugal é figura daquele mesmo amor que existe entre Cristo e a Igreja, sua esposa mística.
Invoco sobre as vossas famílias nascentes e sobre o vosso caminho a dois, que há pouco iniciastes, graças eleitas e bênçãos celestes.
 
30 de Julho de 1980
Não posso esquecer nesta circunstância os numerosos jovens Casais: faço votos por que o vosso amor, consagrado por Deus no matrimônio, se mantenha sempre com ardor no meio do tumultuar das vicissitudes humanas e se consolide cada vez mais,  animado pelas virtudes cristãs,  especialmente pela fidelidade mútua, virtudes que são o tesouro precioso das famílias, segundo o plano de Deus, que, "desde o princípio", quis que fosse sagrado, inviolável e indissolúvel vínculo que vos une por toda a vida.
É com verdadeira alegria que concedo às vossas nascentes famílias cristãs a minha especial  Bênção
Apostólica.
 
6 de Agosto de 1980
Caríssimos jovens Casais, na vossa viagem de "lua de mel" quisestes inserir  também a visita ao Papa. Agradeço de coração este vosso pensamento, e com grande afeto a todos dirijo a minha saudação muito sentida. E, na luz da Transfiguração, faço-vos também votos por que mantenhais vivo o significado daquele milagre na vossa nova vida: que a luz da fé e da graça resplandeça sempre na fidelidade do vosso amor.
São estes os votos que faço, a fim de que possais ser sempre felizes no Senhor, ao mesmo tempo. que vos acompanho com a minha Bênção.
 
20 de Agosto de 1980A vós, jovens Casais, que com tanto desvelo programastes na vossa viagem de núpcias também o encontro com o Papa, o meu pensamento de bons votos.
 
Seja o vosso amor imitação do amor de Deus,
sem cálculos e sem medidas.
 
Aquilo que a Imitação de Cristo diz do amor divino, pode-se, de fato, aplicar também ao vosso amor, tão profundo e tão santo pela graça sacramental que o aviva: "O amor não sente peso, não conhece fadiga,  clama até mais não poder,  não se desculpa com a impossibilidade...  Ele pode tudo,  e realiza e aperfeiçoa muitas coisas, nas quais quem não ama falha e sucumbe" (L. III c. V.). Amai-vos sempre assim. Com a minha Bênção Apostólica, extensiva aos vossos familiares e parentes.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Palavras do Papa João Paulo II aos jovens casais - parte III

Durante vários anos, o papa João Paulo II iniciou uma série de catequeses sobre a Teologia do Corpo, nelas, havia algumas exortações, conselhos e bênçãos voltadas para os jovens casais. Aqui se encontram reunidos trechos de março e abril de 1980.

5 de Março de 1980Também a vós,  jovens Casais,  presentes nesta Audiência no início da vossa vida matrimonial,  desejo exprimir os meus bons votos abençoadores e a minha afetuosa saudação. Dai sempre ao vosso amor uma unidade granítica e uma fé inabalável. Sabei  conservar sempre aquele sentido de alegria e de felicidade, que hoje enche o vosso espírito. Tende sempre o sentido religioso da família, olhai para o amor infinito com que Cristo ama a Igreja e deixai-vos modelar por esse exemplo no vosso amor recíproco, e Ele não vos iludirá,  mas  far-vos-á  crescer  todos  os  dias  no  alegre  testemunho  de  uma  vida  matrimonial  vivida autenticamente (...)


 
12 de Março de 1980(...) Exorto-vos a serdes reconhecidos ao Senhor pelo dom da família que acabais de formar e à qual o Concílio Vaticano II chama "igreja doméstica" (L. G., c. 11). Sede orgulhosos desta família e guardai-a com todo o cuidado.
 
Na família, podereis e devereis encontrar
o ambiente propício para a vossa santificação.
 
A fim de que esta missão cristã se realize, peço ao Senhor e à Virgem Maria que vos abençoem e protejam.
 
19 de Março de 1979
(...) O Senhor  abençoe  o  vosso  amor,  sustenha  o vosso  generoso  propósito  de  dar  testemunho  de vida matrimonial  cristãmente,  exemplar,  e  esteja  sempre  junto  de  vós  como  Seu  auxílio,  no  caminho  que escolhestes para percorrer juntos até à morte. São José, Esposo afetuoso, Pai exemplar e Homem justo, vos proteja sempre e vos conceda a graça de viverdes sempre segundo a justiça, isto é; virtuosamente, a fim de serdes queridos a Deus, serenos com vós mesmos e bons para com o próximo. Com estes votos, abençoo-vos de coração.
 
