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quinta-feira, 22 de junho de 2017

O que é um namoro casto?

O Catecismos (CIC, 2350) ensina como deve ser o noivado e o namoro cristão:
  • Os noivos são chamados a viver a castidade na continência.
  • Eles farão, neste tempo de prova, a descoberta do respeito mútuo, a aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem um ao outro de Deus.
  • Reservarão para o tempo do matrimónio as manifestações de ternura específicas do amor conjugal.
  • Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade

O que é castidade?

Ensina o YouCat: “É uma virtude com que uma pessoa apta para a paixão reserva o seu desejo erótico para o amor consciente e decididamente, resistindo à tentação de se perder na satisfação voluptuosa dos elementos sexuais. A castidade não deve ser confundida com beatice. Uma pessoa que vive castamente não é um joguete dos seus desejos, mas vive conscientemente a sua sexualidade pelo e como expressão do amor. A falta de castidade enfraquece o amor e obscurece seu sentido”
A Igreja Católica defende o princípio “ecológico”, isto é, totalizante da sexualidade: primeiro, contém o desejo sexual, que é algo bom e belo; segundo, o amor pessoal; terceiro a vitalidade, ou seja a abertura aos filhos... Três aspectos indissociáveis”  (YouCat, 404).

Mais ensinamentos da Igreja sobre a Castidade...
  • A Castidade é um fruto do Espírito Santo (Gl 5,22s)
  • É um chamado de Deus (CIC, 2348)
  • Um dom de Deus, uma graça (CIC, 2345)
  • “Guarda do amor autêntico” (Papa João Paulo II)
  • “Garantia segura do amor genuíno” (Papa Bento XVI)
  • É uma virtude moral (CIC, 2345), guiada pelo domínio de si e a temperança

O que é um Amor Casto?

“Um amor casto é um amor que se defende contra todas as forças internas e externas que o procuram destruir. É casta aquela pessoa que assumiu conscientemente a sua sexualidade e a integrou bem na sua personalidade” (YouCat, 404)

“Castidade e continência não são o mesmo. Até uma pessoa que tem uma vida sexual ativa no matrimônio deve ser casta; ela comporta-se castamente quando a sua atividade corporal é expressão de um amor sério e fiel” (YouCat, 404)

Ofensas à castidade

O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica resume a questão acerca das ofensas à castidade da seguinte forma: “São pecados gravemente contrários à castidade, cada um segundo a natureza do objeto: o adultério, a masturbação, a fornicação, a pornografia, a prostituição, o estupro, os atos homossexuais. Estes pecados são expressões do vício da luxúria (...)” (Compêndio, 492)

Como viver um namoro casto?

Também o Compêndio nos ensina que“São numerosos os meios à disposição: a graça de Deus, a ajuda dos sacramentos, a oração, o conhecimento de si, a prática duma ascese adaptada às situações, o exercício das virtudes, em particular da temperança, que procura fazer com que as paixões sejam guiadas pela razão” (Compêndio, 490)

terça-feira, 20 de junho de 2017

Corpo: ícone ou ídolo?

Vejamos primeiro a origem da palavra ícone.

A primeira vez que aparece na Bíblia é na famosa passagem em que Deus cria o homem:

“Façamos o homem e a mulher à nossa imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,27)


Isso quer dizer que se olharmos para o homem, se olharmos para a mulher, neles tem algo que fala de Deus; se olharmos para Deus tem algo que fala do homem. Uma pergunta importante é: que imagem de Deus você tem sido para a sua pessoa amada?

Voltemos ao texto bíblico, no hebraico, usa-se a palavra "Tselem" que significa "imagem, figura, reprodução, estátua, escultura" - o sentido do homem criado à imagem de Deus se enriquece em Gn 2,7, quando Deus esculpe o homem do barro.

No texto grego, traduziu-se "tselem" por Eikona (= Imagem, réplica, cópia), de onde vem a palavra "ícone".

O Catecismo nos ensina que "por meio de seus ícones, revela-se à nossa fé o homem criado “à imagem de Deus” e transfigurado “à sua semelhança” (CIC, 1161).

São João Damasceno, em meio a disputa com os iconoclastas, dizia que “A beleza e a cor das imagens estimulam minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus.”

Analogamente, podemos dizer que o corpo enquanto ícone, nos ajuda a rezar, a alcançar a Deus. O corpo do outro, pode nos elevar ao céus, pensemos nas relíquias de santos, nos santos incorruptos, nas chagas dos santos... ao contempá-las, vejo um vislumbre de uma realidade maior...

No YouCat é um trecho que nos diz o mesmo acerca do namoro:

“Quem observa um casal de namorados olhando-se carinhosamente... fica com uma ideia, ainda que aproximada, do que é Céu. Pode ver Deus face a face, é como um instante de amor, único e infindável”
(Youcat, 158).

Mas há também o ídolo...

Deus proíbe a confecção de ídolos: “Portanto, não se pervertam, fazendo para vocês imagem esculpida em forma de ídolo: imagem de homem ou de mulher” (Dt 4,16). Na Bíblia hebraica, usa-se o termo "Pesel" (=Estátua, imagem, efígie, ídolo) que no grego foi traduzido por "Eidolon" (= Imagem, simulacro, ídolo).

