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segunda-feira, 19 de junho de 2017

O que é fidelidade?

O papa João Paulo II escreveu, em 1981, na Exortação Apostólica Familiaris consortio: "Testemunhar o valor inestimável da indissolubilidade e da fidelidade matrimonial é uma das tarefas mais preciosas e mais urgentes dos casais cristãos do nosso tempo".

Se pegarmos a Sagrada Escritura, a palavra "fiel" aparece 134 vezes, e várias vezes esse é um dos atributos de Deus, "rico em amor e fidelidade" (Sl 86,15).

No hebraico, língua em que foi escrito boa parte do Antigo Testamento, "Fiel" se diz "emunah", palavra que podemos traduzir por fiel, leal, íntegro, verdadeiro, honrado.

Já em grego, idioma do Novo Testamento e da tradução do Antigo Testamento usada pelos Apóstolos, o vocábulo "fiel" (pistós) significa aquilo que é digno de fé, que é crível, portanto, confiável; daí vem a palavra "pistis", que denota fé, confiança, conhecimento (a fé como uma forma de conhecimento como dizia Santo Agostinho) e, também, deriva a palavra "pistikos", ou seja, no entender bíblico, aquele que é fiel é Puro, autêntico, genuíno.

Na oração do Shemá (Dt 6,4-9) há uma das mais belas declarações acerca do amor:

ame a Javé seu Deus
com todo o seu coração,
com toda a sua alma
e com toda a sua força

Amar para o judeu significa querer, desejar, enamorar-se, afeiçoar-se, sentir amor, carinho, afeto, inclinação, paixão, ser leal e fiel, escolher.

O coração (lev, em hebraico) é mais do que a sede dos sentimentos como entendemos no ocidente, é a sede da mente, da consciência, da memória, da atenção, da inteligência, do entendimento, do juízo, da compreensão, da imaginação, da vontade,
do nosso íntimo, do nosso ânimo...

A alma (nefesh) significa o nosso alento,a respiração, garganta, pescoço, sinônimo de vida, alma, desejo, afeto, fome, apetite, pessoa, ser...

Por fim, força ('ed) designa o vapor, gás condensado; caudal das águas celestiais, no sentido daquilo que nos move, nos propulsiona, nos empurra.

Amar, portanto, envolve a totalidade de nosso ser...


O YouCat traduziu bem essa expressão forte do que vem a ser o amor: “Eu te amo” significa, para ambas, “eu te quero somente a ti, quero-te totalmente e quero-te para sempre!” (YouCat, 407). O amor exige a fidelidade.

Na carta aos Gálatas, São Paulo opõe as obras da carne (fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, rixas, ciúmes, ira, discussões, discórdia, divisões, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas) às obras do Espírito Santo: “O fruto do Espírito que é a caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade” (Gl 5,22s - Vulgata), em outras palavras: a fidelidade é um fruto do Espirito Santo, que tanto mais saboroso será quanto mais nos aproximarmos de Deus. Ensina o Catecismo que Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna (CIC, 1832).

Em outro trecho: "Os esposos recebem o Espírito Santo como comunhão de amor de Cristo e da Igreja (Cf Ef 5,32). É Ele o selo de sua aliança, a fonte que incessantemente oferece seu amor, a força em que se renovar a fidelidade dos esposos. (CIC, 1624).

O amor dos esposos exige, por sua própria natureza, a unidade e a indissolubilidade da comunidade de pessoas que engloba toda a sua vida: “De modo que já não são dois, mas uma só carne” (Mt 19,6). “Eles são chamados a crescer continuamente nesta comunhão por meio da fidelidade cotidiana à promessa matrimonial do dom total recíproco.” Esta comunhão humana é confirmada, purificada e aperfeiçoada pela comunhão em Jesus Cristo, concedida pelo sacramento do Matrimônio . E aprofundada pela vida da fé comum e pela Eucaristia recebida pelos dois (CIC, 1644)