26 de Março de 1980Caríssimos jovens Casais!
Viestes à Audiência do Papa nesta circunstância para vós tão bela e encantadora do matrimônio; sede benvindos e aceitai a minha saudação e os meus mais cordiais votos de felicidade. Ao iniciardes agora a vossa nova vida, levai para o mundo o vosso amor e a vossa fidelidade com alegria e coragem, como um ramo de oliveira e uma lâmpada acesa em sinal de paz e de fraternidade. De todo o coração invoco sobre vós a bênção do Senhor.
 
2 de Abril de 1980

A contemplação do Crucifixo, erguido entre o céu e a terra na Sexta-Feira Santa, tem qualquer coisa a dizer também a vós, jovens Casais, a quem um profundo amor uniu na vida e na morte.
 
O esposo, segundo o Apóstolo Paulo (Ef 5, 25), representa Cristo; a esposa, a Igreja. E como Cristo morreu para tornar pura e imaculada a sua esposa, também o esposo deve estar disposto até mesmo à morte, por aquela a quem ama.  E a esposa,  como a Igreja,  deve dar tudo,  afeto e assistência,  numa atitude perene de amor pelo esposo.
Que Deus vo-lo conceda.
 
16 de Abril de 1980
E a vós, jovens Casais, alegres pela vossa total  e definitiva doação mútua realizada no sacramento do matrimônio,  dirijo os  votos  férvidos  de todo o Povo de Deus: 
mantende por  toda a vida o vigor  e o entusiasmo destes dias,  recordando-vos sempre que,  na terra,  sois o sinal  concreto e visível  daquele misterioso e imenso amor que une Cristo à Sua Esposa, a Igreja (cfr. Ef 5, 22-23). O Senhor vos dará a Sua graça, a Sua força e a Sua alegria, a fim de que possais construir a vossa família "cristã" no temor de Deus, no amor recíproco e na abertura com os outros.
A todos a minha Bênção Apostólica.

30 de Abril de 1980
É sempre apreciada também a presença do grupo de
jovens Casais. Convido-vos igualmente a olhar para Maria na sua vida de Nazaré e a imitá-la à luz dos ensinamentos do Concílio Vaticano II:  "...Criados à imagem de Deus vivo sede unidos por um afeto igual e mútuo, pelo mesmo modo de sentir, por comum santidade"  (cfr.  Gaudium et  spes,  52).  Maria,  na pobre casa de Nazaré,  deu-se plenamente a Jesus, juntamente com José. É esta a vossa vocação de esposos cristãos: santificar-vos, amando-vos mutuamente no amor de Cristo.
Para que possais realizar  esta missão cristã,  peço ao Senhor  e à Virgem Maria que vos amparem nas vossas responsabilidades e vos protejam nas provas e nos perigos.  Concedo-vos de coração a Bênção Apostólica, que, de boa vontade faço extensiva a todos os que vos são queridos.

sábado, 27 de junho de 2015

O papa Paulo VI falando aos casais - parte II

Selecionamos um fragmento do discurso do Papa Paulo VI aos casais, realizado no dia 4 de Maio de 1970 ressaltando a importância do matrimônio.

(...)
 
Obra do Espírito Santo (cfr. Tit 3, 5), a regeneração baptismal faz de nós criaturas novas (cfr. Gál 6, 15), para que « assim caminhemos nós, também, muna vida nova » (Rom 6, 4). Nesta grande empresa de renovação de todas as coisas em Cristo, o matrimónio, também ele purificado e renovado, torna-se uma realidade nova, um sacramento da Nova Aliança. E, eis que no limiar do Novo Testamento, como na entrada do Antigo, se forma um casal. Mas, ao passo que aquele, formado por Adão e Eva, foi a fonte do mal que se espalhou sobre o mundo, o de José e Maria é a plenitude de onde a santidade se expande sobre toda a terra. O Salvador começou a Sua obra salvífica com esta união virginal e santa, onde se manifesta a sua vontade todo-poderosa de purificar e santificar a família, este santuário do amor e este berço da vida.

 
 
Desde então tudo se transformou. Dois cristãos querem casar-se; São Paulo adverte-os: «...não vos pertenceis a vós mesmos » (1 Cor 6, 19). Membros de Cristo, um e outro « no Senhor », a sua união realiza-se também « no Senhor », como a da Igreja. E é por esta razão que ela é « um grande mistério » (Ef 5, 32), um sinal que não só representa o mistério da união de Cristo com a Igreja, mas também o encerra e irradia por meio da graça do Espírito Santo, que é a sua alma vivificadora.
 