A idolatria, ensina o Catecismo, não diz respeito somente aos falsos cultos do paganismo. Ela é uma tentação constante da fé. Consiste em divinizar o que não é Deus. Existe idolatria quando o homem presta honra e veneração a uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou de demônios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro etc. (...) A idolatria nega o senhorio exclusivo de Deus; é, portanto, incompatível com a comunhão divina. (CIC, 2113).

Perceba, portano que tanto o ídolo quanto o ícone são imagens. Acontece que o ídolo me prende à terra, à horizontalidade do aqui e agora. Ele é um simulacro, uma falsificação da realidade. Já o ícone me remete ao céu, ao transcendente, é uma janela aberta para o divino.

"O corpo de cada um de nós é ressonância de eternidade, então deve ser sempre respeitado; e, sobretudo; deve ser respeitada e amada a vida de quantos sofrem, para que sintam a proximidade do Reino de Deus, daquela condição de vida eterna para a qual caminhamos" (Papa Francisco 04/12/13)




quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Castidade segundo os estados de vida

Continuando o tema da castidade, segundo o Catecismo da Igreja Católica, lembremos que “todo batizado é chamado à castidade (...) segundo seu específico estado de vida (CIC, 2348): casados ou celibatários.

Desde os tempos apostólicos, virgens e viúvas cristãs, chamadas pelo Senhor a apegar-se a Ele sem partilha em uma liberdade maior de coração, de corpo e de espírito, tomaram a decisão, aprovada pela Igreja, de viver respectivamente no estado de virgindade ou de castidade perpétua "por causa do Reino dos Céus" (Mt 19,12; cf. CIC, 922).

“Acrescentada às outras formas de vida consagrada, a ordem das virgens constitui a mulher que vive no mundo (ou a monja) na oração, na penitência, no serviço a seus irmãos e no trabalho apostólico, conforme o estado e os carismas respectivos oferecidos a cada uma. As virgens consagradas podem associar-se para guardar mais fielmente seus propósitos” (CIC, 924).

Todos os ministros ordenados da Igreja latina, com exceção dos diáconos permanentes, normalmente são escolhidos entre os homens fiéis que vivem como celibatários e querem guardar o celibato “por causa do Reino dos Céus” (Mt 19,12). Chamados a consagrar-se com indiviso coração ao Senhor e a “cuidar das coisas do Senhor”, entregam-se inteiramente a Deus e aos homens. O celibato é um sinal desta nova vida a serviço da qual o ministro da Igreja é consagrado; aceito com coração alegre, ele anuncia de modo radiante o Reino de Deus (CIC, 1579).


As pessoas casadas são convidadas a viver a castidade conjugal; os outros praticam a castidade na continência: Existem três formas da virtude da castidade: a primeira, dos esposos; a segunda, da viuvez; a terceira, da virgindade. Nós não louvamos uma delas excluindo as outras. Nisso a disciplina da Igreja é rica” (CIC, 2349).

“Os noivos [ou namorados] são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provação eles verão uma descoberta do respeito mútuo, urna aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade”. (CIC, 2350).

“As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã” (CIC, 2359).

A virtude da castidade desabrocha na amizade. Mostra ao discípulo como seguir e imitar Aquele que nos escolheu como seus próprios amigos, se doou totalmente a nós e nos faz Participar de sua condição divina. A castidade é promessa de imortalidade. A castidade se expressa principalmente na amizade ao próximo. Desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes, a amizade representa um grande bem para todos e conduz à comunhão espiritual. (CIC, 2347).

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Falando sobre a castidade


A palavra castidade aparece 47 vezes no Catecismo da Igreja Católica, tida como “perfeição da caridade” (CIC, 915). A Igreja convida os jovens a se instruírem e se prepararem no cultivo da castidade como exercício preparatório para o amor conjugal (CIC, 1632).

A Bíblia enumera a castidade como um dos frutos do Espírito Santo (Gl 5, 22s), ou seja, “primícias da glória eterna” (CIC, 1832). Nos três Evangelhos sinópticos, o apelo de Jesus dirigido ao jovem rico, de segui-lo na obediência do discípulo e na observância dos preceitos, é relacionado com o convite à pobreza e à castidade (CIC, 2053).


Contudo, é nos parágrafos 2337 a 2359, quando aborda as ofensas à castidade, que o Catecismo explicita “a vocação à castidade”, a qual resumiremos a seguir.


O que é a castidade? O Catecismo responde:  é “a integração correta da sexualidade na pessoa” (CIC, 2337), portanto, não é a negação ou repressão da sexualidade e do sexo como algo impuro, sujo, essencialmente mal, mas a forma de vive-la de forma “verdadeiramente humana” (CIC, 2337). E como isso acontece? Quando a sexualidade se exprime em uma relação “de pessoa a pessoa, na doação mútua integral e temporalmente ilimitada do homem e da mulher” (CIC, 2337), em outras palavras, com a pessoa certa (o cônjuge), do jeito certo (a entrega mútua, recíproca, de livre e espontânea vontade), no momento certo (na vida conjugal) e na intensidade correta (ou seja, integral, não doou apenas meu corpo à minha esposa, mas também meu interior).


