Mostrando postagens com marcador Inteligência Emocional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Inteligência Emocional. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Oito formas de amar altamente perigosas

O psicólogo Walter Riso reuniu em seu livro, “Amores de Alto Risco” (Editora L&PM) uma seleção de oito perfis psicológicos que podem desenvolver formas perigosas de conduzir as relações amorosas. Eles trazem consigo antivalores que se opõem ao desenvolvimento normal do afeto. Nesses casos, é necessário, muitas vezes, ajuda profissional.
 
 
1.     Estilo histriônico e seu amor torturante e teatral. O caráter assediado, perturbado, exibicionista e teatral desse tipo de personalidade se opõe a simplicidade e espontaneidade do amor. Pessoas assim buscam sempre chamar atenção, ser o centro, são excessivamente emotivas. No início, as suas relações afetivas estão impregnadas de uma paixão frenética e fora de controle, depois, costumam terminar de maneira drástica e tormentosa.
2.    A desconfiança do paranoico rompe um princípio básico do amor: a confiança, a segurança; saber que a pessoa que você ama não te fará nenhum dano intencional. Esse estilo de amar é carregado de suspeita e se converte em tortura.
3.    O amor subversivo do tipo passivo-agressivo. Nesse tipo de relação há o conflito de autoridade e a incapacidade de se estabelecer uma forma adequada de autonomia, sem recorrer à tortura psicológica. Falta honestidade emocional, o que se opõe a assertividade que o amor exige: é preciso saber expressar os sentimentos negativos de maneira socialmente aceita.
4.     Estilo egoísta e egocêntrico do narcisista o afasta radicalmente dos valores da humildade e da solidariedade. Não é possível um amor saudável se um dos dois se sente superior ao outro. Aqui, há a dificuldade em reconhecer a própria insuficiência e fraqueza.
5.     O amor perfeccionista e controlador do obsessivo-compulsivo configuram uma mente rígida, apegada a sistematização. O amor fica sufocado diante de tantas regras e condições, não só perde a liberdade como também impede o desenvolvimento. Um amor rígido atrofia. O estilo obsessivo também se opõe a admiração – pode até existir admiração sem amor, mas não há amor sem admiração. O gosto pela essência do outro, por suas conquistas, pelo que ele representa como pessoa, é impossível se a atenção está focalizada em seus erros.
6.     Estilo antissocial e seu amor violento.  A violência que pratica o sujeito antissocial é um antivalor que afeta todas as áreas interpessoais. A combatividade, a explosão e depredação que o caracterizam impedem que se desenvolva valores imprescindíveis para o amor, como a simpatia e a reciprocidade. Se há violência, o respeito desaparece. Falta-lhe a doçura capaz de se negar a fazer o outro sofrer, opondo-se a brutalidade e a crueldade.
7.     Estilo esquizoide e seu amor indiferente. Aqui o outro não é visto, nem sentido, o amor parece desvinculado, frio e distante. Esta apatia emocional se opõe a valores como ternura e empatia. O esquizoide tem dificuldade em se conectar emocionalmente, falta-lhe a capacidade de manifestações de afeto (ternura, carícias, sorrisos, abraços, beijos). A expressão de sentimentos positivos é, talvez, o principal alimento de uma relação amorosa – quando não se tem participação emocional na vida do outro, o amor se atrofia porque perde seu sentido vital.
8.     O amor caótico da personalidade limítrofe. A pessoa bordeline vive em um turbilhão emocional, é descontrolada, instável, falta-lhe paz interior e a raiva transborda com ímpeto. Ela não se sente dona de suas próprias emoções, seu mundo interno é uma bagunça, carece de autocontrole e autoconhecimento.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

4 coisas que nunca devem existir no namoro

Claro que existem muitas outras atitudes que não deveriam existir no namoro (ou em qualquer outro relacionamento amoroso), mas selecionamos quatro muito comuns que devem sempre ser evitadas.
 

