quinta-feira, 16 de julho de 2015

Namorados violentos tendem a tornar-se maridos agressivos, assinala estudioso

Artigo muito interessante extraído do blog do Carmadélio
 
Um namoro atormentado pode acabar em maltrato durante a vida matrimonial.
 
Luca Pasquale, membro do Pontifício instituto João Paulo II de Roma para os estudos sobre o matrimônio e a família, compartilhou alguns pontos chaves para detectar os sintomas de um namoro que fará mal à vida matrimonial.
 
Conforme explica Pasquale, autor de várias publicações dedicadas ao cuidado familiar, o maltrato afeta todas as classes sociais, idades, cidades pequenas e grandes metrópoles e não tem relação com a profissão ou sucessos alcançados.
 
Pasquale assinala que durante o namoro qualquer ato de violência é inaceitável, não deve ser tolerado, e deve ser denunciado imediatamente tanto durante o namoro como no matrimônio. “A frase ‘estava nervoso’ não é uma desculpa para levantar a mão”, destaca.
 
“Se a pessoa que temos ao lado demonstra com as suas palavras e com o seu comportamento, que não tem nenhuma estima por nós, significa que as coisas não estão bem. Menosprezar uma pessoa e coloca-la em condições de submissão, como impedir que tenha um trabalho, amizades, criticá-la e ridicularizá-la, são outras formas sutis de violência que prejudicam o casal”, acrescenta.
 
Para Pasquale, que também é especialista em família do Centro para a Pastoral Familiar da Diocese de Roma, outro exemplo de sinais negativos no namoro é que o companheiro minta sistematicamente, oculte algo ou esconda parte de sua vida. “Se isso acontecer, então deveríamos nos preocupar, porque no casal isso não deveria acontecer”, adiciona.
 
“Não é um bom sinal que tenham vergonha daquilo que está no próprio celular: mensagens, ligações, fotos… a vida, sonhos, desejos, contatos, relações pessoais de cada um dos dois devem ser transparentes”.
 
O especialista afirma que para que o relacionamento seja algo saudável, o respeito pela pessoa deve estar na base da relação: “amor, sacrifício de um pelo outro, compartilhar a vida, os projetos da vida…”.
 
Se não houver respeito pela pessoa, diz Pasquale, o casal está em risco de converter-se em algo como “um objeto para os outros, e neste caso, não teria nenhuma diferença em ter uma menina linda ou um telefone bom ou um carro bom”, lamenta.
 
Por último Pasquale recorda que os valores que a Igreja promove são fundamentais para todos na hora de alcançar um namoro saudável que dê lugar a um matrimônio e uma família unidos.
 
“Sem dúvida, na educação estão diminuindo os valores de referência que devem guiar uma relação. Um valor é um pilar nas escolhas: precisamos partir pelo menos de um ponto de referência. A fé cristã indica os valores que podem ser aplicados a todos: cristãos ou não cristãos”, conclui.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Oito formas de amar altamente perigosas

O psicólogo Walter Riso reuniu em seu livro, “Amores de Alto Risco” (Editora L&PM) uma seleção de oito perfis psicológicos que podem desenvolver formas perigosas de conduzir as relações amorosas. Eles trazem consigo antivalores que se opõem ao desenvolvimento normal do afeto. Nesses casos, é necessário, muitas vezes, ajuda profissional.
 