A pessoa casta se opõe a todo comportamento que venha ferir a castidade, não tolera nem a vida dupla nem a linguagem dúbia (CIC, 2338)


A castidade é uma virtude moral (CIC, 2345), assim como a justiça, a fortaleza, a temperança, isso significa que é adquirida humanamente, resultado de atitudes pessoais firmes, disposição, uso da inteligência, da vontade que regula os nossos atos, guiando nossas paixões segundo a fé e a razão (cf. CIC, 1804). Por isso, compreende-se que “a castidade representa uma tarefa eminentemente pessoal” (CIC, 2344): depende de meu esforço ser mais casto, de não me expor a situações que venham feri-la.


Com isso em mente, compreende-se que “a castidade comporta uma aprendizagem do domínio de si que é uma pedagogia da liberdade humana (CIC, 2339), o qual deve ser aprendido no lar cristão, através dos ensinamentos dos pais (cf. CIC, 2223). O "domínio" do mundo que Deus havia outorgado ao homem desde o início (cf. Gn 1,28) realizava-se, antes de tudo, no próprio homem como domínio de si mesmo (CIC, 377). A alternativa é clara ou o homem comanda suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz” (CIC, 2339).


O Catecismo reconhece que o “domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida. O esforço necessário pode ser mais intenso em certas épocas, por exemplo, quando se forma a personalidade, durante a infância e a adolescência” (CIC, 2342), também em certos contextos culturais (cf. 2344) e estados de vida, como no período do noivado – poderíamos incluir aqui também o namoro (cf. CIC, 2350).


Mas, todo batizado é chamado a viver a castidade (cf. CIC, 2348) e tem a obrigação de “resistir às tentações empenhar-se-á em usar os meios: o conhecimento de si, a prática de uma ascese adaptada às situações em que se encontra, a obediência aos mandamentos divinos, a prática das virtudes morais e a fidelidade à oração” (CIC, 2340).


A virtude da castidade é comandada pela virtude cardeal da temperança, que tem em vista fazer depender da razão a paixões e os apetites da sensibilidade humana. (CIC, 2341). O que é a temperança? É a moderação, a sobriedade, é “a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade” (CIC, 1809). Não está relacionada apenas à sexualidade, mas também a toda espécie de excesso, o abuso da comida, do álcool, do fumo e dos medicamentos (cf. CIC, 2290).


O Catecismo lembra que “as virtudes humanas adquiridas pela educação, por atos deliberados e por uma perseverança sempre retomada com esforço são purificadas e elevadas pela graça divina” (CIC, 1810). Dessa forma, ressalta que também a castidade, apesar da exigência de esforço pessoal, é “também um dom de Deus, uma graça, um fruto da obra espiritual. O Espírito Santo concede o dom de imitar a pureza de Cristo àquele que foi regenerado pela água do Batismo” (CIC, 2345). “Leva aquele que a pratica a tornar-se para o próximo uma testemunha da fidelidade e da ternura de Deus”. (CIC, 2346).


Diante de tudo isso, recordo as palavras de Jesus aos discípulos “sem mim vocês não podem fazer nada” (Jo 15,5), então, peçamos a graça de ordenarmos a nossa sexualidade em sintonia com o Seu Coração Sagrado.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Diferenças entre homens e mulheres - 3a parte (comunicação)

Este é o terceiro post da série sobre as diferenças entre homens e mulheres. Pesquisas revelam que o cérebro do homem funciona de modo bem diferente do cérebro da mulher e essa é uma das maiores causas de problemas entre os relacionamentos amorosos. Compreender essas diferenças próprias da natureza do homem e da mulher pode melhorar o convívio e ajudar a ter um namoro menos tumultuado.

Já falamos das diferentes habilidades de cada um, agora, abordaremos como os dois se comunicam de formas diferentes.

Em geral, as meninas aprendem a falar mais cedo que os meninos e de forma mais articulada. As mulheres, por serem mais detalhistas, expressam suas experiências com grande riqueza de gestos, sons e palavras. Elas chegam a usar, por dia, entre 6 e 8 mil palavras; já os homens, de duas a três vezes menos. Para a mulher falar é um modo de agradar e compartilhar, dizer que gosta de você. Já a fala masculina tem o objetivo de informar.

Sob estresse, as mulheres tendenciam a disparar em falar mais ainda, o homem acha que está sendo bombardeado por uma lista de problema para resolver. Fica nervoso, impaciente e tenta organizar as coisas. Na verdade, muitas vezes, elas querem apenas desabafar - e, quando o homem propõe soluções, é provável que ela até fique chateada!

Para um homem conversar com uma mulher, deve conter o impulso de propor soluções ou de questionar seus motivos. Se ela parece ter um problema, uma ótima técnica é perguntar: você quer que eu só escute ou te ajude a solucionar?

