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sábado, 24 de junho de 2017

Para lidar com o ciúme

Ciúme pode ser definido como um sentimento de posse ameaçado pelo medo da perda do objeto amado.

Existem três elementos comuns em todo sentimento de ciúme:
  • Uma reação frente a uma ameaça percebida;
  • Um rival (real ou imaginário);
  • Reação visa eliminar os riscos da perda do objeto amado.
É preciso entender que ter ciúmes pode ser algo bem normal, mas em excesso pode se tornar doença. O que distingue um do outro?
  • CIÚME NORMAL: Transitório, Específico, Baseado no real, Sentimento de preservar
  • CIÚME PATOLÓGICO: Sentimentos conturbados, Reações desproporcionais, Infundado, Sentimento de ameaça de perda, Existe um sofrimento, Caráter obsessivo, Dependendo da qualidade da autoestima, O enciumado não somente questiona o amor do outro, Desejo de controle total.


Algumas pessoas pensam que o ciúme é prova de amor, mas as duas coisas são bem diferentes. Vejamos o que São Paulo (1Cor 13) diz acerca do amor (aqui se referindo ao amor caritativo, mas que podemos aplicar ao amor entre homem e mulher:

4 O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho.
5 Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor.
6 Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade.
7 Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Note como é diferente as características do amor para a do ciúme patológico:
Enquanto o amor espera, o ciumento é impaciente; enquanto o amor nada faz de inconveniente; o ciumento é inconveniente; o altruísmo do amor contrasta com o egoísmo do ciúme; enquanto o amor tudo sofre, o ciúme tudo faz sofrer; enquanto o amor se alegra com a verdade e tudo crê, o ciumento desconfia de tudo...

O ciúme é diferente da inveja...
  • O invejoso sente um profundo desgosto por não possuir aquilo que gostaria de ter e que o outro possui.
  • O ciumento teme perder aquilo que julga ser de sua posse exclusiva.
  • O ciúme tem por objeto os afetos e os sentimentos das pessoas;
  • A inveja se constrói pela posse das coisas, atributos, posição e poder
Não se sabe ao certo a origem do Ciúme, o mais provável é que tenha múltiplas causas, podendo ser um sentimento aprendido durante a infância despertado por muitas perdas, censuras, rivalidade, Complexo de inferioridade e baixa autoestima.

Como lidar com uma pessoa ciumenta?
  • Diálogo franco
  • Separação temporária
  • Firmeza nos princípios e convicções
  • Evitar qualquer tipo de ameaça e revide
Como lidar com o seu próprio ciúme?
  • Admitir o sentimento
  • Buscar ajuda profissional
  • Medidas preventivas
  • Autoanálise
  • Auxílio espiritual

terça-feira, 15 de março de 2016

A influência dos pais durante a infância e sua repercussão nos relacionamentos adultos

"A história do indivíduo, depois do nascimento, depende sem dúvida dos cuidados físicos e médicos que recebe. Mas grande influência sobre ela exercem também a serenidade, a intensidade e a riqueza das emoções sentidas durante a vida pré-natal" (Mensagem aos participantes num congresso sobre a Educação Pré-Natal em 20 de Março de 1998).

Foi assim que o papa João Paulo II, escreveu sobre a importância dos cuidados maternos e paternos desde a gestação. Sabe-se que, por exemplo, os hábitos de beber e fumar durante a gravidez podem acarretar problemas de má formação e/ou outras sequelas. 

Mas também existem estudos nos quais a vida agitada do casal, repleta de brigas e confusões podem liberar uma quantidade extra de hormônios sobre o feto, formando uma criança com temperamento mais colérico ou, do contrário, uma gravidez com poucos estímulos, pode desenvolver um temperamento mais introvertido.

Na referida mensagem do papa acima, ele continua: "É de igual modo fundamental relevar a conexão que existe entre o desenvolvimento da psicologia do nascituro e o contexto da vida familiar que se move em seu redor. A harmonia dos cônjuges, o calor do lar, a serenidade da vida quotidiana repercutem-se na sua psicologia, favorecendo o seu desabrochar harmonioso".


Aqui podemos pensar nas histórias que ouvimos de nossos pais sobre nossa infância e até mesmo na história da infância de nossos pais, pois existe a influência da cultura familiar que ambos genitores herdaram de seus respectivos pais e isso, certamente, será transmitido a seus filhos.

Por exemplo, pensemos no caso de uma mulher cresceu idealizando exageradamente seu pai, tido como modelo perfeito de homem. Depois, quando se casa, perceba que o marido não corresponde a esse modelo de homem perfeito, poderá refletir sua frustração no filho, ensinando-o a rejeitar o pai e admirar o avô materno.

Outro caso muito comum, é da moça que cresceu ouvindo da mãe: "homem não presta!" Isso pode ficar registrado na sua mente e ela crescer acreditando que homem NENHUM presta. Como consequência, ela pode se relacionar, justamente com homens que confirme sua crença (a chamada "dedo-podre") e se vir a casar, pode também desqualificar o esposo e, quem sabe, até transmitir essa crença aos filhos!

Algumas pessoas supersticiosas diriam que é carma, trauma de vidas passadas etc, etc., etc.... Não! É apenas o poder da aprendizagem que vai passando de geração em geração! 

Repete-se, de geração em geração, os estímulos excessivos ou a repressão da sexualidade, agressividade, as proibições, os mandamentos, as ambições, expectativas, medos as histórias, a cultura familiar etc. 

Por exemplo, conheci uma pessoa que nunca tomou determinado remédio porque a sua mãe dizia que ele era alérgico! (quando na verdade era ela quem tinha intolerância à medicação e temia, sem razão, que o filho passasse pelo mesmo que ela passou).

Há casais que discutem por pequenas coisinhas, que, se pesquisarmos, remetem a esses aprendizados transgeracionais: a maneira de dobrar o lençóis, deixar ou não as portas dos armários abertas, passar a roupa dessa ou daquela maneira, levantar a tampa do assento sanitário, o modo de espremer a pasta, de arrumar a casa etc. 

Se esses hábitos não forem conversados, poderão se tornar um problema muito grande, gerando inúmeras discussões e um pressionando o outro para mudar.

