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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Oração dos namorados

Esta oração foi distribuída na Praça de São Pedro durante o encontro com o Papa Francisco a 14 de fevereiro de 2014, dia de São Valentim



Deus Pai, fonte de Amor,
Abre nossos corações e nossas mentes
para reconhecer em Ti a origem e a meta do nosso caminho de namorados.

Jesus Cristo, esposo amado,
ensina-nos a vida da fidelidade e do respeito,
mostra-nos a verdade de nossos sentimentos,
faz-nos disponíveis ao dom da vida.

Espírito Santo, fogo do amor,
acende em nós a paixão pelo Reino,
a valentia de assumir decisões grandes e responsáveis,
a sabedoria da ternura e do perdão.

Deus, Trindade do Amor,
guia os nossos passos.

Amém
Fonte: Aleteia

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Papa Bento falando sobre o amor para os jovens

Mensagem do papa Bento XVI aos jovens por ocasião da XXII Jornada Mundial
 
Queridos jovens!
 
Por ocasião da XXII Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada nas Dioceses no próximo Domingo de Ramos, gostaria de propor à vossa meditação as palavras de Jesus: "que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei" (Jo 13, 34).
 
É possível amar?
 
Cada pessoa sente o desejo de amar e ser amada. Mas como é difícil amar, quantos erros e falências devem verificar-se no amor! Há até quem chegue a duvidar que o amor seja possível. Mas se carências afetivas ou desilusões sentimentais podem levar a pensar que amar é uma utopia, um sonho irrealizável, talvez seja necessário resignar-se? Não! O amor é possível e a finalidade desta mensagem é contribuir para reavivar em cada um de vós, que sois o futuro e a esperança da humanidade, a confiança no amor verdadeiro, fiel e forte; um amor que gera paz e alegria; um amor que une as pessoas, fazendo-as sentir-se livres no respeito recíproco. Deixai então que eu percorra juntamente convosco um itinerário, em três momentos, na "descoberta" do amor.
 
Deus, fonte do amor
 
O primeiro momento refere-se à fonte do amor verdadeiro, que é única: é Deus. São João ressalta bem este aspecto ao afirmar que "Deus é amor" (1 Jo 4, 8.16); agora ele não quer dizer apenas que Deus nos ama, mas que o próprio ser de Deus é amor. Estamos aqui diante da revelação mais luminosa da fonte do amor que é o mistério trinitário: em Deus, uno e trino, há um intercâmbio eterno de amor entre as pessoas do Pai e do Filho, e este amor não é uma energia ou um sentimento, mas uma pessoa, é o Espírito Santo.
 
A Cruz de Cristo revela plenamente o amor de Deus
 
Como se nos manifesta o Deus-Amor? Estamos no segundo momento do nosso itinerário. Mesmo se já na criação são claros os sinais do amor divino, a revelação total do mistério íntimo de Deus verificou-se com a Encarnação, quando o próprio Deus se fez homem. Em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, conhecemos o amor em todo o seu alcance. De facto, "a verdadeira novidade do Novo Testamento escrevi na Encíclica Deus caritas est não consiste em ideias novas, mas na própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos um realismo extraordinário" (n. 12). A manifestação do amor divino é total e perfeita na Cruz, onde, como afirma São Paulo, "é assim que Deus demonstra o seu amor para connosco: quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós" (Rm 5, 8). Portanto, cada um de nós pode dizer sem receio de errar: "Cristo amou-me e entregou-se a Si mesmo por mim" (cf. Ef 5, 2). Redimida pelo seu sangue, vida humana alguma é inútil ou de pouco valor, porque todos somos amados pessoalmente por Ele com um amor apaixonado e fiel, um amor sem limites. A Cruz, loucura para o mundo, escândalo para muitos crentes, é ao contrário "sabedoria de Deus" para todos os que se deixam tocar profundamente no seu ser, "o que é considerado loucura de Deus é mais sábio que os homens, e o que é debilidade de Deus é mais forte que os homens" (cf. 1 Cor 1, 24-25). Aliás, o Crucificado, que depois da ressurreição traz para sempre os sinais da própria paixão, ressalta as "falsificações" e as mentiras sobre Deus, que se disfarçam com a violência, a vingança e a exclusão. Cristo é o Cordeiro de Deus, que assume os pecados do mundo e desenraiza o ódio do coração do homem. Eis a sua verdadeira "revolução": o amor.
 
Amar o próximo como Cristo nos ama
 
Chegamos agora ao terceiro momento da nossa reflexão. Na cruz Cristo grita: "Tenho sede" (Jo 19, 28): revela assim uma sede ardente de amar e de ser amado por todos nós. Unicamente se conseguirmos compreender a profundeza e a intensidade deste mistério, nos apercebemos da necessidade e da urgência de o amar por nossa vez "como" Ele nos amou. Isto exige o compromisso de dar também, se for necessário, a própria vida pelos irmãos amparados pelo Seu amor. Já no Antigo Testamento Deus dissera: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 19, 18), mas a novidade de Cristo consiste no facto de que amar como Ele nos amou significa amar todos, sem distinções, também os inimigos, "até ao fim" (cf. Jo 13, 1).
 
Testemunhas do amor de Cristo
 
Gostaria agora de me deter sobre três âmbitos da vida quotidiana onde vós, queridos jovens, sois particularmente chamados a manifestar o amor de Deus. O primeiro é a Igreja que é a nossa família espiritual, composta por todos os discípulos de Cristo. Recordando-nos das suas palavras: "Por isso é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros" (Jo 13, 35), alimentai, com o vosso entusiasmo e com a vossa caridade, as actividades das paróquias, das comunidades, dos movimentos eclesiais e dos grupos juvenis aos quais pertenceis. Sede solícitos em procurar o bem do próximo, fiéis aos compromissos assumidos. Não hesiteis em renunciar com alegria a alguns dos vossos divertimentos, aceitai de bom grado os sacrifícios necessários, testemunhai o vosso amor fiel a Jesus anunciando o seu Evangelho especialmente entre os vossos coetâneos.
 
Preparar-se para o futuro
 
O segundo âmbito, no qual sois chamados a expressar o amor e a crescer nele, é a vossa preparação para o futuro que vos espera.
 
Se sois noivos, Deus tem um projecto de amor para o vosso futuro de casal e de família e por conseguinte é essencial que o descubrais com a ajuda da Igreja
 
livres do preconceito difundido de que o cristianismo, com os seus mandamentos e as suas proibições, constitua obstáculos à alegria do amor e impeça em particular de viver plenamente aquela felicidade que o homem e a mulher procuram no seu amor recíproco.
 
O amor do homem e da mulher está na origem da família humana e o casal formado por um homem e por uma mulher tem o seu fundamento no desígnio originário de Deus (cf. Gn 2, 18-25). Aprender a amar-se como casal é um caminho maravilhoso, que contudo exige um tirocínio empenhativo.
 
O período do noivado, fundamental para construir o casal, é um tempo de expectativa e de preparação, que deve ser vivido na castidade dos gestos e das palavras.
 
Isto permite amadurecer no amor, na solicitude e nas atenções ao outro; ajuda a exercer o domínio de si, a desenvolver o respeito do outro, características do verdadeiro amor que não procura em primeiro lugar a própria satisfação nem o seu bem-estar. Na oração comum pedi ao Senhor que guarde e incremente o vosso amor e o purifique de qualquer egoísmo. Não hesiteis em responder generosamente à chamada do Senhor, porque o matrimónio cristão é uma verdadeira e própria vocação na Igreja. De igual modo, queridos jovens e queridas jovens, estai preparados para dizer "sim", se Deus vos chamar a segui-lo pelo caminho do sacerdócio ministerial ou da vida consagrada. O vosso exemplo servirá de encorajamento para muitos outros vossos coetâneos, que estão em busca da verdadeira felicidade.
 
Crescer no amor todos os dias
 
O terceiro âmbito do compromisso que o amor exige é o da vida quotidiana com as suas numerosas relações. Refiro-me sobretudo à família, à escola, ao trabalho e ao tempo livre. Queridos jovens, cultivai os vossos talentos não só para conquistar uma posição social, mas também para ajudar os outros "a crescer". Desenvolvei as vossas capacidades, não só para vos tornardes mais "competitivos" e "produtivos", mas para serdes "testemunhas da caridade". Juntai à formação profissional o esforço de adquirir conhecimentos religiosos úteis para poder desempenhar a vossa missão de modo responsável. Sobretudo, convido-vos a aprofundar a doutrina social da Igreja, para que a vossa acção no mundo seja inspirada e iluminada pelos seus princípios. O Espírito Santo faça com que sejais inovadores na caridade, perseverantes nos compromissos que assumis, e audaciosos nas vossas iniciativas, a fim de que possais oferecer o vosso contributo para a edificação da "civilização do amor". O horizonte do amor é verdadeiramente infinito: é o mundo inteiro!
 