A fala feminina pode misturar vários assuntos em uma mesma conversa, o que deixa os homens ainda mais "perdidos". É importante que a mulher compreenda que, para se fazer entender ou convencer um homem, deve apresentar com clareza um pensamento ou uma ideia de cada vez. A fala indireta faz parte da estrutura do cérebro feminino, o homem não precisa se aborrecer com is­so. Pra chegar a um bom relacionamento com uma mulher, deve prestar atenção aos sons e à linguagem corporal.

O homem, geralmente, em um diálogo, usa frases mais cur­tas, fala de uma coisa por vez e, dificilmente, interrompe o outro (a menos que seja um debate). Por isso, os homens ficam irritados quando as mulheres interrompem sua fala ou não deixam eles completarem o raciocínio.

Outro erro muito comum ocorre nos momentos de discussão. Na tentativa de se impor, muitas mulheres, erradamente, elevam a voz, passando ao homem uma impressão de agressividade ou utilizam de "caras e bocas" ou sons para mostrar seus sentimentos: tudo isso é em vão! Geralmente, os homens não conseguem interpretar de maneira correta as sutilezas da entonação e da expressão facial. Quer ser entendida por um homem: seja clara e objetiva!

Outra coisa: as palavras uma mulher podem ser utilizadas com grande flexibilidade, enquanto o homem é mais literal. Ela pode reclamar que ele nunca a ouve; ele pode retrucar "NUNCA? Isso, não é verdade, não estou te ouvindo agora?"

Não é que as mulheres sejam supersensíveis e os homens, insensíveis. É que a constituição cerebral de um é diferente da do outro. Como no mundo femini­no a percepção é muito mais desenvolvida, elas esperam que eles também sejam capazes de ver os detalhes, ler seus sinais de linguagem verbal, vocal e corporal e adivinhar seus desejos, tal como fa­ria outra mulher. A mulher parte do princípio de que o homem será capaz de descobrir o que ela quer ou precisa e, quando isso não acontece, diz que ele é insensível, nem desconfiou! Ele reclama: Sou obri­gado a ler teu pensamento? 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Diferenças entre homens e mulheres - 2a parte (eles)

Este é o segundo post da série sobre as diferenças entre homens e mulheres. Pesquisas revelam que o cérebro do homem funciona de modo bem diferente do cérebro da mulher e essa é uma das maiores causas de problemas entre os relacionamentos amorosos. Compreender essas diferenças próprias da natureza do homem e da mulher pode melhorar o convívio e ajudar a ter um namoro menos tumultuado. Já falamos delas, agora é a vez deles.


Os homens, em geral, usam os sentidos de forma mais seletiva, são mais pragmáticos, generalistas, possuem a sensibilidade menos aguçada que a mulher, sua atenção é mais focada em uma coisa de cada vez, sua forma de se comunicar é direta, fala menos, tende a ser mais racional, tende a ser bom em resolver problemas e, na maioria dos casos, tem maior inteligência espacial.

Estudos que confirmam que o cérebro masculino é especializado, compartimentado, configurado para se concentrar numa atividade específica. Por isso, a maioria dos homens diz que só pode fazer uma coisa de cada vez. Quando um homem pára o carro para consultar um mapa, o que faz primeiro? Desliga o rádio! A mulher, geralmente, não compreende isso. Se ela lê, ouve e fala ao mesmo tempo, por que ele não faz o mesmo? Por que ele insiste em que se desligue a televisão quando o telefone toca? Por que não escuta o que eu digo quando está lendo jornal ou vendo tevê? É uma queixa comum entre as mulheres do mundo todo. A resposta é que, devido ao número menor de fibra conectora entre os hemisférios e à compartimentação, o cérebro masculino é configurado para executar uma coisa de cada vez. Observe a imagem do cérebro de um homem enquanto ele está lendo, e vai verás que fica virtualmente surdo!

O cérebro masculino evoluiu de forma a solucionar problemas e buscar soluções racionais para estes problemas. As mulheres, geralmente, têm dificuldade com jogos espaciais ou atividades que exijam muito raciocínio lógico. A diferença já começa na idade escolar, quando mais novos, atividades como línguas e artes são aprendidas por elas mais rapidamente que pelos meninos, mas com a introdução de matérias como matemática, física e ciências, eles acabam se saindo melhor.

A maioria dos homens apresenta boa capacidade de localização. Apenas 10% das mulheres tem boa ou excelente orientação espacial, por isso, da dificuldade delas em estacionar o carro, fazer baliza, ler mapas, distinguir direita da esquerda e da dificuldade masculina de pedir informações quando está perdido!

As habilidades inatas do homem em se localizar fazem com que, admitir estar errado e se perdeu, seja admitir sua incapacidade e isso equivale, no seu entendimento, ao medo de ser abandonado pela companheira.

Para o homem, dirigir um carro é testar sua habilidade espacial em relação ao ambiente. Para a mulher, dirigir é apenas ir do ponto A ao ponto B sem contratempo. Se ele é o passageiro, a melhor estratégia é ligar o rádio, fechar os olhos e ficar calado. Afinal, se sabe que, em geral, a mulher se envolve menos em acidente que o homem. Ela chegará até lá. Talvez demore um pouco mas irá.

