Mostrando postagens com marcador Matrimônio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Matrimônio. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de julho de 2015

10 benefícios cientificamente comprovados do casamento

Selecionamos resultados de algumas pesquisas científicas que mostram que casar faz bem.

1. Melhora a saúde
Em média, os casais casados são mais saudáveis, felizes e desfrutam de uma vida mais longa do que pessoas que não se casam.
Mães casadas têm menores taxas de depressão do que aquelas solteiras ou que não são legitimamente casadas, que apenas coabitam com seus companheiros. De acordo com pesquisas, essa constatação ocorre principalmente porque na grande maioria dos casos, as mães casadas são mais propensas a receber apoio emocional e material dos pais de seus filhos.
 

 
2. Previne doenças
Um estudo intitulado “Marital Status and Survival in Patients with Cancer” publicado no Journal of Clinical Oncology, a publicação oficial da American Society of Clinical Oncology, analisou o historial de mais de setecentas mil pessoas diagnosticadas com vários tipos de cancros (pulmão, colo-retal, mama, pâncreas, próstata, fígado, cabeça e pescoço, ovários e esófago) entre 2004 e 2008 e concluiu que os casados são diagnosticados mais precocemente, cumprem os tratamentos e têm uma taxa de sobrevivência superior em relação aos solteiros, viúvos ou divorciados.
3. Aumenta a longevidade
Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Warwick (Reino Unido) defende que o impacto de um casamento feliz na saúde e esperança de vida é quase equivalente ao impacto provocado por deixar de fumar e que, enquanto o tabagismo suprime, em média, sete anos de vida a um homem, o casamento “oferece-lhe” sete anos extra. No caso do sexo feminino, os investigadores apontam para três anos extra de vida.

4. Casar faz bem para o coração
Pessoas casadas são menos propensas do que as solteiras a sofrer ataques cardíacos e têm mais probabilidade de se recuperar caso sofram algum, revelou um estudo finlandês feito com 15.330 pessoas na Finlândia com idades entre 35 e 99 anos. Esse estudo demonstrou também que o casamento protege as mulheres até mais do que os homens de morrer de ataques cardíacos.

5. Faz bem para os ossos
Cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles analisaram os ossos de 632 pessoas e descobriram que homens casados têm ossos mais fortes que os demais. Não se sabe por que isso acontece. O efeito positivo não foi detectado em mulheres, o que é uma pena - pois elas costumam sofrer de osteoporose após os 40 anos, e se beneficiariam de ossos mais firmes
6. Melhora sua vida profissional
Um estudo de 2013, realizado pela Dra. Alexandra Killewald, concluiu que existe uma relação muito próxima entre o casamento/paternidade e a vida profissional dos homens. Homens que são casados, e/ou têm filhos, têm um salário superior, em certa de 7.3%, do que um homem solteiro. Esse fator está muito ligado ao fato de que o homem, que deseja focar na sua família, cuidar dela e prover o seu sustento, causa um aumento na sua motivação no trabalho e, consequentemente, um aumento do seu rendimento.
7. Melhora a saúde mental
Um estudo de 2009, que focou na relação entre o casamento e a saúde mental dos homens, concluiu que homens que se mantiveram casados com a mãe de seus filhos demonstraram, em média, um bem-estar mental e psicológico superior a pais que estão solteiros, que moram junto ou que estão divorciados
8. Melhora sua vida financeira
De acordo com pesquisa, a maioria dos casais casados legitimamente consegue prosperar financeiramente de forma mais efetiva do que pessoas solteiras ou casais que somente coabitam. Pesquisa britânica, com mais de 2 mil pessoas, entre 16 e 55 anos, mostrou que os casados podem economizar entre 5 e 10 mil reais anuais a mais do que os solteiros. 
 
Mulheres casadas têm uma estabilidade econômica mais bem estruturada do que mulheres divorciadas ou que nunca se casaram.

9. Reduz a chance de violência

Homens casados são menos propensos a ter envolvimento com crimes do que os solteiros e, inclusive, os índices de violência doméstica são, relativamente, maiores entre namorados e que vivem juntos do que entre casados.
10. Menor propensão ao vício de álcool
Um estudo de 2012 publicado no Journal of Health and Social Behavior mostrou que jovens adultos casados  relataram menor frequência de embriaguez do que aqueles que não estão em um relacionamento sério. "O casamento provavelmente leva o homem a ampliar o senso de responsabilidade e obrigação, além de proporcionar um calendário social menos ativo, o que leva a menos embriaguez", escreveram os autores.

sábado, 27 de junho de 2015

O papa Paulo VI falando aos casais - parte II

Selecionamos um fragmento do discurso do Papa Paulo VI aos casais, realizado no dia 4 de Maio de 1970 ressaltando a importância do matrimônio.

(...)
 
Obra do Espírito Santo (cfr. Tit 3, 5), a regeneração baptismal faz de nós criaturas novas (cfr. Gál 6, 15), para que « assim caminhemos nós, também, muna vida nova » (Rom 6, 4). Nesta grande empresa de renovação de todas as coisas em Cristo, o matrimónio, também ele purificado e renovado, torna-se uma realidade nova, um sacramento da Nova Aliança. E, eis que no limiar do Novo Testamento, como na entrada do Antigo, se forma um casal. Mas, ao passo que aquele, formado por Adão e Eva, foi a fonte do mal que se espalhou sobre o mundo, o de José e Maria é a plenitude de onde a santidade se expande sobre toda a terra. O Salvador começou a Sua obra salvífica com esta união virginal e santa, onde se manifesta a sua vontade todo-poderosa de purificar e santificar a família, este santuário do amor e este berço da vida.

 
 
Desde então tudo se transformou. Dois cristãos querem casar-se; São Paulo adverte-os: «...não vos pertenceis a vós mesmos » (1 Cor 6, 19). Membros de Cristo, um e outro « no Senhor », a sua união realiza-se também « no Senhor », como a da Igreja. E é por esta razão que ela é « um grande mistério » (Ef 5, 32), um sinal que não só representa o mistério da união de Cristo com a Igreja, mas também o encerra e irradia por meio da graça do Espírito Santo, que é a sua alma vivificadora.
 
Porque é exatamente o amor, próprio de Deus, que ele nos comunica, para que nós o amemos e para que também o amemos com este amor divino: « assim como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros » (Jo 13, 34).
 
Até as manifestações da sua ternura são,
para os esposos cristãos, penetradas deste amor que eles vão haurir no coração de Deus.
 
E, se a nascente humana corresse o perigo de secar, a sua nascente divina é tão inesgotável como as profundezas insondáveis da ternura de Deus. Por outras palavras, a caridade conjugal, forte e rica, tende para essa comunhão íntima. Realidade interior e espiritual, ela transforma a comunidade de vida dos esposos naquilo «que bem pode chamar-se Igreja doméstica» (Lumen Gentium, n. 11), uma verdadeira «célula da Igreja», como disse o Nosso saudoso predecessor João XXIII, à vossa peregrinação de 3 de Maio de 1959 (Discorsi, messaggi, colloqui dei Santo Padre Giovanni XXIII, I, Tip. Pol. Vat., p. 298), célula de base, célula germinal, sem dúvida a mais pequena, mas também a mais fundamental do organismo eclesial.
 
Este é o mistério em que está radicado o amor conjugal e que ilumina todas as suas manifestações. Mistério da Encarnação, que exalta as nossas virtudes humanas, penetrando-as internamente. Longe de as menosprezar, o amor cristão condu-las, verdadeiramente, à sua plenitude, com paciência, generosidade, força e doçura (...)
 