"Ousar o amor" seguindo o exemplo dos santos
 
Queridos jovens, gostaria de vos convidar a "ousar o amor", isto é, a não desejar nada para a vossa vida que seja inferior a um amor forte e belo, capaz de tornar toda a existência uma jubilosa realização da doação de vós próprios a Deus e aos irmãos, à imitação d'Aquele que mediante o amor venceu para sempre o ódio e a morte (cf. Ap 5, 13). O amor é a única força capaz de mudar o coração do homem e a humanidade inteira, tornando proveitosas as relações entre homens e mulheres, entre ricos e pobres, entre culturas e civilizações. Disto dá testemunho a vida dos Santos que, verdadeiros amigos de Deus, são o canal e o reflexo deste amor originário. Comprometei-vos a conhecê-los melhor, entregai-vos à sua intercessão, procurai viver como eles. Limito-me a citar Madre Teresa que, para se apressar a responder ao grito de Cristo "Tenho sede", grito que a comoveu profundamente, começou a recolher os moribundos nas estradas de Calcutá, na Índia. A partir de então, o único desejo da sua vida tornou-se o de extinguir a sede de amor de Jesus não com palavras, mas com gestos concretos, reconhecendo o seu rosto desfigurado, sequioso de amor, no rosto dos mais pobres. A Beata Teresa pôs em prática o ensinamento do Senhor: "Sempre que fizerdes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes" (cf. Mt 25, 40). E a mensagem desta humilde testemunha do amor divino difundiu-se em todo o mundo.
 
O segredo do amor
 
Queridos amigos, a cada um de nós é concedido alcançar este grau de amor, mas unicamente se recorrermos ao indispensável apoio da Graça divina. Só a ajuda do Senhor nos permite, de facto, evitar a resignação diante da grandiosidade da tarefa a ser desenvolvida e infunde-nos a coragem de realizar quanto é humanamente impensável. Sobretudo a Eucaristia é a grande escola do amor. Quando se participa regularmente e com devoção na Santa Missa, quando se transcorrem na companhia de Jesus Eucarístico pausas prolongadas de adoração é mais fácil compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do seu amor que ultrapassa todo o conhecimento (cf. Ef 3, 17-18). Partilhando o Pão eucarístico com os irmãos da comunidade eclesial sentimo-nos depois estimulados a traduzir "depressa", como fez a Virgem com Isabel, o amor de Cristo em generoso serviço aos irmãos.
 
Rumo ao encontro de Sidney
 
A este propósito é iluminadora a exortação do apóstolo João: "Meus filhinhos, não amemos nem com palavras nem com a boca, mas com as obras e com a verdade. Por isto conheceremos que somos da verdade" (1 Jo 3, 18-19). Queridos jovens, é com este espírito que vos convido a viver a próxima Jornada Mundial da Juventude juntamente com os vossos Bispos nas vossas respectivas Dioceses. Ela representará uma etapa importante rumo ao encontro de Sidney, cujo tema será: "Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas" (Act 1, 8). Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, ajudar-vos-á a fazer ressoar em toda a parte o grito que mudou o mundo: "Deus é amor!". Acompanho-vos com a oração e abençoo-vos de coração.
Vaticano, 27 de Janeiro de 2007.

BENEDICTUS PP. XVI

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Palavras do Papa João Paulo II aos jovens casais - parte IV

Durante vários anos, o papa João Paulo II iniciou uma série de catequeses sobre a Teologia do Corpo, nelas, havia algumas exortações, conselhos e bênçãos voltadas para os jovens casais. Aqui se encontram reunidos trechos entre junho e agosto de 1980.


18 de Junho de 1980
Uma especial  saudação também aos jovens Casais. Caríssimos, desejo ardentemente que o vosso amor recíproco, fortificado pelo Sacramento do matrimônio, seja imperecível e que a vossa família nunca conheça a desconfiança, a impaciência e o egoísmo, mas seja sempre caracterizada por um compromisso generoso e uma harmonia serena.
O Senhor Jesus e Maria Santíssima tenham sempre o lugar de honra não só na vossa casa, mas também na vossa vida.
 
Com este fim rezo por vós e abençoo-vos cordialmente.
 
25 de Junho de 1980
E agora uma palavra de felicitações aos jovens casais. Queridos casais, dou-vos, antes de tudo, os meus parabéns pelo passo tão belo e empenhador que há pouco realizastes com a celebração do Sacramento do matrimônio, o qual consagrou o vosso amor, tornando-o estável e irrevogável. Faço também votos por que possais viver sempre neste autêntico amor conjugal com entusiástica doação recíproca, com amor sincero e com crescente fidelidade. O Senhor abençoe o vosso amor e o conserve para sempre na alegria cristã.
 
23 de Julho de 1980
Uma saudação particular desejo por fim dirigir aos jovens Casais presentes nesta Audiência para fortalecer, com a Bênção do Papa, aquela união que foi santificada e sancionada pelo Sacramento do matrimônio.

Desejo que o vosso amor,  que hoje vos une tão solidamente,  não só não se enfraqueça nunca,  mas aumente, de dia para dia, numa harmoniosa unidade de intenções e desejos, quer no plano humano, quer no sobrenatural, no qual o amor conjugal é figura daquele mesmo amor que existe entre Cristo e a Igreja, sua esposa mística.
Invoco sobre as vossas famílias nascentes e sobre o vosso caminho a dois, que há pouco iniciastes, graças eleitas e bênçãos celestes.
 
30 de Julho de 1980
Não posso esquecer nesta circunstância os numerosos jovens Casais: faço votos por que o vosso amor, consagrado por Deus no matrimônio, se mantenha sempre com ardor no meio do tumultuar das vicissitudes humanas e se consolide cada vez mais,  animado pelas virtudes cristãs,  especialmente pela fidelidade mútua, virtudes que são o tesouro precioso das famílias, segundo o plano de Deus, que, "desde o princípio", quis que fosse sagrado, inviolável e indissolúvel vínculo que vos une por toda a vida.
É com verdadeira alegria que concedo às vossas nascentes famílias cristãs a minha especial  Bênção
Apostólica.
 
6 de Agosto de 1980
Caríssimos jovens Casais, na vossa viagem de "lua de mel" quisestes inserir  também a visita ao Papa. Agradeço de coração este vosso pensamento, e com grande afeto a todos dirijo a minha saudação muito sentida. E, na luz da Transfiguração, faço-vos também votos por que mantenhais vivo o significado daquele milagre na vossa nova vida: que a luz da fé e da graça resplandeça sempre na fidelidade do vosso amor.
São estes os votos que faço, a fim de que possais ser sempre felizes no Senhor, ao mesmo tempo. que vos acompanho com a minha Bênção.
 
20 de Agosto de 1980A vós, jovens Casais, que com tanto desvelo programastes na vossa viagem de núpcias também o encontro com o Papa, o meu pensamento de bons votos.
 
Seja o vosso amor imitação do amor de Deus,
sem cálculos e sem medidas.
 
Aquilo que a Imitação de Cristo diz do amor divino, pode-se, de fato, aplicar também ao vosso amor, tão profundo e tão santo pela graça sacramental que o aviva: "O amor não sente peso, não conhece fadiga,  clama até mais não poder,  não se desculpa com a impossibilidade...  Ele pode tudo,  e realiza e aperfeiçoa muitas coisas, nas quais quem não ama falha e sucumbe" (L. III c. V.). Amai-vos sempre assim. Com a minha Bênção Apostólica, extensiva aos vossos familiares e parentes.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Palavras do Papa João Paulo II aos jovens casais - parte III

Durante vários anos, o papa João Paulo II iniciou uma série de catequeses sobre a Teologia do Corpo, nelas, havia algumas exortações, conselhos e bênçãos voltadas para os jovens casais. Aqui se encontram reunidos trechos de março e abril de 1980.

5 de Março de 1980Também a vós,  jovens Casais,  presentes nesta Audiência no início da vossa vida matrimonial,  desejo exprimir os meus bons votos abençoadores e a minha afetuosa saudação. Dai sempre ao vosso amor uma unidade granítica e uma fé inabalável. Sabei  conservar sempre aquele sentido de alegria e de felicidade, que hoje enche o vosso espírito. Tende sempre o sentido religioso da família, olhai para o amor infinito com que Cristo ama a Igreja e deixai-vos modelar por esse exemplo no vosso amor recíproco, e Ele não vos iludirá,  mas  far-vos-á  crescer  todos  os  dias  no  alegre  testemunho  de  uma  vida  matrimonial  vivida autenticamente (...)


 
12 de Março de 1980(...) Exorto-vos a serdes reconhecidos ao Senhor pelo dom da família que acabais de formar e à qual o Concílio Vaticano II chama "igreja doméstica" (L. G., c. 11). Sede orgulhosos desta família e guardai-a com todo o cuidado.
 
Na família, podereis e devereis encontrar
o ambiente propício para a vossa santificação.
 