domingo, 18 de junho de 2017

10 Maneiras de viver a Fidelidade no Namoro

Selecionamos algumas digas básicas para se viver desde já a fidelidade na vida de namorados...
  1. Respeitar um ao outro tanto em público quanto em particular: lembre-se o que São Paulo escreveu na 1ª Carta aos Corítios: "o amor não faz nada de inconveniente" (1Cor 13, 5).
  2. Utilizar a internet e as mídias sociais de maneira positiva e edificante: lembre-se também de outro conselho de São Paulo: "tudo me é permitido, mas nem tudo me convém" (1Cor 6,12).
  3. Procurar cumprir as promessas: Jesus nos ensina que aquele que é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes (Lc 16,10).
  4. Evitar expor as particularidades: mais uma vez vale o conselho de 1Cor 13,5. Os fortes relacionamentos são íntimos, como os pais com os filhos, os melhores amigos, os casais de namorados, noivos, casados e essa intimidade deve ser mantida entre as partes para que não haja exposição desnecessária, sentimentos de traição. Também nessa intimidade que os assuntos mais difíceis devem ser tratados, como as pequenas divergências de opinião, as atitudes que magoaram, pois nesse momento íntimo é que as palavras sinceras devem ser trocadas e as ‘arestas’ de um relacionamento aparadas para seguir a vida fiel um ao outro.

  1. Interagir de maneira adequada com pessoas do sexo oposto: tratar todos dentro do limite do respeito e evitar
  2. Buscar respeitar as decisões um do outro
  3. Evitar segredos
  4. Cuidar do relacionamento
  5. Vida de oração: O comportamento Cristão é guiado pela oração, rezando é possível enxergar que ser fiel às pessoas e ao bem é ganho. Estar atendo ao mal que pode levar a infidelidade dos princípios Cristãos é uma tarefa diária. Avalie, pergunte, vigie seus pensamentos e coloque-se em oração quando se sentir fraco. Jesus nos ensina: “Vigiai e rezai para não cairdes na tentação, porque o espírito está disposto, mas a natureza é fraca” (Mt 26: 41). E São Paulo nos diz que a fidelidade é um fruto do Espírito Santo (Gl 5,22s).
  6. Participação nos sacramentos e na vida da Igreja.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Castidade segundo os estados de vida

Continuando o tema da castidade, segundo o Catecismo da Igreja Católica, lembremos que “todo batizado é chamado à castidade (...) segundo seu específico estado de vida (CIC, 2348): casados ou celibatários.

Desde os tempos apostólicos, virgens e viúvas cristãs, chamadas pelo Senhor a apegar-se a Ele sem partilha em uma liberdade maior de coração, de corpo e de espírito, tomaram a decisão, aprovada pela Igreja, de viver respectivamente no estado de virgindade ou de castidade perpétua "por causa do Reino dos Céus" (Mt 19,12; cf. CIC, 922).

“Acrescentada às outras formas de vida consagrada, a ordem das virgens constitui a mulher que vive no mundo (ou a monja) na oração, na penitência, no serviço a seus irmãos e no trabalho apostólico, conforme o estado e os carismas respectivos oferecidos a cada uma. As virgens consagradas podem associar-se para guardar mais fielmente seus propósitos” (CIC, 924).

Todos os ministros ordenados da Igreja latina, com exceção dos diáconos permanentes, normalmente são escolhidos entre os homens fiéis que vivem como celibatários e querem guardar o celibato “por causa do Reino dos Céus” (Mt 19,12). Chamados a consagrar-se com indiviso coração ao Senhor e a “cuidar das coisas do Senhor”, entregam-se inteiramente a Deus e aos homens. O celibato é um sinal desta nova vida a serviço da qual o ministro da Igreja é consagrado; aceito com coração alegre, ele anuncia de modo radiante o Reino de Deus (CIC, 1579).


As pessoas casadas são convidadas a viver a castidade conjugal; os outros praticam a castidade na continência: Existem três formas da virtude da castidade: a primeira, dos esposos; a segunda, da viuvez; a terceira, da virgindade. Nós não louvamos uma delas excluindo as outras. Nisso a disciplina da Igreja é rica” (CIC, 2349).

“Os noivos [ou namorados] são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provação eles verão uma descoberta do respeito mútuo, urna aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade”. (CIC, 2350).