Porque é exatamente o amor, próprio de Deus, que ele nos comunica, para que nós o amemos e para que também o amemos com este amor divino: « assim como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros » (Jo 13, 34).
 
Até as manifestações da sua ternura são,
para os esposos cristãos, penetradas deste amor que eles vão haurir no coração de Deus.
 
E, se a nascente humana corresse o perigo de secar, a sua nascente divina é tão inesgotável como as profundezas insondáveis da ternura de Deus. Por outras palavras, a caridade conjugal, forte e rica, tende para essa comunhão íntima. Realidade interior e espiritual, ela transforma a comunidade de vida dos esposos naquilo «que bem pode chamar-se Igreja doméstica» (Lumen Gentium, n. 11), uma verdadeira «célula da Igreja», como disse o Nosso saudoso predecessor João XXIII, à vossa peregrinação de 3 de Maio de 1959 (Discorsi, messaggi, colloqui dei Santo Padre Giovanni XXIII, I, Tip. Pol. Vat., p. 298), célula de base, célula germinal, sem dúvida a mais pequena, mas também a mais fundamental do organismo eclesial.
 
Este é o mistério em que está radicado o amor conjugal e que ilumina todas as suas manifestações. Mistério da Encarnação, que exalta as nossas virtudes humanas, penetrando-as internamente. Longe de as menosprezar, o amor cristão condu-las, verdadeiramente, à sua plenitude, com paciência, generosidade, força e doçura (...)
 
Porque, se a fascinação da carne é perigosa, a tentação do angelismo não o é menos, e uma realidade desprezada não demora muito a reivindicar o seu lugar. Também, conscientes de guardar os seus tesouros em vasos de argila (cfr. 2 Cor 4, 7), os esposos cristãos procurem esforçar-se, com humilde fervor, por traduzir, na sua vida conjugal, as recomendações do Apóstolo São Paulo: «os vossos corpos são membros de Cristo..., o vosso corpo é templo do Espírito Santo...; glorificai pois a Deus no vosso corpo » (1 Cor 6, 15. 19. 20).
 
«Casados no Senhor», os esposos não podem unir-se, daí por diante, senão no nome de Cristo, a quem eles pertencem e por quem eles devem trabalhar como seus membros ativos. Eles não podem, portanto, dispor do seu corpo, especialmente porque ele é princípio de geração, senão no espírito e para a obra de Cristo, porque eles são membros de Cristo.
 
«Colaboradores livres e responsáveis do Criador » (Humanae Vitae, n. 1), os esposos cristãos veem a sua fecundidade carnal adquirir assim uma nobreza nova. O impulso, que os leva a unirem-se, é portador de vida e permite que deem filhos a Deus. (...)
 
Dilectos filhos e filhas, vós estais bem convencidos de que só vivendo a graça do sacramento do Matrimónio caminhais com « um amor incansável e generoso » (Ibid n. 41) para esta santidade a que todos nós somos chamados pela graça (cfr., Mt 5, 48; 1 Tes 4, 3; Ef 1, 4), e não por uma exigência arbitrária, mas pelo amor de um Pai que quer o pleno desenvolvimento e a felicidade total dos seus filhos.

De resto, para a alcançar, não fostes abandonados a vós mesmos, porque Cristo e o Espírito Santo, « estas duas mãos de Deus », segundo a expressão de Santo Irineu, trabalham por vós sem descanso (cfr. Adversus Haereses IV, 28, 4 em: PG 7, 1.200). Não vos deixeis, portanto, desviar pelas tentações, pelas dificuldades, pelas provações que aparecerem pelo caminho, sem o temor de ir, quando for preciso, contra a corrente do que se diz e pensa num mundo de atitudes paganizadas. São Paulo advertia-nos: «não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente » (Rom 12, 2).

Nunca vos desencorajeis nos momentos de fraqueza: o nosso Deus é um Pai cheio de ternura e de bondade, cheio de solicitude e transbordante de amor pelos seus filhos, que, algumas vezes, encontram dificuldades no seu caminho. E a Igreja é a mãe que vos quer ajudar a viver, toda a vida, este ideal do matrimónio cristão, do qual ela vos lembra, com bondade, todas as exigências.
(...)
 