A fim de que esta missão cristã se realize, peço ao Senhor e à Virgem Maria que vos abençoem e protejam.
 
19 de Março de 1979
(...) O Senhor  abençoe  o  vosso  amor,  sustenha  o vosso  generoso  propósito  de  dar  testemunho  de vida matrimonial  cristãmente,  exemplar,  e  esteja  sempre  junto  de  vós  como  Seu  auxílio,  no  caminho  que escolhestes para percorrer juntos até à morte. São José, Esposo afetuoso, Pai exemplar e Homem justo, vos proteja sempre e vos conceda a graça de viverdes sempre segundo a justiça, isto é; virtuosamente, a fim de serdes queridos a Deus, serenos com vós mesmos e bons para com o próximo. Com estes votos, abençoo-vos de coração.
 
26 de Março de 1980Caríssimos jovens Casais!
Viestes à Audiência do Papa nesta circunstância para vós tão bela e encantadora do matrimônio; sede benvindos e aceitai a minha saudação e os meus mais cordiais votos de felicidade. Ao iniciardes agora a vossa nova vida, levai para o mundo o vosso amor e a vossa fidelidade com alegria e coragem, como um ramo de oliveira e uma lâmpada acesa em sinal de paz e de fraternidade. De todo o coração invoco sobre vós a bênção do Senhor.
 
2 de Abril de 1980

A contemplação do Crucifixo, erguido entre o céu e a terra na Sexta-Feira Santa, tem qualquer coisa a dizer também a vós, jovens Casais, a quem um profundo amor uniu na vida e na morte.
 
O esposo, segundo o Apóstolo Paulo (Ef 5, 25), representa Cristo; a esposa, a Igreja. E como Cristo morreu para tornar pura e imaculada a sua esposa, também o esposo deve estar disposto até mesmo à morte, por aquela a quem ama.  E a esposa,  como a Igreja,  deve dar tudo,  afeto e assistência,  numa atitude perene de amor pelo esposo.
Que Deus vo-lo conceda.
 
16 de Abril de 1980
E a vós, jovens Casais, alegres pela vossa total  e definitiva doação mútua realizada no sacramento do matrimônio,  dirijo os  votos  férvidos  de todo o Povo de Deus: 
mantende por  toda a vida o vigor  e o entusiasmo destes dias,  recordando-vos sempre que,  na terra,  sois o sinal  concreto e visível  daquele misterioso e imenso amor que une Cristo à Sua Esposa, a Igreja (cfr. Ef 5, 22-23). O Senhor vos dará a Sua graça, a Sua força e a Sua alegria, a fim de que possais construir a vossa família "cristã" no temor de Deus, no amor recíproco e na abertura com os outros.
A todos a minha Bênção Apostólica.

30 de Abril de 1980
É sempre apreciada também a presença do grupo de
jovens Casais. Convido-vos igualmente a olhar para Maria na sua vida de Nazaré e a imitá-la à luz dos ensinamentos do Concílio Vaticano II:  "...Criados à imagem de Deus vivo sede unidos por um afeto igual e mútuo, pelo mesmo modo de sentir, por comum santidade"  (cfr.  Gaudium et  spes,  52).  Maria,  na pobre casa de Nazaré,  deu-se plenamente a Jesus, juntamente com José. É esta a vossa vocação de esposos cristãos: santificar-vos, amando-vos mutuamente no amor de Cristo.
Para que possais realizar  esta missão cristã,  peço ao Senhor  e à Virgem Maria que vos amparem nas vossas responsabilidades e vos protejam nas provas e nos perigos.  Concedo-vos de coração a Bênção Apostólica, que, de boa vontade faço extensiva a todos os que vos são queridos.

sábado, 27 de junho de 2015

O papa Paulo VI falando aos casais - parte II

Selecionamos um fragmento do discurso do Papa Paulo VI aos casais, realizado no dia 4 de Maio de 1970 ressaltando a importância do matrimônio.

(...)
 
Obra do Espírito Santo (cfr. Tit 3, 5), a regeneração baptismal faz de nós criaturas novas (cfr. Gál 6, 15), para que « assim caminhemos nós, também, muna vida nova » (Rom 6, 4). Nesta grande empresa de renovação de todas as coisas em Cristo, o matrimónio, também ele purificado e renovado, torna-se uma realidade nova, um sacramento da Nova Aliança. E, eis que no limiar do Novo Testamento, como na entrada do Antigo, se forma um casal. Mas, ao passo que aquele, formado por Adão e Eva, foi a fonte do mal que se espalhou sobre o mundo, o de José e Maria é a plenitude de onde a santidade se expande sobre toda a terra. O Salvador começou a Sua obra salvífica com esta união virginal e santa, onde se manifesta a sua vontade todo-poderosa de purificar e santificar a família, este santuário do amor e este berço da vida.

 
 
Desde então tudo se transformou. Dois cristãos querem casar-se; São Paulo adverte-os: «...não vos pertenceis a vós mesmos » (1 Cor 6, 19). Membros de Cristo, um e outro « no Senhor », a sua união realiza-se também « no Senhor », como a da Igreja. E é por esta razão que ela é « um grande mistério » (Ef 5, 32), um sinal que não só representa o mistério da união de Cristo com a Igreja, mas também o encerra e irradia por meio da graça do Espírito Santo, que é a sua alma vivificadora.
 
Porque é exatamente o amor, próprio de Deus, que ele nos comunica, para que nós o amemos e para que também o amemos com este amor divino: « assim como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros » (Jo 13, 34).
 
Até as manifestações da sua ternura são,
para os esposos cristãos, penetradas deste amor que eles vão haurir no coração de Deus.
 
E, se a nascente humana corresse o perigo de secar, a sua nascente divina é tão inesgotável como as profundezas insondáveis da ternura de Deus. Por outras palavras, a caridade conjugal, forte e rica, tende para essa comunhão íntima. Realidade interior e espiritual, ela transforma a comunidade de vida dos esposos naquilo «que bem pode chamar-se Igreja doméstica» (Lumen Gentium, n. 11), uma verdadeira «célula da Igreja», como disse o Nosso saudoso predecessor João XXIII, à vossa peregrinação de 3 de Maio de 1959 (Discorsi, messaggi, colloqui dei Santo Padre Giovanni XXIII, I, Tip. Pol. Vat., p. 298), célula de base, célula germinal, sem dúvida a mais pequena, mas também a mais fundamental do organismo eclesial.
 
Este é o mistério em que está radicado o amor conjugal e que ilumina todas as suas manifestações. Mistério da Encarnação, que exalta as nossas virtudes humanas, penetrando-as internamente. Longe de as menosprezar, o amor cristão condu-las, verdadeiramente, à sua plenitude, com paciência, generosidade, força e doçura (...)
 
Porque, se a fascinação da carne é perigosa, a tentação do angelismo não o é menos, e uma realidade desprezada não demora muito a reivindicar o seu lugar. Também, conscientes de guardar os seus tesouros em vasos de argila (cfr. 2 Cor 4, 7), os esposos cristãos procurem esforçar-se, com humilde fervor, por traduzir, na sua vida conjugal, as recomendações do Apóstolo São Paulo: «os vossos corpos são membros de Cristo..., o vosso corpo é templo do Espírito Santo...; glorificai pois a Deus no vosso corpo » (1 Cor 6, 15. 19. 20).
 
«Casados no Senhor», os esposos não podem unir-se, daí por diante, senão no nome de Cristo, a quem eles pertencem e por quem eles devem trabalhar como seus membros ativos. Eles não podem, portanto, dispor do seu corpo, especialmente porque ele é princípio de geração, senão no espírito e para a obra de Cristo, porque eles são membros de Cristo.
 
«Colaboradores livres e responsáveis do Criador » (Humanae Vitae, n. 1), os esposos cristãos veem a sua fecundidade carnal adquirir assim uma nobreza nova. O impulso, que os leva a unirem-se, é portador de vida e permite que deem filhos a Deus. (...)
 
Dilectos filhos e filhas, vós estais bem convencidos de que só vivendo a graça do sacramento do Matrimónio caminhais com « um amor incansável e generoso » (Ibid n. 41) para esta santidade a que todos nós somos chamados pela graça (cfr., Mt 5, 48; 1 Tes 4, 3; Ef 1, 4), e não por uma exigência arbitrária, mas pelo amor de um Pai que quer o pleno desenvolvimento e a felicidade total dos seus filhos.

De resto, para a alcançar, não fostes abandonados a vós mesmos, porque Cristo e o Espírito Santo, « estas duas mãos de Deus », segundo a expressão de Santo Irineu, trabalham por vós sem descanso (cfr. Adversus Haereses IV, 28, 4 em: PG 7, 1.200). Não vos deixeis, portanto, desviar pelas tentações, pelas dificuldades, pelas provações que aparecerem pelo caminho, sem o temor de ir, quando for preciso, contra a corrente do que se diz e pensa num mundo de atitudes paganizadas. São Paulo advertia-nos: «não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente » (Rom 12, 2).