Porque, se a fascinação da carne é perigosa, a tentação do angelismo não o é menos, e uma realidade desprezada não demora muito a reivindicar o seu lugar. Também, conscientes de guardar os seus tesouros em vasos de argila (cfr. 2 Cor 4, 7), os esposos cristãos procurem esforçar-se, com humilde fervor, por traduzir, na sua vida conjugal, as recomendações do Apóstolo São Paulo: «os vossos corpos são membros de Cristo..., o vosso corpo é templo do Espírito Santo...; glorificai pois a Deus no vosso corpo » (1 Cor 6, 15. 19. 20).
 
«Casados no Senhor», os esposos não podem unir-se, daí por diante, senão no nome de Cristo, a quem eles pertencem e por quem eles devem trabalhar como seus membros ativos. Eles não podem, portanto, dispor do seu corpo, especialmente porque ele é princípio de geração, senão no espírito e para a obra de Cristo, porque eles são membros de Cristo.
 
«Colaboradores livres e responsáveis do Criador » (Humanae Vitae, n. 1), os esposos cristãos veem a sua fecundidade carnal adquirir assim uma nobreza nova. O impulso, que os leva a unirem-se, é portador de vida e permite que deem filhos a Deus. (...)
 
Dilectos filhos e filhas, vós estais bem convencidos de que só vivendo a graça do sacramento do Matrimónio caminhais com « um amor incansável e generoso » (Ibid n. 41) para esta santidade a que todos nós somos chamados pela graça (cfr., Mt 5, 48; 1 Tes 4, 3; Ef 1, 4), e não por uma exigência arbitrária, mas pelo amor de um Pai que quer o pleno desenvolvimento e a felicidade total dos seus filhos.

De resto, para a alcançar, não fostes abandonados a vós mesmos, porque Cristo e o Espírito Santo, « estas duas mãos de Deus », segundo a expressão de Santo Irineu, trabalham por vós sem descanso (cfr. Adversus Haereses IV, 28, 4 em: PG 7, 1.200). Não vos deixeis, portanto, desviar pelas tentações, pelas dificuldades, pelas provações que aparecerem pelo caminho, sem o temor de ir, quando for preciso, contra a corrente do que se diz e pensa num mundo de atitudes paganizadas. São Paulo advertia-nos: «não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente » (Rom 12, 2).

Nunca vos desencorajeis nos momentos de fraqueza: o nosso Deus é um Pai cheio de ternura e de bondade, cheio de solicitude e transbordante de amor pelos seus filhos, que, algumas vezes, encontram dificuldades no seu caminho. E a Igreja é a mãe que vos quer ajudar a viver, toda a vida, este ideal do matrimónio cristão, do qual ela vos lembra, com bondade, todas as exigências.
(...)
 
O caminho dos esposos, como toda a vida humana, tem muitas etapas, comportando fases difíceis e dolorosas — tendes prova disso com o passar dos anos. Mas é preciso dizê-lo em voz alta: a angústia e o medo nunca deveriam anidar-se nas almas de boa-vontade, porque
 
Afinal, não é o Evangelho uma boa-nova
também para os casais, e uma mensagem que,
sendo exigente, não é menos profundamente libertadora?

Ter consciência de que ainda não se conquistou a própria liberdade interior, que se está ainda submetido ao impulso das próprias tendências, descobrir-se como incapaz de respeitar, dum momento para o outro, a lei moral, num domínio tão fundamental, suscita, naturalmente, uma reação de angústia. É, porém, o momento decisivo, em que o cristão, na sua desordem, em vez de se abandonar à revolta estéril e destruidora, acede na humildade à descoberta perturbadora do homem perante Deus, um pecador diante do amor de Cristo Salvador.

A partir desta tomada de consciência radical, todo o progresso da vida moral se torna atraente, os casais encontram-se também «evangelizados» no seu íntimo, os esposos descobrem «com temor e tremor » (Fil 2, 12), mas também com uma alegria admirada, que no seu matrimónio, como na união de Cristo com a Igreja, é o mistério pascal da morte e da ressurreição que se realiza. No seio da grande Igreja, esta pequena Igreja conhece-se então por aquilo que na realidade é: uma comunidade fraca e às vezes pecadora e penitente, mas perdoada, a caminho para a santidade,« na paz de Deus, que sobrepuja todo o entendimento » (Fil 4, 7).

Longe de estar, portanto, ao abrigo de qualquer fraqueza — « quem pensa estar de pé, veja que não caia » (1 Cor 10, 12) e de estar dispensado de um esforço perseverante, às vezes em condições cruéis que só o pensamento de tomar parte na paixão de Cristo pode levar a suportar (cfr. Col 1, 24), os esposos sabem, pelo menos, que as exigências da vida moral conjugal, que a Igreja lhes recorda, não são leis intoleráveis nem impraticáveis, mas um dom de Deus para os ajudar a aceder, por meio e além das suas fraquezas, às riquezas de um amor plenamente humano e cristão.

Desde então, longe de ter o sentimento angustioso de se encontrarem como que fechados num beco sem saída e, segundo os casos, de se entregarem talvez à sensualidade, abandonando todas as práticas sacramentais, de se revoltarem contra a Igreja, considerando-a como inumana, ou de persistirem num esforço impossível, a custo de perderem a harmonia e o equilíbrio, isto é, a sobrevivência do lar, os esposos entregar-se-ão à esperança, na certeza de que todos os recursos da graça da Igreja estão à disposição para os ajudar a encaminharem-se para a perfeição do seu amor.
 
São estas as perspectivas em que vivem os casais cristãos, em todo o mundo:

A boa-nova da salvação em Cristo, progredindo para a santidade no matrimónio e por meio dele, com a luz, a força e a alegria do Salvador.

(...) 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O papa Paulo VI falando aos casais - parte I

Selecionamos um fragmento do discurso do Papa Paulo VI aos casais, realizado no dia 4 de Maio de 1970 ressaltando a importância do matrimônio.
 
(...) Muitas vezes a Igreja pareceu, sem razão, suspeitar do amor humano. Também vos queremos dizer hoje claramente: não, Deus não é inimigo das grandes realidades humanas e a Igreja não desconhece os valores quotidianamente adquiridos por milhões de lares. Pelo contrário, a boa-nova trazida por Cristo Salvador é uma boa-nova para o amor humano, também ele excelente nas suas origens — « Deus, vendo toda a Sua obra, considerou-a muito boa » (Gên 1,31) —, também ele corrompido pelo pecado, também ele remido ao ponto de se tornar, pela graça, meio de santidade.


 
Como todos os batizados, vós fostes, realmente, chamados à santidade, segundo o ensinamento da Igreja, solenemente reafirmado pelo Concílio (cfr. Lumen Gentium, n. 11). Mas deveis dirigir-vos a ela com o vosso modo próprio, na vossa e pela vossa vida de família (Ibid. n. 41). E a Igreja que no-lo ensina:
 
« Os esposos, tornados capazes
pela graça de levar uma vida santa»
(Gaudium et Spes, n. 49 § 2)
 
e de fazer o seu lar «como santuário familiar da Igreja» (Apostolicam Actuositatem, n. 11). Estes ensinamentos, cujo esquecimento é tão trágico para o nosso tempo, são-vos certamente familiares. Gostaríamos de meditar neles juntamente convosco, por alguns instantes, para reforçar ainda em vós, se for necessário, a vontade de viver generosamente a vossa vocação humana e cristã no matrimónio (cfr. Gaudium et Spes, nn. 1, 47-52), e de colaborar com o grande desígnio de amor de Deus no mundo, de se formar um povo « para o louvor da sua glória » (Ef 1, 14).
 