“As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã” (CIC, 2359).

A virtude da castidade desabrocha na amizade. Mostra ao discípulo como seguir e imitar Aquele que nos escolheu como seus próprios amigos, se doou totalmente a nós e nos faz Participar de sua condição divina. A castidade é promessa de imortalidade. A castidade se expressa principalmente na amizade ao próximo. Desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes, a amizade representa um grande bem para todos e conduz à comunhão espiritual. (CIC, 2347).

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Falando sobre a castidade


A palavra castidade aparece 47 vezes no Catecismo da Igreja Católica, tida como “perfeição da caridade” (CIC, 915). A Igreja convida os jovens a se instruírem e se prepararem no cultivo da castidade como exercício preparatório para o amor conjugal (CIC, 1632).

A Bíblia enumera a castidade como um dos frutos do Espírito Santo (Gl 5, 22s), ou seja, “primícias da glória eterna” (CIC, 1832). Nos três Evangelhos sinópticos, o apelo de Jesus dirigido ao jovem rico, de segui-lo na obediência do discípulo e na observância dos preceitos, é relacionado com o convite à pobreza e à castidade (CIC, 2053).


Contudo, é nos parágrafos 2337 a 2359, quando aborda as ofensas à castidade, que o Catecismo explicita “a vocação à castidade”, a qual resumiremos a seguir.


O que é a castidade? O Catecismo responde:  é “a integração correta da sexualidade na pessoa” (CIC, 2337), portanto, não é a negação ou repressão da sexualidade e do sexo como algo impuro, sujo, essencialmente mal, mas a forma de vive-la de forma “verdadeiramente humana” (CIC, 2337). E como isso acontece? Quando a sexualidade se exprime em uma relação “de pessoa a pessoa, na doação mútua integral e temporalmente ilimitada do homem e da mulher” (CIC, 2337), em outras palavras, com a pessoa certa (o cônjuge), do jeito certo (a entrega mútua, recíproca, de livre e espontânea vontade), no momento certo (na vida conjugal) e na intensidade correta (ou seja, integral, não doou apenas meu corpo à minha esposa, mas também meu interior).


A pessoa casta se opõe a todo comportamento que venha ferir a castidade, não tolera nem a vida dupla nem a linguagem dúbia (CIC, 2338)


A castidade é uma virtude moral (CIC, 2345), assim como a justiça, a fortaleza, a temperança, isso significa que é adquirida humanamente, resultado de atitudes pessoais firmes, disposição, uso da inteligência, da vontade que regula os nossos atos, guiando nossas paixões segundo a fé e a razão (cf. CIC, 1804). Por isso, compreende-se que “a castidade representa uma tarefa eminentemente pessoal” (CIC, 2344): depende de meu esforço ser mais casto, de não me expor a situações que venham feri-la.


Com isso em mente, compreende-se que “a castidade comporta uma aprendizagem do domínio de si que é uma pedagogia da liberdade humana (CIC, 2339), o qual deve ser aprendido no lar cristão, através dos ensinamentos dos pais (cf. CIC, 2223). O "domínio" do mundo que Deus havia outorgado ao homem desde o início (cf. Gn 1,28) realizava-se, antes de tudo, no próprio homem como domínio de si mesmo (CIC, 377). A alternativa é clara ou o homem comanda suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz” (CIC, 2339).


O Catecismo reconhece que o “domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida. O esforço necessário pode ser mais intenso em certas épocas, por exemplo, quando se forma a personalidade, durante a infância e a adolescência” (CIC, 2342), também em certos contextos culturais (cf. 2344) e estados de vida, como no período do noivado – poderíamos incluir aqui também o namoro (cf. CIC, 2350).


Mas, todo batizado é chamado a viver a castidade (cf. CIC, 2348) e tem a obrigação de “resistir às tentações empenhar-se-á em usar os meios: o conhecimento de si, a prática de uma ascese adaptada às situações em que se encontra, a obediência aos mandamentos divinos, a prática das virtudes morais e a fidelidade à oração” (CIC, 2340).