Nunca vos desencorajeis nos momentos de fraqueza: o nosso Deus é um Pai cheio de ternura e de bondade, cheio de solicitude e transbordante de amor pelos seus filhos, que, algumas vezes, encontram dificuldades no seu caminho. E a Igreja é a mãe que vos quer ajudar a viver, toda a vida, este ideal do matrimónio cristão, do qual ela vos lembra, com bondade, todas as exigências.
(...)
 
O caminho dos esposos, como toda a vida humana, tem muitas etapas, comportando fases difíceis e dolorosas — tendes prova disso com o passar dos anos. Mas é preciso dizê-lo em voz alta: a angústia e o medo nunca deveriam anidar-se nas almas de boa-vontade, porque
 
Afinal, não é o Evangelho uma boa-nova
também para os casais, e uma mensagem que,
sendo exigente, não é menos profundamente libertadora?

Ter consciência de que ainda não se conquistou a própria liberdade interior, que se está ainda submetido ao impulso das próprias tendências, descobrir-se como incapaz de respeitar, dum momento para o outro, a lei moral, num domínio tão fundamental, suscita, naturalmente, uma reação de angústia. É, porém, o momento decisivo, em que o cristão, na sua desordem, em vez de se abandonar à revolta estéril e destruidora, acede na humildade à descoberta perturbadora do homem perante Deus, um pecador diante do amor de Cristo Salvador.

A partir desta tomada de consciência radical, todo o progresso da vida moral se torna atraente, os casais encontram-se também «evangelizados» no seu íntimo, os esposos descobrem «com temor e tremor » (Fil 2, 12), mas também com uma alegria admirada, que no seu matrimónio, como na união de Cristo com a Igreja, é o mistério pascal da morte e da ressurreição que se realiza. No seio da grande Igreja, esta pequena Igreja conhece-se então por aquilo que na realidade é: uma comunidade fraca e às vezes pecadora e penitente, mas perdoada, a caminho para a santidade,« na paz de Deus, que sobrepuja todo o entendimento » (Fil 4, 7).

Longe de estar, portanto, ao abrigo de qualquer fraqueza — « quem pensa estar de pé, veja que não caia » (1 Cor 10, 12) e de estar dispensado de um esforço perseverante, às vezes em condições cruéis que só o pensamento de tomar parte na paixão de Cristo pode levar a suportar (cfr. Col 1, 24), os esposos sabem, pelo menos, que as exigências da vida moral conjugal, que a Igreja lhes recorda, não são leis intoleráveis nem impraticáveis, mas um dom de Deus para os ajudar a aceder, por meio e além das suas fraquezas, às riquezas de um amor plenamente humano e cristão.

Desde então, longe de ter o sentimento angustioso de se encontrarem como que fechados num beco sem saída e, segundo os casos, de se entregarem talvez à sensualidade, abandonando todas as práticas sacramentais, de se revoltarem contra a Igreja, considerando-a como inumana, ou de persistirem num esforço impossível, a custo de perderem a harmonia e o equilíbrio, isto é, a sobrevivência do lar, os esposos entregar-se-ão à esperança, na certeza de que todos os recursos da graça da Igreja estão à disposição para os ajudar a encaminharem-se para a perfeição do seu amor.
 
São estas as perspectivas em que vivem os casais cristãos, em todo o mundo:

A boa-nova da salvação em Cristo, progredindo para a santidade no matrimónio e por meio dele, com a luz, a força e a alegria do Salvador.

(...) 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O papa Paulo VI falando aos casais - parte I

Selecionamos um fragmento do discurso do Papa Paulo VI aos casais, realizado no dia 4 de Maio de 1970 ressaltando a importância do matrimônio.
 
(...) Muitas vezes a Igreja pareceu, sem razão, suspeitar do amor humano. Também vos queremos dizer hoje claramente: não, Deus não é inimigo das grandes realidades humanas e a Igreja não desconhece os valores quotidianamente adquiridos por milhões de lares. Pelo contrário, a boa-nova trazida por Cristo Salvador é uma boa-nova para o amor humano, também ele excelente nas suas origens — « Deus, vendo toda a Sua obra, considerou-a muito boa » (Gên 1,31) —, também ele corrompido pelo pecado, também ele remido ao ponto de se tornar, pela graça, meio de santidade.


 
Como todos os batizados, vós fostes, realmente, chamados à santidade, segundo o ensinamento da Igreja, solenemente reafirmado pelo Concílio (cfr. Lumen Gentium, n. 11). Mas deveis dirigir-vos a ela com o vosso modo próprio, na vossa e pela vossa vida de família (Ibid. n. 41). E a Igreja que no-lo ensina:
 
« Os esposos, tornados capazes
pela graça de levar uma vida santa»
(Gaudium et Spes, n. 49 § 2)
 
e de fazer o seu lar «como santuário familiar da Igreja» (Apostolicam Actuositatem, n. 11). Estes ensinamentos, cujo esquecimento é tão trágico para o nosso tempo, são-vos certamente familiares. Gostaríamos de meditar neles juntamente convosco, por alguns instantes, para reforçar ainda em vós, se for necessário, a vontade de viver generosamente a vossa vocação humana e cristã no matrimónio (cfr. Gaudium et Spes, nn. 1, 47-52), e de colaborar com o grande desígnio de amor de Deus no mundo, de se formar um povo « para o louvor da sua glória » (Ef 1, 14).
 
Como a Sagrada Escritura nos ensina, o matrimónio, antes de ser um sacramento, é uma grande realidade terrestre: «Deus criou o homem à Sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher» (Gên 1, 27). É preciso recordar todos os dias esta primeira página da Bíblia, se quisermos compreender o que é, o que deve ser um casal humano, um lar. As análises psicológicas, as pesquisas psicanalíticas, os inquéritos sociológicos e as reflexões filosóficas poderão, sem dúvida, contribuir para dar esclarecimentos sobre a sexualidade e sobre o amor humano, mas cegar-nos-iam se transcurassem este ensinamento fundamental que nos foi dado desde a origem: a dualidade dos sexos foi querida por Deus, para que o homem e a mulher, juntos, fossem imagem de Deus, e, como Ele, nascente de vida: «crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra» (Gên 1, 28).
 
Uma leitura atenta dos Profetas, dos Livros Sapienciais e do Novo Testamento, mostra-nos, de resto, o significado desta realidade fundamental e ensina-nos a não a limitar ao desejo físico e à atividade genital, mas a descobrir nela o carácter complementar dos valores do homem e da mulher, a grandeza e as fraquezas do amor conjugal, a sua fecundidade e a sua abertura ao mistério do desígnio do amor de Deus.
 
Este ensinamento conserva ainda hoje todo o seu valor e imuniza-nos contra as tentações de um erotismo destruidor. Este fenómeno aberrante deveria, pelo menos, pôr-nos em guarda contra o perigo de uma civilização materialista, que pressente, obscuramente, neste domínio misterioso, como que o último refúgio de um valor sagrado.
 
Saberemos nós arrancá-lo ao abuso da sensualidade? Saibamos pelo menos, perante uma expansão cinicamente levada a efeito por algumas indústrias ávidas, aniquilar os seus efeitos nefastos nos jovens. Sem obstáculos nem compressões, trata-se de favorecer uma educação que ajude a criança e o adolescente a tomarem consciência, progressivamente, da força dos impulsos que despertam neles, de os integrar na construção da sua personalidade, de dominar as suas forças ascendentes, para realizarem uma completa maturidade afetiva e também sexual, de se prepararem, assim, para o dom de si, num amor que lhes dará a sua verdadeira dimensão, de maneira exclusiva e definitiva.
 
A união do homem e da mulher difere, na verdade, radicalmente, de todas as outras associações humanas e constitui uma realidade singular, ou seja, a união fundada na doação mútua dos cônjuges: « e os dois serão uma só carne » (Gên 2, 24).
 
Unidade, cuja indissolubilidade irrevogável é o selo colocado sobre a união livre e mútua de duas pessoas dotadas de liberdade que, « portanto, já não são dois, mas uma só carne » (Mt 19, 6): uma só carne, um casal, poder-se-ia quase dizer, um único ser, cuja unidade assumirá uma forma social e jurídica por meio do matrimónio e se manifestará por uma comunhão de vida, cuja expressão fecunda é o dom carnal. Quer dizer que,
 
Com o matrimónio, os esposos exprimem uma vontade de se pertencerem um ao outro para toda a vida, e de contraírem, para este fim, um vínculo objetivo, cujas leis e exigências, muito longe de serem um servilismo, são uma garantia e uma proteção, um verdadeiro amparo, como vós próprios verificais nas vossas experiências quotidianas.
 
Na verdade, a doação não é uma fusão. Cada uma das personalidades permanece distinta e, longe de se dissolver com a doação mútua, afirma-se e aperfeiçoa-se, aumenta com o decorrer da vida conjugal, segundo esta grande lei do amor: dar-se um ao outro para se dar juntamente.
 