Como a Sagrada Escritura nos ensina, o matrimónio, antes de ser um sacramento, é uma grande realidade terrestre: «Deus criou o homem à Sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher» (Gên 1, 27). É preciso recordar todos os dias esta primeira página da Bíblia, se quisermos compreender o que é, o que deve ser um casal humano, um lar. As análises psicológicas, as pesquisas psicanalíticas, os inquéritos sociológicos e as reflexões filosóficas poderão, sem dúvida, contribuir para dar esclarecimentos sobre a sexualidade e sobre o amor humano, mas cegar-nos-iam se transcurassem este ensinamento fundamental que nos foi dado desde a origem: a dualidade dos sexos foi querida por Deus, para que o homem e a mulher, juntos, fossem imagem de Deus, e, como Ele, nascente de vida: «crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra» (Gên 1, 28).
 
Uma leitura atenta dos Profetas, dos Livros Sapienciais e do Novo Testamento, mostra-nos, de resto, o significado desta realidade fundamental e ensina-nos a não a limitar ao desejo físico e à atividade genital, mas a descobrir nela o carácter complementar dos valores do homem e da mulher, a grandeza e as fraquezas do amor conjugal, a sua fecundidade e a sua abertura ao mistério do desígnio do amor de Deus.
 
Este ensinamento conserva ainda hoje todo o seu valor e imuniza-nos contra as tentações de um erotismo destruidor. Este fenómeno aberrante deveria, pelo menos, pôr-nos em guarda contra o perigo de uma civilização materialista, que pressente, obscuramente, neste domínio misterioso, como que o último refúgio de um valor sagrado.
 
Saberemos nós arrancá-lo ao abuso da sensualidade? Saibamos pelo menos, perante uma expansão cinicamente levada a efeito por algumas indústrias ávidas, aniquilar os seus efeitos nefastos nos jovens. Sem obstáculos nem compressões, trata-se de favorecer uma educação que ajude a criança e o adolescente a tomarem consciência, progressivamente, da força dos impulsos que despertam neles, de os integrar na construção da sua personalidade, de dominar as suas forças ascendentes, para realizarem uma completa maturidade afetiva e também sexual, de se prepararem, assim, para o dom de si, num amor que lhes dará a sua verdadeira dimensão, de maneira exclusiva e definitiva.
 
A união do homem e da mulher difere, na verdade, radicalmente, de todas as outras associações humanas e constitui uma realidade singular, ou seja, a união fundada na doação mútua dos cônjuges: « e os dois serão uma só carne » (Gên 2, 24).
 
Unidade, cuja indissolubilidade irrevogável é o selo colocado sobre a união livre e mútua de duas pessoas dotadas de liberdade que, « portanto, já não são dois, mas uma só carne » (Mt 19, 6): uma só carne, um casal, poder-se-ia quase dizer, um único ser, cuja unidade assumirá uma forma social e jurídica por meio do matrimónio e se manifestará por uma comunhão de vida, cuja expressão fecunda é o dom carnal. Quer dizer que,
 
Com o matrimónio, os esposos exprimem uma vontade de se pertencerem um ao outro para toda a vida, e de contraírem, para este fim, um vínculo objetivo, cujas leis e exigências, muito longe de serem um servilismo, são uma garantia e uma proteção, um verdadeiro amparo, como vós próprios verificais nas vossas experiências quotidianas.
 
Na verdade, a doação não é uma fusão. Cada uma das personalidades permanece distinta e, longe de se dissolver com a doação mútua, afirma-se e aperfeiçoa-se, aumenta com o decorrer da vida conjugal, segundo esta grande lei do amor: dar-se um ao outro para se dar juntamente.
 
O amor é, realmente, o cimento que dá solidez a esta comunidade de vida e o entusiasmo que a arrasta para uma plenitude cada vez mais perfeita. Todo o ser participa dela, nas profundezas do seu mistério pessoal e dos seus componentes afetivos, sensíveis, carnais e também espirituais, até constituir, cada vez melhor, esta imagem de Deus, que o casal tem a missão de encarnar na sucessão dos dias, tecendo-a com as suas alegrias e com as suas preocupações, dado que o amor é, realmente, mais do que o amor.
 
Não há nenhum amor conjugal que não seja, na sua exultação, entusiasmo para o infinito, e que não deseje ser, no seu entusiasmo, total, fiel, exclusivo e fecundo
(cfr. Humanae Vitae, n. 9).
 
É nesta perspectiva que o desejo encontra o seu pleno significado. Meio de expressão e, também, de conhecimento e de comunhão, o ato conjugal mantém e fortifica o amor e a sua fecundidade, leva o casal ao seu pleno desenvolvimento: torna-se, à imagem de Deus, fonte de vida.
 
O cristão tem consciência disto: o amor humano é bom na sua origem e, embora esteja, como tudo o que existe no homem, ferido e deformado pelo pecado, encontra em Cristo a sua salvação e a sua redenção. Aliás, não é esta a lição de vinte séculos de história cristã ? Quantos casais encontraram, na sua vida conjugal, o caminho da santidade, nesta comunidade de vida, que é a única fundada num sacramento!
(...)
Continua

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Papa Francisco fala sobre o "caminho" conjugal

A primeira Leitura fala-nos do caminho do povo no deserto. Pensemos naquele povo em marcha, guiado por Moisés! Era formado sobretudo por famílias: pais, mães, filhos, avós; homens e mulheres de todas as idades, muitas crianças, com idosos que sentiam dificuldade em caminhar... Este povo lembra a Igreja em caminho no deserto do mundo atual; lembra o Povo de Deus que é composto, na sua maioria, por famílias.
 
 
 
Isto faz pensar nas famílias, nas nossas famílias, em caminho pelas estradas da vida, na história de cada dia... É incalculável a força, a carga de humanidade presente numa família: a ajuda mútua, o acompanhamento educativo, as relações que crescem com o crescimento das pessoas, a partilha das alegrias e das dificuldades... As famílias constituem o primeiro lugar onde nos formamos como pessoas e, ao mesmo tempo, são os «tijolos» para a construção da sociedade.
 
Voltemos à narração bíblica... A certa altura, o povo israelita «não suportou o caminho» (Nm 21, 4): estão cansados, falta a água e comem apenas o «maná», um alimento prodigioso, dado por Deus, mas que, naquele momento de crise, lhes parece demasiado pouco. Então lamentam-se e protestam contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes sair do Egipto?» (Nm 21, 5). Sentem a tentação de voltar para trás, de abandonar o caminho.
 
Isto faz-nos pensar nos casais que «não suportam o caminho», o caminho da vida conjugal e familiar. A fadiga do caminho torna-se um cansaço interior; perdem o gosto do Matrimónio, deixam de ir buscar água à fonte do Sacramento. A vida diária torna-se pesada e, muitas vezes, «nauseante».
 