O homem, quando dirige, usa sua habilidade espacial e toma decisão que parece perigosa para a mulher que está a seu lado. Desde que ele não seja um louco do volante, é melhor ela se desligar, parar as críticas e o deixar dirigir em paz.

A visão masculina é programada para enxergar a longa distâncias. Não é muito boa com detalhes. Por isso, os homens têm dificuldade para encontrar chaves, meias, a manteiga na geladeira... Mesmo estando ao alcance da mão! Ou de perceber que a mulher cortou dois dedos do cabelo! Ou ainda as imperfeições do corpo feminino, como rugas, estrias, celulite, gordurinhas! Portanto, é muito provável que o seu namorado não perceba as “imperfeições” do seu corpo. Geralmente, isso só acontece, quando a mulher começa a mostrar! Então, pare de mostrar esse tipo de defeito e comece a focar nas coisas boas, assim seu namorado vai percebê-las mais ainda!

Para encerrar esse post, cito o papa Francisco:

O homem e a mulher, como casal, são imagem de Deus. A diferença entre homem e mulher não é para a contraposição, nem para a subordinação, mas para a comunhão e a geração, sempre à imagem e semelhança de Deus.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Diferenças entre homens e mulheres - 1a parte (elas)

Pesquisas revelam que o cérebro da mulher funciona de modo bem diferente do cérebro do homem e essa é uma das maiores causas de problemas entre os relacionamentos amorosos. Compreender essas diferenças próprias da natureza do homem e da mulher pode melhorar o convívio e ajudar a ter um namoro menos tumultuado.


Essas diferenças são, primeiramente, de ordem biológica, mais que cultural. A anatomia da mulher é diferente da do homem: não só pelas genitálias, mamas, mas também a constituição óssea (mais leve nas mulheres), formato do crânio (maior nos homens), da bacia (mais arredondada nas mulheres), dos dentes (na mulher, são mais delicados e regulares, enquanto, no homem, são mais volumosos), do funcionamento cerebral. O cére­bro feminino é um pouco menor que o masculino e, muito embora, o homem possua cerca de quatro bilhões de neurônios a mais, as mulheres, geralmente, alcançam uma pontuação cerca de 3% mais alta nos testes de inteligência do que eles.

A diferença entre os sexos se encontra também relacionada a questões genéticas, bioquímicas e variações hormonais, por exemplo, o excesso de testosterona no homem e de progesterona na mulher, isso faz com que as mulheres variem mais de humor ao longo do dia do que os homens.

Em geral, a mulher escuta melhor que o homem e distingue muito bem os sons mais agudos. O cérebro feminino é programado para ouvir um choro de criança no meio da noite, enquanto o pai pode não perceber e continuar dormindo. Com uma semana de vida as meninas são capazes de identificar a voz da mãe ou distinguir o choro doutro bebê entre os sons do ambiente. Os meninos não conseguem.

O cérebro feminino tem a capacidade de isolar e selecionar os sons e de tomar decisão a respeito de cada um deles. Por isso, as mulheres conseguem prestar atenção a uma conversa íntima e, ao mesmo tempo, ouvir o que se diz em volta. E é também por isso que os homens têm tanta dificuldade em escutar alguém quando a televisão está ligada ou quando vem da cozinha o barulho de prato. Se o telefone toca, o homem pede que se pare de falar, que se abaixe o som ou desligue a televisão para que possa ouvir. A mulher simplesmente atende.

Desde que nascem, as meninas são muito mais sensíveis ao toque e, quando adultas, a sensibilidade de sua pele é, pelo menos, dez vezes maior que a dos meninos.

Também os sentidos do paladar e do olfato são mais aguçados na maioria das mulheres do que nos homem. Os homens se saem melhor na percepção de salgado e amargo enquanto que as mulheres são muito melhores em distinguir doce. Eis aí uma provável causa das mulheres gostarem tanto de doce e de estar entre elas a maioria dos provadores de alimento. Na mulher o sentido do olfato não apenas é superior ao do homem médio mas fica ainda mais apurado durante o período da ovulação.

Muitas mulheres têm boa visão periférica de qua­se 180º. Os olhos do homem são maiores que os da mu­lher e o cérebro masculino é configurado para visão a longa distância, do tipo túnel, que o faz enxergar claramen­te em frente até muito longe, como se usasse binóculo.

Elas conseguem ser mais detalhistas, descritivas, mas eles têm dificuldade de encontrar a manteiga na geladeira ou a chave do carro mesmo que esteja a sua frente.


Em geral, as mulheres têm uma capacidade maior de perceber as variações de cores, especialmente, os tons de vermelho. O cromossomo X é o responsável por essas células que processam as cores. Como possui dois cromossomos X, isso se reflete na maneira detalhada como ela descreve as cores. O homem nomeia as cores com palavras simples, corno vermelho, azul e verde. A mulher fala de cinza-grafite, verde-água, azul-turquesa, cor de malva e verde-maçã.