Acontece que eu devo mudar porque eu quero oferecer meu melhor para quem eu amo. A mudança obrigada, geralmente, é passageira. É preciso que o casal compreenda que um hábito adquirido é parte de mim, parte de quem eu sou, da minha história... Quando pressiono o outro a abandoná-lo, estou, implicitamente, dizendo a ele: sua história de vida não é importante! Ao invés de minha esposa/meu esposo, noiva(o) ou namorada(o) ser Imagem e Semelhança de Deus na minha vida, quero fazê-la(o) à minha própria imagem e semelhança.

Dialogue com o seu amor e pergunte para ele(a): Que imagem tem de seu pai? Que imagem tem de sua mãe? Que imagem ele(a) tem do relacionamento dos dois? Com qual dos dois ele(a) mais se identifica?

A profundeza dessas respostas podem propiciar um conhecimento mais profundo da alma da pessoa amada.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Como nossa infância pode influenciar nossos relacionamentos

"Cada um de nós constrói a própria personalidade em família, crescendo com a mãe e o pai, com os irmãos e as irmãs, respirando o calor da casa. A família é o lugar onde recebemos o nome, o lugar dos afetos, o espaço da intimidade, onde se aprende a arte do diálogo e da comunicação interpessoal. Na família, a pessoa toma consciência da própria dignidade" (Papa Francisco, 25/10/13).

Da mensagem do Papa, percebemos a importância da família (e da infância) na formação da pessoa: é na infância que se aprende as primeiras nossos de certo e errado, as primeiras noções de fé (a chamada "Igreja Doméstica"), é aí que se forma nosso caráter, nossa personalidade, nossa autoestima, a educação para o amor, a vida e o respeito. Sobretudo, a forma como nos relacionamos com as outras pessoas, inclusive com nosso(a) namorado(a), noivo(a) ou esposo(a).


No campo das ciências psicológicas, há muitas pesquisas que mostram como "padrões de comportamento" adquiridos na infância influenciam na vida adulta. Um segundo estudo utilizando fotos de infância de pessoas acima dos 65 anos encontrou um elo parecido entre aqueles com os maiores sorrisos nas fotos de infância, 11% se divorciaram mais tarde, comparado com 31% dos que menos sorriam.

O famoso teste do marshmallow, realizados no final dos anos de 1960 e início dos anos de 1970 na Universidade de Stanford, consistia em oferecer a crianças uma pequena recompensa (marshmallow, cookie ou um pretzel etc.) entregue imediatamente ou duas pequenas recompensas se ela esperasse até o retorno do pesquisador (depois de uma ausência de aproximadamente 15 minutos). Anos depois, descobriu-se que as crianças que conseguiram atrasar a recompensa, durante seu crescimento, mostraram-se adolescentes mais competentes tanto cognitivo quanto socialmente, alcançaram maior desempenho escolar e evidenciaram lidar melhor com a frustração e o estresse. Também, observou-se que mais tarde, estas crianças foram mais bem sucedidas na escola, nas suas carreiras, nos seus casamentos e na vida.

O fato é que muito da nossa forma de nos relacionarmos com o mundo e com as pessoas, devemos à infância, especialmente, àquilo que vimos, ouvimos ou sentimos de nossos pais e ou responsáveis.

Sabe-se que crianças que foram muito cobradas, quando crianças e exigido delas serem "modelos" ou "adultos precoces" têm uma tendência a se tornarem adultos perfeccionistas, exigentes, às vezes, até excessivamente moralizantes.

Por outro lado, quando a criança sente-se que só ganha amor se fizer isso, isto ou aquilo, pode crescer aprendendo que só será amada caso se comporte de determinada maneira. Pode gerar a tendência de se relacionar apenas com pessoas que necessitam ser ajudadas e, quem sabe, só entenderam esse tipo de linguagem de amor!

Infância muito sofrida, repleta de abandonos (reais ou imaginários) pode trazer como consequência um adormecimento em relação ao mundo e aos outros, tendência à solidão ou a fantasiar a realidade para evitar encará-la. Por outro lado, crianças que desde cedo foram estimuladas à sociabilidade tendem a ser mais autoconfiantes e flexíveis.

Se quando criança seus pais não deixavam você tomar decisões, você pode ter se tornado um adulto dependente física ou emocionalmente de uma outra pessoa. Isto poderá resultar num procura de relações em que o companheiro tenho todo o poder e controle.

Se você teve pais muito controladores, você pode ter se tornado um adulto teimoso. Teimosia é um mecanismo de defesa que as crianças adotam para escapar da vontade de seus superprotetores. Quando crescerem, elas provavelmente carregarão esse comportamento para a fase adulta.

Claro que existem muitas outras influências da infância em nossos relacionamentos atuais - algumas das quais abordaremos em outros post - mas, o importante, principalmente, nos relacionamentos amorosos (namoro, noivado e casamento) que o casal converse sobre a infância: o que você viveu? Como você se sentia? Qual a qualidade do relacionamento que você tinha com seus familiares? Amigos? Professores? Isso ajuda a entender muitas coisas sobre nossa vida atual.

Namoro é tempo de diálogos profundos sobre a história e a alma do outro, para depois, nenhum dos dois dizer ter si enganado...

Por fim, um lembrete importante, nossa infância apenas influencia nossa vida, não determina! Hábitos ruins adquiridos na infância, mesmo os traumas, medos, limitações etc. podem ser modificados, seja pelo esforço pessoal, por ajuda profissional adequada e, não nos esqueçamos, da graça de Deus!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Castidade segundo os estados de vida

Continuando o tema da castidade, segundo o Catecismo da Igreja Católica, lembremos que “todo batizado é chamado à castidade (...) segundo seu específico estado de vida (CIC, 2348): casados ou celibatários.

Desde os tempos apostólicos, virgens e viúvas cristãs, chamadas pelo Senhor a apegar-se a Ele sem partilha em uma liberdade maior de coração, de corpo e de espírito, tomaram a decisão, aprovada pela Igreja, de viver respectivamente no estado de virgindade ou de castidade perpétua "por causa do Reino dos Céus" (Mt 19,12; cf. CIC, 922).

“Acrescentada às outras formas de vida consagrada, a ordem das virgens constitui a mulher que vive no mundo (ou a monja) na oração, na penitência, no serviço a seus irmãos e no trabalho apostólico, conforme o estado e os carismas respectivos oferecidos a cada uma. As virgens consagradas podem associar-se para guardar mais fielmente seus propósitos” (CIC, 924).