Naquele momento de extravio – diz a Bíblia – chegam as serpentes venenosas que mordem as pessoas; e muitas morrem. Este facto provoca o arrependimento do povo, que pede perdão a Moisés, suplicando-lhe que reze ao Senhor para afastar as serpentes. Moisés pede ao Senhor, que lhe dá o remédio: uma serpente de bronze, pendurada num poste. Quem olhar para ela, fica curado do veneno mortal das serpentes.
 
Que significa este símbolo? Deus não elimina as serpentes, mas oferece um «antídoto»: através daquela serpente de bronze, feita por Moisés, Deus transmite a sua força que cura – uma foça que cura –, ou seja, a sua misericórdia, mais forte que o veneno do tentador.
 
Como ouvimos no Evangelho, Jesus identificou-Se com este símbolo: na verdade, por amor, o Pai «entregou» Jesus, o seu Filho Unigénito, aos homens para que tenham a vida (cf. Jo 3, 13-17). E este amor imenso do Pai impele o Filho, Jesus, a fazer-Se homem, a fazer-Se servo, a morrer por nós e a morrer numa cruz; por isso, o Pai ressuscitou-O e deu-Lhe o domínio sobre todo o universo. Assim se exprime o hino da Carta de São Paulo aos Filipenses (2, 6-11). Quem se entrega a Jesus crucificado recebe a misericórdia de Deus, que cura do veneno mortal do pecado.
 
O remédio que Deus oferece ao povo vale também e de modo particular para os casais que «não suportam o caminho» e acabam mordidos pelas tentações do desânimo, da infidelidade, do retrocesso, do abandono... Também a eles Deus Pai entrega o seu Filho Jesus, não para os condenar, mas para os salvar: se se entregarem a Jesus, Ele cura-os com o amor misericordioso que jorra da sua Cruz, com a força duma graça que regenera e põe de novo a caminhar pela estrada da vida conjugal e familiar.
 
O amor de Jesus, que abençoou e consagrou a união dos esposos, é capaz de manter o seu amor e de o renovar quando humanamente se perde, rompe, esgota.
 
O amor de Cristo pode restituir
aos esposos a alegria de caminharem juntos.
 
Pois o matrimónio é isto mesmo: o caminho conjunto de um homem e de uma mulher, no qual o homem tem o dever de ajudar a esposa a ser mais mulher, e a mulher tem o dever de ajudar o marido a ser mais homem.
 
Este é o dever que tendes entre vós:
 
«Amo-te e por isso faço-te mais mulher»
«Amo-te e por isso faço-te mais homem».
 
É a reciprocidade das diferenças. Não é um caminho suave, sem conflitos, não! Não seria humano. É uma viagem laboriosa, por vezes difícil, chegando mesmo a ser conflituosa, mas isto é a vida! E, no meio desta teologia que a Palavra de Deus nos oferece sobre o povo em caminho, mas também sobre as famílias em caminho, sobre os esposos em caminho, um pequeno conselho.
 
É normal que os esposos litiguem: é normal! Acontece sempre. Mas dou-vos um conselho: nunca deixeis terminar o dia sem fazer a paz. Nunca. É suficiente um pequeno gesto. E assim continua-se a caminhar.
 
O matrimónio é símbolo da vida,
da vida real, não é uma «ficção»!
 
É sacramento do amor de Cristo e da Igreja, um amor que tem na Cruz a sua confirmação e garantia. Desejo, a todos vós, um caminho lindo, um caminho fecundo. Que o amor cresça! Desejo-vos a felicidade. Existirão as cruzes… Existirão, mas o Senhor sempre estará lá para nos ajudar a seguir em frente. Que o Senhor vos abençoe!
 
Papa Francisco

quarta-feira, 24 de junho de 2015

8 Segredos dos relacionamentos bem-sucedidos

Quem não quer ter um relacionamento amoroso bem-sucedido, duradouro e feliz? Apresentamos 8 dicas eficazes para ajudar em seu namoro, noivado e casamento.

Faz algum tempo que eu e minha esposa trabalhamos com casais na igreja e, como bom católico, gosto muito dos conselhos que o Papa Francisco dá aos noivos: sempre se utilize das palavrinhas mágicas, “posso, com licença?”, “por favor”, “obrigado”, “desculpa”.
 
Existe, porém, algo mais que se pode fazer. David Niven, em seu livro “Os 100 segredos dos bons relacionamentos”, reuniu uma série de estudos científicos sobre os casais felizes, os quais resumimos aqui em 7 tópicos para serem aplicados na sua vida a dois, a 8 dica é a mais poderosa de todas:
 
1. Trabalhe seus aspectos emocionais.
 
Estudos mostram que, em geral, as pessoas têm três vezes mais a tendência de responsabilizar o outro pelos problemas conjugais. Entretanto, muitas dificuldades no relacionamento decorrem de questões individuais que podem ser trabalhadas, mais profundamente, através da psicoterapia.
 
Os perfeccionistas exagerados tendem a se sentirem 33% menos satisfação no relacionamento. Pessoas inflexíveis podem ter 38% mais conflitos. Os coléricos experimentam mais desavenças e por um tempo 81% maior. Pessoas altamente competitivas com seus parceiros reduzem em 37% sua satisfação.
 
Dúvidas constantes sobre os seus sentimentos aumentam em até três vezes a chance de divórcio e a frustração pessoal pode ser responsável por 50% dos conflitos.
 
Por outro, lado a satisfação consigo mesmo, aumenta em cinco vezes mais a possiblidade do indivíduo se sentir feliz na relação.
 
2. Reprograme suas crenças e idealizações.
 
Constatou-se que assistir muita TV reduz em 26% a satisfação com seu relacionamento e aumenta três vezes as chances de aceitar estereótipos e fazer suposições sobre os comportamentos e sentimentos do parceiro. Redes sociais e novelas influenciam o divórcio e até na atração sexual dos casais.
 
Outra pesquisa, apontou que elementos de conto de fadas estavam presentes em 78% das crenças que as pessoas tinham sobre o amor romântico, elas apresentavam maior chance de terem desilusão, sofrimento e angústia do que quem deu menos crédito aos contos de fadas. O mesmo foi observado acerca das comédias românticas.
 
Sabemos que as “distorções idealistas” são duas vezes maiores durante o noivado do que na fase do namoro ou do casamento. Pesquisadores descobriram também que as características que primeiro atraíram os apaixonados, em 34% dos casos, deixam de ser relevantes seis meses após o início do namoro.

Claro que as idealizações são inevitáveis: nove em cada dez casais recém-casados, imaginam que seu relacionamento será extraordinário. Contudo, ao despir as fantasias, ao retirar as máscaras e projeções, o importante é saber se estarei disposto a amar aquele(a) que restou.

A crença na força do relacionamento, é um aspecto presente em nove de cada dez casais bem sucedidos.
 
3. Faça planos para o futuro.
 
Casais que buscam formas imediata de prazer, procurando satisfazer seus desejos sem levar em conta as suas necessidades mais profundas, enfrentam duas vezes mais conflitos do que os casais que buscam formas mais generosas e dedicadas de felicidade.
 
Ao passo que pessoas que estavam felizes em seus relacionamentos têm cinco vezes mais perspectivas de longo prazo em sua vida, pensam em futuro distante e investem suas foças para construí-lo e manter o otimismo no futuro eleva em 42% a satisfação.
 
Descobriu-se que cultivar interesses juntos acrescenta 64% mais chances de um casamento duradouro.
 
