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terça-feira, 20 de junho de 2017

Corpo: ícone ou ídolo?

Vejamos primeiro a origem da palavra ícone.

A primeira vez que aparece na Bíblia é na famosa passagem em que Deus cria o homem:

“Façamos o homem e a mulher à nossa imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,27)


Isso quer dizer que se olharmos para o homem, se olharmos para a mulher, neles tem algo que fala de Deus; se olharmos para Deus tem algo que fala do homem. Uma pergunta importante é: que imagem de Deus você tem sido para a sua pessoa amada?

Voltemos ao texto bíblico, no hebraico, usa-se a palavra "Tselem" que significa "imagem, figura, reprodução, estátua, escultura" - o sentido do homem criado à imagem de Deus se enriquece em Gn 2,7, quando Deus esculpe o homem do barro.

No texto grego, traduziu-se "tselem" por Eikona (= Imagem, réplica, cópia), de onde vem a palavra "ícone".

O Catecismo nos ensina que "por meio de seus ícones, revela-se à nossa fé o homem criado “à imagem de Deus” e transfigurado “à sua semelhança” (CIC, 1161).

São João Damasceno, em meio a disputa com os iconoclastas, dizia que “A beleza e a cor das imagens estimulam minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus.”

Analogamente, podemos dizer que o corpo enquanto ícone, nos ajuda a rezar, a alcançar a Deus. O corpo do outro, pode nos elevar ao céus, pensemos nas relíquias de santos, nos santos incorruptos, nas chagas dos santos... ao contempá-las, vejo um vislumbre de uma realidade maior...

No YouCat é um trecho que nos diz o mesmo acerca do namoro:

“Quem observa um casal de namorados olhando-se carinhosamente... fica com uma ideia, ainda que aproximada, do que é Céu. Pode ver Deus face a face, é como um instante de amor, único e infindável”
(Youcat, 158).

Mas há também o ídolo...

Deus proíbe a confecção de ídolos: “Portanto, não se pervertam, fazendo para vocês imagem esculpida em forma de ídolo: imagem de homem ou de mulher” (Dt 4,16). Na Bíblia hebraica, usa-se o termo "Pesel" (=Estátua, imagem, efígie, ídolo) que no grego foi traduzido por "Eidolon" (= Imagem, simulacro, ídolo).

A idolatria, ensina o Catecismo, não diz respeito somente aos falsos cultos do paganismo. Ela é uma tentação constante da fé. Consiste em divinizar o que não é Deus. Existe idolatria quando o homem presta honra e veneração a uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou de demônios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro etc. (...) A idolatria nega o senhorio exclusivo de Deus; é, portanto, incompatível com a comunhão divina. (CIC, 2113).

Perceba, portano que tanto o ídolo quanto o ícone são imagens. Acontece que o ídolo me prende à terra, à horizontalidade do aqui e agora. Ele é um simulacro, uma falsificação da realidade. Já o ícone me remete ao céu, ao transcendente, é uma janela aberta para o divino.

"O corpo de cada um de nós é ressonância de eternidade, então deve ser sempre respeitado; e, sobretudo; deve ser respeitada e amada a vida de quantos sofrem, para que sintam a proximidade do Reino de Deus, daquela condição de vida eterna para a qual caminhamos" (Papa Francisco 04/12/13)




terça-feira, 7 de julho de 2015

A mulher e o homem

O homem é a mais elevada das criaturas;
A mulher é o mais sublime dos ideais.
 
Deus fez para o homem um trono,
para a mulher um altar.
 
O homem é o cérebro;
A mulher é o coração.
O cérebro produz a luz,
O coração produz o amor.
A luz fecunda,
O amor ressuscita.
 
O homem é um gênio,
A mulher, um anjo.
O gênio incomensurável,
O anjo indefinível.
 
O homem tem a supremacia,
A mulher a preferência.
A supremacia significa força,
A preferência, o direito.
 
O homem é forte pela razão,
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence, as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo nobilita,
O martírio purifica.
O homem é o código;
A mulher é o evangelho.
O código corrige,
O evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo;
A mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos;
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
O homem pensa;
A mulher sonha.
Pensar é ter , no crânio, uma larva;
Sonhar é ter , na fronte, uma auréola.
O homem é um oceano; a mulher é um lago.
O oceano tem a pérola que adorna;
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa;
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço;
Cantar é conquistar a alma.
O homem tem um fanal: a consciência,
A mulher, uma estrela: a esperança.
O fanal guia,
A esperança salva.
 
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;
A mulher, onde começa o céu.

Victor Hugo
citado por prof. Felipe Aquino
In: Sereis uma só carne (Cleofas)

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Papa Bento falando sobre o amor para os jovens

Mensagem do papa Bento XVI aos jovens por ocasião da XXII Jornada Mundial
 
Queridos jovens!
 
Por ocasião da XXII Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada nas Dioceses no próximo Domingo de Ramos, gostaria de propor à vossa meditação as palavras de Jesus: "que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei" (Jo 13, 34).
 
É possível amar?
 