De forma alguma as diferenças aqui descritas são para alimentar qualquer forma de sexismo, mas para mostrar que somos diferentes sim, mas complementares, isso nos enriquece como humanos. Certa vez, o papa João Paulo II assim se pronunciou acerca das diferenças entre homens e mulheres:

“A mulher é o complemento
do homem, como o homem é
o complemento da mulher:
mulher e homem são entre si complementares.
A feminilidade realiza o “humano”
tanto como a masculinidade,
mas com uma modulação distinta e complementar”

(Papa João Paulo II)



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Como a luxúria pode estragar um relacionamento

A teologia católica ensina que a origem de todos os males humanos encontra sua raiz nos chamados "pecados capitais": soberba, avareza, luxúria, inveja, gula, ira e preguiça. Eles interferem, inclusive, no namoro cristão.

Esse é o terceiro texto de uma série de reflexões sobre estes pecados para ajudar cada um a lidar melhor com seus limites e melhorar seu relacionamento e sua vida. Já abordamos a soberba e a avareza, falemos, agora, da luxúria.


Luxúria ou lascívia é o vício contrário à virtude da pureza, caracterizada por pensamentos excessivos de natureza sexual ou um desejo sexual confuso ou incontrolável. Hoje, fala-se muito sobre a compulsão sexual.

Que atos podem se considerar lascivos?
  • Ações libertinas que desrespeitem seu corpo, do outro;
  • O olhar malicioso sobre pessoas e/ou objetos com intuito de obter excitação;
  • Alimentar voluntariamente pensamentos, a imaginação ou os desejos impuros;
  • Fornicação: ter relações sexuais antes do casamento;
  • Adultério: ter relações sexuais extraconjugais;
  • Masturbação: excitação voluntária dos órgãos sexuais;
  • As chamadas perversões como incesto, pedofilia, bestialidade, exibicionismo sexual, sadomasoquismo etc.
  • Pornografia, dentre outras coisas.
Que males a luxúria pode trazer para o relacionamento amoroso?

Um namoro centralizado no sexo, dificilmente, se sustenta por muito tempo. Antecipar as etapas do relacionamento pode gerar sensação de “vazio”, de se sentir usado, abandonado, pode ser gatilho para uma série de atitudes de dominação, violência, possessividade etc., aumenta o risco de DST’s, de gravidez na adolescência; a sensação de desamparo pode levar à transtornos de ansiedade, depressão etc.

A masturbação é sempre, e especialmente no adulto, uma manifestação de pouca maturidade no desenvolvimento da personalidade, já que resulta de não se ter alcançado um nível de adequado autocontrole. Pode levar a sentimentos de culpa e vergonha. A longo prazo, se não se corrige, torna a pessoa mais introvertida, egoísta, sempre às voltas com os seus problemas e incapaz de estabelecer relações de entrega e doação de si mesma com os outros.

A pornografia, adultério, fornicação ou mesmo o desejo sexual incontrolável podem destruir o namoro, o noivado e até o casamento. A pornografia pode levar ao desinteresse pelo parceiro e incentivar a infidelidade, gera expectativas irreais que prejudicam o relacionamento. Acaba por destruir a confiança e a franqueza, qualidades essenciais no casamento. Visto que em geral é feito em secreto, o uso da pornografia muitas vezes leva a enganar e a mentir. O cônjuge se sente traído. Não entende por que seu parceiro não mais o acha atraente.

Na alma, os pecados contra a pureza nublam, entenebrecem e materializam, a inteligência. Cegam-na para as coisas de Deus (1Cor 2, 14). Desmoralizam e embrutecem o coração gerando a acídia ou "preguiça espiritual" ou desleixo para com as coisas sagradas, que, progressivamente, a pessoa passa a ver Deus como um "estraga prazeres" e tende a se afasta Dele, podendo abandonar a religião e cair na impiedade. Por isso, é importante vigiar e orar.

Como superar o vício da luxúria?
  • Buscar compreender quais as verdadeiras razões que o levam ao vício (carência afetiva, imaturidade emocional, medo de compromisso, dificuldade em se relacionar, insatisfação pessoal etc.);
  • Fugir ou evitar aas ocasiões que levam ao pecado;
  • Evitar o ócio e utilizar o tempo de forma produtiva;
  • Vida de oração;
  • Prática da confissão;
  • Penitências e mortificações;
  • Em alguns casos, é necessário ajuda profissional.
Nós fomos feitos para o amor, não para qualquer amor, mas uma amor que tende ao infinito, uma amor sobrenatural e a luxúria vem deteriorar essa tendência ao eterno que reside em mim, ela distorce, deforma a maneira de amar, fazendo com que se viva uma amor egoísta, centralizado na sensação de prazer e não na pessoa do outro, e não em uma amor enquanto doação e entrega total, um amor aberto à fecundidade, um amor tão forte que, a exemplo do Pai e do Filho, seja capaz de gerar um Terceiro.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Relações sexuais pré-matrimoniais em casa?!

D. Estêvão Bettencourt analisa a prática de alguns pais que permitem que seus filhos tenham relações com suas namoradas em casa, alegando "segurança" e aborda o sentido da sexualidade cristã.