4. Equilibre todos os aspectos de sua vida.
 
Estresse no trabalho reduz em 38% a satisfação no relacionamento e conflitos no relacionamento diminuem em 20% a satisfação com o trabalho. Os workaholics estão três vezes mais propensos a sentirem que sua vida é insatisfatória. Desavenças por dinheiro são fontes significativa de conflito em mais da metade das relações independentemente do nível de renda .
 
5. Equidade na relação
 
A igualdade na tomada de decisões, nos sacrifícios pelo relacionamento e na divisão de tarefas doméstica aumenta duas vezes mais a satisfação em relação a casais onde não há igualitarismo. Casais que dividem as tarefas domésticas são 19% mais felizes.
 
6. Estratégia para solução de conflitos
 
Diante dos problemas, o bom mesmo é manter a lógica, consciência e bom senso para aumentar em 33% sua satisfação na vida conjugal. Estabelecer regras para a solução de problemas reduz em 12% os conflitos e aumentar em 31% a satisfação. E, ao invés de “remoer” as brigas, busque reprogramar a raiva: 25% dos casais nem lembram sobre o que discutiram, mas “ruminam” os sentimentos.
 
Busque focar nos aspectos positivos do relacionamento para reduzir em 48% das desavenças. O humor é uma ótima estratégia (reduzir em 77% dos tumultos), mas use sem ironia e piadinhas.
 
7. Comunique-se de forma assertiva
 
Estudos com pessoas que viviam casamentos felizes há mais de trinta anos, mostrou que a qualidade da amizade entre os parceiros foi o fator mais citado como responsável pelo sucesso matrimonial.
 
Casais com alto grau de intimidade, que partilham seus pensamentos íntimos, têm 62% mais probabilidade de considerar seu casamento feliz e quando os cônjuges são mais diretos em buscar apoio um no outro têm chances de 61% de se sentirem apoiados no casamento. Por outro lado, casais que nunca discutem a relação têm 38% mais possibilidades de divórcio
 
8. Dica: a mais eficaz de todas!
 
Essa dica vem do papa Francisco: anote! Serve para tudo na vida
 
O segredo de uma vida bem-sucedida
é amar e dar-se em amor

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Para amar, preciso me conhecer

Na exortação apostólica Familiaris Consortio (n. 66), o papa João Paulo II fala de um processo formativo integral para o matrimônio, o qual se inicia na infância, perpassando toda a vida humana, inclusive, pelo namoro e matrimônio.

Nessa “preparação remota”, a pessoa deveria ser orientada pelos pais (bem como responsáveis) à descoberta de si, de suas as forças e fragilidades, ao desenvolvimento da personalidade, do caráter, dos valores humanos, do autocontrole, da forma como se relacionar com as pessoas (inclusive do sexo oposto), com a sociedade e com o mundo e receber uma sólida formação espiritual e catequética acerca os valores cristãos.

Verdade que essa “pedagogia para o amor” (para nos utilizarmos de uma expressão do papa Bento XVI) acontece cada vez menos no seio das famílias. Infelizmente, as consequências não são boas e repercutem no futuro relacionamento, quer dos jovens namorados, noivos e até casados: pesquisas apontam que 3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos; 48% das mulheres agredidas declaram que a violência aconteceu em sua própria residência(01); o crescente número de divórcios - foram registrados 54.299 divórcios em 2014(02).

Lendo o livro de David Niven, “Os 100 segredos dos bons relacionamentos”, no qual se reúne uma série de estudos científicos sobre os casais felizes, percebe-se que muitos dos problemas de relacionamento (dos mais leves aos mais graves) acontecem porque as pessoas não se conhecem bem e, por isso, não trabalham suas questões emocionais mais profundas. Então, se eu quero ter um relacionamento bem sucedido, devo buscar o autoconhecimento.

O Papa Francisco, certa vez, se dirigindo a um grupo de jovens, afirmou que “temos o dever de nos conhecermos a nós mesmos, todos: cada qual deve conhecer-se a si mesmo, procurando os pontos nos quais podemos cometer mais erros, e ter um pouco de receio daqueles pontos”(03). Essa é uma busca fundamental do ser humano de todos os tempos e lugares.

Mas, o que é significa autoconhecimento? Trata-se de descobrir suas qualidade e defeitos, capacidades e limites, pontos fortes e debilidades, virtudes, valores, medos, gostos, preconceitos, aptidões, reconhecer os traços que compões a sua personalidade, caráter, suas carências, motivações, necessidades, perceber seus sentimentos e emoções etc.

Tudo isso, exige um grande esforço de autopercepção, autorreflexão, sinceridade, humildade. E como se consegue isso? Há uma infinidade de formas: (auto)avaliação de nossos pensamentos, sentimentos  e comportamentos – existem muitos testes que podem auxiliar nesse quesito – psicoterapia, as artes, os esportes, a introspecção...

Aqui, gostaria de falar sobre a espiritualidade. Viver a dois, não significa anular as diferenças e individualidade de cada um; tal como a Santíssima Trindade, onde há um só Deus, mas em Três pessoas divinas distintas (Pai, Filho e Espírito Santo), o casal deve viver essa comunhão, mas também viver sua individualidade: rezar juntos, mas também rezar separados, a fim de buscar também essa vivência própria com Deus e seu autoconhecimento.


O Papa João Paulo II nos recorda que “o homem deve, primeiro que tudo, entrar em si mesmo, deve conhecer-se profundamente, deve descobrir dentro de si a aspiração para Deus e os vestígios do Absoluto”(04). Diversos textos da Igreja afirmam que é a luz do Cristo que o homem é capaz do conhecer quem é verdadeiramente.

Contudo, o encontro com Cristo não pode se reduzir ao autoconhecimento, tem que ter “sabor de transcendência e missionaridade” como ensina o papa Francisco(05).

“O autoconhecimento acompanha o conhecimento do mundo, de todas as criaturas visíveis, de todos os seres vivos a que o homem deu nomes para afirmar em confronto com eles a própria diversidade” – a firma o papa João Paulo II(06). Conhecer-se tem a ver também com assumir toda sua história de vida, seus vínculos afetivos, familiares e sociais.

Poderia se dizer também que no encontro com o outro (o qual também carrega consigo qualidades e defeitos, capacidades e limites, subjetividade, uma história e vínculos distintos aos meus e até complementares) vou descobrindo novos recantos sobre mim mesmo.

E como saberei que adquiri autoconhecimento? Autoconhecimento não se adquire, se vive; é um processo para a vida toda; cada dia, nos encontros e desencontros, vou me descobrindo. Sou tudo aquilo que penso, julgo, sinto, valorizo, honro, estimo, amo, detesto, espero, acredito, me comprometo... “cada um de nós é o fruto de um pensamento de Deus” (Papa Bento XVI): sou imagem e semelhança do meu Deus!
 
E para que o nosso namoro, noivado e o casamento deem certo, quem quiser me amar tem que saber respeitar esses parâmetros.
 
NOTAS:

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Santos e casados!

Li essa matéria no site do prof. Felipe Aquino sobre santos que foram canonizados pela Igreja. Isso mostra o quanto o matrimônio pode ser caminho de santidade para os cônjuges.

O site ACI informou na última quinta (05/03/15) que o anúncio da canonização dos pais de Santa Teresa de Lisieux, provocou certa curiosidade de saber quantos outros santos casados estão nos altares. Com isso, divulgaram esta matéria para que conheça quem são eles, o que fizeram para vencer as crises que às vezes se apresentam nos casamentos e como deram a vida pela fé.
 