O caminho dos esposos, como toda a vida humana, tem muitas etapas, comportando fases difíceis e dolorosas — tendes prova disso com o passar dos anos. Mas é preciso dizê-lo em voz alta: a angústia e o medo nunca deveriam anidar-se nas almas de boa-vontade, porque
 
Afinal, não é o Evangelho uma boa-nova
também para os casais, e uma mensagem que,
sendo exigente, não é menos profundamente libertadora?

Ter consciência de que ainda não se conquistou a própria liberdade interior, que se está ainda submetido ao impulso das próprias tendências, descobrir-se como incapaz de respeitar, dum momento para o outro, a lei moral, num domínio tão fundamental, suscita, naturalmente, uma reação de angústia. É, porém, o momento decisivo, em que o cristão, na sua desordem, em vez de se abandonar à revolta estéril e destruidora, acede na humildade à descoberta perturbadora do homem perante Deus, um pecador diante do amor de Cristo Salvador.

A partir desta tomada de consciência radical, todo o progresso da vida moral se torna atraente, os casais encontram-se também «evangelizados» no seu íntimo, os esposos descobrem «com temor e tremor » (Fil 2, 12), mas também com uma alegria admirada, que no seu matrimónio, como na união de Cristo com a Igreja, é o mistério pascal da morte e da ressurreição que se realiza. No seio da grande Igreja, esta pequena Igreja conhece-se então por aquilo que na realidade é: uma comunidade fraca e às vezes pecadora e penitente, mas perdoada, a caminho para a santidade,« na paz de Deus, que sobrepuja todo o entendimento » (Fil 4, 7).

Longe de estar, portanto, ao abrigo de qualquer fraqueza — « quem pensa estar de pé, veja que não caia » (1 Cor 10, 12) e de estar dispensado de um esforço perseverante, às vezes em condições cruéis que só o pensamento de tomar parte na paixão de Cristo pode levar a suportar (cfr. Col 1, 24), os esposos sabem, pelo menos, que as exigências da vida moral conjugal, que a Igreja lhes recorda, não são leis intoleráveis nem impraticáveis, mas um dom de Deus para os ajudar a aceder, por meio e além das suas fraquezas, às riquezas de um amor plenamente humano e cristão.

Desde então, longe de ter o sentimento angustioso de se encontrarem como que fechados num beco sem saída e, segundo os casos, de se entregarem talvez à sensualidade, abandonando todas as práticas sacramentais, de se revoltarem contra a Igreja, considerando-a como inumana, ou de persistirem num esforço impossível, a custo de perderem a harmonia e o equilíbrio, isto é, a sobrevivência do lar, os esposos entregar-se-ão à esperança, na certeza de que todos os recursos da graça da Igreja estão à disposição para os ajudar a encaminharem-se para a perfeição do seu amor.
 
São estas as perspectivas em que vivem os casais cristãos, em todo o mundo:

A boa-nova da salvação em Cristo, progredindo para a santidade no matrimónio e por meio dele, com a luz, a força e a alegria do Salvador.

(...) 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O papa Paulo VI falando aos casais - parte I

Selecionamos um fragmento do discurso do Papa Paulo VI aos casais, realizado no dia 4 de Maio de 1970 ressaltando a importância do matrimônio.
 
(...) Muitas vezes a Igreja pareceu, sem razão, suspeitar do amor humano. Também vos queremos dizer hoje claramente: não, Deus não é inimigo das grandes realidades humanas e a Igreja não desconhece os valores quotidianamente adquiridos por milhões de lares. Pelo contrário, a boa-nova trazida por Cristo Salvador é uma boa-nova para o amor humano, também ele excelente nas suas origens — « Deus, vendo toda a Sua obra, considerou-a muito boa » (Gên 1,31) —, também ele corrompido pelo pecado, também ele remido ao ponto de se tornar, pela graça, meio de santidade.


 
Como todos os batizados, vós fostes, realmente, chamados à santidade, segundo o ensinamento da Igreja, solenemente reafirmado pelo Concílio (cfr. Lumen Gentium, n. 11). Mas deveis dirigir-vos a ela com o vosso modo próprio, na vossa e pela vossa vida de família (Ibid. n. 41). E a Igreja que no-lo ensina:
 
« Os esposos, tornados capazes
pela graça de levar uma vida santa»
(Gaudium et Spes, n. 49 § 2)
 
e de fazer o seu lar «como santuário familiar da Igreja» (Apostolicam Actuositatem, n. 11). Estes ensinamentos, cujo esquecimento é tão trágico para o nosso tempo, são-vos certamente familiares. Gostaríamos de meditar neles juntamente convosco, por alguns instantes, para reforçar ainda em vós, se for necessário, a vontade de viver generosamente a vossa vocação humana e cristã no matrimónio (cfr. Gaudium et Spes, nn. 1, 47-52), e de colaborar com o grande desígnio de amor de Deus no mundo, de se formar um povo « para o louvor da sua glória » (Ef 1, 14).
 