 
1.     Estilo histriônico e seu amor torturante e teatral. O caráter assediado, perturbado, exibicionista e teatral desse tipo de personalidade se opõe a simplicidade e espontaneidade do amor. Pessoas assim buscam sempre chamar atenção, ser o centro, são excessivamente emotivas. No início, as suas relações afetivas estão impregnadas de uma paixão frenética e fora de controle, depois, costumam terminar de maneira drástica e tormentosa.
2.    A desconfiança do paranoico rompe um princípio básico do amor: a confiança, a segurança; saber que a pessoa que você ama não te fará nenhum dano intencional. Esse estilo de amar é carregado de suspeita e se converte em tortura.
3.    O amor subversivo do tipo passivo-agressivo. Nesse tipo de relação há o conflito de autoridade e a incapacidade de se estabelecer uma forma adequada de autonomia, sem recorrer à tortura psicológica. Falta honestidade emocional, o que se opõe a assertividade que o amor exige: é preciso saber expressar os sentimentos negativos de maneira socialmente aceita.
4.     Estilo egoísta e egocêntrico do narcisista o afasta radicalmente dos valores da humildade e da solidariedade. Não é possível um amor saudável se um dos dois se sente superior ao outro. Aqui, há a dificuldade em reconhecer a própria insuficiência e fraqueza.
5.     O amor perfeccionista e controlador do obsessivo-compulsivo configuram uma mente rígida, apegada a sistematização. O amor fica sufocado diante de tantas regras e condições, não só perde a liberdade como também impede o desenvolvimento. Um amor rígido atrofia. O estilo obsessivo também se opõe a admiração – pode até existir admiração sem amor, mas não há amor sem admiração. O gosto pela essência do outro, por suas conquistas, pelo que ele representa como pessoa, é impossível se a atenção está focalizada em seus erros.
6.     Estilo antissocial e seu amor violento.  A violência que pratica o sujeito antissocial é um antivalor que afeta todas as áreas interpessoais. A combatividade, a explosão e depredação que o caracterizam impedem que se desenvolva valores imprescindíveis para o amor, como a simpatia e a reciprocidade. Se há violência, o respeito desaparece. Falta-lhe a doçura capaz de se negar a fazer o outro sofrer, opondo-se a brutalidade e a crueldade.
7.     Estilo esquizoide e seu amor indiferente. Aqui o outro não é visto, nem sentido, o amor parece desvinculado, frio e distante. Esta apatia emocional se opõe a valores como ternura e empatia. O esquizoide tem dificuldade em se conectar emocionalmente, falta-lhe a capacidade de manifestações de afeto (ternura, carícias, sorrisos, abraços, beijos). A expressão de sentimentos positivos é, talvez, o principal alimento de uma relação amorosa – quando não se tem participação emocional na vida do outro, o amor se atrofia porque perde seu sentido vital.
8.     O amor caótico da personalidade limítrofe. A pessoa bordeline vive em um turbilhão emocional, é descontrolada, instável, falta-lhe paz interior e a raiva transborda com ímpeto. Ela não se sente dona de suas próprias emoções, seu mundo interno é uma bagunça, carece de autocontrole e autoconhecimento.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Duas atitudes que precisamos equilibrar no namoro