Todos os ministros ordenados da Igreja latina, com exceção dos diáconos permanentes, normalmente são escolhidos entre os homens fiéis que vivem como celibatários e querem guardar o celibato “por causa do Reino dos Céus” (Mt 19,12). Chamados a consagrar-se com indiviso coração ao Senhor e a “cuidar das coisas do Senhor”, entregam-se inteiramente a Deus e aos homens. O celibato é um sinal desta nova vida a serviço da qual o ministro da Igreja é consagrado; aceito com coração alegre, ele anuncia de modo radiante o Reino de Deus (CIC, 1579).


As pessoas casadas são convidadas a viver a castidade conjugal; os outros praticam a castidade na continência: Existem três formas da virtude da castidade: a primeira, dos esposos; a segunda, da viuvez; a terceira, da virgindade. Nós não louvamos uma delas excluindo as outras. Nisso a disciplina da Igreja é rica” (CIC, 2349).

“Os noivos [ou namorados] são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provação eles verão uma descoberta do respeito mútuo, urna aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade”. (CIC, 2350).

“As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã” (CIC, 2359).

A virtude da castidade desabrocha na amizade. Mostra ao discípulo como seguir e imitar Aquele que nos escolheu como seus próprios amigos, se doou totalmente a nós e nos faz Participar de sua condição divina. A castidade é promessa de imortalidade. A castidade se expressa principalmente na amizade ao próximo. Desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes, a amizade representa um grande bem para todos e conduz à comunhão espiritual. (CIC, 2347).

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Diferenças entre homens e mulheres - 3a parte (comunicação)

Este é o terceiro post da série sobre as diferenças entre homens e mulheres. Pesquisas revelam que o cérebro do homem funciona de modo bem diferente do cérebro da mulher e essa é uma das maiores causas de problemas entre os relacionamentos amorosos. Compreender essas diferenças próprias da natureza do homem e da mulher pode melhorar o convívio e ajudar a ter um namoro menos tumultuado.

Já falamos das diferentes habilidades de cada um, agora, abordaremos como os dois se comunicam de formas diferentes.

Em geral, as meninas aprendem a falar mais cedo que os meninos e de forma mais articulada. As mulheres, por serem mais detalhistas, expressam suas experiências com grande riqueza de gestos, sons e palavras. Elas chegam a usar, por dia, entre 6 e 8 mil palavras; já os homens, de duas a três vezes menos. Para a mulher falar é um modo de agradar e compartilhar, dizer que gosta de você. Já a fala masculina tem o objetivo de informar.

Sob estresse, as mulheres tendenciam a disparar em falar mais ainda, o homem acha que está sendo bombardeado por uma lista de problema para resolver. Fica nervoso, impaciente e tenta organizar as coisas. Na verdade, muitas vezes, elas querem apenas desabafar - e, quando o homem propõe soluções, é provável que ela até fique chateada!

Para um homem conversar com uma mulher, deve conter o impulso de propor soluções ou de questionar seus motivos. Se ela parece ter um problema, uma ótima técnica é perguntar: você quer que eu só escute ou te ajude a solucionar?

A fala feminina pode misturar vários assuntos em uma mesma conversa, o que deixa os homens ainda mais "perdidos". É importante que a mulher compreenda que, para se fazer entender ou convencer um homem, deve apresentar com clareza um pensamento ou uma ideia de cada vez. A fala indireta faz parte da estrutura do cérebro feminino, o homem não precisa se aborrecer com is­so. Pra chegar a um bom relacionamento com uma mulher, deve prestar atenção aos sons e à linguagem corporal.

O homem, geralmente, em um diálogo, usa frases mais cur­tas, fala de uma coisa por vez e, dificilmente, interrompe o outro (a menos que seja um debate). Por isso, os homens ficam irritados quando as mulheres interrompem sua fala ou não deixam eles completarem o raciocínio.

Outro erro muito comum ocorre nos momentos de discussão. Na tentativa de se impor, muitas mulheres, erradamente, elevam a voz, passando ao homem uma impressão de agressividade ou utilizam de "caras e bocas" ou sons para mostrar seus sentimentos: tudo isso é em vão! Geralmente, os homens não conseguem interpretar de maneira correta as sutilezas da entonação e da expressão facial. Quer ser entendida por um homem: seja clara e objetiva!

Outra coisa: as palavras uma mulher podem ser utilizadas com grande flexibilidade, enquanto o homem é mais literal. Ela pode reclamar que ele nunca a ouve; ele pode retrucar "NUNCA? Isso, não é verdade, não estou te ouvindo agora?"

Não é que as mulheres sejam supersensíveis e os homens, insensíveis. É que a constituição cerebral de um é diferente da do outro. Como no mundo femini­no a percepção é muito mais desenvolvida, elas esperam que eles também sejam capazes de ver os detalhes, ler seus sinais de linguagem verbal, vocal e corporal e adivinhar seus desejos, tal como fa­ria outra mulher. A mulher parte do princípio de que o homem será capaz de descobrir o que ela quer ou precisa e, quando isso não acontece, diz que ele é insensível, nem desconfiou! Ele reclama: Sou obri­gado a ler teu pensamento? 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Diferenças entre homens e mulheres - 2a parte (eles)

Este é o segundo post da série sobre as diferenças entre homens e mulheres. Pesquisas revelam que o cérebro do homem funciona de modo bem diferente do cérebro da mulher e essa é uma das maiores causas de problemas entre os relacionamentos amorosos. Compreender essas diferenças próprias da natureza do homem e da mulher pode melhorar o convívio e ajudar a ter um namoro menos tumultuado. Já falamos delas, agora é a vez deles.


Os homens, em geral, usam os sentidos de forma mais seletiva, são mais pragmáticos, generalistas, possuem a sensibilidade menos aguçada que a mulher, sua atenção é mais focada em uma coisa de cada vez, sua forma de se comunicar é direta, fala menos, tende a ser mais racional, tende a ser bom em resolver problemas e, na maioria dos casos, tem maior inteligência espacial.

Estudos que confirmam que o cérebro masculino é especializado, compartimentado, configurado para se concentrar numa atividade específica. Por isso, a maioria dos homens diz que só pode fazer uma coisa de cada vez. Quando um homem pára o carro para consultar um mapa, o que faz primeiro? Desliga o rádio! A mulher, geralmente, não compreende isso. Se ela lê, ouve e fala ao mesmo tempo, por que ele não faz o mesmo? Por que ele insiste em que se desligue a televisão quando o telefone toca? Por que não escuta o que eu digo quando está lendo jornal ou vendo tevê? É uma queixa comum entre as mulheres do mundo todo. A resposta é que, devido ao número menor de fibra conectora entre os hemisférios e à compartimentação, o cérebro masculino é configurado para executar uma coisa de cada vez. Observe a imagem do cérebro de um homem enquanto ele está lendo, e vai verás que fica virtualmente surdo!