Como a Sagrada Escritura nos ensina, o matrimónio, antes de ser um sacramento, é uma grande realidade terrestre: «Deus criou o homem à Sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher» (Gên 1, 27). É preciso recordar todos os dias esta primeira página da Bíblia, se quisermos compreender o que é, o que deve ser um casal humano, um lar. As análises psicológicas, as pesquisas psicanalíticas, os inquéritos sociológicos e as reflexões filosóficas poderão, sem dúvida, contribuir para dar esclarecimentos sobre a sexualidade e sobre o amor humano, mas cegar-nos-iam se transcurassem este ensinamento fundamental que nos foi dado desde a origem: a dualidade dos sexos foi querida por Deus, para que o homem e a mulher, juntos, fossem imagem de Deus, e, como Ele, nascente de vida: «crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra» (Gên 1, 28).
 
Uma leitura atenta dos Profetas, dos Livros Sapienciais e do Novo Testamento, mostra-nos, de resto, o significado desta realidade fundamental e ensina-nos a não a limitar ao desejo físico e à atividade genital, mas a descobrir nela o carácter complementar dos valores do homem e da mulher, a grandeza e as fraquezas do amor conjugal, a sua fecundidade e a sua abertura ao mistério do desígnio do amor de Deus.
 
Este ensinamento conserva ainda hoje todo o seu valor e imuniza-nos contra as tentações de um erotismo destruidor. Este fenómeno aberrante deveria, pelo menos, pôr-nos em guarda contra o perigo de uma civilização materialista, que pressente, obscuramente, neste domínio misterioso, como que o último refúgio de um valor sagrado.
 
Saberemos nós arrancá-lo ao abuso da sensualidade? Saibamos pelo menos, perante uma expansão cinicamente levada a efeito por algumas indústrias ávidas, aniquilar os seus efeitos nefastos nos jovens. Sem obstáculos nem compressões, trata-se de favorecer uma educação que ajude a criança e o adolescente a tomarem consciência, progressivamente, da força dos impulsos que despertam neles, de os integrar na construção da sua personalidade, de dominar as suas forças ascendentes, para realizarem uma completa maturidade afetiva e também sexual, de se prepararem, assim, para o dom de si, num amor que lhes dará a sua verdadeira dimensão, de maneira exclusiva e definitiva.
 
A união do homem e da mulher difere, na verdade, radicalmente, de todas as outras associações humanas e constitui uma realidade singular, ou seja, a união fundada na doação mútua dos cônjuges: « e os dois serão uma só carne » (Gên 2, 24).
 
Unidade, cuja indissolubilidade irrevogável é o selo colocado sobre a união livre e mútua de duas pessoas dotadas de liberdade que, « portanto, já não são dois, mas uma só carne » (Mt 19, 6): uma só carne, um casal, poder-se-ia quase dizer, um único ser, cuja unidade assumirá uma forma social e jurídica por meio do matrimónio e se manifestará por uma comunhão de vida, cuja expressão fecunda é o dom carnal. Quer dizer que,
 
Com o matrimónio, os esposos exprimem uma vontade de se pertencerem um ao outro para toda a vida, e de contraírem, para este fim, um vínculo objetivo, cujas leis e exigências, muito longe de serem um servilismo, são uma garantia e uma proteção, um verdadeiro amparo, como vós próprios verificais nas vossas experiências quotidianas.
 
Na verdade, a doação não é uma fusão. Cada uma das personalidades permanece distinta e, longe de se dissolver com a doação mútua, afirma-se e aperfeiçoa-se, aumenta com o decorrer da vida conjugal, segundo esta grande lei do amor: dar-se um ao outro para se dar juntamente.
 
O amor é, realmente, o cimento que dá solidez a esta comunidade de vida e o entusiasmo que a arrasta para uma plenitude cada vez mais perfeita. Todo o ser participa dela, nas profundezas do seu mistério pessoal e dos seus componentes afetivos, sensíveis, carnais e também espirituais, até constituir, cada vez melhor, esta imagem de Deus, que o casal tem a missão de encarnar na sucessão dos dias, tecendo-a com as suas alegrias e com as suas preocupações, dado que o amor é, realmente, mais do que o amor.
 