Cada pessoa sente o desejo de amar e ser amada. Mas como é difícil amar, quantos erros e falências devem verificar-se no amor! Há até quem chegue a duvidar que o amor seja possível. Mas se carências afetivas ou desilusões sentimentais podem levar a pensar que amar é uma utopia, um sonho irrealizável, talvez seja necessário resignar-se? Não! O amor é possível e a finalidade desta mensagem é contribuir para reavivar em cada um de vós, que sois o futuro e a esperança da humanidade, a confiança no amor verdadeiro, fiel e forte; um amor que gera paz e alegria; um amor que une as pessoas, fazendo-as sentir-se livres no respeito recíproco. Deixai então que eu percorra juntamente convosco um itinerário, em três momentos, na "descoberta" do amor.
 
Deus, fonte do amor
 
O primeiro momento refere-se à fonte do amor verdadeiro, que é única: é Deus. São João ressalta bem este aspecto ao afirmar que "Deus é amor" (1 Jo 4, 8.16); agora ele não quer dizer apenas que Deus nos ama, mas que o próprio ser de Deus é amor. Estamos aqui diante da revelação mais luminosa da fonte do amor que é o mistério trinitário: em Deus, uno e trino, há um intercâmbio eterno de amor entre as pessoas do Pai e do Filho, e este amor não é uma energia ou um sentimento, mas uma pessoa, é o Espírito Santo.
 
A Cruz de Cristo revela plenamente o amor de Deus
 
Como se nos manifesta o Deus-Amor? Estamos no segundo momento do nosso itinerário. Mesmo se já na criação são claros os sinais do amor divino, a revelação total do mistério íntimo de Deus verificou-se com a Encarnação, quando o próprio Deus se fez homem. Em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, conhecemos o amor em todo o seu alcance. De facto, "a verdadeira novidade do Novo Testamento escrevi na Encíclica Deus caritas est não consiste em ideias novas, mas na própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos um realismo extraordinário" (n. 12). A manifestação do amor divino é total e perfeita na Cruz, onde, como afirma São Paulo, "é assim que Deus demonstra o seu amor para connosco: quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós" (Rm 5, 8). Portanto, cada um de nós pode dizer sem receio de errar: "Cristo amou-me e entregou-se a Si mesmo por mim" (cf. Ef 5, 2). Redimida pelo seu sangue, vida humana alguma é inútil ou de pouco valor, porque todos somos amados pessoalmente por Ele com um amor apaixonado e fiel, um amor sem limites. A Cruz, loucura para o mundo, escândalo para muitos crentes, é ao contrário "sabedoria de Deus" para todos os que se deixam tocar profundamente no seu ser, "o que é considerado loucura de Deus é mais sábio que os homens, e o que é debilidade de Deus é mais forte que os homens" (cf. 1 Cor 1, 24-25). Aliás, o Crucificado, que depois da ressurreição traz para sempre os sinais da própria paixão, ressalta as "falsificações" e as mentiras sobre Deus, que se disfarçam com a violência, a vingança e a exclusão. Cristo é o Cordeiro de Deus, que assume os pecados do mundo e desenraiza o ódio do coração do homem. Eis a sua verdadeira "revolução": o amor.
 
Amar o próximo como Cristo nos ama
 
Chegamos agora ao terceiro momento da nossa reflexão. Na cruz Cristo grita: "Tenho sede" (Jo 19, 28): revela assim uma sede ardente de amar e de ser amado por todos nós. Unicamente se conseguirmos compreender a profundeza e a intensidade deste mistério, nos apercebemos da necessidade e da urgência de o amar por nossa vez "como" Ele nos amou. Isto exige o compromisso de dar também, se for necessário, a própria vida pelos irmãos amparados pelo Seu amor. Já no Antigo Testamento Deus dissera: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 19, 18), mas a novidade de Cristo consiste no facto de que amar como Ele nos amou significa amar todos, sem distinções, também os inimigos, "até ao fim" (cf. Jo 13, 1).
 
Testemunhas do amor de Cristo
 
Gostaria agora de me deter sobre três âmbitos da vida quotidiana onde vós, queridos jovens, sois particularmente chamados a manifestar o amor de Deus. O primeiro é a Igreja que é a nossa família espiritual, composta por todos os discípulos de Cristo. Recordando-nos das suas palavras: "Por isso é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros" (Jo 13, 35), alimentai, com o vosso entusiasmo e com a vossa caridade, as actividades das paróquias, das comunidades, dos movimentos eclesiais e dos grupos juvenis aos quais pertenceis. Sede solícitos em procurar o bem do próximo, fiéis aos compromissos assumidos. Não hesiteis em renunciar com alegria a alguns dos vossos divertimentos, aceitai de bom grado os sacrifícios necessários, testemunhai o vosso amor fiel a Jesus anunciando o seu Evangelho especialmente entre os vossos coetâneos.
 
Preparar-se para o futuro
 
O segundo âmbito, no qual sois chamados a expressar o amor e a crescer nele, é a vossa preparação para o futuro que vos espera.
 
Se sois noivos, Deus tem um projecto de amor para o vosso futuro de casal e de família e por conseguinte é essencial que o descubrais com a ajuda da Igreja
 
livres do preconceito difundido de que o cristianismo, com os seus mandamentos e as suas proibições, constitua obstáculos à alegria do amor e impeça em particular de viver plenamente aquela felicidade que o homem e a mulher procuram no seu amor recíproco.
 
O amor do homem e da mulher está na origem da família humana e o casal formado por um homem e por uma mulher tem o seu fundamento no desígnio originário de Deus (cf. Gn 2, 18-25). Aprender a amar-se como casal é um caminho maravilhoso, que contudo exige um tirocínio empenhativo.
 