O cérebro masculino evoluiu de forma a solucionar problemas e buscar soluções racionais para estes problemas. As mulheres, geralmente, têm dificuldade com jogos espaciais ou atividades que exijam muito raciocínio lógico. A diferença já começa na idade escolar, quando mais novos, atividades como línguas e artes são aprendidas por elas mais rapidamente que pelos meninos, mas com a introdução de matérias como matemática, física e ciências, eles acabam se saindo melhor.

A maioria dos homens apresenta boa capacidade de localização. Apenas 10% das mulheres tem boa ou excelente orientação espacial, por isso, da dificuldade delas em estacionar o carro, fazer baliza, ler mapas, distinguir direita da esquerda e da dificuldade masculina de pedir informações quando está perdido!

As habilidades inatas do homem em se localizar fazem com que, admitir estar errado e se perdeu, seja admitir sua incapacidade e isso equivale, no seu entendimento, ao medo de ser abandonado pela companheira.

Para o homem, dirigir um carro é testar sua habilidade espacial em relação ao ambiente. Para a mulher, dirigir é apenas ir do ponto A ao ponto B sem contratempo. Se ele é o passageiro, a melhor estratégia é ligar o rádio, fechar os olhos e ficar calado. Afinal, se sabe que, em geral, a mulher se envolve menos em acidente que o homem. Ela chegará até lá. Talvez demore um pouco mas irá.

O homem, quando dirige, usa sua habilidade espacial e toma decisão que parece perigosa para a mulher que está a seu lado. Desde que ele não seja um louco do volante, é melhor ela se desligar, parar as críticas e o deixar dirigir em paz.

A visão masculina é programada para enxergar a longa distâncias. Não é muito boa com detalhes. Por isso, os homens têm dificuldade para encontrar chaves, meias, a manteiga na geladeira... Mesmo estando ao alcance da mão! Ou de perceber que a mulher cortou dois dedos do cabelo! Ou ainda as imperfeições do corpo feminino, como rugas, estrias, celulite, gordurinhas! Portanto, é muito provável que o seu namorado não perceba as “imperfeições” do seu corpo. Geralmente, isso só acontece, quando a mulher começa a mostrar! Então, pare de mostrar esse tipo de defeito e comece a focar nas coisas boas, assim seu namorado vai percebê-las mais ainda!

Para encerrar esse post, cito o papa Francisco:

O homem e a mulher, como casal, são imagem de Deus. A diferença entre homem e mulher não é para a contraposição, nem para a subordinação, mas para a comunhão e a geração, sempre à imagem e semelhança de Deus.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Diferenças entre homens e mulheres - 1a parte (elas)

Pesquisas revelam que o cérebro da mulher funciona de modo bem diferente do cérebro do homem e essa é uma das maiores causas de problemas entre os relacionamentos amorosos. Compreender essas diferenças próprias da natureza do homem e da mulher pode melhorar o convívio e ajudar a ter um namoro menos tumultuado.


Essas diferenças são, primeiramente, de ordem biológica, mais que cultural. A anatomia da mulher é diferente da do homem: não só pelas genitálias, mamas, mas também a constituição óssea (mais leve nas mulheres), formato do crânio (maior nos homens), da bacia (mais arredondada nas mulheres), dos dentes (na mulher, são mais delicados e regulares, enquanto, no homem, são mais volumosos), do funcionamento cerebral. O cére­bro feminino é um pouco menor que o masculino e, muito embora, o homem possua cerca de quatro bilhões de neurônios a mais, as mulheres, geralmente, alcançam uma pontuação cerca de 3% mais alta nos testes de inteligência do que eles.

A diferença entre os sexos se encontra também relacionada a questões genéticas, bioquímicas e variações hormonais, por exemplo, o excesso de testosterona no homem e de progesterona na mulher, isso faz com que as mulheres variem mais de humor ao longo do dia do que os homens.

Em geral, a mulher escuta melhor que o homem e distingue muito bem os sons mais agudos. O cérebro feminino é programado para ouvir um choro de criança no meio da noite, enquanto o pai pode não perceber e continuar dormindo. Com uma semana de vida as meninas são capazes de identificar a voz da mãe ou distinguir o choro doutro bebê entre os sons do ambiente. Os meninos não conseguem.

O cérebro feminino tem a capacidade de isolar e selecionar os sons e de tomar decisão a respeito de cada um deles. Por isso, as mulheres conseguem prestar atenção a uma conversa íntima e, ao mesmo tempo, ouvir o que se diz em volta. E é também por isso que os homens têm tanta dificuldade em escutar alguém quando a televisão está ligada ou quando vem da cozinha o barulho de prato. Se o telefone toca, o homem pede que se pare de falar, que se abaixe o som ou desligue a televisão para que possa ouvir. A mulher simplesmente atende.

Desde que nascem, as meninas são muito mais sensíveis ao toque e, quando adultas, a sensibilidade de sua pele é, pelo menos, dez vezes maior que a dos meninos.

Também os sentidos do paladar e do olfato são mais aguçados na maioria das mulheres do que nos homem. Os homens se saem melhor na percepção de salgado e amargo enquanto que as mulheres são muito melhores em distinguir doce. Eis aí uma provável causa das mulheres gostarem tanto de doce e de estar entre elas a maioria dos provadores de alimento. Na mulher o sentido do olfato não apenas é superior ao do homem médio mas fica ainda mais apurado durante o período da ovulação.

Muitas mulheres têm boa visão periférica de qua­se 180º. Os olhos do homem são maiores que os da mu­lher e o cérebro masculino é configurado para visão a longa distância, do tipo túnel, que o faz enxergar claramen­te em frente até muito longe, como se usasse binóculo.

Elas conseguem ser mais detalhistas, descritivas, mas eles têm dificuldade de encontrar a manteiga na geladeira ou a chave do carro mesmo que esteja a sua frente.