 
1. Ciúme excessivo
O ciúme é uma reação despertada por uma ameaça, real ou imaginária, de perda do parceiro ou de seu afeto ou atenção. Trata-se de uma complexa mistura de sentimentos (dor, raiva, tristeza, inveja, medo, culpa, insegurança, vergonha), que, embora, seja naturalmente humano, pode se tornar patológico.
O ciúme normal decorre de uma ameaça real de perda, de traição, enquanto no ciúme patológico a ameaça de perda é fictícia, imaginária, uma distorção das percepções da realidade, o que leva o ciumento às preocupações constantes e a questionar as saídas do parceiro, inspecionar roupas, carteira, celular, perfil nas redes sociais, perseguir o parceiro, sempre demonstrar desconfiança etc.
Há na cultura popular quem associa o ciúme à amor, entretanto, quando excessivo, o ciúme atrapalha qualquer relacionamento. Na verdade, ele pode estar relacionado à carência afetiva, baixo autoestima, insegurança. Em casos, graves é necessária ajuda profissional.
Lembre-se das palavras de São Paulo: “o amor... não é invejoso... nada faz de inconveniente... tudo crê” (1Cor 13,4s.7) e de São João: “ no amor não existe medo; pelo contrário, o amor perfeito lança fora o medo, porque o medo supõe castigo. Por conseguinte, quem sente medo ainda não está realizado no amor” (1Jo 4,18).
2. Dependência afetiva exagerada
Co-dependência ou a dependência emocional é uma condição psicológica ou um relacionamento no qual uma pessoa é controlada ou manipulada por outra.
Em geral, um dos dois tem dificuldade em tomar decisões, precisa de conselhos excessivos dos outros, precisa que assumam responsabilidade pela maior parte das principais áreas de sua vida; a pessoa tem dificuldade em manifestar sua opinião, quer agradar em excesso, com receio de perder apoio ou aprovação; pode apresenta dificuldade em iniciar projetos ou fazer coisas por conta própria; falta confiança em si ou em suas capacidades; faz de tudo para obter carinho e apoio, inclusive coisas desagradáveis e/ou humilhantes.
A pessoa emocionalmente dependente se sente desconfortável ou desamparo quando sozinho devido a temores exagerados de ser incapaz de cuidar de si mesmo, busca com urgência outro relacionamento como fonte de cuidado e amparo logo após término de um relacionamento íntimo e tem preocupações irreais com medos de ser abandonado à própria sorte.
Uma relação desse tipo pode revelar também baixa autoestima, pouca autoconfiança, pouco autocontrole, desvalorização pessoal, falta de autoconhecimento. Muitas vezes, é preciso acompanhamento terapêutico.
O papa Francisco ensina que o amor é feito uma casa, deve ser construído juntos! Um deve ajudar o outro a crescer, a ser melhor e não o contrário.
3. Violência
Violência no namoro (ou em qualquer tipo de relação) nunca deve ser permitida. O amor deve ser baseado no respeito mútuo. Entretanto, é muito comum vermos algum tipo de violência entre os namorados. Podem ser de forma pontual ou contínua, cometida por um ou por ambos, com o intuito de controlar, dominar e ter mais poder do que a outra pessoa envolvida na relação.
São tipos de violências: a violência física (p.ex., empurrões, jogar objetos, bofetadas, pontapés, murros etc.); a violência sexual (p.ex., forçar carícias ou atos sexuais sem consentimento); a violência verbal (gritos, humilhações, intimidações, ameaças); a violência psicológica (controle excessivo, manipulação, tortura, bulling, ciberbulling e.o.); a violência social (humilhação pública perante amigos, familiares, nas mídias sociais, proibição de convívio com outras pessoas dentre outros).
Nesses casos, é importante a intervenção da família e, dependendo da gravidade, até das autoridades públicas.
4. Antecipação
Cada vez mais cedo, os jovens iniciam a sua vida sexual mais cedo. Antecipar as etapas do relacionamento pode gerar consequências graves: a sensação de se sentir usado, abandonado, pode ser gatilho para as atitudes citadas nos tópicos anteriores, aumenta o risco de DST’s, de gravidez na adolescência; a sensação de desamparo pode levar à transtornos de ansiedade, depressão etc.
A relação pode correr o risco de centralizar-se apenas na genitalidade, enquanto o casal perde a oportunidade de crescer juntos no autoconhecimento, no diálogo, no amadurecimento mútuo.
 
Por isso, o sexo na doutrina católica, deve ser reservado aos casados, não porque a Igreja o considera algo diabólico ou negativo, mas porque ela o considera parte do "núcleo íntimo da pessoa humana", o qual deve ser "parte integral do amor no qual homem e mulher se empenham totalmente um para o outro até a morte" (CIC, 2361). 
 