O período do noivado, fundamental para construir o casal, é um tempo de expectativa e de preparação, que deve ser vivido na castidade dos gestos e das palavras.
 
Isto permite amadurecer no amor, na solicitude e nas atenções ao outro; ajuda a exercer o domínio de si, a desenvolver o respeito do outro, características do verdadeiro amor que não procura em primeiro lugar a própria satisfação nem o seu bem-estar. Na oração comum pedi ao Senhor que guarde e incremente o vosso amor e o purifique de qualquer egoísmo. Não hesiteis em responder generosamente à chamada do Senhor, porque o matrimónio cristão é uma verdadeira e própria vocação na Igreja. De igual modo, queridos jovens e queridas jovens, estai preparados para dizer "sim", se Deus vos chamar a segui-lo pelo caminho do sacerdócio ministerial ou da vida consagrada. O vosso exemplo servirá de encorajamento para muitos outros vossos coetâneos, que estão em busca da verdadeira felicidade.
 
Crescer no amor todos os dias
 
O terceiro âmbito do compromisso que o amor exige é o da vida quotidiana com as suas numerosas relações. Refiro-me sobretudo à família, à escola, ao trabalho e ao tempo livre. Queridos jovens, cultivai os vossos talentos não só para conquistar uma posição social, mas também para ajudar os outros "a crescer". Desenvolvei as vossas capacidades, não só para vos tornardes mais "competitivos" e "produtivos", mas para serdes "testemunhas da caridade". Juntai à formação profissional o esforço de adquirir conhecimentos religiosos úteis para poder desempenhar a vossa missão de modo responsável. Sobretudo, convido-vos a aprofundar a doutrina social da Igreja, para que a vossa acção no mundo seja inspirada e iluminada pelos seus princípios. O Espírito Santo faça com que sejais inovadores na caridade, perseverantes nos compromissos que assumis, e audaciosos nas vossas iniciativas, a fim de que possais oferecer o vosso contributo para a edificação da "civilização do amor". O horizonte do amor é verdadeiramente infinito: é o mundo inteiro!
 
"Ousar o amor" seguindo o exemplo dos santos
 
Queridos jovens, gostaria de vos convidar a "ousar o amor", isto é, a não desejar nada para a vossa vida que seja inferior a um amor forte e belo, capaz de tornar toda a existência uma jubilosa realização da doação de vós próprios a Deus e aos irmãos, à imitação d'Aquele que mediante o amor venceu para sempre o ódio e a morte (cf. Ap 5, 13). O amor é a única força capaz de mudar o coração do homem e a humanidade inteira, tornando proveitosas as relações entre homens e mulheres, entre ricos e pobres, entre culturas e civilizações. Disto dá testemunho a vida dos Santos que, verdadeiros amigos de Deus, são o canal e o reflexo deste amor originário. Comprometei-vos a conhecê-los melhor, entregai-vos à sua intercessão, procurai viver como eles. Limito-me a citar Madre Teresa que, para se apressar a responder ao grito de Cristo "Tenho sede", grito que a comoveu profundamente, começou a recolher os moribundos nas estradas de Calcutá, na Índia. A partir de então, o único desejo da sua vida tornou-se o de extinguir a sede de amor de Jesus não com palavras, mas com gestos concretos, reconhecendo o seu rosto desfigurado, sequioso de amor, no rosto dos mais pobres. A Beata Teresa pôs em prática o ensinamento do Senhor: "Sempre que fizerdes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes" (cf. Mt 25, 40). E a mensagem desta humilde testemunha do amor divino difundiu-se em todo o mundo.
 
O segredo do amor
 
Queridos amigos, a cada um de nós é concedido alcançar este grau de amor, mas unicamente se recorrermos ao indispensável apoio da Graça divina. Só a ajuda do Senhor nos permite, de facto, evitar a resignação diante da grandiosidade da tarefa a ser desenvolvida e infunde-nos a coragem de realizar quanto é humanamente impensável. Sobretudo a Eucaristia é a grande escola do amor. Quando se participa regularmente e com devoção na Santa Missa, quando se transcorrem na companhia de Jesus Eucarístico pausas prolongadas de adoração é mais fácil compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do seu amor que ultrapassa todo o conhecimento (cf. Ef 3, 17-18). Partilhando o Pão eucarístico com os irmãos da comunidade eclesial sentimo-nos depois estimulados a traduzir "depressa", como fez a Virgem com Isabel, o amor de Cristo em generoso serviço aos irmãos.
 
Rumo ao encontro de Sidney
 
A este propósito é iluminadora a exortação do apóstolo João: "Meus filhinhos, não amemos nem com palavras nem com a boca, mas com as obras e com a verdade. Por isto conheceremos que somos da verdade" (1 Jo 3, 18-19). Queridos jovens, é com este espírito que vos convido a viver a próxima Jornada Mundial da Juventude juntamente com os vossos Bispos nas vossas respectivas Dioceses. Ela representará uma etapa importante rumo ao encontro de Sidney, cujo tema será: "Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas" (Act 1, 8). Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, ajudar-vos-á a fazer ressoar em toda a parte o grito que mudou o mundo: "Deus é amor!". Acompanho-vos com a oração e abençoo-vos de coração.
Vaticano, 27 de Janeiro de 2007.