Foi o famoso psicólogo Gustave Jung que, em 1921, trouxe uma importante contribuição para o entendimento dos “tipos humanos”, ou seja, a forma como as pessoas se relacionam com o mundo, seus interesses, referências, habilidades e disposições, como elas (re)agem diante de uma determinada situação.
Em seu entender, existem duas atitudes básicas: focar sua atenção no mundo externo (extroversão) ou no mundo interno (introversão).
Introvertido é aquele que tem interesse no mundo interior (ideias, pensamentos, sentimentos, abstrações, especulação filosófica). É reservado, pode parecer distante, distraído, interage pouco com as pessoas, prefere a solidão. É comedido, pensa muito antes de falar e agir, costuma guardar suas emoções e sente dificuldade em se expressar.
Já o extrovertido é o oposto: explosivo, impulsivo, fala e age sem pensar, gosta de interagir com as pessoas, é comunicativo, espontâneo, gosta de coisas práticas, é sociável, acessível, geralmente, descarrega as emoções na medida em que surgem.
Verdade que nenhum ser humano é exclusivamente extrovertido nem introvertido, ambas atitudes existem dentro de nós e variam de acordo com o momento como forma de adaptação. Entretanto, na maior parte do tempo, adotamos uma dessas atitudes, o que a torna parte de nossa personalidade.
Imaginemos uma pessoa que seja totalmente introvertida. Esse indivíduo seria egoísta, indiferente para com as necessidades dos outros, solitário, evitaria diálogos, guardaria suas raivas e frustrações e para explodi-las de maneira desproporcional em um momento fora de contexto.
Pensemos, agora, no caso de alguém se volta demais para o mundo externo. Ele correria o risco de ser superficial e hedonista; poderia apresentar dificuldade em criar vínculos duradouros e de fidelidade, pois tenderá a buscar sempre novos estímulos.
Suponhamos que haja um casal de introvertidos. Para os outros, esse relacionamento parece frio e distante, cada qual no seu canto, regado a discussões “filosóficas” e longos silêncios. Provável que um respeite o espaço e a privacidade do outro, porém, em alguns momentos, um pode se sentir ignorado pelo outro. Esse tipo de casal tende a se isolar dos demais, o perigo é lidar sozinho com os conflitos emocionais.
Imaginemos como seria o namoro de um casal de extrovertidos como descrevemos acima. O relacionamento pode parecer intenso, repleto de passatempos criativos, aventura, sempre estão buscando fugir do tédio e novos prazeres, o que corre o risco de os vínculos se desfazerem facilmente caso deixe de ser interessante.
um namoro entre uma pessoa introvertida e outra extrovertida pode resultar naquele casal em que um fica em casa e o outro comparece aos eventos sociais. O introvertido pode se sentir emocionalmente exausto ao ser obrigado a comparecer a esses compromissos, enquanto o extrovertido pode achar entediante ficar em casa.
O extrovertido pode se tornar a “voz” do casal, reforçando ainda mais a dificuldade do introvertido de interação. Este pode acusar o outro de superficial, ao passo, que o extrovertido o julga “lento”. Caso não seja bem administradas essas diferenças podem resultar em distanciamento cada vez maior do casal.  
Introversão e extroversão são atitudes que surgiram pela combinação complexa de elementos genéticos e elementos aprendidos através dos pais, da escola, da cultura, da experiência de cada um. Isso significa que de alguma forma, podemos aperfeiçoar nossas características de introvertidos ou de extrovertidos.
Para um outro psicólogo, Abraham Maslow, é necessário o equilíbrio entre interioridade e exterioridade a fim de que a pessoa se sinta inteira. Isso também se aplica ao namoro.
Interioridade implica que a pessoa se explorou e se experienciou. Ela está ciente da vitalidade de seus sentidos, emoções, mente e vontade; não teme nem desconhece as atividades de seu corpo e de suas emoções.
Interioridade implica autoaceitação, sentir-se a vontade com seu corpo, com suas emoções, tanto ternas quanto hostis, com seus impulsos, pensamentos e desejos. Não apenas estar à vontade com o que já experimentou, mas também aberto à novas sensações. Aceitar que sua condição interna possa mudar constantemente, reconhecer seu potencial, no entanto, ser realista com suas limitações; não ficar sonhando com alguém que quer ser, nem passar o resto da vida se convencendo de que é essa pessoa. Quem se volta de maneira adequada ao seu interior se escuta e se ama como realmente é. Confia em suas habilidades e recursos por que ver nisso dom de Deus e parte de quem ela é.
Por outro lado, uma atitude de exterioridade saudável implica que a pessoa está aberta não só ao seu interior, mas também ao ambiente que a cerca. A pessoa inteira estabelece com o outro (namorado, noivo esposa) um contato profundo e significativo. Não só escuta a si, como também não é indiferente ao sofrimento do outro, torna-se sensível, empático, solidário.
A exterioridade atinge seu ápice na habilidade de dar amor livremente. A pessoa inteira pode sair de si, pode se comprometer com uma causa em direção ao outro e a Deus e quando isso acontece, os nossos relacionamentos se enriquecem.
Namoro é tempo de crescimento mútuo, o extrovertido pode aprender com seu par introvertido acerca do mundo interior, enquanto este pode aprender daquele, habilidades interpessoais, olhar para o outro com misericórdia. Mas, para isso, é necessário respeitar o tempo de cada um. Quem entende o namoro dessa forma, compreende que o outro não é qualquer coisa, mas um dom de Deus e aos dons do Senhor precisamos ser gratos e cultivá-los.