Diz Coélet: "debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa", inclusive, "tempo para amar" (Ecl 3,1.8).

quarta-feira, 24 de junho de 2015

8 Segredos dos relacionamentos bem-sucedidos

Quem não quer ter um relacionamento amoroso bem-sucedido, duradouro e feliz? Apresentamos 8 dicas eficazes para ajudar em seu namoro, noivado e casamento.

Faz algum tempo que eu e minha esposa trabalhamos com casais na igreja e, como bom católico, gosto muito dos conselhos que o Papa Francisco dá aos noivos: sempre se utilize das palavrinhas mágicas, “posso, com licença?”, “por favor”, “obrigado”, “desculpa”.
 
Existe, porém, algo mais que se pode fazer. David Niven, em seu livro “Os 100 segredos dos bons relacionamentos”, reuniu uma série de estudos científicos sobre os casais felizes, os quais resumimos aqui em 7 tópicos para serem aplicados na sua vida a dois, a 8 dica é a mais poderosa de todas:
 
1. Trabalhe seus aspectos emocionais.
 
Estudos mostram que, em geral, as pessoas têm três vezes mais a tendência de responsabilizar o outro pelos problemas conjugais. Entretanto, muitas dificuldades no relacionamento decorrem de questões individuais que podem ser trabalhadas, mais profundamente, através da psicoterapia.
 
Os perfeccionistas exagerados tendem a se sentirem 33% menos satisfação no relacionamento. Pessoas inflexíveis podem ter 38% mais conflitos. Os coléricos experimentam mais desavenças e por um tempo 81% maior. Pessoas altamente competitivas com seus parceiros reduzem em 37% sua satisfação.
 
Dúvidas constantes sobre os seus sentimentos aumentam em até três vezes a chance de divórcio e a frustração pessoal pode ser responsável por 50% dos conflitos.
 
Por outro, lado a satisfação consigo mesmo, aumenta em cinco vezes mais a possiblidade do indivíduo se sentir feliz na relação.
 
2. Reprograme suas crenças e idealizações.
 
Constatou-se que assistir muita TV reduz em 26% a satisfação com seu relacionamento e aumenta três vezes as chances de aceitar estereótipos e fazer suposições sobre os comportamentos e sentimentos do parceiro. Redes sociais e novelas influenciam o divórcio e até na atração sexual dos casais.
 
Outra pesquisa, apontou que elementos de conto de fadas estavam presentes em 78% das crenças que as pessoas tinham sobre o amor romântico, elas apresentavam maior chance de terem desilusão, sofrimento e angústia do que quem deu menos crédito aos contos de fadas. O mesmo foi observado acerca das comédias românticas.
 
Sabemos que as “distorções idealistas” são duas vezes maiores durante o noivado do que na fase do namoro ou do casamento. Pesquisadores descobriram também que as características que primeiro atraíram os apaixonados, em 34% dos casos, deixam de ser relevantes seis meses após o início do namoro.

Claro que as idealizações são inevitáveis: nove em cada dez casais recém-casados, imaginam que seu relacionamento será extraordinário. Contudo, ao despir as fantasias, ao retirar as máscaras e projeções, o importante é saber se estarei disposto a amar aquele(a) que restou.

A crença na força do relacionamento, é um aspecto presente em nove de cada dez casais bem sucedidos.
 
3. Faça planos para o futuro.
 
Casais que buscam formas imediata de prazer, procurando satisfazer seus desejos sem levar em conta as suas necessidades mais profundas, enfrentam duas vezes mais conflitos do que os casais que buscam formas mais generosas e dedicadas de felicidade.
 
Ao passo que pessoas que estavam felizes em seus relacionamentos têm cinco vezes mais perspectivas de longo prazo em sua vida, pensam em futuro distante e investem suas foças para construí-lo e manter o otimismo no futuro eleva em 42% a satisfação.
 
Descobriu-se que cultivar interesses juntos acrescenta 64% mais chances de um casamento duradouro.
 
4. Equilibre todos os aspectos de sua vida.
 
Estresse no trabalho reduz em 38% a satisfação no relacionamento e conflitos no relacionamento diminuem em 20% a satisfação com o trabalho. Os workaholics estão três vezes mais propensos a sentirem que sua vida é insatisfatória. Desavenças por dinheiro são fontes significativa de conflito em mais da metade das relações independentemente do nível de renda .
 