BENEDICTUS PP. XVI

domingo, 5 de julho de 2015

Namoro é tempo de que?

Artigo extraído do site da Canção Nova
 
O namoro é uma experiência única e vivamente enriquecedora. Com ele muitos se empolgam e não poucos o procuram com ansiedade e o esperam com inúmeras expectativas. Ele ajuda o ser a colocar para fora o que tem de melhor, também o ensinando a bem acolher o que de bom o outro pode oferecer. Enfim, tal relacionamento se constitui como experiência singular e rica de ensinamento. Contudo, ele pode também se tornar traumático e confuso se não for experienciado com o devido tempero e maturidade.
 
 
 
Maturidade para ganhar e perder, para dar e receber… Quem entra em um namoro querendo somente ganhar já começou a perder. Esse relacionamento não poderá, de fato, acontecer se desde o seu início nele não existir um sentido de entrega e doação em favor do bem do outro. Sem o respeito, que nos faz compreender que o outro não é um “poço encantado” onde satisfazemos todos os nossos prazeres egoístas, o namoro não poderá se solidificar, ficando assim impedido de lançar as bases para um relacionamento estável – feliz – e duradouro.
 
O namoro é, com exatidão, um tempo de conhecimento e interação mútua. E é necessário que seja assim. É tempo de crises, de deparar-se com as diferenças que constituem “um outro” que não sou eu, e que por isso não pode ser por mim manipulado (alienado). Quem não emprega tempo e energias neste processo de conhecer, deixando-se conhecer, acabará colocando o futuro do relacionamento na rota do fracasso e de uma ampla “irrealização”.
 
Namoro sem crise, sem conhecimento e confronto de diferenças tende a se tornar – ainda que disfarçadamente – um esconderijo de múltiplas formas de superficialidade e descompromisso. Quem não faz a experiência de realmente conhecer a quem namora no seu melhor e pior – encantando-se e decepcionando-se – correrá o sério risco de não suportar a dureza manifestada pelo real, depois do casamento já concretizado.
 
Quem, no tempo de namoro, conhece somente o “corpo” (do outro) e não a “pessoa” por inteiro poderá, em qualquer alvorecer, deparar-se com a infeliz descoberta de que se casou com um (a) desconhecido.
 
Namoro é o momento de entrar em crise e dela juntos sair. É tempo de brigar e reconciliar-se, é tempo de não representar. Quem assume esse relacionamento acreditando “ser de vidro” – não resistente ao impacto do cotidiano – não entendeu o que significa amar e ser amado e quais são as exigências que brotam deste ofício.
 
Confronto de diferenças não é sinônimo de desamor, mas de autenticidade. Estacionar nas diferenças, permitindo que estas ditem definitivamente as regras da relação é, sim, o sinal do desamor em estado de constante vitória. Este encontro – que em momentos “desencontra” – oferecido pelo namoro é um momento único e determinante para o futuro do casal e da família. Por isso, precisa ser bem vivido e digerido com respeito e autodoação que desafiem a atual lógica utilitarista, que cada vez mais fabrica centenas de uniões fragmentadas e inexistentes (apenas aparentes).
 
Com as bases solidificadas em uma madura compreensão do que seja o amor – protaganismo de identidades e não ensaio de representações… – o namoro poderá crescer e se tornar, de fato, o fundamento para o futuro de uma família verdadeiramente feliz e centrada no essencial da vida.

sábado, 4 de julho de 2015

Mandamentos para o casal viver melhor

Esse artigo, coletamos do blog do pe. Chrystian Shankar e gostaríamos de compartilhar.
 
Uma equipe de psicólogos e especialistas americanos, que trabalhava em terapia conjugal, elaborou “Os Dez Mandamentos do Casal”. Gostaria de analisá-los aqui, já que trazem muita sabedoria para a vida e felicidade dos casais. É mais fácil aprender com o erro dos outros do que com os próprios.
 
 
1. Nunca irritar-se ao mesmo tempo.
A todo custo evitar a explosão. Quanto mais a situação é complicada, mais a calma é necessária. Então, será preciso que um dos dois acione o mecanismo que assegure a calma de ambos diante da situação conflitante. É preciso convencermo-nos de que na explosão nada será feito de bom. Todos sabemos bem quais são os frutos de uma explosão: apenas destroços, morte e tristeza. Portanto, jamais permitir que a explosão chegue a acontecer. D. Helder Câmara tem um belo pensamento que diz:
 
“Há criaturas que são como a cana, mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura…”.
 
2. Nunca gritar um com o outro.
A não ser que a casa esteja pegando fogo. Quem tem bons argumentos não precisa gritar. Quanto mais alguém grita, menos é ouvido. Alguém me disse certa vez que se gritar resolvesse alguma coisa, porco nenhum morreria… Gritar é próprio daquele que é fraco moralmente, e precisa impor pelos gritos aquilo que não consegue pelos argumentos e pela razão.
 