Em geral, as mulheres têm uma capacidade maior de perceber as variações de cores, especialmente, os tons de vermelho. O cromossomo X é o responsável por essas células que processam as cores. Como possui dois cromossomos X, isso se reflete na maneira detalhada como ela descreve as cores. O homem nomeia as cores com palavras simples, corno vermelho, azul e verde. A mulher fala de cinza-grafite, verde-água, azul-turquesa, cor de malva e verde-maçã.

De forma alguma as diferenças aqui descritas são para alimentar qualquer forma de sexismo, mas para mostrar que somos diferentes sim, mas complementares, isso nos enriquece como humanos. Certa vez, o papa João Paulo II assim se pronunciou acerca das diferenças entre homens e mulheres:

“A mulher é o complemento
do homem, como o homem é
o complemento da mulher:
mulher e homem são entre si complementares.
A feminilidade realiza o “humano”
tanto como a masculinidade,
mas com uma modulação distinta e complementar”

(Papa João Paulo II)



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Como a luxúria pode estragar um relacionamento

A teologia católica ensina que a origem de todos os males humanos encontra sua raiz nos chamados "pecados capitais": soberba, avareza, luxúria, inveja, gula, ira e preguiça. Eles interferem, inclusive, no namoro cristão.

Esse é o terceiro texto de uma série de reflexões sobre estes pecados para ajudar cada um a lidar melhor com seus limites e melhorar seu relacionamento e sua vida. Já abordamos a soberba e a avareza, falemos, agora, da luxúria.


Luxúria ou lascívia é o vício contrário à virtude da pureza, caracterizada por pensamentos excessivos de natureza sexual ou um desejo sexual confuso ou incontrolável. Hoje, fala-se muito sobre a compulsão sexual.

Que atos podem se considerar lascivos?
  • Ações libertinas que desrespeitem seu corpo, do outro;
  • O olhar malicioso sobre pessoas e/ou objetos com intuito de obter excitação;
  • Alimentar voluntariamente pensamentos, a imaginação ou os desejos impuros;
  • Fornicação: ter relações sexuais antes do casamento;
  • Adultério: ter relações sexuais extraconjugais;
  • Masturbação: excitação voluntária dos órgãos sexuais;
  • As chamadas perversões como incesto, pedofilia, bestialidade, exibicionismo sexual, sadomasoquismo etc.
  • Pornografia, dentre outras coisas.
Que males a luxúria pode trazer para o relacionamento amoroso?

Um namoro centralizado no sexo, dificilmente, se sustenta por muito tempo. Antecipar as etapas do relacionamento pode gerar sensação de “vazio”, de se sentir usado, abandonado, pode ser gatilho para uma série de atitudes de dominação, violência, possessividade etc., aumenta o risco de DST’s, de gravidez na adolescência; a sensação de desamparo pode levar à transtornos de ansiedade, depressão etc.

A masturbação é sempre, e especialmente no adulto, uma manifestação de pouca maturidade no desenvolvimento da personalidade, já que resulta de não se ter alcançado um nível de adequado autocontrole. Pode levar a sentimentos de culpa e vergonha. A longo prazo, se não se corrige, torna a pessoa mais introvertida, egoísta, sempre às voltas com os seus problemas e incapaz de estabelecer relações de entrega e doação de si mesma com os outros.

A pornografia, adultério, fornicação ou mesmo o desejo sexual incontrolável podem destruir o namoro, o noivado e até o casamento. A pornografia pode levar ao desinteresse pelo parceiro e incentivar a infidelidade, gera expectativas irreais que prejudicam o relacionamento. Acaba por destruir a confiança e a franqueza, qualidades essenciais no casamento. Visto que em geral é feito em secreto, o uso da pornografia muitas vezes leva a enganar e a mentir. O cônjuge se sente traído. Não entende por que seu parceiro não mais o acha atraente.

Na alma, os pecados contra a pureza nublam, entenebrecem e materializam, a inteligência. Cegam-na para as coisas de Deus (1Cor 2, 14). Desmoralizam e embrutecem o coração gerando a acídia ou "preguiça espiritual" ou desleixo para com as coisas sagradas, que, progressivamente, a pessoa passa a ver Deus como um "estraga prazeres" e tende a se afasta Dele, podendo abandonar a religião e cair na impiedade. Por isso, é importante vigiar e orar.

Como superar o vício da luxúria?
  • Buscar compreender quais as verdadeiras razões que o levam ao vício (carência afetiva, imaturidade emocional, medo de compromisso, dificuldade em se relacionar, insatisfação pessoal etc.);
  • Fugir ou evitar aas ocasiões que levam ao pecado;
  • Evitar o ócio e utilizar o tempo de forma produtiva;
  • Vida de oração;
  • Prática da confissão;
  • Penitências e mortificações;
  • Em alguns casos, é necessário ajuda profissional.
Nós fomos feitos para o amor, não para qualquer amor, mas uma amor que tende ao infinito, uma amor sobrenatural e a luxúria vem deteriorar essa tendência ao eterno que reside em mim, ela distorce, deforma a maneira de amar, fazendo com que se viva uma amor egoísta, centralizado na sensação de prazer e não na pessoa do outro, e não em uma amor enquanto doação e entrega total, um amor aberto à fecundidade, um amor tão forte que, a exemplo do Pai e do Filho, seja capaz de gerar um Terceiro.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

11 tipos de pensamento que podem destruir qualquer relacionamento amoroso

Muitos conflitos no relacionamento surgem a partir de interpretações distorcidas das ações da pessoa amada, são pensamentos automáticos, involuntários, incontroláveis, que ocorrem em uma fração de segundos e que, se o casal não souber questioná-los, pode trazer graves prejuízos ao namoro, noivado e ao casamento.
 