5. Equidade na relação
 
A igualdade na tomada de decisões, nos sacrifícios pelo relacionamento e na divisão de tarefas doméstica aumenta duas vezes mais a satisfação em relação a casais onde não há igualitarismo. Casais que dividem as tarefas domésticas são 19% mais felizes.
 
6. Estratégia para solução de conflitos
 
Diante dos problemas, o bom mesmo é manter a lógica, consciência e bom senso para aumentar em 33% sua satisfação na vida conjugal. Estabelecer regras para a solução de problemas reduz em 12% os conflitos e aumentar em 31% a satisfação. E, ao invés de “remoer” as brigas, busque reprogramar a raiva: 25% dos casais nem lembram sobre o que discutiram, mas “ruminam” os sentimentos.
 
Busque focar nos aspectos positivos do relacionamento para reduzir em 48% das desavenças. O humor é uma ótima estratégia (reduzir em 77% dos tumultos), mas use sem ironia e piadinhas.
 
7. Comunique-se de forma assertiva
 
Estudos com pessoas que viviam casamentos felizes há mais de trinta anos, mostrou que a qualidade da amizade entre os parceiros foi o fator mais citado como responsável pelo sucesso matrimonial.
 
Casais com alto grau de intimidade, que partilham seus pensamentos íntimos, têm 62% mais probabilidade de considerar seu casamento feliz e quando os cônjuges são mais diretos em buscar apoio um no outro têm chances de 61% de se sentirem apoiados no casamento. Por outro lado, casais que nunca discutem a relação têm 38% mais possibilidades de divórcio
 
8. Dica: a mais eficaz de todas!
 
Essa dica vem do papa Francisco: anote! Serve para tudo na vida
 
O segredo de uma vida bem-sucedida
é amar e dar-se em amor

terça-feira, 23 de junho de 2015

É amor ou paixão?

Dizer que uma pessoa está apaixonada e dizer que se estar amando é diferente. Saiba as diferenças nesse artigo.

A paixão tem como foco a aparência, o corpo, o interesse sexual, há reações fisiológicas bem visíveis (palpitação, suor nas mãos, tremedeira, a sensação de “frio na barriga” dentre outras).

A relação se baseia na idealização do amado, os defeitos são minimizados, enquanto as características positivas são exageradas e, por vezes, até fantasiadas. No estado de apaixonamento, o cérebro libera altas doses de dopamina, substância relacionada ao prazer – a mesma sensação pode se viver através da atividade física ou comer chocolate, por exemplo. Essa inundação bioquímica pode durar cerca de seis meses, variando de pessoa para pessoa.
 
 
Na teologia católica, dá-se o nome de “paixões” (ou sentimentos) às “emoções ou movimentos da sensibilidade que inclinam alguém a agir ou não agir em vista do que é experimentado ou imaginado como bom ou mau” (CIC,1763). As principais são o amor, o ódio, o desejo, o medo, a alegria, a tristeza e a cólera (CIC, 1772). Em si, as paixões não são nem boas nem, nem más (CIC, 1767), entretanto, podem se transformar em virtudes ou vícios (CIC, 1768).

Enquanto impulso do desejo, a paixão é eros – o amor (erótico). O papa Bento XVI, em sua primeira encíclica, Deus caritas est, refletiu muito sobre essa questão. Ensina que “o eros está, de certo modo, enraizado na própria natureza do homem” (n.11) e quer ser conduzido “em êxtase” para o Divino “para além de nós próprios, mas por isso mesmo requer um caminho de ascese, renúncias, purificações e sacramentos” (n.05); “necessita de disciplina” e “para dar ao homem, não o prazer de um instante, mas certa amostra do vértice da existência, daquela beatitude para que tende todo o nosso ser” (n.04).

Por isso, “o eros impele o homem ao matrimônio”, afirma o papa, “a uma ligação caracterizada pela unicidade e para sempre” (n.11). A paixão (o eros) pode transformar-se em amor.

Na teologia católica, o amor não é, apenas, sentimento, é uma virtude teologal e também um fruto do Espírito Santo: resultado da graça divina.

O papa Francisco, aos noivos, ensina que “o amor é uma relação”, “uma realidade que cresce” juntos, no intuito de um fazer o outro desenvolver-se, aperfeiçoar-se como pessoa.