3. Se alguém deve ganhar na discussão, deixar que seja o outro.
Perder uma discussão pode ser um ato de inteligência e de amor. Dialogar jamais será discutir, pela simples razão de que a discussão pressupõe um vencedor e um derrotado, e no diálogo não. Portanto, se por descuido nosso, o diálogo se transformar em discussão, permita que o outro “vença”, para que mais rapidamente ela termine. Discussão no casamento é sinônimo de “guerra”, de luta inglória. “A vitória na guerra deveria ser comemorada com um funeral”; dizia Lao Tsé. Que vantagem há em se ganhar uma disputa contra aquele que é a nossa própria carne? É preciso que o casal tenha a determinação de não provocar brigas; não podemos nos esquecer que basta uma pequena nuvem para esconder o sol. Às vezes uma pequena discussão esconde por muitos dias o sol da alegria no lar.
 
4. Se for inevitável chamar a atenção, fazê-lo com amor.
A outra parte tem que entender que a crítica tem o objetivo de somar e não de dividir. Só tem sentido a crítica que for construtiva; e essa é amorosa, sem acusações e condenações. Antes de apontarmos um defeito, é sempre aconselhável apresentar duas qualidades do outro. Isso funciona como um anestésico para que se possa fazer o curativo sem dor. E reze pelo outro antes de abordá-lo em um problema difícil. Peça ao Senhor e a Nossa Senhora que preparem o coração dele para receber bem o que você precisa dizer-lhe. Deus é o primeiro interessado na harmonia do casal.
 
5. Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado.
A pessoa é sempre maior que seus erros, e ninguém gosta de ser caracterizado por seus defeitos. Toda vez que acusamos a pessoa por seus erros passados, estamos trazendo-os de volta e dificultando que ela se livre deles. Certamente não é isto que queremos para a pessoa amada. É preciso todo o cuidado para que isto não ocorra nos momentos de discussão. Nestas horas o melhor é manter a boca fechada. Aquele que estiver mais calmo, que for mais controlado, deve ficar quieto e deixar o outro falar até que se acalme. Não revidar em palavras, senão a discussão aumenta, e tudo de mau pode acontecer, em termos de ressentimentos, mágoas e dolorosas feridas.
 
Nos tempos horríveis da “guerra fria”, quando pairava sobre o mundo todo o perigo de uma guerra nuclear, como uma espada de Dâmocles sobre as nossas cabeças, o Papa Paulo VI avisou o mundo:
 
“A paz impõe-se somente com a paz, pela clemência, pela misericórdia, pela caridade”.
 
Ora, se isto é válido para o mundo encontrar a paz, muito mais é válido para todos os casais viverem bem. Portanto, como ensina Thomás de Kemphis, na Imitação de Cristo,
 
“Primeiro conserva-te em paz,
depois poderás pacificar os outros”.
 
E Paulo VI, ardoroso defensor da paz, dizia:
 
“Se a guerra é o outro nome da morte,
a vida é o outro nome da paz”.
 
Portanto, para haver vida no casamento, é preciso haver a paz; e ela tem um preço: a nossa maturidade.
 
6. A displicência com qualquer pessoa é tolerável, menos com o cônjuge.
Na vida a dois tudo pode e deve ser importante, pois a felicidade nasce das pequenas coisas. A falta de atenção para com o cônjuge é triste na vida do casal e demonstra desprezo para com o outro. Seja atento ao que ele diz, aos seus problemas e aspirações.
 
7. Nunca ir dormir sem ter chegado a um acordo.
“Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento”
(Ef 4,26b).
 
Se isso não acontecer, no dia seguinte o problema poderá ser bem maior. Não se pode deixar acumular problema sobre problema, sem solução. Já pensou se você usasse a mesma leiteira que já usou no dia anterior, para ferver o leite, sem antes lavá-la? O leite certamente azedaria. O mesmo acontece quando acordamos sem resolver os conflitos de ontem. Os problemas da vida conjugal são normais e exigem de nós atenção e coragem para enfrentá-los, até que sejam solucionados, com o nosso trabalho e com a graça de Deus. A atitude da avestruz, da fuga, é a pior que existe. Com paz e perseverança busquemos a solução.
 
8. Pelo menos uma vez ao dia, dizer ao outro uma palavra carinhosa.
Muitos têm reservas enormes de ternura, mas esquecem de expressá-las em voz alta. Não basta amar o outro, é preciso dizer isto também com palavras. Especialmente para as mulheres, isto tem um efeito quase mágico. É um tônico que muda completamente o seu estado de ânimo, humor e bem estar. Muitos homens têm dificuldade neste ponto; alguns por problemas de educação, mas a maioria porque ainda não se deu conta da sua importância. Como são importantes essas expressões de carinho que fazem o outro crescer: “eu te amo”, “você é muito importante para mim”, “sem você eu não teria conseguido vencer este problema”, “a tua presença é importante para mim”; “tuas palavras me ajudam a viver”… Diga isto ao outro com sinceridade toda vez que experimentar o auxílio edificante dele.
 
9. Cometendo um erro, saber admiti-lo e pedir desculpas.
Admitir um erro não é humilhação. A pessoa que admite o seu erro demonstra ser honesta consigo mesma e com o outro. Quando erramos não temos duas alternativas honestas, apenas uma: reconhecer o erro, pedir perdão e procurar remediar o que fizemos de errado, com o propósito de não repeti-lo. Isto é ser humilde. Agindo assim, mesmo os nossos erros e quedas serão alavancas para o nosso amadurecimento e crescimento. Quando temos a coragem de pedir perdão, vencendo o nosso orgulho, eliminamos quase de vez o motivo do conflito no relacionamento, e a paz retorna aos corações. É nobre pedir perdão!
 