Louis e Zelie Martin, pais de Santa Teresinha do Menino Jesus
 
O caminho à santidade é possível na vida conjugal. Exemplo disso são, em primeiro lugar, a Santíssima Virgem Maria e seu esposo São José, que são parentes de São Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem.
 
No início do cristianismo, há uma lista numerosa de casais que foram martirizados, como os cônjuges Áquila e Priscila, colaboradores do apóstolo Paulo e por cuja proteção expuseram suas próprias vidas.
 
No século VII, na Bélgica, estão São Vicente e Santa Valdetrudis, pais de quatro filhos também santos: Landerico (Bispo de Paris), Dentellino (que morreu jovem), Aldetrudis e Madelberta (abadessas do mosteiro de Maubeuge).
 
Do mesmo modo, Santa Valdetrudis provém de uma família em que Walberto e Bertilia, seus pais, também são santos, assim como a sua irmã Santa Aldegundis.
 
No século XII, está São Isidro Lavrador junto com a sua esposa Santa Maria da Cabeça. Diz-se que certo dia eles estavam no campo e seu filhinho caiu em um poço muito profundo. Como não conseguiram resgatá-lo, ajoelharam-se e começaram a rezar. De repente, as águas começaram a subir e o menino apareceu sem nenhum arranhão.
 
Entre os mais atuais se venera no Brasil os beatos mártires Manuel Rodrigues Moura e a sua esposa, vítimas da opressão que se desencadeou contra a fé católica (1645). Junto a eles estão muitos casais mártires no Japão e Coréia.
 
Pesquisando um pouco mais, encontrei outros casais de beatos e santos no Blog Breviário:
 
Dos primeiros séculos do cristianismo temos:
 
#São  Valeriano e Santa Cecília. São santos mártires de Roma. Cecília, que tinha prometido sua virgindade a Deus, converteu seu noivo Valeriano ao Cristianismo e os dois decidem viver em castidade, sendo depois martirizados.
#Santos Timóteo e Santa Maura. Timóteo era leitor na Igreja de Penapeis em Tebaida. Casou-se com Maura apenas 20 dias antes de ser traído e entregue ao Governador Ariano, acusado de ser professor dos cristão.
#São Julião e Santa Basilissa. É um casal para figurar na história da Igreja com louvores Julião e sua esposa Basilissa e fizeram um pacto de consagração a Deus, para se dedicarem a Seu serviço, apesar do sacramento matrimonial. Assim a união carnal não se concretizou e ambos permaneceram virgens. Somente, após a morte dos pais é que os dois puderam viver a vida espiritual na plenitude almejada. Usando seus bens, cada um fundou um mosteiro: Julião, o masculino e Basilissa, o feminino.
Mais recentes:
 
#Beatos Luigi Beltrame (1880-1951) e Maria Corsini Beltrame Quattrocchi (1884-1965) foram dois leigos casados ​​que se tornaram o primeiro casal a ser beatificado em conjunto, em 2001. De acordo com o Papa João Paulo II , que viveu uma vida normal em um forma extraordinária. Na história da Igreja foi um acontecimento inédito. Um casal do século XX declarado beato, os filhos presentes na cerimônia de beatificação dos pais, dois deles sacerdotes concelebravam com João Paulo II, tudo isso na mesma Igreja onde cem anos atrás os pais deram-se um ao outro em matrimônio.
#Beato Carlo (1887-1922) e Serva De Deus Zita (1892-1989) da Áustria. Carlos foi o último Imperador da Áustria, Rei da Hungria e Boêmia, entre 1916 e 1918. Ficou conhecido como Carlos I da Áustria, IV da Hungria e III da Boêmia. A Igreja Católica o designa como Beato Carlos da Áustria. Zita foi uma católica devota, ela criou uma grande família sozinha, tendo ficado viúva aos vinte e oito anos, e permaneceu fiel à memória de Carlos I pelo resto de sua vida.
#Ulisse Amendolagine e Lelia Cossidente Amendolagine. Servos de Deus da Ordem Carmelita Teresiana Secular, que santificaram-se em um matrimonio cristão autentico, testemunhando Jesus Cristo aos irmãos.
#Beatos Sergio Bernardini e Domenica Bedonni foram agricultores nas montanhas de Pavullo (Modena), viveram e morreram santamente. Cônjuges e  pais exemplares, mesmo em meio a tanta pobreza, sofrimento e sacrifício. Eles tinham muitos sofrimentos, mas aceitaram com muito amor em Jesus.
 
Você conhece mais algum? Deixe seu comentário.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Tênis vs. Frescobol

Fragmento de um texto do saudoso Rubem Alves para a reflexão sobre o casamento.
 
Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.
 
Rubem Alves
   
Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele:
 
Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: "Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?". Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.
...
 
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar.
 
O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra – pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...
 
 
A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...
 
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada (...)
 
Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem – cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...
 
Rubem Alves
Fonte: site oficial
 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Catequese do Papa Francisco sobre o Matrimônio

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje concluímos o ciclo de catequeses sobre os Sacramentos, falando sobre o Matrimônio. Este Sacramento leva-nos ao cerne do desígnio de Deus, que é um plano de aliança com o seu povo, com todos nós, um desígnio de comunhão. 

No início do livro do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, coroando a narração sobre a criação, afirma-se: «Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher... Por isso, o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 1, 27; 2, 24). A imagem de Deus é o casal no matrimônio: o homem e a mulher; não só o homem, não somente a mulher, mas os dois juntos. Esta é a imagem de Deus: o amor, a aliança de Deus connosco está representada na aliança entre o homem e a mulher. Isto é muito bonito! Somos criados para amar, como reflexo de Deus e do seu amor. Na união conjugal, o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva.

Quando um homem e uma mulher 
celebram o sacramento do Matrimônio, 
Deus, por assim dizer, «espelha-se» neles, 
imprime neles os seus lineamentos e 
o carácter indelével do seu amor. 

O matrimônio é o ícone do amor de Deus por nós. Com efeito, também Deus é comunhão: as três Pessoas do Pai, Filho e Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em unidade perfeita. É precisamente nisto que consiste o mistério do Matrimônio: dos dois esposos Deus faz uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz «uma só carne», tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimônio! Eis precisamente o mistério do matrimônio: o amor de Deus reflete-se no casal que decide viver junto. Por isso, o homem deixa a sua casa, a casa dos seus pais, e vai viver com a sua mulher, unindo-se tão fortemente a ela que os dois se tornam — reza a Bíblia — uma só carne.

Na Carta aos Efésios, São Paulo frisa que nos esposos cristãos se reflete um mistério grandioso: a relação instaurada por Cristo com a Igreja, uma relação nupcial (cf. Ef 5, 21-33). A Igreja é a esposa de Cristo. Esta é a relação. Isto significa que o Matrimônio corresponde a uma vocação específica e deve ser considerado uma consagração (cf. Gaudium et spes, 48; Familiaris consortio, 56). 

É uma consagração: o homem e a mulher são consagrados no seu amor. Com efeito, em virtude do Sacramento, os esposos são revestidos de uma autêntica missão, para que possam tornar visível, a partir das realidades simples e ordinárias, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a dar a vida por ela na fidelidade e no serviço.

No sacramento do Matrimônio há um desígnio deveras maravilhoso! E realiza-se na simplicidade e até na fragilidade da condição humana. Bem sabemos quantas dificuldades e provas enfrenta a vida de dois esposos... 