“Embora o eros, inicialmente, seja sobretudo, ambicioso, ascendente – facscinação pela grande promessa de felicidade – depois, à medida que se aproxima do outro, far-se-á cada vez menos a pergunta sobre si próprio, procura sempre mais a felicidade do outro, preocupar-se-á cada vez mais dele, doar-se-á e desejará existir para o outro” (Deus caritas est, 7).

São Paulo caracteriza o amor como paciente, prestativo, não inveja, não ostenta, não é orgulhoso, não faz nada de inconveniente, não procura o próprio interesse, não se irrita, não é rancoroso, nem injusto, tudo desculpa, crê, espera suporta (1Cor 13).

O Papa João Paulo II, falando aos jovens franceses, reafirma que
 
“amar é pois essencialmente dar-se aos outros. Longe de ser uma inclinação instintiva, o amor é uma decisão consciente da vontade de ir para os outros. Para poder amar em verdade, é preciso desapegar-se de muitas coisas e sobretudo de si, dar gratuitamente, amar até ao fim. Esta desapropriação de si — obra de grande fôlego — é esgotante e exaltante. É fonte de equilíbrio. É o segredo da felicidade”  

E na encíclica Lumen Fidei (n.27), o papa Francisco nos recorda que “o amor não se pode reduzir a um sentimento que vai e vem. É verdade que o amor tem a ver com a nossa afetividade, mas para a abrir à pessoa amada, e assim iniciar um caminho que faz sair da reclusão no próprio eu e dirigir-se para a outra pessoa, a fim de construir uma relação duradoura; o amor visa a união com a pessoa amada. E aqui se manifesta em que sentido o amor tem necessidade da verdade: apenas na medida em que o amor estiver fundado na verdade é que pode perdurar no tempo, superar o instante efêmero e permanecer firme para sustentar um caminho comum. Se o amor não tivesse relação com a verdade, estaria sujeito à alteração dos sentimentos e não superaria a prova do tempo. Diversamente, o amor verdadeiro unifica todos os elementos da nossa personalidade e torna-se uma luz nova que aponta para uma vida grande e plena. Sem a verdade, o amor não pode oferecer um vínculo sólido, não consegue arrancar o « eu » para fora do seu isolamento, nem libertá-lo do instante fugidio para edificar a vida e produzir fruto”.

São duas realidade distintas, mas que se completam: o amor sem paixão, é amizade; a paixão sem amor é puro hedonismo. O amor purifica a paixão, enquanto este aquece aquele como "centelha de Deus" (Ct 8,6).

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Motivos errados para se iniciar um namoro

Muitos namoros começam pelos motivos errados e, em consequência, ambos podem sair feridos da relação. É preciso exercitar muito o autoconhecimento, a liberdade interior e a maturidade emocional para não se iniciar um namoro por razões equivocada.

 
 
 
Conversando com algumas pessoas e pesquisando em livros e sites da Internet constatamos alguns motivos mais comuns para se iniciar um namoro de forma errada:
Satisfação das próprias necessidades sexuais. Hoje está cada vez mais comum os jovens iniciarem a vida sexual mais cedo. Muitos querem namorar (ou “ficar”) apenas para dar vazão à libido.
A sexualidade tem uma importância muito grande para a formação do ser humano. Entretanto, dar exclusividade ao sexo no relacionamento, pode gerar uma relação de dependência, de dominação, sensação de “vazio” e acarretar na coisificação da pessoa.
Cabe se perguntar honestamente: sinto prazer em estar com aquela pessoa, mesmo sem contatos mais íntimos? Se a resposta for negativa, talvez, deva se refletir sobre seu grau de maturidade emocional.
 
Outras pessoas entram em um relacionamento devido à necessidade de segurança, seja de um(a) parceiro(a) forte, que lhe dê proteção física ou alguém mais rico e poderoso capaz de oferecer estabilidade financeira ou ainda uma pessoa que seja seu “suporte” emocional.
Verdade que segurança é outra de nossas necessidades básicas, entretanto, iniciar um namoro baseado apenas nisso, pode resultar em decepção, haja vista que todos nós possuímos debilidades.
 