O amor é, realmente, o cimento que dá solidez a esta comunidade de vida e o entusiasmo que a arrasta para uma plenitude cada vez mais perfeita. Todo o ser participa dela, nas profundezas do seu mistério pessoal e dos seus componentes afetivos, sensíveis, carnais e também espirituais, até constituir, cada vez melhor, esta imagem de Deus, que o casal tem a missão de encarnar na sucessão dos dias, tecendo-a com as suas alegrias e com as suas preocupações, dado que o amor é, realmente, mais do que o amor.
 
Não há nenhum amor conjugal que não seja, na sua exultação, entusiasmo para o infinito, e que não deseje ser, no seu entusiasmo, total, fiel, exclusivo e fecundo
(cfr. Humanae Vitae, n. 9).
 
É nesta perspectiva que o desejo encontra o seu pleno significado. Meio de expressão e, também, de conhecimento e de comunhão, o ato conjugal mantém e fortifica o amor e a sua fecundidade, leva o casal ao seu pleno desenvolvimento: torna-se, à imagem de Deus, fonte de vida.
 
O cristão tem consciência disto: o amor humano é bom na sua origem e, embora esteja, como tudo o que existe no homem, ferido e deformado pelo pecado, encontra em Cristo a sua salvação e a sua redenção. Aliás, não é esta a lição de vinte séculos de história cristã ? Quantos casais encontraram, na sua vida conjugal, o caminho da santidade, nesta comunidade de vida, que é a única fundada num sacramento!
(...)
Continua

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Papa Francisco fala sobre o "caminho" conjugal

A primeira Leitura fala-nos do caminho do povo no deserto. Pensemos naquele povo em marcha, guiado por Moisés! Era formado sobretudo por famílias: pais, mães, filhos, avós; homens e mulheres de todas as idades, muitas crianças, com idosos que sentiam dificuldade em caminhar... Este povo lembra a Igreja em caminho no deserto do mundo atual; lembra o Povo de Deus que é composto, na sua maioria, por famílias.
 
 
 
Isto faz pensar nas famílias, nas nossas famílias, em caminho pelas estradas da vida, na história de cada dia... É incalculável a força, a carga de humanidade presente numa família: a ajuda mútua, o acompanhamento educativo, as relações que crescem com o crescimento das pessoas, a partilha das alegrias e das dificuldades... As famílias constituem o primeiro lugar onde nos formamos como pessoas e, ao mesmo tempo, são os «tijolos» para a construção da sociedade.
 
Voltemos à narração bíblica... A certa altura, o povo israelita «não suportou o caminho» (Nm 21, 4): estão cansados, falta a água e comem apenas o «maná», um alimento prodigioso, dado por Deus, mas que, naquele momento de crise, lhes parece demasiado pouco. Então lamentam-se e protestam contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes sair do Egipto?» (Nm 21, 5). Sentem a tentação de voltar para trás, de abandonar o caminho.
 
Isto faz-nos pensar nos casais que «não suportam o caminho», o caminho da vida conjugal e familiar. A fadiga do caminho torna-se um cansaço interior; perdem o gosto do Matrimónio, deixam de ir buscar água à fonte do Sacramento. A vida diária torna-se pesada e, muitas vezes, «nauseante».
 
Naquele momento de extravio – diz a Bíblia – chegam as serpentes venenosas que mordem as pessoas; e muitas morrem. Este facto provoca o arrependimento do povo, que pede perdão a Moisés, suplicando-lhe que reze ao Senhor para afastar as serpentes. Moisés pede ao Senhor, que lhe dá o remédio: uma serpente de bronze, pendurada num poste. Quem olhar para ela, fica curado do veneno mortal das serpentes.
 
Que significa este símbolo? Deus não elimina as serpentes, mas oferece um «antídoto»: através daquela serpente de bronze, feita por Moisés, Deus transmite a sua força que cura – uma foça que cura –, ou seja, a sua misericórdia, mais forte que o veneno do tentador.
 
Como ouvimos no Evangelho, Jesus identificou-Se com este símbolo: na verdade, por amor, o Pai «entregou» Jesus, o seu Filho Unigénito, aos homens para que tenham a vida (cf. Jo 3, 13-17). E este amor imenso do Pai impele o Filho, Jesus, a fazer-Se homem, a fazer-Se servo, a morrer por nós e a morrer numa cruz; por isso, o Pai ressuscitou-O e deu-Lhe o domínio sobre todo o universo. Assim se exprime o hino da Carta de São Paulo aos Filipenses (2, 6-11). Quem se entrega a Jesus crucificado recebe a misericórdia de Deus, que cura do veneno mortal do pecado.
 
O remédio que Deus oferece ao povo vale também e de modo particular para os casais que «não suportam o caminho» e acabam mordidos pelas tentações do desânimo, da infidelidade, do retrocesso, do abandono... Também a eles Deus Pai entrega o seu Filho Jesus, não para os condenar, mas para os salvar: se se entregarem a Jesus, Ele cura-os com o amor misericordioso que jorra da sua Cruz, com a força duma graça que regenera e põe de novo a caminhar pela estrada da vida conjugal e familiar.
 
O amor de Jesus, que abençoou e consagrou a união dos esposos, é capaz de manter o seu amor e de o renovar quando humanamente se perde, rompe, esgota.
 
O amor de Cristo pode restituir
aos esposos a alegria de caminharem juntos.
 
Pois o matrimónio é isto mesmo: o caminho conjunto de um homem e de uma mulher, no qual o homem tem o dever de ajudar a esposa a ser mais mulher, e a mulher tem o dever de ajudar o marido a ser mais homem.
 
Este é o dever que tendes entre vós:
 
«Amo-te e por isso faço-te mais mulher»
«Amo-te e por isso faço-te mais homem».
 
É a reciprocidade das diferenças. Não é um caminho suave, sem conflitos, não! Não seria humano. É uma viagem laboriosa, por vezes difícil, chegando mesmo a ser conflituosa, mas isto é a vida! E, no meio desta teologia que a Palavra de Deus nos oferece sobre o povo em caminho, mas também sobre as famílias em caminho, sobre os esposos em caminho, um pequeno conselho.
 
É normal que os esposos litiguem: é normal! Acontece sempre. Mas dou-vos um conselho: nunca deixeis terminar o dia sem fazer a paz. Nunca. É suficiente um pequeno gesto. E assim continua-se a caminhar.
 
O matrimónio é símbolo da vida,
da vida real, não é uma «ficção»!
 
É sacramento do amor de Cristo e da Igreja, um amor que tem na Cruz a sua confirmação e garantia. Desejo, a todos vós, um caminho lindo, um caminho fecundo. Que o amor cresça! Desejo-vos a felicidade. Existirão as cruzes… Existirão, mas o Senhor sempre estará lá para nos ajudar a seguir em frente. Que o Senhor vos abençoe!
 
Papa Francisco

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Catequese do Papa Francisco sobre o noivado

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
 
Prosseguindo estas catequeses sobre a família, gostaria de falar hoje do noivado. O noivado — percebe-se pela palavra [em italiano, se diz "fidanzamento"] — relaciona-se com a confiança, a confidência, a fiabilidade. Confidência com a vocação que Deus concede, porque o matrimónio é antes de tudo a descoberta de uma chamada de Deus.
 
 
 
Certamente é positivo que os jovens hoje possam optar por casar com base num amor recíproco. Mas precisamente a liberdade do vínculo exige uma harmonia consciente da decisão, não só um simples entendimento da atração ou do sentimento, de um momento, de um tempo breve... requer um caminho.
 
Por outras palavras, o noivado é o tempo durante o qual os dois estão chamados a fazer um bom trabalho sobre o amor, um trabalho partícipe e partilhado, que vai em profundidade.
 
Descobrimo-nos a pouco e pouco reciprocamente: ou seja, o homem «aprende» a mulher aprendendo esta mulher, a sua noiva; e a mulher «aprende» o homem aprendendo este homem, o seu noivo. Não subestimemos a importância desta aprendizagem: é um compromisso bom, e o próprio amor o exige, porque não é apenas uma felicidade despreocupada, uma emoção encantada...
 
A narração bíblica fala da criação inteira como de um bom trabalho de amor de Deus; o livro do Génesis diz que «Deus viu o que fizera, e era coisa muito boa» (Gn 1, 31). Só no final, Deus «repousou». Desta imagem compreendemos que o amor de Deus, que deu origem ao mundo, não foi uma decisão extemporânea. Não! Foi um trabalho bom. O amor de Deus criou as condições concretas de uma aliança irrevogável, sólida, destinada a durar.
 
A aliança de amor entre o homem e a mulher, aliança para a vida, não se improvisa, não se faz de um dia para outro. Não há o matrimónio rápido: é preciso trabalhar sobre o amor, é necessário caminhar. A aliança do amor do homem e da mulher aprende-se e aperfeiçoa-se. Permiti que eu diga que é uma aliança artesanal. Fazer de duas vidas uma só, é quase um milagre, um milagre da liberdade e do coração, confiado à fé.
 