O importante é manter viva a união com Deus, que está na base do vínculo conjugal. E verdadeira unidade é sempre com o Senhor. Quando a família reza, o vínculo mantém-se. Quando o esposo reza pela esposa, e a esposa ora pelo esposo, aquela união revigora-se; um reza pelo outro. 

É verdade que na vida matrimonial existem muitas dificuldades, muitas; que o trabalho, que o dinheiro não é suficiente, que os filhos enfrentam problemas. Tantas dificuldades! E muitas vezes o marido e a esposa tornam-se um pouco nervosos e brigam entre si. Discutem, é assim, sempre se alterca no matrimônio, e às vezes até voam pratos! Mas não devem entristecer-se por isso, pois a condição humana é mesmo assim! E o segredo é que o amor é mais forte do que o momento do litígio, e é por isso que eu aconselho sempre aos cônjuges: não deixeis que termine o dia em que discutistes, sem fazer as pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário chamar as Nações Unidas, que venham a casa para instaurar a paz. É suficiente um pequeno gesto, uma carícia... E até amanhã! E amanhã tudo recomeça! 

Esta é a vida. É preciso levá-la adiante assim, levá-la em frente com a coragem de querer vivê-la juntos. E isto é grandioso, é bonito! A vida matrimonial é realmente bela, e devemos preservá-la sempre, cuidando dos filhos. 

Outras vezes eu já disse nesta Praça algo que contribui muito para a vida matrimonial. Trata-se de três palavras que é necessário pronunciar sempre, três palavras que devem existir sempre em casa: com licença, obrigado, desculpa. Eis as três palavras mágicas. Com licença: para não se intrometer na vida dos cônjuges. Com licença, como te parece isto? Com licença, permite-me. Obrigado: agradecer ao cônjuge; obrigado por aquilo que fizeste por mim, obrigado por isto. A beleza da gratidão! E dado que todos nós erramos, há outra palavra um pouco difícil de pronunciar, mas necessária: desculpa. Com licença, obrigado e desculpa. 

Com estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, voltando a fazer as pazes sempre antes que o dia termine, o matrimônio irá em frente. As três palavras mágicas, a oração e fazer as pazes sempre! Que o Senhor vos abençoe e orai por mim!

PAPA FRANCISCO
2 de Abril de 2014

domingo, 14 de junho de 2015

Três amores para um matrimônio

Foi uma pequena festa, para quinze casais que recordaram o aniversário de matrimônio, esta missa celebrada pelo Papa. Inspirando-se precisamente na experiência vivida por estas famílias, o Pontífice indicou as linhas essenciais do sacramento do matrimônio e «do amor esponsal de Jesus pela Igreja», ou seja «por todos nós»: fidelidade, perseverança e fecundidade.

Uma reflexão sobre o amor que brota sobretudo do discurso de despedida de Jesus aos apóstolos, proposto pelo Evangelho de João (16, 29-33). Jesus, explicou o Papa, «fala sobre o mesmo tema: o mundo, o espírito do mundo, que nos faz tão mal, e o Espírito que ele traz, o Espírito das bem-aventuranças, o Espírito do Pai». Ele diz expressamente: «O Pai está comigo». E é por isso que «vence o mundo».



«O Pai enviou Jesus a nós», afirmou o bispo de Roma, porque «amou tanto o mundo que, para o salvar, enviou o seu Filho, por amor». Portanto, «Jesus vem por amor e Jesus ama». Mas qual é o amor de Jesus? «Muitas vezes — fez notar — lemos tolices sobre o amor de Jesus! Mas o amor de Jesus é grande». E, em particular, indicou «três amores de Jesus».

Em primeiro lugar Jesus «ama muito o Pai no Espírito Santo». É um amor «misterioso» e «eterno». A ponto que «nós não podemos imaginar como é grande e belo este amor»; só podemos «pedir a graça de o poder ver uma vez, quando estivermos lá». O «segundo amor de Jesus é a sua Mãe». Vemo-lo «no final: com tantas dores, tantos sofrimentos, Ele da cruz pensou na sua mãe e disse: “Ocupa-te dela!» Enfim, «o terceiro amor de Jesus é a Igreja, a sua esposa por amor: bela, santa, pecadora, mas ama-a igualmente».

A presença dos quinze casais inspirou ao Papa a segunda parte da meditação. «São Paulo — explicou — quando se refere ao sacramento do matrimônio, chama-o sacramento grande, porque Jesus casou-se com a sua Igreja e cada matrimônio cristão é um reflexo destas núpcias de Jesus com a Igreja».

O Papa confidenciou que gostaria de ouvir a história de cada casal para que narre «o que aconteceu neste tempo, ao longo destes sessenta, cinquenta anos, vinte e cinco anos». Mas, acrescentou imediatamente, «não vamos acabar nem sequer ao meio-dia: portanto deixemos estar!». Contudo, prosseguiu, «podemos dizer algo sobre o amor esponsal de Jesus para com a Igreja». Um amor que tem «três características: é fiel; é perseverante, nunca se cansa de amar a sua Igreja, é fecundo».

Em primeiro lugar «é um amor fiel. Jesus é o fiel», como nos recorda também são Paulo. «A fidelidade — afirmou o Pontífice — é precisamente a essência do amor de Jesus. E o amor de Jesus na sua Igreja é fiel. Esta fidelidade é como uma luz sobre o matrimônio: a fidelidade do amor, sempre!». 

O Papa reconheceu que «existem momentos maus, muitas vezes os casais discutem. Mas por fim voltam atrás, pedem perdão e o amor matrimonial vai em frente, como o amor de Jesus para com a Igreja».

A vida matrimonial é «também um amor perseverante», porque, se faltar esta determinação «o amor não progride». E dirigindo-se novamente aos esposos presentes, sobretudo a quantos festejaram os seus sessenta anos de vida matrimonial, o bispo de Roma frisou que é bela esta experiência da perseverança, testemunhada pelo «homem e pela mulher que se levantam todas as manhãs e levam em frente a família».

Por conseguinte, o Pontífice indicou na fecundidade «a terceira característica do amor de Jesus com a sua esposa, a Igreja. O amor de Jesus torna fecunda a sua esposa, torna fecunda a sua Igreja com novos filhos. E a Igreja cresce com esta fecundidade nupcial do amor de Jesus». Contudo, «por vezes o Senhor não concede filhos: é uma provação». E «há outras provações: quando nasce um filho doente».

O Papa Francisco recordou a este propósito «que Jesus não gosta dos matrimônios que não querem filhos, que querem ficar sem fecundidade». São o produto da «cultura do bem-estar de há dez anos», segundo o qual «é melhor não ter filhos, assim podes ir de férias conhecer o mundo, podes ter uma vivenda no campo e estás tranquilo!». É uma cultura que sugere que «é mais cômodo ter um cãozinho e dois gatos», assim o amor é oferecido aos dois gatos e ao cãozinho». Mas, deste modo «este matrimônio acaba por chegar à velhice na solidão, com a amargura da má solidão: não é fecundo, não faz como Jesus faz com a Igreja». Por fim, o Papa rezou pelos casais pedindo «ao Senhor que o vosso matrimônio seja bonito, com cruzes mas belo, como o de Jesus para com a Igreja: fiel, perseverante e fecundo».