A virtude da castidade é comandada pela virtude cardeal da temperança, que tem em vista fazer depender da razão a paixões e os apetites da sensibilidade humana. (CIC, 2341). O que é a temperança? É a moderação, a sobriedade, é “a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade” (CIC, 1809). Não está relacionada apenas à sexualidade, mas também a toda espécie de excesso, o abuso da comida, do álcool, do fumo e dos medicamentos (cf. CIC, 2290).


O Catecismo lembra que “as virtudes humanas adquiridas pela educação, por atos deliberados e por uma perseverança sempre retomada com esforço são purificadas e elevadas pela graça divina” (CIC, 1810). Dessa forma, ressalta que também a castidade, apesar da exigência de esforço pessoal, é “também um dom de Deus, uma graça, um fruto da obra espiritual. O Espírito Santo concede o dom de imitar a pureza de Cristo àquele que foi regenerado pela água do Batismo” (CIC, 2345). “Leva aquele que a pratica a tornar-se para o próximo uma testemunha da fidelidade e da ternura de Deus”. (CIC, 2346).


Diante de tudo isso, recordo as palavras de Jesus aos discípulos “sem mim vocês não podem fazer nada” (Jo 15,5), então, peçamos a graça de ordenarmos a nossa sexualidade em sintonia com o Seu Coração Sagrado.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A importância de ter valores pessoais firmes para o relacionamento amoroso

Um dos segredos para um namoro e casamento satisfatório é que ambos compartilhem valores semelhantes. Uma pesquisa, realizada em 2001, revelou que aqueles que possuem valores pessoais semelhantes tem chances 22% maiores de avaliar positivamente seu relacionamento.
 
Em parte, o conflito entre valores, pode explicar a dificuldade que casais de denominações religiosas distintas podem enfrentar. Aliás, o Igreja Católica não impede casamento entre de católicos com não-católicos, mas estabelece algumas regras.
 
Mas, o que são valores pessoais?
 
Valores são os princípios que orientam a nossa vida, pode-se dizer que se trata de um conjunto de crenças, mais ou menos duradouras, sobre o que é ou não desejável e funcionam como normas que guiam nossos pensamentos, sentimentos e ações.
 
Nossos valores pessoais se formam através da educação que recebemos de nossos pais, da escola, de nossa cultura, da sociedade e de nossa personalidade.
 
Eles nos motivam agir desta ou daquela maneira, nos ajudam na solução dos conflitos e na tomada de decisões; dessa forma, são os nossos valores que influenciam em que vamos trabalhar, quanto iremos ganhar, com quem vamos nos relacionar, de que modo irei me vestir, como cuidarei de mim e de meus próximos etc.
 
Ao transgredir um desses meus princípios ou ver que outros não o respeitam, posso me sentir culpado, incompleto, preocupado, triste, incompleto, deslocado do contexto, enfim, "desvalorizado".
 
Por exemplo, pensemos na honestidade. Uma pessoa com esse princípio em alto grau poderia ser um exímio relações públicas, mas se sentiria constrangido ao tentar defender um cliente desonesto. Alguém cuja lealdade seja um valor pessoal importante, poderia abrir mão de ótimas oportunidades profissionais se tivesse que trair um amigo. Outra pessoa pode reorganizar toda a sua vida porque para ela o importante é a segurança familiar.

Muitos relacionamentos amorosos acabam, justamente, porque um ou outro não respeita os valores pessoais de seu companheiro(a), às vezes, até exigindo que ele(a) abra mão daquilo que é fundamental em sua vida. É necessário que o casal converse, desde o namoro, sobre as coisas que um e outro mais valoriza para mais na frente isso ser um fator de agregação e não de conflito.
 
Então, pergunto:
Quais são os valores que norteiam a sua vida?
 
Altruísmo, Coragem, Excelência, Saúde, Independência, Honestidade, Justiça, Amor, Paz, Respeito, Deus?
 
Faça uma lista geral de seus valores. Peça para que sua namorada (seu namorado), esposa(o) faça o mesmo e conversem sobre isso. Alinhar os valores do casal é importantíssimo para a harmonia e o crescimento juntos.
 
Sentiu dificuldade? Temos um exercício que pode ajudar, basta clicar AQUI e fazer o download.