Pergunte-se: você será capaz de amar a pessoa com que você namora nos momentos de fragilidade?
Dentre outros motivos errados para se iniciar um namoro, existe o caso daquelas pessoas que buscam o outro apenas pela aparência física. Ora, um dia a beleza se desfaz! E se o relacionamento vive apenas a superfície do ser, tornar-se-á insustentável. Para amar verdadeiramente é preciso conhecer o outro. O livro de Provérbio lembra que
 
A beleza é passageira,
mas a mulher que teme
a Javé merece louvor
(Pr 31,30).
Há muitas pessoas se relacionam amorosamente com outras apenas por uma questão de status social: sonham em casar com alguém de poses, famoso, poderoso. Entretanto, basta observar as inúmeras revistas e programas de fofoca para ver que relações que tem por base esse pensamento estão fadadas ao fracasso.
Em nossa sociedade do “descartável”, há uma crise de valores morais gigantesca e encontramos os motivos mais banais para iniciar um namoro, um noivado ou um casamento. Há pessoas que namoram apenas para mudar de status nas redes sociais, para ter alguém com quem sair na sexta-feira e no sábado à noite, por conveniência de ter um carro ou a possibilidade de frequentar lugares aos quais nunca poderia ir.
Muitos jovens “ficam” por aposta ou competição ou mesmo por tédio e para passar o tempo. Tem aquelas pessoas que investem em uma relação só porque é proibida: o outro é casado ou os pais não deixam, aí namoram escondidos etc.
Talvez, o amigo Leitor ou a amiga Leitora conheça casos de pessoas que se casaram porque a mulher estava grávida ou simplesmente para ter uma festa e ganhar presentes! Razões que desvirtuam o sentido real do sacramento do matrimônio.
Há quem inicia um namoro só porque todos os amigos estão namorando e ela não quer ficar de fora dos “eventos”.
 
O medo de “ficar para titia” ou aqueles pais mais liberais que dizem “essa menina precisa arranjar um namorado...”
A sociedade pós-moderna que criou o mito de que se você estiver sozinho(a) você é uma pessoa infeliz ou mal sucedida! Acontece, porém, que namoro é uma questão vocacional e nem todos recebem o mesmo chamado.
 
Procure descobrir sua vocação, negá-la, muitas vezes, pode conduzir à insatisfação pessoal
Para muitas pessoas, o namoro pode ser motivado pela tendência à fugir das dores: da solidão, do “vazio” interior ou de um ambiente familiar conturbado, necessitando de carinho, cuidado e atenção.
As carências afetivas pessoais podem induzir à relacionamentos de dependência e dominação. A baixa autoestima pode levar algumas pessoas a namorarem qualquer pessoa que lhe dê um pouco de atenção e carinho. A falta de autoconceito elevado pode fazer com que um indivíduo se incline a namorar pessoas que possam humilhá-lo e confirme seus sentimentos de inferioridade. Há sujeitos que, por não saberem dizer “não” e, por isso, são incapazes de ceder as “pressões” da investida de alguém ou aqueles que “ficam” com fulano(a) por “pena” ou só porque “é o que apareceu”.
Muitas pessoas iniciam um namoro querendo viver um romance como nos filmes, novelas ou livros. Mas, isso pode ser prejudicial. Porque não existe amor pleno se não for acompanhado pela fidelidade, pelo acordo, pela generosidade e pela paciência.
Nas palavras do Papa Bento XVI: “para ser autêntico, o amor exige um caminho de amadurecimento (...) O amor vive de gratuidade, de sacrifício de si, de perdão e de respeito do outro” (11/06/2015).
O livro do Eclesiastes lembra que "debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa", inclusive "tempo para amar" (Ecl 3,1.8). São Paulo ensina que “o amor é paciente... não busca o próprio interesse... tudo espera” (1Cor 13,4s.7).
Por fim, ao iniciar um namoro, tenha em mente o sábio conselho de Madre Teresa de Calcutá:
Não ame pela beleza,
pois uma hora ela acaba.
Não ame por admiração,
pois um dia, você se decepciona.
Apenas, ame, pois, o tempo
nunca pode acabar com um amor sem explicação

domingo, 21 de junho de 2015

Imaturidade emocional nos relacionamentos

Para podermos amar verdadeiramente, é necessário certo grau de amadurecimento psicofísico. Conhecemos, porém, inúmeras pessoas que, por uma série de fatores, são imaturas e isso têm lhes custado relacionamentos desastrosos, quer na vida profissional, nas amizades, no namoro, no noivado e até nos casamentos.
 