Não há nenhum amor conjugal que não seja, na sua exultação, entusiasmo para o infinito, e que não deseje ser, no seu entusiasmo, total, fiel, exclusivo e fecundo
(cfr. Humanae Vitae, n. 9).
 
É nesta perspectiva que o desejo encontra o seu pleno significado. Meio de expressão e, também, de conhecimento e de comunhão, o ato conjugal mantém e fortifica o amor e a sua fecundidade, leva o casal ao seu pleno desenvolvimento: torna-se, à imagem de Deus, fonte de vida.
 
O cristão tem consciência disto: o amor humano é bom na sua origem e, embora esteja, como tudo o que existe no homem, ferido e deformado pelo pecado, encontra em Cristo a sua salvação e a sua redenção. Aliás, não é esta a lição de vinte séculos de história cristã ? Quantos casais encontraram, na sua vida conjugal, o caminho da santidade, nesta comunidade de vida, que é a única fundada num sacramento!
(...)
Continua

quarta-feira, 24 de junho de 2015

8 Segredos dos relacionamentos bem-sucedidos

Quem não quer ter um relacionamento amoroso bem-sucedido, duradouro e feliz? Apresentamos 8 dicas eficazes para ajudar em seu namoro, noivado e casamento.

Faz algum tempo que eu e minha esposa trabalhamos com casais na igreja e, como bom católico, gosto muito dos conselhos que o Papa Francisco dá aos noivos: sempre se utilize das palavrinhas mágicas, “posso, com licença?”, “por favor”, “obrigado”, “desculpa”.
 
Existe, porém, algo mais que se pode fazer. David Niven, em seu livro “Os 100 segredos dos bons relacionamentos”, reuniu uma série de estudos científicos sobre os casais felizes, os quais resumimos aqui em 7 tópicos para serem aplicados na sua vida a dois, a 8 dica é a mais poderosa de todas:
 
1. Trabalhe seus aspectos emocionais.
 
Estudos mostram que, em geral, as pessoas têm três vezes mais a tendência de responsabilizar o outro pelos problemas conjugais. Entretanto, muitas dificuldades no relacionamento decorrem de questões individuais que podem ser trabalhadas, mais profundamente, através da psicoterapia.
 
Os perfeccionistas exagerados tendem a se sentirem 33% menos satisfação no relacionamento. Pessoas inflexíveis podem ter 38% mais conflitos. Os coléricos experimentam mais desavenças e por um tempo 81% maior. Pessoas altamente competitivas com seus parceiros reduzem em 37% sua satisfação.
 
Dúvidas constantes sobre os seus sentimentos aumentam em até três vezes a chance de divórcio e a frustração pessoal pode ser responsável por 50% dos conflitos.
 
Por outro, lado a satisfação consigo mesmo, aumenta em cinco vezes mais a possiblidade do indivíduo se sentir feliz na relação.
 
2. Reprograme suas crenças e idealizações.
 
Constatou-se que assistir muita TV reduz em 26% a satisfação com seu relacionamento e aumenta três vezes as chances de aceitar estereótipos e fazer suposições sobre os comportamentos e sentimentos do parceiro. Redes sociais e novelas influenciam o divórcio e até na atração sexual dos casais.
 
Outra pesquisa, apontou que elementos de conto de fadas estavam presentes em 78% das crenças que as pessoas tinham sobre o amor romântico, elas apresentavam maior chance de terem desilusão, sofrimento e angústia do que quem deu menos crédito aos contos de fadas. O mesmo foi observado acerca das comédias românticas.
 
Sabemos que as “distorções idealistas” são duas vezes maiores durante o noivado do que na fase do namoro ou do casamento. Pesquisadores descobriram também que as características que primeiro atraíram os apaixonados, em 34% dos casos, deixam de ser relevantes seis meses após o início do namoro.

Claro que as idealizações são inevitáveis: nove em cada dez casais recém-casados, imaginam que seu relacionamento será extraordinário. Contudo, ao despir as fantasias, ao retirar as máscaras e projeções, o importante é saber se estarei disposto a amar aquele(a) que restou.

A crença na força do relacionamento, é um aspecto presente em nove de cada dez casais bem sucedidos.
 
3. Faça planos para o futuro.
 
Casais que buscam formas imediata de prazer, procurando satisfazer seus desejos sem levar em conta as suas necessidades mais profundas, enfrentam duas vezes mais conflitos do que os casais que buscam formas mais generosas e dedicadas de felicidade.
 