10. Quando um não quer, dois não brigam.
É a sabedoria popular que ensina isto. Será preciso então que alguém tome a iniciativa de quebrar o ciclo pernicioso que leva à briga. Tomar esta iniciativa será sempre um gesto de grandeza, maturidade e amor. E a melhor maneira será “não pôr lenha na fogueira”, isto é, não alimentar a discussão. Muitas vezes é pelo silêncio de um que a calma retorna ao coração do outro. Outras vezes será por um abraço carinhoso, ou por uma palavra amiga.
 
Papa João Paulo II disse algo marcante:
 
“O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se não o experimenta e se não o torna algo próprio, se nele não participa vivamente”.
(RH,10)
 
Cântico dos Cânticos: “…o amor é forte como a morte… Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina. As torrentes não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir.” (Ct 8,6-7)
 
Há alguns casais que dizem que vão se separar porque acabou o amor entre eles. Será verdade?
 
“O amor verdadeiro é dom recíproco que dois seres felizes fazem livremente de si próprios, de tudo o que são e têm. Isto pareceu a Deus algo de tão grande que Ele o tornou sacramento.”
 
“Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo do qual ele é o salvador. Maridos, amai as vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (EF 5,25)

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Seis níveis do conhecimento em um relacionamento

Um namoro de qualidade se inicia com o autoconhecimento, um caminho em seis etapas, a ser trilhado todos os dias, por meio da autopercepção, da relação com os outros e com Deus.

O que eu sei de mim

Para me relacionar melhor com minha namorada (meu namorado) devo reconhecer vários aspectos de minha vida: a influência de minha história, cultura, educação, minhas virtudes, meus limites, medos, potencialidades, carências...

 
Tudo isso, foi moldando minha maneira de interagir com as pessoas e com o mundo, me tornou quem sou e, se não sou capaz de me aceitar, de reconhecer minhas demandas e de me relacionar de forma saudável comigo mesmo, tenderei a buscar no outro satisfação para minhas carências, estabelecerei relações de dependência afetiva e, no fim, poderei viver a insatisfação e a frustração pessoal. Se não conseguir aceitar a minha própria identidade, minha namorada (meu namorado) pode significar uma fuga de mim mesmo.

O que eu sei de mim, posso comunicar ao outro.

Terei relacionamentos com maior qualidade, à medida que, me aceito e sou capaz de comunicar quem sou de forma mais livre e verdadeira. É a minha “área aberta”, onde apresento à minha namorada (meu namorado) aquilo que eu descobri de mim e gostaria que ela(e) também conhecesse: minha história, meus pontos fracos e fortes, experiências, sentimentos etc. seja porque eu confio nela(e) ou porque me sinto seguro para falar abertamente sobre minhas qualidade e defeitos.

O que sei de mim, posso esconder do outro

Ao me revelar a quem eu amo significa que eu confio parte importante de mim, isso me torna também vulnerável: corro o risco de não ser aceito, de ser mal compreendido, de me sentir envergonhado, constrangido, talvez, perder o seu amor...

Às vezes, posso temer lhe dizer quem sou porque

“Se eu lhe dizer quem sou, você pode não gostar,
e isso é tudo o que tenho”
(John Powell)

Então, geralmente, tendo a diminuir a minha “área aberta” para dar espaço maior à minha “área secreta”.

Ao esconder dos outros quem sou, posso não fazer por mal, mas porque busco segurança, proteção, aceitação. Pode ser por decisão consciente, de não querer revelar algo ao meu respeito, ou porque o tempo de convivência ou as oportunidades de exposições com as demais pessoas envolvidas no relacionamento ainda não foram suficientes para que os elementos ocultos fossem revelados.

Aí desenvolvo “máscaras”, “personagens” e “papéis” para ser mais aceitos pelas pessoas com quem convivo ou para me adaptar à realidade ameaçadora: ora posso ser “o palhaço” que faz todos riem, enquanto choro por dentro; “o coitadinho”, querendo receber carinho e atenção; “o mal-humorado”, que deseja respeito; “o romântico” que deseja seduzir e conquistar; “o prestativo”, que faz tudo pelos outros, mesmo me prejudicando etc.

Contudo, ao me porta dessa forma, pago um preço: corro o risco de ser mal interpretado, meu namoro pode ficar na superficialidade, onde um não conhece o outro em profundidade, posso acabar me casando com uma completa desconhecida e, lá na frente, quando as “máscaras” caírem e o “eu verdadeiro” aparecer, surgirão as decepções.

Por isso, é importante buscar reduzir as minhas “áreas ocultas” e ampliar as “áreas abertas” no namoro – tempo de conhecimento mútuo. Relacionamentos amorosos devem ser baseados na verdade e não em segredos, a chave para isso é o diálogo sincero.

O que o outro sabe de mim.

Verdade que muito sobre mim, eu mesmo desconheço. Parte disso, pode me ser revelado pela interação com o outro: quem eu amo, pode refletir minhas virtudes e defeitos como espelho. Ela(e) conhece aspectos meus que nem sequer havia me dado conta.

Por isso, quando me deparo diante de afirmações que um outro faz ao meu respeito, posso ficar surpresos, subestimo, nego, justifico, racionalizo etc.