A revista FAMÍLIA CRISTÃ de março 2003, pp. 42s, publicou uma reportagem que tem por subtítulo: "Em nome da segurança, muitas famílias flexibilizam seus padrões morais e permitem que os filhos mantenham relações sexuais em casa". A reportagem começa com a seguinte observação:

"A cena pode estar ocorrendo agora: um jovem de 16 anos recebe em casa, no seu quarto, a namorada de 15 anos e os dois mantêm relações sexuais. Com autorização dos pais da garota e dos do jovem. Este comportamento foi percebido em uma pesquisa, realizada há dois anos pelo Instituto de Medicina Social da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Instituto de Saúde Coletiva da UFB (Universidade Federal da Bahia) e Núcleo de Antropologia do Corpo e Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que ouviu 120 jovens de Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Segundo o levantamento, muitas famílias preferem que as relações sexuais de seus filhos ocorram em casa, optando pelo "mal menor". Sob o mesmo teto, os jovens estão longe da violência urbana e os pais têm oportunidade de dialogar com o "casal" sobre questões ligadas à sexualidade, como uso de preservativos, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e até ajudar a evitar uma gravidez precoce" (p. 42).                           

A aprovação deste procedimento é formulada de diversos modos no decorrer do artigo, levantando-se o testemunho do Prof. Dorivaldo Pires de Camargo, docente de Ética no ITESP ou Instituto de Teologia de São Paulo:

"A ética renovada, iniciada a partir do Concílio Vaticano II, vê homens e mulheres como seres humanos integrais e compreende suas naturezas carentes e necessidades vitais. Não estou, com isso, justificando nada e, menos ainda, deixando de justificar. Mas o fato de um homem transar em casa não deve ser alvo de um julgamento precipitado ou de uma condenação, mas algo que propõe um diálogo mais aberto entre pais e filhos, sem hipocrisia, tabus ou aceitação de normas fixas que sirvam para todos" (p. 42).                                                                   

A propósito comenta Mariângela Mantovani:

"O que assusta não é tanto o jovem transar ou não em casa, mas a idade cada vez mais tenra com que eles iniciam suas vidas sexuais. Embora com 12 ou 13 anos, uma garota possa estar com o corpo pronto para ter relações, nem sempre a cabeça está" (p. 43).                                      
QUE DIZER?
Antes do mais, convém averiguar que sentido possam ter as relações sexuais pré-matrimoniais.
1. Relações pré-matrimoniais: avaliação
Amar é querer bem um ao outro;
implica doação ou entrega,
para que o bem do ser amado possa ser atingido.
Ora o amor que surge entre jovens solteiros é algo que vai crescendo: atravessa as fases do namoro e do noivado para chegar ao casamento. Só no matrimônio é que ocorre a união plena e comprometida entre os cônjuges; somente então existe o ambiente adequado para as relações sexuais, que supõem um lar e amor estável entre esposo e esposa para que possam educar seus filhos.
Sinal evidente de que as relações pré-matrimoniais estão fora de propósito é o fato de que são geralmente acompanhadas por anticoncepcionais e outros artifícios; induzem os interessados a mutilar a natureza, que por si é unitiva e fecunda. Se não se tomam tais cautelas, dá-se o perigo de engravidamento indesejado, que não raro termina com abortamento.
Com outras palavras:
A relação sexual é algo de tão íntimo e profundo que ela
 não pode ser a primeira demonstração do amor 
nascente; é, antes, a expressão suprema da maturação 
da consolidação desse amor. Unir-se sexualmente 
significa doar-se por completo e, por conseguinte, 
comprometer-se totalmente.
Quem separa a sexualidade do amor comprometido, procura apenas o prazer egoísta anexo às relações sexuais; esse prazer não é a finalidade da sexualidade, mas é algo que o Criador acrescentou à vida sexual para facilitar o desempenho da sua função unitiva e fecunda ([1]).
As relações entre sexualidade e amor podem ser assim expostas:
a) Prostituição: é a relação entre "anônimos", que muitas vezes não têm amor mútuo;
b) Amor livre: é a relação entre pessoas que se conhecem e amam mutuamente, mas sem compromisso ou sem assumirem definitivamente o seu consórcio;
c) Noivado: é amor, já, de certo modo, comprometido, mas ainda com reservas, podendo cada qual afastar-se;
d) Casamento: amor comprometido e duradouro, clima apto para a doação sexual, ao passo que nos três casos anteriores esta é despropositada.
2. As razões em prol das relações pré-matrimoniais
Costuma-se aduzir as três seguintes:
1) "É preciso testar o amor (a vida sexual) antes do casamento para evitar os fracassos posteriores".
Respondemos:
O teste sexual anterior ao casamento
não prova que os dois parceiros poderão
viver felizes a sua vida conjugal.
Esta implica convivência diária e partilha de responsabilidades, lutas, alegrias... - o que exige uma verdadeira conversão do coração, cujo alcance é muito mais amplo do que o do relacionamento sexual.
2) "O contrato matrimonial vem a ser mera formalidade. Não é o papel que faz o amor!"
Em resposta, devemos reconhecer que, de fato, o papel não é o essencial no casamento, mas é o amor. Todavia o papel lembra
A doação plena; é como que um espelho e um sinal que argui e que pode incomodar.
Ademais o casamento não é função que interesse a dois indivíduos apenas; não se pode viver o casamento em foro meramente privado e individualista; sem inserção corajosa e oficial dentro da comunidade, o amor corre o risco de ser mero egoísmo e manipulação do parceiro; é o nós da sociedade que lhe dá apoio para se consolidar. Por isto tanto os nubentes quanto a sociedade devem estar interessados na regulamentação ética e jurídica da vida conjugal. A sociedade compartilha, de certo modo, a vida dos seus casais, alegrando-se e entristecendo-se com eles.
3) "Hoje em dia os jovens têm que esperar anos para adquirir posição profissional definida e a estabilidade financeira necessária ao casamento. A longa espera gera impaciência, principalmente numa sociedade erotizante como a nossa".
Em resposta, observamos que um mal não se cura com outro mal. Aliás,
A espera também tem seus aspectos positivos;
fortalece a vontade, permite o aprimoramento da formação
humana e moral dos noivos...
Ademais quem não sabe dizer Não a si mesmo antes do casamento, dificilmente o dirá depois.
O problema dos impulsos sexuais depende muito das convicções de cada pessoa: quem julga que o imperativo do sexo é inexorável e deve ser atendido imediatamente, sentirá atrativos sexuais veementes; ao contrário, quem tem a convicção de que a vida sexual é a expressão consumada (e não inicial) do amor, não dará tanta importância aos apelos eróticos e saberá viver a continência com mais facilidade. Já se tem dito que o cérebro, com a sua fantasia e a sua memória, é a principal glândula sexual do organismo humano; e com razão... A continência dependerá, em grande parte, das convicções pessoais dos interessados; se alguém não acredita nela, não conseguirá praticá-la.
3. E o mal menor?
A Teologia Moral ensina que, quando alguém é obrigado a escolher entre alternativas moralmente más, deve escolher o mal menor. Ora, raciocinam alguns escritores, os casais estão diante de um dilema: ou deixam os filhos "transar" fora do casamento, correndo os riscos da violência e da promiscuidade, ou trazem para casa os namorados a fim de não enfrentarem tais riscos. Esta segunda alternativa representa o mal menor e, segundo parece, deve ser escolhida.
Respondemos que o princípio é válido, mas não se aplica ao caso em foco. Na verdade, este comporta uma terceira opção:
Ministrar aos adolescentes e jovens uma escala de valores que
 mostre o papel da sexualidade humana no conjunto dos valores
da personalidade, enfatizar que o sexo não é um imperativo
diante do qual não é possível a abstinência,
apresentar as etapas da auto-realização,
a genitalidade vivenciada dentro do matrimônio...
Em suma, será necessário reformular a educação para que leve o educando a escalonar suas aspirações de acordo com o Fim Supremo do homem, que é transcendental.
Seria este o autêntico dever dos pais hoje, em vez de abrirem as portas para que possam os filhos "transar" em casa.
E qual é esse genuíno significado da sexualidade humana?
4. A sexualidade humana
Fisiologicamente considerado, o ser humano parece igualar-se aos animais quanto ao sexo. Todavia a sexualidade serve precisamente para diferenciar os homens e os Irracionais. Com efeito; nestes o sexo é instintivo, correspondendo a mera necessidade da natureza. No ser humano, ao contrário, 

A sexualidade integra uma personalidade que tem seu ideal ou 
que é animada por uma alma espiritual, capaz de transcender os 
bens materiais e visíveis. Isto dá um sentido novo à sexualidade, 
fazendo-a participar da nobreza da vida espiritual.
A sexualidade no homem está a serviço da plena realização do ideal de cada um. Donde se segue que ela não é plenamente humana se se limita ao ato sexual, como nos animais. Ela tende a efetuar uma comunhão de pessoas no casamento e à educação da prole, que traz a imagem e a semelhança de Deus.
Estas afirmações nada têm que ver com o pansexualismo de Sigmund Freud. Segundo este, a sexualidade comanda consciente ou inconscientemente a vida psíquica. Ao contrário, dizemos que é o espírito que comanda a sexualidade ou que o amor de benevolência, concebido pelo espírito, dirige a sexualidade. Vemos, pois, que 

A sexualidade, no ser humano, não é valor absoluto e 
autônomo, mas também não deve ser recalcada e pisoteada, 
mas, sim, dirigida para construir o ideal da personalidade. 

Quem recalca sistematicamente a sexualidade, arrisca-se a sofrer incursões sorrateiras e bestiais da mesma: "O homem não é nem anjo nem besta; desgraçadamente, porém, quem quer bancar o anjo, torna-se besta" (Blaise Pascal).
Essa orientação harmoniosa da sexualidade é o que se chama a virtude da castidade; vale tanto para a vida dos solteiros como para a dos casados.
No celibato e na vida una, não há recalque da sexualidade, mas transferência da sua direção para o Criador e, indistintamente, para todos aqueles que Deus ama.