Ao passo que pessoas que estavam felizes em seus relacionamentos têm cinco vezes mais perspectivas de longo prazo em sua vida, pensam em futuro distante e investem suas foças para construí-lo e manter o otimismo no futuro eleva em 42% a satisfação.
 
Descobriu-se que cultivar interesses juntos acrescenta 64% mais chances de um casamento duradouro.
 
4. Equilibre todos os aspectos de sua vida.
 
Estresse no trabalho reduz em 38% a satisfação no relacionamento e conflitos no relacionamento diminuem em 20% a satisfação com o trabalho. Os workaholics estão três vezes mais propensos a sentirem que sua vida é insatisfatória. Desavenças por dinheiro são fontes significativa de conflito em mais da metade das relações independentemente do nível de renda .
 
5. Equidade na relação
 
A igualdade na tomada de decisões, nos sacrifícios pelo relacionamento e na divisão de tarefas doméstica aumenta duas vezes mais a satisfação em relação a casais onde não há igualitarismo. Casais que dividem as tarefas domésticas são 19% mais felizes.
 
6. Estratégia para solução de conflitos
 
Diante dos problemas, o bom mesmo é manter a lógica, consciência e bom senso para aumentar em 33% sua satisfação na vida conjugal. Estabelecer regras para a solução de problemas reduz em 12% os conflitos e aumentar em 31% a satisfação. E, ao invés de “remoer” as brigas, busque reprogramar a raiva: 25% dos casais nem lembram sobre o que discutiram, mas “ruminam” os sentimentos.
 
Busque focar nos aspectos positivos do relacionamento para reduzir em 48% das desavenças. O humor é uma ótima estratégia (reduzir em 77% dos tumultos), mas use sem ironia e piadinhas.
 
7. Comunique-se de forma assertiva
 
Estudos com pessoas que viviam casamentos felizes há mais de trinta anos, mostrou que a qualidade da amizade entre os parceiros foi o fator mais citado como responsável pelo sucesso matrimonial.
 
Casais com alto grau de intimidade, que partilham seus pensamentos íntimos, têm 62% mais probabilidade de considerar seu casamento feliz e quando os cônjuges são mais diretos em buscar apoio um no outro têm chances de 61% de se sentirem apoiados no casamento. Por outro lado, casais que nunca discutem a relação têm 38% mais possibilidades de divórcio
 
8. Dica: a mais eficaz de todas!
 
Essa dica vem do papa Francisco: anote! Serve para tudo na vida
 
O segredo de uma vida bem-sucedida
é amar e dar-se em amor

sábado, 20 de junho de 2015

Para pensar o namoro cristão

Selecionamos alguns conselhos da doutrina católica para se viver um namoro com sentido verdadeiramente cristão.
 
A Constituição dogmática Lumen Gentium afirma o sentido do namoro (e outros estados de vida):
 
“Todos os cristãos são, pois, chamados e obrigados a tender à santidade e perfeição do próprio estado. Procurem, por isso, ordenar retamente os próprios afetos” (LG, 42).
 
O papa João Paulo II, na exortação Familiaris Consortio relembra o papel formativo da família na orientação dos jovens no processo de amadurecimento que passa desde o namoro até se consumar no matrimônio:
A família deve orientar, desde à infância, os jovens à descoberta de si, de suas as forças e fragilidades, ao desenvolvimento da personalidade, do caráter, dos valores humanos, do autocontrole, da forma como se relacionar com as pessoas (inclusive do sexo oposto), com a sociedade e com o mundo. Bem como também é o período de se receber uma sólida formação espiritual e catequética sobre os valores cristãos (Familiaris Consortio, n.66).
O papa Bento XVI chegou a afirmar que o namoro tem que ser vivido tendo em vista o matrimônio e o papa Francisco, em encontro com jovens na Umbria, exortou: “não tenhais medo de dar passos definitivos, como o do matrimónio: aprofundai o vosso amor, respeitando os seus tempos e as suas pressões, orai, preparai-vos bem, mas depois tende confiança que o Senhor não vos deixa sozinhos! Fazei-o entrar na vossa casa como um membro da família, e Ele amparar-vos-á sempre”  (4 de Outubro de 2013).
 
O casal deve refletir a imagem de Deus um para o outro. Assim diz o Youcat, o catecismo jovem da Igreja Católica:
 
“Quem observa um casal de namorados olhando-se carinhosamente (...) fica com uma ideia (ainda que longínqua) do Céu. Pode ver Deus face a face é como um instante de amor, único e infindável” (YC, 158).
 