Por outro lado, ficar atendo aquilo que os demais expressam ao meu respeito, pode me render importantes descobertas sobre quem sou: ao lado de quem amo, posso ser muito mais que eu mesmo!
Todavia, deve-se ter prudência, pois, muitas vezes também, a paixão tem a tendência a ampliar as virtudes e diminuir defeitos, a projetar minhas qualidades e limites na pessoa amada e, com o passar do tempo, as lindas cores com as quais pintava minha amada tendem a desbotarem, pois, geralmente, enxergo o mundo com as lentes de minha própria história e sob a ótica dos meus preconceitos.

O que ignoramos sobre mim

Existe também aquilo que eu desconheço em mim e os outros também ignoram, aquilo que por alguma razão não se manifestou ainda: as potencialidades do inconsciente, as lembranças, coisas que foram excluídas, reprimidas, censuradas etc. Aí encontram-se as razões de muitos de meus comportamentos, neuroses, traumas, formas de ser, pensar, sentir, agir...

Essa “área desconhecida”, para a grande maioria das pessoas, é a maior e a mais difícil de ser reduzida, visto que seu conteúdo é acessível apenas através de técnicas especiais como a psicoterapia, autorreflexão, meditação, oração. Ela é responsável pela “surpresa” do ser humano: frequentemente, não sei do que sou capaz até passar por determinada situação; ela explica porque, mesmo depois de tempos de convívio, fulano foi capaz de fazer algo que eu não imaginava que ele seria capaz; isso ajuda também a dar esperanças para nosso crescimento pessoal...

De certa forma, o namoro se dá entre dois desconhecidos, mas isso não pode ser desculpa. Buscar o autoconhecimento é uma exigência natural de todo ser humano. Santa Teresa D’Ávila se surpreendia com o fato de tanta gente desconhecer o seu “Castelo Interior”, ou seja, da riqueza que guardo dentro de mim.

O que Deus sabe de mim.

São Tomás de Aquino observa que

“Quando vou ao encontro de mim mesmo, encontro dentro de mim um Outro que não sou eu e que, no entanto, é o fundamento do meu existir”

Esse Totalmente Outro, é Deus, o qual, independente, de como me vejo e as demais pessoas me percebem, conhecesse a profundezas de minha alma e me diz que sou sua imagem e semelhança, que sou Templo do Espírito Santo, que carrego um tesouro em vasos de argila, que possuo a dignidade de filho...
 
Ao me dedicar a um relacionamento amoroso, jamais posso perder essa perspectiva: preciso ver minha namorada com os mesmos olhos com os quais Deus me olha. 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

10 benefícios cientificamente comprovados do casamento

Selecionamos resultados de algumas pesquisas científicas que mostram que casar faz bem.

1. Melhora a saúde
Em média, os casais casados são mais saudáveis, felizes e desfrutam de uma vida mais longa do que pessoas que não se casam.
Mães casadas têm menores taxas de depressão do que aquelas solteiras ou que não são legitimamente casadas, que apenas coabitam com seus companheiros. De acordo com pesquisas, essa constatação ocorre principalmente porque na grande maioria dos casos, as mães casadas são mais propensas a receber apoio emocional e material dos pais de seus filhos.
 

 
2. Previne doenças
Um estudo intitulado “Marital Status and Survival in Patients with Cancer” publicado no Journal of Clinical Oncology, a publicação oficial da American Society of Clinical Oncology, analisou o historial de mais de setecentas mil pessoas diagnosticadas com vários tipos de cancros (pulmão, colo-retal, mama, pâncreas, próstata, fígado, cabeça e pescoço, ovários e esófago) entre 2004 e 2008 e concluiu que os casados são diagnosticados mais precocemente, cumprem os tratamentos e têm uma taxa de sobrevivência superior em relação aos solteiros, viúvos ou divorciados.
3. Aumenta a longevidade
Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Warwick (Reino Unido) defende que o impacto de um casamento feliz na saúde e esperança de vida é quase equivalente ao impacto provocado por deixar de fumar e que, enquanto o tabagismo suprime, em média, sete anos de vida a um homem, o casamento “oferece-lhe” sete anos extra. No caso do sexo feminino, os investigadores apontam para três anos extra de vida.

4. Casar faz bem para o coração
Pessoas casadas são menos propensas do que as solteiras a sofrer ataques cardíacos e têm mais probabilidade de se recuperar caso sofram algum, revelou um estudo finlandês feito com 15.330 pessoas na Finlândia com idades entre 35 e 99 anos. Esse estudo demonstrou também que o casamento protege as mulheres até mais do que os homens de morrer de ataques cardíacos.