Talvez devêssemos comprometer-nos mais neste ponto, porque as nossas «coordenadas sentimentais» entraram um pouco em confusão. Quem pretende tudo e imediatamente, depois também cede sobre tudo — e já — na primeira dificuldade (ou na primeira ocasião). Não há esperança para a confiança e a fidelidade da doação de si, se prevalece o hábito de consumir o amor como uma espécie de «integrador» do bem-estar psicofísico. Não é isto o amor! O noivado focaliza a vontade de preservar juntos algo que nunca deverá ser comprado ou vendido, atraiçoado ou abandonado, por muito aliciadora que seja a oferta.
 
Mas também Deus, quando fala da aliança com o seu povo, algumas vezes fá-lo em termos de noivado. No Livro de Jeremias, ao falar ao povo que se tinha afastado d’Ele, recorda-lhe quando o povo era a «noiva» de Deus e diz assim: «Lembro-me da tua afeição quando eras jovem, de teu amor de noivado» (2, 2). E Deus fez este percurso de noivado; depois faz também uma promessa: ouvimo-la no início da audiência, no Livro de Oseias: «Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor» (2, 21-22). É um longo caminho o que o Senhor faz com o seu povo neste percurso de noivado. No final Deus desposa o seu povo em Jesus Cristo: em Jesus desposa a Igreja. O Povo de Deus é a esposa de Jesus. Mas quanto caminho!
 
O noivado é um
percurso de vida
que deve maturar
como a fruta, é um
caminho de maturação
no amor, até ao momento
que se torna matrimónio
 
E vós, italianos, na vossa literatura tendes uma obra-prima sobre o noivado [Os Noivos]. É necessário que os jovens a conheçam, que a leiam; é uma obra-prima na qual se narra a história dos noivos que sofreram tanto, percorreram um caminho cheio de tantas dificuldades até chegar, no final, ao matrimónio. Não ponhais de parte esta obra-prima sobre o noivado que a literatura italiana ofereceu precisamente a vós. Ide em frente, lei-a e vereis a beleza, o sofrimento, mas também a fidelidade dos noivos.
 
A Igreja, na sua sabedoria, conserva a distinção entre ser noivos e ser esposos — não é o mesmo — precisamente em vista da delicadeza e da profundidade desta verificação. Estejamos atentos a não desprezar com superficialidade este ensinamento sábio, que se nutre também da experiência do amor conjugal felizmente vivido. Os símbolos fortes do corpo possuem as chaves da alma: não podemos tratar os vínculos da carne com superficialidade, sem causar ao espírito alguma ferida perene (1 Cor 6, 15-20).
 
Sem dúvida, a cultura e a sociedade de hoje tornaram-se bastante indiferentes à delicadeza e à seriedade desta passagem. E por outro lado, não se pode dizer que sejam generosas com os jovens que estão seriamente intencionados a constituir uma família e a ter filhos! Ao contrário, muitas vezes levantam numerosos impedimentos, mentais e práticos. O noivado é um percurso de vida que deve maturar como a fruta, é um caminho de maturação no amor, até ao momento que se torna matrimónio.
 
Os cursos pré-matrimoniais são uma expressão especial da preparação. E nós vemos tantos casais, que talvez chegam ao curso um pouco contra a vontade, «Mas estes padres obrigam-nos a fazer um curso! Mas porquê? Nós sabemos!»... e vão contra a vontade. Mas depois ficam contentes e agradecem, porque com efeito encontraram ali a ocasião — muitas vezes única — para refletir sobre a sua experiência em termos não banais.
 
Sim, muitos casais estão juntos muito tempo, talvez até na intimidade, por vezes convivendo, mas não se conhecem deveras. Parece estranho, mas a experiência demonstra que é assim. Por isso deve ser reavaliado o noivado como tempo de conhecimento recíproco e de partilha de um projeto.
 
O caminho de preparação para o matrimónio deve ser organizado nesta perspectiva, servindo-se também do testemunho simples mas intenso de casais cristãos. E apostando também aqui no essencial: a Bíblia, que deve ser redescoberta juntos, de modo consciente; a oração, na sua dimensão litúrgica, mas também na «oração doméstica», vivida em família, nos sacramentos, na vida sacramental — a Confissão... na qual o Senhor vem habitar nos noivos e os prepara para se acolherem deveras um ao outro «com a graça de Cristo»; e a fraternidade com os pobres, com os necessitados, que nos chamam à sobriedade e à partilha.
 
Os noivos que se comprometem nisto crescem ambos e tudo isto leva a preparar uma boa celebração do Matrimónio de maneira diversa, não mundana, mas cristã!
 
Pensemos nestas palavras de Deus que ouvimos quando Ele fala ao seu povo como o noivo à noiva: «Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor. Desposar-te-ei com fidelidade e tu conhecerás o Senhor» (Os 2, 21-22). Cada casal de noivos pense nisto e diga um ao outro: «Desposar-te-ei com fidelidade». Esperar aquele momento; é um momento, um percurso que vai em frente lentamente, mas é um percurso de maturação. As etapas do caminho não devem ser queimadas. A maturação faz-se assim, passo a passo.
 
O tempo do noivado pode tornar-se deveras um tempo de iniciação, no quê? Na surpresa! Na surpresa dos dons espirituais com os quais o Senhor, através da Igreja, enriquece o horizonte da nova família que se predispõe para viver na sua bênção. Agora convido-vos a rezar à Sagrada Família de Nazaré: Jesus, José e Maria. Rezai para que a família percorra este caminho de preparação; rezai pelos noivos. Peçamos a Nossa Senhora todos juntos uma Ave-Maria por todos os noivos, para que possam compreender a beleza deste caminho rumo ao Matrimónio Ave Maria.... E aos noivos que estão aqui na praça: «Bom percurso de noivado!».
 
Papa Francisco
27 de Maio de 2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Catequese do Papa Francisco sobre o Matrimônio

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje concluímos o ciclo de catequeses sobre os Sacramentos, falando sobre o Matrimônio. Este Sacramento leva-nos ao cerne do desígnio de Deus, que é um plano de aliança com o seu povo, com todos nós, um desígnio de comunhão. 

No início do livro do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, coroando a narração sobre a criação, afirma-se: «Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher... Por isso, o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 1, 27; 2, 24). A imagem de Deus é o casal no matrimônio: o homem e a mulher; não só o homem, não somente a mulher, mas os dois juntos. Esta é a imagem de Deus: o amor, a aliança de Deus connosco está representada na aliança entre o homem e a mulher. Isto é muito bonito! Somos criados para amar, como reflexo de Deus e do seu amor. Na união conjugal, o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva.

Quando um homem e uma mulher 
celebram o sacramento do Matrimônio, 
Deus, por assim dizer, «espelha-se» neles, 
imprime neles os seus lineamentos e 
o carácter indelével do seu amor. 

O matrimônio é o ícone do amor de Deus por nós. Com efeito, também Deus é comunhão: as três Pessoas do Pai, Filho e Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em unidade perfeita. É precisamente nisto que consiste o mistério do Matrimônio: dos dois esposos Deus faz uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz «uma só carne», tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimônio! Eis precisamente o mistério do matrimônio: o amor de Deus reflete-se no casal que decide viver junto. Por isso, o homem deixa a sua casa, a casa dos seus pais, e vai viver com a sua mulher, unindo-se tão fortemente a ela que os dois se tornam — reza a Bíblia — uma só carne.

Na Carta aos Efésios, São Paulo frisa que nos esposos cristãos se reflete um mistério grandioso: a relação instaurada por Cristo com a Igreja, uma relação nupcial (cf. Ef 5, 21-33). A Igreja é a esposa de Cristo. Esta é a relação. Isto significa que o Matrimônio corresponde a uma vocação específica e deve ser considerado uma consagração (cf. Gaudium et spes, 48; Familiaris consortio, 56). 

É uma consagração: o homem e a mulher são consagrados no seu amor. Com efeito, em virtude do Sacramento, os esposos são revestidos de uma autêntica missão, para que possam tornar visível, a partir das realidades simples e ordinárias, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a dar a vida por ela na fidelidade e no serviço.

No sacramento do Matrimônio há um desígnio deveras maravilhoso! E realiza-se na simplicidade e até na fragilidade da condição humana. Bem sabemos quantas dificuldades e provas enfrenta a vida de dois esposos... 



O importante é manter viva a união com Deus, que está na base do vínculo conjugal. E verdadeira unidade é sempre com o Senhor. Quando a família reza, o vínculo mantém-se. Quando o esposo reza pela esposa, e a esposa ora pelo esposo, aquela união revigora-se; um reza pelo outro. 