 
O que caracterizaria, então, uma pessoa imatura?
Uma das características mais notáveis é a defasagem entre a idade cronológica e a idade mental da pessoa: a recusa a crescer. É aquela pessoa excessivamente manhosa, o adulto infantilizado, senhor de idade que se comporta como adolescente, a mulher, apesar da idade, ainda se veste como “garotinha” são alguns exemplos. Há adultos que ainda “chupam” dedo ou “bico”!
Essa fixação infantil pode se exprimir também através do ciúme descabido, o apego demasiado (à família, ao parceiro ou às coisas), são indivíduos extremamente carentes ou dependentes.
Podem sofrer de baixa autoestima, procurando, de todas as maneiras, aprovação, elogio e autoafirmação.
Outro indício de imaturidade é a falta de autoconhecimento: saber de seus gostos, de seus limites, de suas habilidades, conhecimento de seu estado de ânimo, compreensão de suas reais motivações. Há pessoas que não conseguem se decidir ou escolher até mesmo coisas simples porque são cheias de dúvidas e inseguranças e têm um medo intenso de errar.
Imaturidade também se relaciona com a negação dos próprios sentimentos, à fuga do “vazio” e compensações através do excesso de comida, abuso de álcool, drogas, medicamentos... Muitas vezes, nega-se a realidade se refugiando na fantasia, desejando, por exemplo, viver aquele romance dos filmes ou livros.
A instabilidade emocional também é indicativo de uma personalidade pouco amadurecida. A pessoa passa de um estado a outro de humor em pouco tempo, no mesmo dia. É um sujeito variável, irregular, ninguém nunca sabe o que esperar dele. Reage aos eventos de forma desproporcional é pouco tolerante à frustração e às contrariedades da vida.
Pessoas imaturas têm pouca ou nenhuma responsabilidade diante da vida, preferem colocar a culpa nos outros por seus fracassos, tendem a fugir de compromissos sérios e definitivos, como o matrimônio e preferem ficar mudando de relacionamentos.
A imaturidade leva ao imediatismo, à impaciência, não saber esperar ou incapacidade de respeitar limites. Uma personalidade imatura pode muitas vezes ser egocêntrica, hedonista, ter pouco autocontrole e domínio de seus sentimentos, impulsos e desejos. O imaturo, dificilmente, planeja o futuro a dois, a carreira, os estudos.
O imaturo pode se comportar de forma permissiva demais, lasciva e relativista, com poucas convicções, é capaz de mudar de opinião da “água para o vinho”.
A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, a Declaração Persona Humana - sobre alguns pontos de ética sexual (n.13), afirma que
 
Os pais, em primeiro lugar, como também os educadores da juventude, hão-de esforçar-se por conduzir os seus filhos e os seus educandos à maturidade psicológica, afetiva e moral, em conformidade com a sua idade, por meio de uma educação integral. Para isso dar-lhes-ão uma informação prudente e adaptada à sua idade e procurarão assiduamente formar-lhes a vontade para os costumes cristãos, não só com conselhos, mas sobretudo com o exemplo da sua própria vida e mediante a ajuda de Deus que lhes alcançará a oração. E hão-de ter também o cuidado de os proteger de numerosos perigos de que os jovens não chegam a suspeitar.
Verdade que não somos um produto acabado da criação. O Catecismos da Igreja Católica ensina que nós fomos criados, por Deus, in statu viae (CIC,302), ou seja, em estado de caminhada à perfeição. Isso quer dizer que, ao longo da vida, vamos amadurecendo cada vez mais como pessoa.
Acerca do tema, o papa Bento XVI, na encíclica Deus Caritas Est, sublinha que “é próprio da maturidade do amor, abranger todas as potencialidades do homem e, incluir, por assim dizer, o homem em sua totalidade” (n.17).
E para além de todo psicologismo, o cristão não pode perder a perspectiva de que “a plena maturidade da pessoa e a sua estabilidade interior têm o seu fundamento na relação com Deus, relação que passa através do encontro com Jesus Cristo” (Papa Bento XVI, Angelus, 05/09/2010 ).
 
Caso o querido Leitor e a querida Leitora desejar refletir sobre a sua maturidade acompanhe nossa página no Facebook Guardiões do Amor, lá há um inventário o qual você pode usar, em momento de oração, para meditar sobre sua capacidade de lidar com a vida.