5. Faz bem para os ossos
Cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles analisaram os ossos de 632 pessoas e descobriram que homens casados têm ossos mais fortes que os demais. Não se sabe por que isso acontece. O efeito positivo não foi detectado em mulheres, o que é uma pena - pois elas costumam sofrer de osteoporose após os 40 anos, e se beneficiariam de ossos mais firmes
6. Melhora sua vida profissional
Um estudo de 2013, realizado pela Dra. Alexandra Killewald, concluiu que existe uma relação muito próxima entre o casamento/paternidade e a vida profissional dos homens. Homens que são casados, e/ou têm filhos, têm um salário superior, em certa de 7.3%, do que um homem solteiro. Esse fator está muito ligado ao fato de que o homem, que deseja focar na sua família, cuidar dela e prover o seu sustento, causa um aumento na sua motivação no trabalho e, consequentemente, um aumento do seu rendimento.
7. Melhora a saúde mental
Um estudo de 2009, que focou na relação entre o casamento e a saúde mental dos homens, concluiu que homens que se mantiveram casados com a mãe de seus filhos demonstraram, em média, um bem-estar mental e psicológico superior a pais que estão solteiros, que moram junto ou que estão divorciados
8. Melhora sua vida financeira
De acordo com pesquisa, a maioria dos casais casados legitimamente consegue prosperar financeiramente de forma mais efetiva do que pessoas solteiras ou casais que somente coabitam. Pesquisa britânica, com mais de 2 mil pessoas, entre 16 e 55 anos, mostrou que os casados podem economizar entre 5 e 10 mil reais anuais a mais do que os solteiros. 
 
Mulheres casadas têm uma estabilidade econômica mais bem estruturada do que mulheres divorciadas ou que nunca se casaram.

9. Reduz a chance de violência

Homens casados são menos propensos a ter envolvimento com crimes do que os solteiros e, inclusive, os índices de violência doméstica são, relativamente, maiores entre namorados e que vivem juntos do que entre casados.
10. Menor propensão ao vício de álcool
Um estudo de 2012 publicado no Journal of Health and Social Behavior mostrou que jovens adultos casados  relataram menor frequência de embriaguez do que aqueles que não estão em um relacionamento sério. "O casamento provavelmente leva o homem a ampliar o senso de responsabilidade e obrigação, além de proporcionar um calendário social menos ativo, o que leva a menos embriaguez", escreveram os autores.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Tênis vs. Frescobol

Fragmento de um texto do saudoso Rubem Alves para a reflexão sobre o casamento.
 
Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.
 
Rubem Alves
   
Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele:
 
Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: "Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?". Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.
...
 
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar.
 
O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra – pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...
 
 
A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...
 
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada (...)
 
Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem – cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...
 
Rubem Alves
Fonte: site oficial
 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Casar é difícil

Reproduzo esse texto do Padre Zezinho para a reflexo acerca do sentido do casamento cristão:

O sorriso plácido da vovozinha que completava 50 anos de casada e a frase que ela disse logo após as bodas resume o conceito de um casamento cristão. -Casar é difícil, mas, é uma benção!- foi o que disse olhando para o seu marido que lhe afagava as mãos.
Em poucas palavras, esta mulher simples sem muito estudo, resumiu a teologia e a pastoral do casamento católico: – Estamos juntos não porque é fácil, mas por que Deus nos deu esta benção de um ser a rima do outro por toda a vida.
 

 
Na verdade, uma mulher que se sente chamada a gerar filhos vai precisar de um homem, que também se sente chamado a gerar filhos e ele precisará dela. Mas, antes de gerarem o filho precisam gerar e administrar o seu relacionamento, nascido da mútua adoção e do amor que evoluiu.
Primeiro foi preciso a admiração e o respeito de um pelo outro. Um sabia que poderia qualificar e ser qualificado pelo outro. Há coisas que um homem não tem e por isso precisa de uma mulher para completá-lo; há coisas que uma mulher não tem e ela precisa de um homem para completá-la.
Cada ser humano vem com algum detalhe. Alguns vêem cheios de detalhes especiais que não só os qualificam, mas também qualificam quem com eles convivem. Quando dois seres humanos, um feminino e outro masculino se amam, a união dos dois pode gerar um sólido edifício chamado lar. Tal edifício pode durar séculos e séculos, geração após geração porque foi bem fundamentado e cimentado.
O casamento é direito,
mas tem muitos deveres inalienáveis.
É feito de “sim”,
mas passa por muitos “não”.
É delícia,
mas também, é renúncia
 
Mas formar família é difícil. Se fosse fácil não haveria praticamente um divórcio para cada dois casamentos, como acontece em alguns países. No Brasil você sabe se a família vai bem. Olhe ao seu redor e no seu quarteirão de cidade grande ou no seu bairro de gente pobre. Depois, preste atenção nas pessoas famosas na televisão, no mundo da canção, no mundo da moda, nos esportes e na política. Um grande número deles teve sucesso na carreira, mas nem sempre no amor.
Há sempre a tendência ao egoísmo, a mania de ressaltar o nosso “eu”, a insistência nos nossos direitos mais do que nos nossos deveres. O casamento é direito, mas tem muitos deveres inalienáveis. É feito de “sim”, mas passa por muitos “não”. É delícia, mas também, é renúncia. Não se pode fazer o que se quer depois de casado. Não se pode ir onde se quer e nem gastar o que se quer, porque existe o outro e alguns pequenos outros a precisar de atenção especial.
Por isso, quem não é capaz de renúncia, quem adora demais o seu próprio “eu”, não se case. Na mesma esteira quem gosta demais de si mesmo e não cuida da sua comunidade, não se candidate a nenhum cargo político e nem queira ser padre ou pastor.
Se acharmos que o outro é sem importância não estaremos aptos para nada. Se nos importarmos com ele estaremos prontos para a vida. Estava certa a velha senhora ao definir os seus 50 anos de casada. É difícil, mas é uma benção. Seguramente ela descobrira a importância do outro!
 
Pe. Zezinho
Fonte: site oficial