É verdade que na vida matrimonial existem muitas dificuldades, muitas; que o trabalho, que o dinheiro não é suficiente, que os filhos enfrentam problemas. Tantas dificuldades! E muitas vezes o marido e a esposa tornam-se um pouco nervosos e brigam entre si. Discutem, é assim, sempre se alterca no matrimônio, e às vezes até voam pratos! Mas não devem entristecer-se por isso, pois a condição humana é mesmo assim! E o segredo é que o amor é mais forte do que o momento do litígio, e é por isso que eu aconselho sempre aos cônjuges: não deixeis que termine o dia em que discutistes, sem fazer as pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário chamar as Nações Unidas, que venham a casa para instaurar a paz. É suficiente um pequeno gesto, uma carícia... E até amanhã! E amanhã tudo recomeça! 

Esta é a vida. É preciso levá-la adiante assim, levá-la em frente com a coragem de querer vivê-la juntos. E isto é grandioso, é bonito! A vida matrimonial é realmente bela, e devemos preservá-la sempre, cuidando dos filhos. 

Outras vezes eu já disse nesta Praça algo que contribui muito para a vida matrimonial. Trata-se de três palavras que é necessário pronunciar sempre, três palavras que devem existir sempre em casa: com licença, obrigado, desculpa. Eis as três palavras mágicas. Com licença: para não se intrometer na vida dos cônjuges. Com licença, como te parece isto? Com licença, permite-me. Obrigado: agradecer ao cônjuge; obrigado por aquilo que fizeste por mim, obrigado por isto. A beleza da gratidão! E dado que todos nós erramos, há outra palavra um pouco difícil de pronunciar, mas necessária: desculpa. Com licença, obrigado e desculpa. 

Com estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, voltando a fazer as pazes sempre antes que o dia termine, o matrimônio irá em frente. As três palavras mágicas, a oração e fazer as pazes sempre! Que o Senhor vos abençoe e orai por mim!

PAPA FRANCISCO
2 de Abril de 2014

domingo, 14 de junho de 2015

Três amores para um matrimônio

Foi uma pequena festa, para quinze casais que recordaram o aniversário de matrimônio, esta missa celebrada pelo Papa. Inspirando-se precisamente na experiência vivida por estas famílias, o Pontífice indicou as linhas essenciais do sacramento do matrimônio e «do amor esponsal de Jesus pela Igreja», ou seja «por todos nós»: fidelidade, perseverança e fecundidade.

Uma reflexão sobre o amor que brota sobretudo do discurso de despedida de Jesus aos apóstolos, proposto pelo Evangelho de João (16, 29-33). Jesus, explicou o Papa, «fala sobre o mesmo tema: o mundo, o espírito do mundo, que nos faz tão mal, e o Espírito que ele traz, o Espírito das bem-aventuranças, o Espírito do Pai». Ele diz expressamente: «O Pai está comigo». E é por isso que «vence o mundo».



«O Pai enviou Jesus a nós», afirmou o bispo de Roma, porque «amou tanto o mundo que, para o salvar, enviou o seu Filho, por amor». Portanto, «Jesus vem por amor e Jesus ama». Mas qual é o amor de Jesus? «Muitas vezes — fez notar — lemos tolices sobre o amor de Jesus! Mas o amor de Jesus é grande». E, em particular, indicou «três amores de Jesus».

Em primeiro lugar Jesus «ama muito o Pai no Espírito Santo». É um amor «misterioso» e «eterno». A ponto que «nós não podemos imaginar como é grande e belo este amor»; só podemos «pedir a graça de o poder ver uma vez, quando estivermos lá». O «segundo amor de Jesus é a sua Mãe». Vemo-lo «no final: com tantas dores, tantos sofrimentos, Ele da cruz pensou na sua mãe e disse: “Ocupa-te dela!» Enfim, «o terceiro amor de Jesus é a Igreja, a sua esposa por amor: bela, santa, pecadora, mas ama-a igualmente».

A presença dos quinze casais inspirou ao Papa a segunda parte da meditação. «São Paulo — explicou — quando se refere ao sacramento do matrimônio, chama-o sacramento grande, porque Jesus casou-se com a sua Igreja e cada matrimônio cristão é um reflexo destas núpcias de Jesus com a Igreja».

O Papa confidenciou que gostaria de ouvir a história de cada casal para que narre «o que aconteceu neste tempo, ao longo destes sessenta, cinquenta anos, vinte e cinco anos». Mas, acrescentou imediatamente, «não vamos acabar nem sequer ao meio-dia: portanto deixemos estar!». Contudo, prosseguiu, «podemos dizer algo sobre o amor esponsal de Jesus para com a Igreja». Um amor que tem «três características: é fiel; é perseverante, nunca se cansa de amar a sua Igreja, é fecundo».

Em primeiro lugar «é um amor fiel. Jesus é o fiel», como nos recorda também são Paulo. «A fidelidade — afirmou o Pontífice — é precisamente a essência do amor de Jesus. E o amor de Jesus na sua Igreja é fiel. Esta fidelidade é como uma luz sobre o matrimônio: a fidelidade do amor, sempre!». 

O Papa reconheceu que «existem momentos maus, muitas vezes os casais discutem. Mas por fim voltam atrás, pedem perdão e o amor matrimonial vai em frente, como o amor de Jesus para com a Igreja».

A vida matrimonial é «também um amor perseverante», porque, se faltar esta determinação «o amor não progride». E dirigindo-se novamente aos esposos presentes, sobretudo a quantos festejaram os seus sessenta anos de vida matrimonial, o bispo de Roma frisou que é bela esta experiência da perseverança, testemunhada pelo «homem e pela mulher que se levantam todas as manhãs e levam em frente a família».

Por conseguinte, o Pontífice indicou na fecundidade «a terceira característica do amor de Jesus com a sua esposa, a Igreja. O amor de Jesus torna fecunda a sua esposa, torna fecunda a sua Igreja com novos filhos. E a Igreja cresce com esta fecundidade nupcial do amor de Jesus». Contudo, «por vezes o Senhor não concede filhos: é uma provação». E «há outras provações: quando nasce um filho doente».

O Papa Francisco recordou a este propósito «que Jesus não gosta dos matrimônios que não querem filhos, que querem ficar sem fecundidade». São o produto da «cultura do bem-estar de há dez anos», segundo o qual «é melhor não ter filhos, assim podes ir de férias conhecer o mundo, podes ter uma vivenda no campo e estás tranquilo!». É uma cultura que sugere que «é mais cômodo ter um cãozinho e dois gatos», assim o amor é oferecido aos dois gatos e ao cãozinho». Mas, deste modo «este matrimônio acaba por chegar à velhice na solidão, com a amargura da má solidão: não é fecundo, não faz como Jesus faz com a Igreja». Por fim, o Papa rezou pelos casais pedindo «ao Senhor que o vosso matrimônio seja bonito, com cruzes mas belo, como o de Jesus para com a Igreja: fiel, perseverante e fecundo».

PAPA FRANCISCO
MEDITAÇÕES MATUTINAS 

2 de Junho de 2014


sábado, 13 de junho de 2015

Palavras do Papa João Paulo II aos jovens casais - parte II

Durante vários anos, o papa João Paulo II iniciou uma série de catequeses sobre a Teologia do Corpo, nelas, havia algumas exortações, conselhos e bênçãos voltadas para os jovens casais. Aqui se encontram reunidos trechos de janeiro e fevereiro de 1980.

"Não posso esquecer os jovens Casais que nestes dias, perante Deus e a Igreja juraram reciprocamente eterno amor e absoluta fidelidade. Irmãs e Irmãos caríssimos, tende sempre consciência de que sois, na terra, o sinal do amor profundo entre Cristo e a sua Igreja. Para viverdes autenticamente a realidade cristã do vosso matrimônio, contemplai e imitai a Sagrada Família de Nazaré. A união com Deus, a confiança na Providência,  a fidelidade ao dever  quotidiano e o amor recíproco aberto para os outros:  eis alguns dos grandes valores humanos e cristãos que podeis e deveis satisfazer à luz dos exemplos daquela feliz Família, em que nasceu e viveu a sua vida humana o Filho de Deus Encarnado" (02/01/1980).

 
 
"Caríssimos jovens Casais! Também a vós dirijo a minha saudação. Entrastes, com o matrimônio, numa nova fase da vossa vida e debruçais-vos trepidantes para o futuro. Não percais nunca a coragem,  mas, como os Magos do Evangelho,  segui  a estrela da vossa Fé cristã, convencidos de que a família é um "projeto" de Deus que quis exprimir o Seu amor criador e redentor através do homem e da mulher, feitos à Sua imagem e semelhança. Tendo  presente  a  família  de  Nazaré,  procurai  ser  vós  mesmos  uma  "epifania"  contínua,  isto  é, "manifestação" de Cristo, com a vossa religiosidade, a vossa união e a vossa bondade" (09/01/1980).

"(...) "Permanecei  sempre no amor de Cristo" (cfr.  Jo 15,4.9)! O vosso amor, abençoado por Deus no sacramento do matrimônio, tenha sempre por modelo o amor que Cristo nutre pela sua dileta Esposa, a Igreja" (16/01/1980).