PAPA FRANCISCO
MEDITAÇÕES MATUTINAS 

2 de Junho de 2014


sábado, 13 de junho de 2015

Palavras do Papa João Paulo II aos jovens casais - parte II

Durante vários anos, o papa João Paulo II iniciou uma série de catequeses sobre a Teologia do Corpo, nelas, havia algumas exortações, conselhos e bênçãos voltadas para os jovens casais. Aqui se encontram reunidos trechos de janeiro e fevereiro de 1980.

"Não posso esquecer os jovens Casais que nestes dias, perante Deus e a Igreja juraram reciprocamente eterno amor e absoluta fidelidade. Irmãs e Irmãos caríssimos, tende sempre consciência de que sois, na terra, o sinal do amor profundo entre Cristo e a sua Igreja. Para viverdes autenticamente a realidade cristã do vosso matrimônio, contemplai e imitai a Sagrada Família de Nazaré. A união com Deus, a confiança na Providência,  a fidelidade ao dever  quotidiano e o amor recíproco aberto para os outros:  eis alguns dos grandes valores humanos e cristãos que podeis e deveis satisfazer à luz dos exemplos daquela feliz Família, em que nasceu e viveu a sua vida humana o Filho de Deus Encarnado" (02/01/1980).

 
 
"Caríssimos jovens Casais! Também a vós dirijo a minha saudação. Entrastes, com o matrimônio, numa nova fase da vossa vida e debruçais-vos trepidantes para o futuro. Não percais nunca a coragem,  mas, como os Magos do Evangelho,  segui  a estrela da vossa Fé cristã, convencidos de que a família é um "projeto" de Deus que quis exprimir o Seu amor criador e redentor através do homem e da mulher, feitos à Sua imagem e semelhança. Tendo  presente  a  família  de  Nazaré,  procurai  ser  vós  mesmos  uma  "epifania"  contínua,  isto  é, "manifestação" de Cristo, com a vossa religiosidade, a vossa união e a vossa bondade" (09/01/1980).

"(...) "Permanecei  sempre no amor de Cristo" (cfr.  Jo 15,4.9)! O vosso amor, abençoado por Deus no sacramento do matrimônio, tenha sempre por modelo o amor que Cristo nutre pela sua dileta Esposa, a Igreja" (16/01/1980).

"Para vós, jovens Casais, o Apóstolo Paulo tem palavras de exortação que parecem um canto. Ele lembra-vos que o Esposo representa Cristo; a Esposa, a Igreja. Quanta dignidade nesta imagem! Mas eis o ideal: como Cristo ama a Igreja, o Esposo ame a Esposa. E esta seja toda para o homem: vida, afeto, atividade, como a Igreja se oferece a si mesma e os seus louvores a Cristo..." (30/01/1980).

"(...) Sede fiéis à graça de tal  sacramento,  mediante a oração,  cultivando pensamentos de honestidade e de respeito mútuo, afastando todas as tentações do egoísmo. Recomendai o vosso amor à Santíssima Virgem, presente, como em Caná, também nas vossas bodas. Oxalá Ela obtenha graças contínuas tanto para vós como para todas as famílias cristãs!" (06/02/1980).

"(...) Que o vosso amor,
remido por Cristo,
saiba realizar a
total doação recíproca que,
fundindo as vossas existências
numa autêntica comunhão
de pessoas, aberta responsavelmente
à geração de novos seres humanos, 
consinta a cada um "encontrar" no outro a mais profunda verdade de si mesmo"
 
(13/02/1980).
 

"Uma afetuosa saudação dirijo, por fim, aos jovens Casais. Meus queridos, o matrimônio que contraístes é coisa tão grande que, como sabeis, os antigos Profetas e depois São Paulo vos consideraram um sinal da união entre Deus e o seu povo. Desejo-vos e peço ao Senhor que estejais sempre à altura desta nobreza, mediante um amor indefectível,  que se exprima como uma constante doação recíproca numa comunhão total de  pessoas, e seja fecundo de vida.  Só sob esta luz  podereis  também enfrentar e superar  as inevitáveis dificuldades que, longe de atenuar a vossa dedicação mútua, a consolidarão cada vez mais, segundo o texto do Cântico dos Cânticos: "As muitas águas não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir" (Cânt. 8,7).
Assim seja com o auxílio da graça de Deus, que invoco em abundância sobre vós, ao conceder-vos também a minha Bênção" (20/02/1980).

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Casar é difícil

Reproduzo esse texto do Padre Zezinho para a reflexo acerca do sentido do casamento cristão:

O sorriso plácido da vovozinha que completava 50 anos de casada e a frase que ela disse logo após as bodas resume o conceito de um casamento cristão. -Casar é difícil, mas, é uma benção!- foi o que disse olhando para o seu marido que lhe afagava as mãos.
Em poucas palavras, esta mulher simples sem muito estudo, resumiu a teologia e a pastoral do casamento católico: – Estamos juntos não porque é fácil, mas por que Deus nos deu esta benção de um ser a rima do outro por toda a vida.
 

 
Na verdade, uma mulher que se sente chamada a gerar filhos vai precisar de um homem, que também se sente chamado a gerar filhos e ele precisará dela. Mas, antes de gerarem o filho precisam gerar e administrar o seu relacionamento, nascido da mútua adoção e do amor que evoluiu.
Primeiro foi preciso a admiração e o respeito de um pelo outro. Um sabia que poderia qualificar e ser qualificado pelo outro. Há coisas que um homem não tem e por isso precisa de uma mulher para completá-lo; há coisas que uma mulher não tem e ela precisa de um homem para completá-la.
Cada ser humano vem com algum detalhe. Alguns vêem cheios de detalhes especiais que não só os qualificam, mas também qualificam quem com eles convivem. Quando dois seres humanos, um feminino e outro masculino se amam, a união dos dois pode gerar um sólido edifício chamado lar. Tal edifício pode durar séculos e séculos, geração após geração porque foi bem fundamentado e cimentado.
O casamento é direito,
mas tem muitos deveres inalienáveis.
É feito de “sim”,
mas passa por muitos “não”.
É delícia,
mas também, é renúncia
 
Mas formar família é difícil. Se fosse fácil não haveria praticamente um divórcio para cada dois casamentos, como acontece em alguns países. No Brasil você sabe se a família vai bem. Olhe ao seu redor e no seu quarteirão de cidade grande ou no seu bairro de gente pobre. Depois, preste atenção nas pessoas famosas na televisão, no mundo da canção, no mundo da moda, nos esportes e na política. Um grande número deles teve sucesso na carreira, mas nem sempre no amor.
Há sempre a tendência ao egoísmo, a mania de ressaltar o nosso “eu”, a insistência nos nossos direitos mais do que nos nossos deveres. O casamento é direito, mas tem muitos deveres inalienáveis. É feito de “sim”, mas passa por muitos “não”. É delícia, mas também, é renúncia. Não se pode fazer o que se quer depois de casado. Não se pode ir onde se quer e nem gastar o que se quer, porque existe o outro e alguns pequenos outros a precisar de atenção especial.
Por isso, quem não é capaz de renúncia, quem adora demais o seu próprio “eu”, não se case. Na mesma esteira quem gosta demais de si mesmo e não cuida da sua comunidade, não se candidate a nenhum cargo político e nem queira ser padre ou pastor.
Se acharmos que o outro é sem importância não estaremos aptos para nada. Se nos importarmos com ele estaremos prontos para a vida. Estava certa a velha senhora ao definir os seus 50 anos de casada. É difícil, mas é uma benção. Seguramente ela descobrira a importância do outro!
 
Pe. Zezinho
Fonte: site oficial