 
O famoso psicólogo Aaron Beck classificou onze tipos de “armadilhas psíquicas” capazes de gerar conflito nos relacionamentos:
1.                   Visão em túnel (abstração seletiva): as pessoas com “visão em túnel” só veem o que se enquadra à sua própria atitude ou estado de espírito, ignorando o restante. Podem, p.ex., deter-se a um minúsculo pormenor e nele fundamentar toda a interpretação de um episódio. Outros detalhes importantes são repudiados, censurados ou minimizados. Isso impede o casal de enxergar os bons momentos do relacionamento e, ao olharem para trás, o que veem é uma cadeia contínua de momentos desagradáveis.
Descobriu-se que, com um pouco de esforço, os casais podem resolver esse tipo de distorção, quando um ou outro começa a recordar e enumerar os momentos bons que viveram todos os dias e, uma vez por semana, conversam sobre o assunto.
2.                   Inferência arbitrária: às vezes, a visão tendenciosa do indivíduo é tão intensa que ele faz juízos desfavoráveis mesmo sem qualquer fundamento para eles. P. ex., a esposa, ouve o marido cantando noutra sala e pensa “ele está fazendo isso para me irritar”. Na realidade, ele cantava apenas porque estava feliz. Outro exemplo: a namorada estava silenciosa no encontro e o namorado pensou “não está falando porque está zangada comigo”; na verdade, ela – que sempre se expressava quando se sentia irritada – estava apenas mergulhada em seus próprios pensamentos.
3.                   Generalização excessiva. Trata-se de uma das mais comuns. São aqueles pensamentos do tipo tudo ou nada, oito ou oitenta, carregado de termos como nunca, sempre, tudo, todos, nenhum. P.ex., “ele nunca me ouve”, “ela sempre me critica”; às vezes, esses pensamentos negativos levam a conclusões desesperançosas sobre o relacionamento: “as coisas nunca vão melhorar” ou contra a própria pessoa “sou um fracasso como pai”
4.                   Pensamento polarizado: é o caso dos pensamentos de extremos opostos, as coisas ou são boas ou más, pretas ou brancas, possíveis ou impossíveis, desejáveis ou indesejáveis, não há pontos intermediários. P.ex., para um perfeccionista, se o desempenho não for perfeito, então terá sido um completo fracasso; outro pensamento típico “ou sua família ou eu”, “ou me submeto ou termino o namoro” – em ambos casos o conflito poderia se negociar um meio termo através do diálogo.  
5.                   Amplificação: são os chamados pensamentos catastróficos ou terrificantes, do tipo “fazer tempestade em copo d’água”. Isso ocorre por se dá grande importância às consequências desse ou daquele episódio. P.ex., o namorado não gostou de a namorada ter mentido para ele, então pensou “agora não posso mais confiar nela”, “se é assim agora, vai piorar quando nos casarmos”, “é terrível ela esconder coisas de mim”. Pensamentos assim, revelam a baixa tolerância à frustração.
6.                   Explicações tendenciosas. Outro tipo de pensamento muito comum. Trata-se de presumir automaticamente que há má-fé por trás das atitudes do outro é reflexo de um modelo mais geral de raciocínio em que se atribui casas para os comportamentos, bons ou maus. P.ex., o namorado que atribui a crise no relacionamento jogando a culpa numa grave falha de caráter da namorada, "tudo é por causa de sua negligência", a mulher pensa "tudo é por causa do seu gênio impulsivo".
7.                   Rotulação negativa: é um processo que decorre das atribuições tendenciosas. P.ex., quando a esposa descobre uma explicação negativa para os atos do marido, é possível que lhe coloque um rótulo crítico. Assim, o marido se transforma num “irresponsável” e a esposa agressora numa “besta” ou numa “idiota”. A esposa ofendida passa assim a reagir segundo os rótulos que colocou no marido como se fossem reais – como se ao chama-lo de tirano ele fosse realmente um tirano.
8.                   Personalização: trata-se de colocar-se como responsável por um acontecimento, sendo que os resultados são consequências de fatores externos incontroláveis. O indivíduo também acredita que o resultado negativo acarreta uma atenção negativa para si (todos estão me olhando feio). P.ex., “meu marido perdeu o emprego porque eu lhe trago azar”
9.                   Leitura dos pensamentos: quem acredita ser capaz de ler o que o outro pensa cai numa armadilha: supõe ver no outro pensamentos e motivos para as atitudes demonstradas que de forma alguma se justificam. Embora, por vezes, acertem, são propensos a erros que prejudicam muito o relacionamento. Outro erro comum é a expectativa de clarividência por parte do(a) parceiro(a): “ela devia saber que não gosto disso”, “ele devia saber o que eu quero”. Não, não deveria! É preciso que você se expresse claramente para que o outro saiba o que você quer.
10.               Raciocínio subjetivo: é a supervalorização das emoções pessoais. Tem-se aí a seguinte crença: quando se sente forte emoção, então esta tem fundamento, está justificada. P.ex., se me sinto ansioso, é porque ela não foi boa para mim. Se estou triste, significa que ela não gosta de mim. Uma variante desses erros cognitivos decorre da responsabilidade excessiva. A esposa que assume a responsabilidade total pelo bem-estar da família pode se saturar de um sentimento de ultraje e silenciosamente acusar o marido: ele não corresponde às expectativas: deveria também suportar o ônus da responsabilidade.
Em muitos casos é necessário ajuda psicológica para enfrentar os pensamentos automáticos recorrentes, principalmente, quando causa graves prejuízos ao convívio a dois.
Alguns conselhos práticos podem ser utilizados para combater essas distorções:
·         Detenha-se aos fatos: controle a sua imaginação e caso não encontre provas concretas de que algo corresponde à realidade, não tome isso como verdade;
·         Busque analisar os fatos de maneira integral;
·         Evite as generalizações exageradas;
·         Questione suas conclusões, às vezes, você pode estar errado!
·         Lembre-se: você não possui superpoderes! Tiver dúvidas, pergunte. O diálogo é sempre melhor do que supor.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Oito formas de amar altamente perigosas

O psicólogo Walter Riso reuniu em seu livro, “Amores de Alto Risco” (Editora L&PM) uma seleção de oito perfis psicológicos que podem desenvolver formas perigosas de conduzir as relações amorosas. Eles trazem consigo antivalores que se opõem ao desenvolvimento normal do afeto. Nesses casos, é necessário, muitas vezes, ajuda profissional.
 