"Para vós, jovens Casais, o Apóstolo Paulo tem palavras de exortação que parecem um canto. Ele lembra-vos que o Esposo representa Cristo; a Esposa, a Igreja. Quanta dignidade nesta imagem! Mas eis o ideal: como Cristo ama a Igreja, o Esposo ame a Esposa. E esta seja toda para o homem: vida, afeto, atividade, como a Igreja se oferece a si mesma e os seus louvores a Cristo..." (30/01/1980).

"(...) Sede fiéis à graça de tal  sacramento,  mediante a oração,  cultivando pensamentos de honestidade e de respeito mútuo, afastando todas as tentações do egoísmo. Recomendai o vosso amor à Santíssima Virgem, presente, como em Caná, também nas vossas bodas. Oxalá Ela obtenha graças contínuas tanto para vós como para todas as famílias cristãs!" (06/02/1980).

"(...) Que o vosso amor,
remido por Cristo,
saiba realizar a
total doação recíproca que,
fundindo as vossas existências
numa autêntica comunhão
de pessoas, aberta responsavelmente
à geração de novos seres humanos, 
consinta a cada um "encontrar" no outro a mais profunda verdade de si mesmo"
 
(13/02/1980).
 

"Uma afetuosa saudação dirijo, por fim, aos jovens Casais. Meus queridos, o matrimônio que contraístes é coisa tão grande que, como sabeis, os antigos Profetas e depois São Paulo vos consideraram um sinal da união entre Deus e o seu povo. Desejo-vos e peço ao Senhor que estejais sempre à altura desta nobreza, mediante um amor indefectível,  que se exprima como uma constante doação recíproca numa comunhão total de  pessoas, e seja fecundo de vida.  Só sob esta luz  podereis  também enfrentar e superar  as inevitáveis dificuldades que, longe de atenuar a vossa dedicação mútua, a consolidarão cada vez mais, segundo o texto do Cântico dos Cânticos: "As muitas águas não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir" (Cânt. 8,7).
Assim seja com o auxílio da graça de Deus, que invoco em abundância sobre vós, ao conceder-vos também a minha Bênção" (20/02/1980).

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Palavras do Papa João Paulo II aos jovens casais - parte I

Durante vários anos, o papa João Paulo II iniciou uma série de catequeses sobre a Teologia do Corpo, nelas, havia algumas exortações, conselhos e bênçãos voltadas para os jovens casais. Aqui se encontra reunidos trechos de setembro a dezembro de 1979.

“Casais, dais início à vossa nova vida com a Bênção do Papa, depois da de Deus no altar. Tende sempre diante da vossa consciência o sentido cristão da missão para a qual fostes chamados com o sacramento do matrimônio. Levai nela a límpida e plena força do amor abençoado, que, como diz Santo Agostinho, "é tanto mais forte quanto mais santo" (Ep 127, 9).  E nunca, nunca, venham a apagar o fogo, que acabastes de acender. Com estes fervorosos votos, abençoo-vos no nome do Senhor” (05/09/1979).
 
Procurai fazer de toda a vossa vida um sacramento, isto é, um sinal evidente do amor recíproco e total de Cristo e da Igreja.  E recordai-vos sempre que não existe pleno amor se não for acompanhado pela fidelidade, pelo acordo, pela generosidade e também pela paciência.  Nestas condições vereis como é verdadeiramente belo viverdes juntos, vós e os vossos filhos, como parte da maior comunidade eclesial” (12/09/1979).
 
 
 
“(...) o segredo da vossa consolação está na presença de Cristo que vos uniu no matrimônio com a sua graça divina. Permanecei unidos em Cristo: eis os meus votos! A presença de Jesus, na vossa casa, no vosso amor, nas vossas escolhas, seja sempre a luz que vos ilumine e a consolação que vos alegre” (19/09/1979).
 
“Vós fostes os "ministros" do vosso matrimônio; e, por conseguinte, a "graça sacramental" de Cristo, que torna sagrada e perene a vossa união, recebeste-la através da vossa própria vontade de amor e de consagração recíproca”.
“A dignidade do matrimônio é imensa! Por isso, permanecei no amor de Cristo”!
“Recordai-vos do que disse Jesus: "Eu sou a videira, vós as varas! Quem está em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto... Nisto é glorificado o meu Pai: Dando vós muito fruto!" (cfr. Jo c.15). Levai frutos de bondade, de caridade, de santificação: seja este o vosso compromisso de vida conjugal” (26/09/1979).
 
“(...) agradeço terdes vindo aqui testemunhar perante a comunidade cristã a beleza e a grandeza do Sacramento, instituído por Jesus para santificar o amor e torná-lo estável.  Oxalá o vosso exemplo seja para os mais jovens um apelo salutar aos princípios cristãos, os únicos que podem garantir ao lar doméstico a verdadeira e duradora felicidade” (10/10/1979).
 
“Aos jovens Casais, além de desejar todo o bem d'Aquele que instituiu a matrimônio, quereríamos recordar as palavras do Apóstolo São Paulo aos Efésios (5, 22 ss.), o qual compara o Esposo com Cristo, a Esposa com a Igreja. E como Cristo morreu pela Igreja, e esta não tem outro desejo senão agradar-lhe e servi-lo, assim deveis fazer também vós.  O pensamento da vossa recíproca dignidade será fonte de profundo respeito, de firmeza, de amor e de toda a ditosa consolação” (24/10/1979).
 
Não existe pleno amor
se não for acompanhado
pela fidelidade, pelo acordo,
pela generosidade e também
pela paciência
 
“E agora dirijo-me a vós, queridos jovens casais, para vos apresentar as minhas paternais felicitações, que são ao mesmo tempo convite à confiança e à alegria. A alegria, desabrochada nos vossos corações com a graça do Sacramento, vos acompanhe por toda a vida e vos ajude a vencer as tentações que derivam do egoísmo, o grande inimigo da união familiar. Fazei que as novas famílias — nascidas do vosso livre consentimento, vivificado e tornado oferta de amor pela presença de Cristo — sejam sempre acompanhadas da vontade constante e recíproca de bem; permaneçam sólidas na rocha da unidade e da fidelidade; sejam ricas daquelas virtudes cristãs que fundam e garantem a prosperidade do lar doméstico” (31/10/1979).
 
“(...) O matrimônio, precisamente porque inclui uma especial participação no amor nupcial de Cristo à sua Igreja, do qual é sacramento, isto é sinal eficaz, é uma totalidade onde se encontram todas as componentes da pessoa; uma unidade profundamente pessoal, que exige a indissolubilidade e a fidelidade recíproca definitiva, e se abre à fecundidade. Oxalá o vosso amor tenha este significado novo do cristianismo que o purifica e consolida” (07/11/1979).
 
“(...) O Senhor, Deus da bondade, da paz e da alegria, esteja sempre convosco! Ele que abençoou e consagrou o vosso amor mediante o sacramento do matrimônio, vos conceda a graça de conservardes este amor indefectível no tempo, na essência e no seu fim”! (14/11/1979).
 
“(...) Vós, queridos Casais, quisestes Jesus no Sacramento do matrimônio; viestes ter com o Papa, Vigário de Jesus, para receber d'Ele a Bênção do Senhor; se iniciastes tão bem, como verdadeiros cristãos, a vossa convivência, não posso desejar-vos nada melhor do que isto:  estai sempre com Jesus, na fé e na vida de cada dia; tende-O sempre, Jesus, no meio de vós, também com a vossa oração. Deste modo não vos será difícil caminhar juntos no amor, na fidelidade, no acordo mútuo, na compreensão e paciência recíprocas e na paz; e os vossos filhos receberão de vós a melhor educação, o melhor bom exemplo, e a mais querida e salutar recordação. Por conseguinte, estejam sempre com Jesus, e Jesus esteja sempre convosco” (21/11/1979).
 
“O Filho de Deus que, encarnando, escolheu nascer no âmbito de uma família humana, vos conceda a graça de vos recordar por toda a vida a dignidade e a responsabilidade que derivam do Sacramento do matrimônio; vos dê sempre a força para viverdes uma vida exemplar praticando as virtudes cristãs e, por fim, preencha a vossa família com os Seus dons celestiais de paz, alegria e prosperidade” (12/12/1979).
 
“Caríssimos jovens Casais! (...) A meditação natalícia sobre o Menino Jesus – nascido na pobreza de Belém, mas com a riqueza do amor de Maria e de José vos leve a serdes sempre testemunhas convictas da alegria suprema do Natal. Jesus nasceu por nós, veio também para iluminar, de modo definitivo, o valor do amor, a verdadeira natureza do matrimônio, a alegre e séria responsabilidade de dar a vida a novas criaturas, por Ele desejadas, amadas, remidas e destinadas para a felicidade eterna”.
 
“Os meus votos de felicidade e a minha Bênção vos acompanhem” (19/12/1979).