Ora, o que se diz aqui é que um deve ser a imagem e a semelhança de Deus na vida do outro: ao olhar para o namorado, a namorada deve sentir a presença de Deus; ao ver a face da amada, o namorado deve contemplar, de alguma forma, o reflexo do Senhor. O céu não é lugar das coisas passageiras, do provisório, do descartável; mas do amor firme, fiel, eterno. Céu é lugar da presença divina e da santidade.
 
O papa Bento XVI, em um encontro com namorados diz que os namorados têm que testemunhar esse reflexo divino na comunidade. E como fazer isso? Ele dá 10 conselhos práticos:
 
1. Evitar se fechar em “relações intimistas”;
2. Fazer com que o namoro se torne “presença ativa e responsável na comunidade” cristã;
3. Viver o amor como lugar da gratuidade, sacrifício de si, perdão e de respeito ao outro;
4. No namoro, deve-se buscar o amadurecimento;
5. Viver o tempo do namoro na expectativa do dom da vida matrimonial;
6. Deve-se percorrê-lo como um “caminho de conhecimento”
7. Procurar, desde já, “educar-se para a fidelidade”
8. Não se deve acelerar as etapas, pois isso “acaba por comprometer o amor”, que, ao contrário precisa, de respeitar os tempos e a gradualidade nas expressões;
9. O namoro deve “dar espaço a Cristo, que é capaz de tornar um amor humano fiel, feliz e indissolúvel”;
10. O casal deve “procurar e acolher a companhia da Igreja”. 
 
O Catecismo da Igreja Católica (CIC, 2350), referindo-se aos noivos, mas também podendo se aplicar aos namorados, ensina que:
  • “Os noivos (e namorados) são convidados a viver a castidade na continência”;
  • Viver “uma descoberta do respeito mútuo”
  • A “aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus”;
  • “Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal”;
  • E também: “ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade” (CIC, 2350).
O documento Sexualidade Humana, do Conselho Pontifício da Família, ensina que:
 
“A castidade exige que se evitem certos pensamentos, palavras e ações pecaminosas” (Sexualidade Humana, 18);
 
Deve-se ainda evitar “ocasiões de provocação e de incentivo ao pecado [bem] como saber superar os impulsos da própria natureza” (Sexualidade Humana, 18);
 
E ainda procurar “disciplinar os sentimentos, as paixões e os afetos” (Sexualidade Humana, 16);
 
Papa Bento XVI, em pronunciamento no Brasil (10 maio de 2007), também lembrou aos jovens que devem procurar “resistir com fortaleza às insídias do mal existente em muitos ambientes, que vos leva a uma vida dissoluta, paradoxalmente vazia, ao fazer perder o bem precioso da vossa liberdade e da vossa verdadeira felicidade”.
 
A Sagrada Congregação para a educação Católica, ao traçar as linhas gerais para uma educação sexual  nos lembra que:
 
As relações íntimas devem-se realizar somente no matrimônio (n.95);
 
E que “estão-se difundindo cada vez mais entre os adolescentes e os jovens certas manifestações de tipo sexual que por si se dirigem à relação completa sem, porém, chegar à sua realização; manifestações da genitalidade que são uma desordem moral, porque se dão fora de um contexto matrimonial”.
 
Ao contrário o documento lembra, na esteira de todo o pensamento da Igreja sobre o tema, que “o verdadeiro amor é capacidade de abertura ao próximo numa ajuda generosa, é dedicação ao outro para o bem dele; sabe respeitar a personalidade e a liberdade do outro; não é egoísta, não se procura a si próprio no outro, é oblativo, não possessivo. O instinto sexual, ao contrário, se entregue a si próprio, reduz-se à genitalidade e tende a dominar o outro, procurando imediatamente uma satisfação pessoal”.
 
Verdade que a Igreja reconhece que esse é um esforço muito grande e mas “torna-se possível pela graça divina mediante a palavra de Deus acolhida com fé, a oração filial e a participação nos Sacramentos, sobretudo, a Eucaristia e a Reconciliação” (n. 45), bem como “a oração pessoal e comunitária” como “o meio insubstituível para conseguir de Deus a força necessária para manter fidelidade aos compromissos baptismais, para resistir aos impulsos da natureza humana ferida pelo pecado e para equilibrar as emoções provocadas pelas influências negativas do ambiente” (n. 46).
 
Por isso, o papa Francisco aconselha que os namorados e noivos rezem um pelo outro e propõe a seguinte oração: “Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje”.