 
1.     Estilo histriônico e seu amor torturante e teatral. O caráter assediado, perturbado, exibicionista e teatral desse tipo de personalidade se opõe a simplicidade e espontaneidade do amor. Pessoas assim buscam sempre chamar atenção, ser o centro, são excessivamente emotivas. No início, as suas relações afetivas estão impregnadas de uma paixão frenética e fora de controle, depois, costumam terminar de maneira drástica e tormentosa.
2.    A desconfiança do paranoico rompe um princípio básico do amor: a confiança, a segurança; saber que a pessoa que você ama não te fará nenhum dano intencional. Esse estilo de amar é carregado de suspeita e se converte em tortura.
3.    O amor subversivo do tipo passivo-agressivo. Nesse tipo de relação há o conflito de autoridade e a incapacidade de se estabelecer uma forma adequada de autonomia, sem recorrer à tortura psicológica. Falta honestidade emocional, o que se opõe a assertividade que o amor exige: é preciso saber expressar os sentimentos negativos de maneira socialmente aceita.
4.     Estilo egoísta e egocêntrico do narcisista o afasta radicalmente dos valores da humildade e da solidariedade. Não é possível um amor saudável se um dos dois se sente superior ao outro. Aqui, há a dificuldade em reconhecer a própria insuficiência e fraqueza.
5.     O amor perfeccionista e controlador do obsessivo-compulsivo configuram uma mente rígida, apegada a sistematização. O amor fica sufocado diante de tantas regras e condições, não só perde a liberdade como também impede o desenvolvimento. Um amor rígido atrofia. O estilo obsessivo também se opõe a admiração – pode até existir admiração sem amor, mas não há amor sem admiração. O gosto pela essência do outro, por suas conquistas, pelo que ele representa como pessoa, é impossível se a atenção está focalizada em seus erros.
6.     Estilo antissocial e seu amor violento.  A violência que pratica o sujeito antissocial é um antivalor que afeta todas as áreas interpessoais. A combatividade, a explosão e depredação que o caracterizam impedem que se desenvolva valores imprescindíveis para o amor, como a simpatia e a reciprocidade. Se há violência, o respeito desaparece. Falta-lhe a doçura capaz de se negar a fazer o outro sofrer, opondo-se a brutalidade e a crueldade.
7.     Estilo esquizoide e seu amor indiferente. Aqui o outro não é visto, nem sentido, o amor parece desvinculado, frio e distante. Esta apatia emocional se opõe a valores como ternura e empatia. O esquizoide tem dificuldade em se conectar emocionalmente, falta-lhe a capacidade de manifestações de afeto (ternura, carícias, sorrisos, abraços, beijos). A expressão de sentimentos positivos é, talvez, o principal alimento de uma relação amorosa – quando não se tem participação emocional na vida do outro, o amor se atrofia porque perde seu sentido vital.
8.     O amor caótico da personalidade limítrofe. A pessoa bordeline vive em um turbilhão emocional, é descontrolada, instável, falta-lhe paz interior e a raiva transborda com ímpeto. Ela não se sente dona de suas próprias emoções, seu mundo interno é uma bagunça, carece de autocontrole e autoconhecimento.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Relações sexuais pré-matrimoniais em casa?!

D. Estêvão Bettencourt analisa a prática de alguns pais que permitem que seus filhos tenham relações com suas namoradas em casa, alegando "segurança" e aborda o sentido da sexualidade cristã.



A revista FAMÍLIA CRISTÃ de março 2003, pp. 42s, publicou uma reportagem que tem por subtítulo: "Em nome da segurança, muitas famílias flexibilizam seus padrões morais e permitem que os filhos mantenham relações sexuais em casa". A reportagem começa com a seguinte observação:

"A cena pode estar ocorrendo agora: um jovem de 16 anos recebe em casa, no seu quarto, a namorada de 15 anos e os dois mantêm relações sexuais. Com autorização dos pais da garota e dos do jovem. Este comportamento foi percebido em uma pesquisa, realizada há dois anos pelo Instituto de Medicina Social da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Instituto de Saúde Coletiva da UFB (Universidade Federal da Bahia) e Núcleo de Antropologia do Corpo e Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que ouviu 120 jovens de Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Segundo o levantamento, muitas famílias preferem que as relações sexuais de seus filhos ocorram em casa, optando pelo "mal menor". Sob o mesmo teto, os jovens estão longe da violência urbana e os pais têm oportunidade de dialogar com o "casal" sobre questões ligadas à sexualidade, como uso de preservativos, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e até ajudar a evitar uma gravidez precoce" (p. 42).                           

A aprovação deste procedimento é formulada de diversos modos no decorrer do artigo, levantando-se o testemunho do Prof. Dorivaldo Pires de Camargo, docente de Ética no ITESP ou Instituto de Teologia de São Paulo:

"A ética renovada, iniciada a partir do Concílio Vaticano II, vê homens e mulheres como seres humanos integrais e compreende suas naturezas carentes e necessidades vitais. Não estou, com isso, justificando nada e, menos ainda, deixando de justificar. Mas o fato de um homem transar em casa não deve ser alvo de um julgamento precipitado ou de uma condenação, mas algo que propõe um diálogo mais aberto entre pais e filhos, sem hipocrisia, tabus ou aceitação de normas fixas que sirvam para todos" (p. 42).                                                                   

A propósito comenta Mariângela Mantovani:

"O que assusta não é tanto o jovem transar ou não em casa, mas a idade cada vez mais tenra com que eles iniciam suas vidas sexuais. Embora com 12 ou 13 anos, uma garota possa estar com o corpo pronto para ter relações, nem sempre a cabeça está" (p. 43).                                      
QUE DIZER?
Antes do mais, convém averiguar que sentido possam ter as relações sexuais pré-matrimoniais.
1. Relações pré-matrimoniais: avaliação
Amar é querer bem um ao outro;
implica doação ou entrega,
para que o bem do ser amado possa ser atingido.
Ora o amor que surge entre jovens solteiros é algo que vai crescendo: atravessa as fases do namoro e do noivado para chegar ao casamento. Só no matrimônio é que ocorre a união plena e comprometida entre os cônjuges; somente então existe o ambiente adequado para as relações sexuais, que supõem um lar e amor estável entre esposo e esposa para que possam educar seus filhos.
Sinal evidente de que as relações pré-matrimoniais estão fora de propósito é o fato de que são geralmente acompanhadas por anticoncepcionais e outros artifícios; induzem os interessados a mutilar a natureza, que por si é unitiva e fecunda. Se não se tomam tais cautelas, dá-se o perigo de engravidamento indesejado, que não raro termina com abortamento.
Com outras palavras:
A relação sexual é algo de tão íntimo e profundo que ela
 não pode ser a primeira demonstração do amor 
nascente; é, antes, a expressão suprema da maturação 
da consolidação desse amor. Unir-se sexualmente 
significa doar-se por completo e, por conseguinte, 
comprometer-se totalmente.
Quem separa a sexualidade do amor comprometido, procura apenas o prazer egoísta anexo às relações sexuais; esse prazer não é a finalidade da sexualidade, mas é algo que o Criador acrescentou à vida sexual para facilitar o desempenho da sua função unitiva e fecunda ([1]).
As relações entre sexualidade e amor podem ser assim expostas:
a) Prostituição: é a relação entre "anônimos", que muitas vezes não têm amor mútuo;
b) Amor livre: é a relação entre pessoas que se conhecem e amam mutuamente, mas sem compromisso ou sem assumirem definitivamente o seu consórcio;
c) Noivado: é amor, já, de certo modo, comprometido, mas ainda com reservas, podendo cada qual afastar-se;
d) Casamento: amor comprometido e duradouro, clima apto para a doação sexual, ao passo que nos três casos anteriores esta é despropositada.
2. As razões em prol das relações pré-matrimoniais
Costuma-se aduzir as três seguintes:
1) "É preciso testar o amor (a vida sexual) antes do casamento para evitar os fracassos posteriores".
Respondemos:
O teste sexual anterior ao casamento
não prova que os dois parceiros poderão
viver felizes a sua vida conjugal.
Esta implica convivência diária e partilha de responsabilidades, lutas, alegrias... - o que exige uma verdadeira conversão do coração, cujo alcance é muito mais amplo do que o do relacionamento sexual.
2) "O contrato matrimonial vem a ser mera formalidade. Não é o papel que faz o amor!"
Em resposta, devemos reconhecer que, de fato, o papel não é o essencial no casamento, mas é o amor. Todavia o papel lembra
A doação plena; é como que um espelho e um sinal que argui e que pode incomodar.
Ademais o casamento não é função que interesse a dois indivíduos apenas; não se pode viver o casamento em foro meramente privado e individualista; sem inserção corajosa e oficial dentro da comunidade, o amor corre o risco de ser mero egoísmo e manipulação do parceiro; é o nós da sociedade que lhe dá apoio para se consolidar. Por isto tanto os nubentes quanto a sociedade devem estar interessados na regulamentação ética e jurídica da vida conjugal. A sociedade compartilha, de certo modo, a vida dos seus casais, alegrando-se e entristecendo-se com eles.
3) "Hoje em dia os jovens têm que esperar anos para adquirir posição profissional definida e a estabilidade financeira necessária ao casamento. A longa espera gera impaciência, principalmente numa sociedade erotizante como a nossa".
Em resposta, observamos que um mal não se cura com outro mal. Aliás,
A espera também tem seus aspectos positivos;
fortalece a vontade, permite o aprimoramento da formação
humana e moral dos noivos...
Ademais quem não sabe dizer Não a si mesmo antes do casamento, dificilmente o dirá depois.
O problema dos impulsos sexuais depende muito das convicções de cada pessoa: quem julga que o imperativo do sexo é inexorável e deve ser atendido imediatamente, sentirá atrativos sexuais veementes; ao contrário, quem tem a convicção de que a vida sexual é a expressão consumada (e não inicial) do amor, não dará tanta importância aos apelos eróticos e saberá viver a continência com mais facilidade. Já se tem dito que o cérebro, com a sua fantasia e a sua memória, é a principal glândula sexual do organismo humano; e com razão... A continência dependerá, em grande parte, das convicções pessoais dos interessados; se alguém não acredita nela, não conseguirá praticá-la.
3. E o mal menor?
A Teologia Moral ensina que, quando alguém é obrigado a escolher entre alternativas moralmente más, deve escolher o mal menor. Ora, raciocinam alguns escritores, os casais estão diante de um dilema: ou deixam os filhos "transar" fora do casamento, correndo os riscos da violência e da promiscuidade, ou trazem para casa os namorados a fim de não enfrentarem tais riscos. Esta segunda alternativa representa o mal menor e, segundo parece, deve ser escolhida.
Respondemos que o princípio é válido, mas não se aplica ao caso em foco. Na verdade, este comporta uma terceira opção:
Ministrar aos adolescentes e jovens uma escala de valores que
 mostre o papel da sexualidade humana no conjunto dos valores
da personalidade, enfatizar que o sexo não é um imperativo
diante do qual não é possível a abstinência,
apresentar as etapas da auto-realização,
a genitalidade vivenciada dentro do matrimônio...
Em suma, será necessário reformular a educação para que leve o educando a escalonar suas aspirações de acordo com o Fim Supremo do homem, que é transcendental.
Seria este o autêntico dever dos pais hoje, em vez de abrirem as portas para que possam os filhos "transar" em casa.
E qual é esse genuíno significado da sexualidade humana?
4. A sexualidade humana
Fisiologicamente considerado, o ser humano parece igualar-se aos animais quanto ao sexo. Todavia a sexualidade serve precisamente para diferenciar os homens e os Irracionais. Com efeito; nestes o sexo é instintivo, correspondendo a mera necessidade da natureza. No ser humano, ao contrário, 

A sexualidade integra uma personalidade que tem seu ideal ou 
que é animada por uma alma espiritual, capaz de transcender os 
bens materiais e visíveis. Isto dá um sentido novo à sexualidade, 
fazendo-a participar da nobreza da vida espiritual.
A sexualidade no homem está a serviço da plena realização do ideal de cada um. Donde se segue que ela não é plenamente humana se se limita ao ato sexual, como nos animais. Ela tende a efetuar uma comunhão de pessoas no casamento e à educação da prole, que traz a imagem e a semelhança de Deus.
Estas afirmações nada têm que ver com o pansexualismo de Sigmund Freud. Segundo este, a sexualidade comanda consciente ou inconscientemente a vida psíquica. Ao contrário, dizemos que é o espírito que comanda a sexualidade ou que o amor de benevolência, concebido pelo espírito, dirige a sexualidade. Vemos, pois, que 

A sexualidade, no ser humano, não é valor absoluto e 
autônomo, mas também não deve ser recalcada e pisoteada, 
mas, sim, dirigida para construir o ideal da personalidade. 

Quem recalca sistematicamente a sexualidade, arrisca-se a sofrer incursões sorrateiras e bestiais da mesma: "O homem não é nem anjo nem besta; desgraçadamente, porém, quem quer bancar o anjo, torna-se besta" (Blaise Pascal).
Essa orientação harmoniosa da sexualidade é o que se chama a virtude da castidade; vale tanto para a vida dos solteiros como para a dos casados.
No celibato e na vida una, não há recalque da sexualidade, mas transferência da sua direção para o Criador e, indistintamente, para todos aqueles que Deus ama.